Saudades do Bevilácqua

Por Regina Alves, no Facebook

Ontem voltei um pouco ao passado numa live do Sinjor Pará . Hoje, a notícia da morte de Jaime Bevilácqua me levou à primeira redação, O Liberal da Santo Antônio, quando o prédio da Receita Federal não encobria a vista, o voo vespertino das andorinhas e o vento que entrava pelos janelões sempre abertos. Ainda não havia ar condicionado.

Eu e a querida Lucimar, a laboratorista já veterana, éramos as únicas naquele Clube do Bolinha. Eu era da turma do dia, mas às vezes entrava pela noite e aí encontrava com o Bevilácqua, que logo iria admirar como um dos melhores tituleiros que conheci.

Tinha um humor especial, era grande leitor, grande redator. Seus melhores títulos eram os impublicáveis. Não havia censura prévia, mas sabíamos o que podia acontecer: toda a redação de O Pasquim tinha sido presa no Rio. Tarso de Castro foi o último a sair. Bevi mandou um 3 X 1 1 para a primeira página: “Pessoal, soltaram o Tarso!”.

Todos adoramos. Inclusive o Eládio Malato, secretário de Redação, que, com seu sorriso de ídolo oriental, pediu outra versão. Bevilácqua não hesitou: “Pessoal, soltaram o Tarso …Mas prenderam o Malato!”.

Naquele tempo a gente tinha medo, ganhava pouco, mas ria muito.

Nota do blogueiro:

Primeiro, é uma honra transcrever aqui um texto de minha queridíssima Regina Alves, mentora, amiga, professora de Jornalismo, mestra que mora no meu coração.

Sobre o nosso querido Bevi, tenho a dizer que era daqueles jornalistas de um outro tempo. Preparadíssimo, politizado (por óbvio), culto, leitor voraz (sim, tínhamos jornalistas que apreciavam livros), bom papo, conhecedor de vinhos e de boa música. Editor top, mancheteiro diferenciado, Bevi era também estiloso no vestir. Lembro que na redação da quase moribunda Província, em 1997, Bevi chegava arrasando com blusas em gola rolê mostarda ou salmão homenageando gloriosamente os estudantes parisienses de 1968. Um tipo inesquecível, como dizia a revistinha Seleções. Reminiscências que afagam a alma já cheia de saudades.

Direto do Twitter

“Hoje nos EUA morreram 1211 pessoas de covid. População de 328 milhões de pessoas. O ‘Brasil acima de tudo’ matou 3.650 pessoas. População de 219 milhões. Somos o primeiro em mortes, com 3 vezes mais do que o segundo colocado e mais do que a soma do segundo ao sexto lugar”.

Fernando Horta, historiador e professor

Com fim do lockdown, Re-Pa é confirmado para o domingo da Páscoa

Raio-X do Re-Pa: como Remo e Paysandu chegam à final do Campeonato Paraense  2020 | campeonato paraense | ge

O Campeonato Paraense está liberado para recomeçar a partir de terça-feira, 30. O lockdown na Grande Belém foi suspenso a partir da próxima semana. A decisão foi anunciada neste sábado pelo governador Helder Barbalho, com a concordância dos prefeitos dos municípios que integram a Região Metropolitana. A competição estava suspensa desde 15 de março, quando entrou em vigor o bandeiramento preto. A medida foi uma tentativa de conter o avanço da covid-19 nesta parte do Pará.  

Diante disso, os presidentes de Remo e PSC acertaram com a FPF a realização do clássico Re-Pa para o primeiro domingo de abril, 4, valendo pela quarta rodada do Parazão 2021. O confronto será realizado na Curuzu. A tabela dos demais jogos deve ser divulgada ainda hoje pela FPF.

Em função do lockdown, Remo, PSC e Tuna tiveram que sair da capital para manter a rotina de treinos. Enquanto a dupla Re-Pa foi para Castanhal, a Lusa escolheu Salinas como destino. Os clubes devem retornar a Belém a partir de segunda-feira, para retomar a rotina de treinos.

Joia azulina em avaliação

POR GERSON NOGUEIRA

Ronald

Revelação da base remista, Ronald é um fenômeno de público e crítica, mas não despertou até hoje nenhum encantamento por parte do técnico Paulo Bonamigo. Ontem, depois de insistentes questionamentos levantados nas últimas semanas, o treinador finalmente falou sobre o ala de 18 anos que também atua como ponta.

Para Bonamigo, Ronald tem muito potencial e um futuro promissor, mas precisa adquirir mais “casca” – experiência, na linguagem boleira. É interessante a afirmação, embora seja absolutamente improvável que o jovem atleta ganhe rodagem sem ter sequência de jogos.

Em favor do técnico há o fato de que, quando assumiu o comando, em setembro, Ronald estava lesionado. Sofreu fissura na clavícula após sofrer entrada criminosa no jogo com o Treze-PB na fase inicial da Série C.

À época, surgiu a informação de que a contusão teria ocorrido porque o jogador não sabia cair e amortecer choques normais no desenrolar de um jogo. Pode até ser, mas o fato é que Ronald levou uma trombada violenta, sendo difícil avaliar se traquejo e tarimba evitariam a lesão.

Ele surgiu como lateral-esquerdo no começo de 2020 contra o Carajás no Baenão. Em poucos minutos, encantou o torcedor pela velocidade, dribles e destreza para cruzamentos. O técnico era Mazola Junior, que ainda escalou Ronald em partidas pelo Parazão 2020 e da Série C.

O tempo consumido na recuperação deixou Ronald fora do radar. Voltou aos poucos, já sob direção de Bonamigo, mas sem a mesma volúpia ofensiva. Na entrevista, o técnico revela que ficou com impressão ruim após a fraca participação do ala diante do Santa Cruz, no Mangueirão.

Era um jogo importante e quase ninguém se saiu bem. Nem Felipe Gedoz, estreante da noite, que perdeu pênalti e dois rebotes no mesmo lance. Apesar da pífia atuação e da derrota por 2 a 0, Bonamigo guardou como referência negativa a participação de Ronald.

Desde então, o ala-extremo só aparece de vez em quando, como contra o Independente pela Copa Verde, fazendo primoroso cruzamento para gol de Lailson, e diante do Gavião na 1ª rodada do Parazão. O Remo goleou, mas Bonamigo fez várias substituições no 2º tempo e o time se desfigurou. Ronald jogou 15 minutos e praticamente não pegou na bola.

Ainda bem que, apesar do comentário crítico sobre o jogo contra o Santa Cruz, o técnico mantém expectativa favorável pela evolução do atleta. Acha também que não pode jogar sobre as costas dele responsabilidades excessivas, o que explica a parcimônia em escalá-lo.

Tomara que, ainda no Parazão, novas chances surjam para Ronald, que só vai ganhar confiança jogando, com direito a erros e acertos. Por coincidência, ontem, o lateral Cicinho, revelado na base remista, defendeu a Bulgária no jogo contra a Suíça pelas eliminatórias europeias. A seleção búlgara perdeu por 3 a 1 e o paraense atuou como titular.

Pedido de folga soa como a valsa do adeus de ER

Eduardo Ramos resolveu dar um tempo do futebol. É o que se deduz das declarações dele, revelando que pediu à Tuna para ser liberado por tempo indeterminado. O pedido foi acatado. Depois de participar das três primeiras rodadas do Estadual, ele diz querer ficar ao lado da família, que mora em Goiás aproveitando a pausa imposta pelo lockdown.

A diretoria da Tuna não confirma a rescisão de contrato, situação que o jogador chegou a esboçar. Principal contratação para o Parazão, Ramos não conseguiu contribuir para um só triunfo da equipe cruzmaltina na competição – foram dois empates e uma derrota.

Aos 35 anos, o meia parece um tanto desencantado com o futebol. É uma impressão apenas, mas o pedido de folga após apenas três jogos pela Lusa soa como saída de cena. A lamentar apenas o fato de o clube ter dedicado esforço e investimento financeiro para contratar o jogador.

Direção do Carajás nega desistência e esclarece posição

Sem treinar devido às restrições do lockdown, o Carajás está em dificuldades para sair da Região Metropolitana e treina de forma precária para a retomada do Parazão. Com cuidadoso planejamento de gastos, para elenco de jogadores e demais funcionários, a paralisação pegou o clube de surpresa, forçando a liberação de jogadores. Apesar disso, não há intenção de desistir da competição.

Com o enxugamento da folha salarial, o Carajás reduziu o elenco de 31 para 25 atletas, incluindo vários jovens da base. A explicação foi dada ontem à Rádio Clube do Pará pelo presidente, Lindomar de Jesus. Ele respondeu a questionamentos feitos por mim e pelo companheiro Rui Guimarães durante o programa Linha de Passe.

Em segundo lugar na classificação do grupo B do Parazão, o Carajás tem boas chances de passar à 2ª fase e ganhou fôlego após a excelente partida diante do PSC na terceira rodada. O time, que era dirigido pelo técnico Pedro Paulo perdeu (2 a 1), mas mostrou qualidade e entrosamento.

Diante das incertezas financeiras, a diretoria liberou o técnico, que tinha outras propostas e acertou saída amigável, mas o time segue na disputa e acreditando na classificação.

Viva a Ciência, salve o SUS!

Chegou o dia da vacinação para este escriba de Baião. A imunização abrange pessoas maiores de 60 anos em Belém, graças aos esforços do governador Helder Barbalho e do prefeito Edmilson Rodrigues. Dia de destacar a importância da Ciência e louvar o formidável trabalho do SUS. 

(Coluna publicada na edição do Bola de sexta-feira, 26)