‘Não é Moro o herói nacional, é o Delgatti’, afirma professora Larissa Ramina, da UFPR

Larissa Ramina, Walter Delgatti Neto e Sergio Moro

A jurista e professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Larissa Ramina, em entrevista à TV 247 rebateu a declaração do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello de que o ex-ministro e ex-juiz Sergio Moro é um “herói nacional”. Segundo a professora, o verdadeiro herói brasileiro é Walter Delgatti Neto, o hacker de Araraquara que acessou celulares de membros da Lava Jato e trouxe à tona o modus operandi criminoso e fraudulento da força-tarefa. “O herói nacional hoje é o Delgatti. Ele sim é o nosso herói nacional. A gente não saberia de nada disso se não fosse o Walter Delgatti”, disse ela.

De acordo com a especialista, o objetivo central por trás de toda a mecânica da Lava Jato era “impedir a retomada de poder por um projeto alternativo que impedisse novamente o acesso às nossas grandes riquezas, principalmente o petróleo”, ou seja, impedir o ex-presidente Lula de concorrer às eleições.

Larissa Ramina defendeu a anulação de todos os processos da Lava Jato. Para ela, todo o material produzido está “contaminado”, e a Operação desperdiçou uma preciosa chance de realmente combater a corrupção no Brasil. “Nós estamos vendo o julgamento da suspeição do Sergio Moro, mas se trata de algo muito maior do que isso. A partir do momento em que se compreende toda essa estratégia que está por trás dessa articulação criminosa que foi a Lava Jato, nós temos que entender que não é o Sergio Moro que é parcial e suspeito, é toda a Operação. Está tudo contaminado. Não se trata só da suspeição do Sergio Moro, se trata da absoluta nulidade de tudo que foi feito por essa malfadada Operação liderada por um juiz absolutamente parcial”. (Do Brasil247)

Ronaldo Porto, o repórter

Por Orly Bezerra, no Facebook

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Conheci o Ronaldo Porto em meados dos anos 70, quando eu iniciava minha carreira profissional na redação do jornal Liberal e ele, um pouco mais velho, vinha da Marajoara para a equipe de esportes da rádio Liberal. Éramos jovens, ainda cheios de projetos, desejos e impulsos. O Ronaldo sempre foi agitado, elétrico e extrovertido, daí que rapidamente ganhou a alcunha de locutor 40 Graus. Muito comunicativo e extrovertido, logo se tornou um dos bambambãs da locução esportiva, formando um time de primeira ao lado de Jaime Bastos, Cláudio Guimarães, Jones Tavares, Ivo Amaral, Zaire Filho e Guerreiro, entre outros. Mas o Ronaldo foi mais longe.

Além do sucesso nas jornadas esportivas, com a dinâmica característica, era polivalente e sempre estava presente nos grandes eventos, contribuindo com seu talento. Quem não lembra dos resultados do vestibular, na época em que a leitura do listão dos aprovados era uma verdadeira “guerra” pra ver quem acabava primeiro? E nesse ponto o Ronaldo era insuperável: leitura rápida com locução firme e compreensiva.

Nas cerimônias, sejam de que forma for, lá estava o Ronaldo com seu charme de apresentador. Depois abraçou a carreira televisiva com grande sucesso na TV RBA , estrelando vários programas por muitos anos. O tempo passou e , mesmo à distância, até por dever de ofício, nos encontrávamos vez por outra. E os nossos encontros sempre foram festivos, a não ser em um momento quando nos estranhamos , fato que, felizmente, foi logo superado.

O Ronaldo construiu uma legião de amigos e fãs em vida. E a prova disso está nas mais diversas manifestações e homenagens que vem sendo feitas pra ele, desde quando foi acometido por essa terrível doença, que acabou por tirar-lhe a vida. E hoje, abatido pela triste notícia, fiquei aqui pensando na trajetória de mais um amigo que a gente perde nessa batalha desigual devido a essa pandemia. E queria registrar um fato que pouca gente sabe, mas que sempre foi motivo de muito orgulho para o Ronaldo. Falo do Ronaldo repórter.

Sim, era um 6 de agosto de 1978, data marcante no cenário mundial. Dia do falecimento do Papa Paulo VI. Naquele dia, ou melhor naquela final de noite e início da madrugada, o Ronaldo voltava de uma noitada com amigos. Chegando carro, costume caraterístico de quem trabalha com notícia , ligou o rádio. Eis que no dial sintonizado , em um noticiário retransmitido de uma emissora de fora, era dada a notícia em edição extra da morte do Papa Paulo VI.

Não acreditando no que ouvia e ainda meio grogue pelos efeitos da noitada, Ronaldo não contou conversa: foi direto para a redação do jornal O Liberal, que funcionava na Gaspar Viana, no prédio que foi da Folha do Norte. Naquela hora, já por volta das 2h da manhã, a edição do dia seguinte estava na oficina pronta pra ser impressa. Numa hora dessa o repórter não se conforma. E o Ronaldo não se conformou. Ligou da portaria do jornal (ainda não tínhamos celular naquela época) para a casa do Cláudio Augusto de Sá Leal, que comandava a redação.

Naquela altura, com a voz um pouco “atrapalhada” e agitada, do outro lado da linha o Leal ficou meio incrédulo com a narrativa daquele locutor esportivo, louco pra dar um “furo” jornalístico, numa época em que a redação brigava muito pra ter uma notícia exclusiva. Pra desespero do pessoal da oficina, que sempre queria rodar o jornal mais cedo possível, a edição foi mudada com a manchete do Liberal do dia seguinte anunciando a morte do Papa Paulo VI. Um senhor furo, já que, devido o horário, o Liberal foi o único jornal impresso do país a sair com notícia, um senhor furo nacional. Esse “furo” é teu, Ronaldo.

Quando cheguei no Liberal, antes das 7h pra começar o trabalho da chefia de reportagem, encontrei o Ronaldo amanhecido na portaria. Estava se deliciando da edição quentinha , que acabara de sair com o firo da morte do Papa.
Como uma mãe baba sobre uma cria…

Que descanse em paz, amigo!

Adeus a Ronaldo Porto, apresentador Barra Pesada e locutor 40 Graus

Ronaldo Porto: Morre Apresentador de TV e Ex-Vereador, de Covid-19

Perdi um velho amigo e um grande companheiro de profissão. Ronaldo Porto, 69 anos, nos deixou na manhã deste domingo (14), vítima de um mal devastador que já vitimou 280 mil brasileiros. Aliás, domingo é dia de grandes jornadas esportivas e Ronaldo foi, como poucos, um entusiasmado narrador de futebol. Era a sua vida, ali na cabine sentia-se gigante – e era mesmo. Uma das vozes mais marcantes de sua geração, ele deixa uma legião de admiradores e ouvintes, com inteira justiça. Quis o destino que o amigo partisse no dia universal do futebol.

Lutava há cerca de um mês contra as complicações decorrentes da covid-19. Teve evolução ruim nos primeiros dias, foi entubado, mas depois começou a reagir de maneira surpreendente, entusiasmando familiares e amigos. Ontem, porém, o quadro se agravou muito. Segundo o boletim médico divulgado no sábado (13), a pressão arterial do voltou a ter quedas significativas, obrigando a equipe médica a fazer medicações mais fortes.

As plaquetas também caíram muito e os leucócitos ficaram em 3 mil, muito abaixo do mínimo indicado. Ainda no sábado, foi detectado que seu sangue continha alto grau de acidez e que ele estava utilizando 100% do oxigênio fornecido pelos aparelhos. Não era mais possível fazer hemodiálise, como necessário, em função da pressão.

Sua morte foi anunciada na manhã deste domingo. Ronaldo tinha problemas de saúde anteriores à covid – era cardíaco e usava marca-passo. Ainda assim, foi guerreiro, resistiu bravamente na luta pela vida.

HISTÓRIA VITORIOSA

Ronaldo Napoleão de Araújo Porto nasceu em 11 fevereiro de 1952. Era bacharel em direito, trabalhou com vendas e também atuou como professor universitário. Começou sua carreira em 1969 como repórter da Rádio Marajoara.

Sob o comando de Guilherme Guerreiro, integrou a equipe campeã de audiência da Rádio Clube. Cobriu pela rádio Copas América e várias Copas do Mundo, com destaque para as de 1994, 2006, 2010 e 2014, realizada no Brasil. Estivemos juntos na maioria desses eventos internacionais, o que me permitiu desfrutar da alegria e da extrema gentileza de Ronaldo, reconhecidamente um grande parceiro de trabalho e viagens.

O passado é uma parada… – Blog do Gerson Nogueira

Por um breve período, de 1997 a 2000, exerceu o mandato de vereador na capital paraense. Era então o mais popular comunicador do Estado, a partir do sucesso de audiência do programa Barra Pesada, na RBATV, criado por mim em 1992. A meu pedido, em 1993, que Ronaldo assumiu a bancada do Barra, contribuindo decisivamente para o êxito do programa, que até então não tinha apresentador fixo.

Depois que criei o programa, em 1992, ficamos por meses buscando alguém que assumisse a ancoragem. Durante esse tempo, o maior campeão de audiência da TV paraense – entre 1993 e 1996 liderou as tardes paraenses – teve altos e baixos, solidificando-se apenas a partir da entrada de Ronaldo, que se redescobriu na TV a partir do Barra Pesada.

Pai carinhoso, Ronaldo era um apaixonado pela vida, aliás repetia isso sempre, quase como um mantra. Teve amores fortes e curtiu bastante as coisas que a vida permite, como passeios e o desfrutar da companhia dos amigos. Nas viagens pelo mundo, Alemanha principalmente, em 2006, foi um animadíssimo parceiro de descobertas gastronômicas pelos inúmeros paraísos culinários do país de Beckenbauer.

Fã de carnaval (era amigo pessoal de Luizinho Drumond, patrono da Imperatriz Leopoldinense), diversões noturnas e convivência com os amigos, Ronaldo também tinha seus clubes de coração. Era azulino – foi sócio e conselheiro – e vascaíno empedernido. Posso dizer que meu amigo viveu intensamente seus 69 anos de vida, aproveitando ao máximo tudo o que lhe foi permitido fazer. “De bem com a vida” era um de seus jargões prediletos, além do inconfundível grito de guerra “Gol, gol, gol!”.

Participei de dezenas de jornadas esportivas na Rádio Clube tendo ele como narrador e eu nos comentários, mas nosso último trabalho em parceria foi a 29 de janeiro passado, quando fizemos o programa de apresentação do jogo Remo x Londrina, na RBATV, pela Série C. Naquele dia, na carona que me concedeu, Ronaldo e eu falamos sobre o medo em relação à covid. Dias depois, precisou ser internado e não mais retornou.

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Dono de estilo intenso e timbre marcante, Ronaldo viveu momentos épicos como narrador esportivo da Rádio Clube, com destaque para a histórica partida entre Boca Juniors x PSC, pela Copa Libertadores da América, em 2003, direto de La Bombonera, em Buenos Aires. Com sua voz possante, narrou de forma emocionante a epopeia bicolor em canchas argentinas (vídeo abaixo). Um bom exemplo da competência e do carisma do amigo que hoje nos deixou. Que descanse em paz.



Templos sagrados merecem respeito

POR GERSON NOGUEIRA

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Wembley, Bombonera, Santiago Bernabéu, Camp Nou, San Paolo, Soccer City, Anfield. Todos têm em comum uma santidade óbvia dentro da esfera de pertencimento do futebol no mundo. São templos sagrados, merecedores de respeito. Há, porém, um detalhe significativo. Antes e acima de todos, paira a imagem grandiosa do Maracanã, nome popular do estádio Mário Filho, construído no Rio de Janeiro para a Copa do Mundo de 1950.

Desde que foi inaugurado, o Maraca virou alvo de admiração mundial. Foi o maior estádio de futebol do mundo por décadas. Chegou a receber públicos superiores a 200 mil pessoas. Tinha oficialmente 155 mil lugares, capacidade que superava o Hampden Park, de Glasgow.

Eram tempos felizes de geraldinos e arquibaldos, derivativos de geral e arquibancada, as duas únicas dependências do gigantesco Maracanã dos tempos sem camarotes vips, restaurantes finos e outras iscas de comodidade hoje utilizadas para aumentar as cotas de faturamento.

Jornalista respeitadíssimo no Rio de Janeiro da primeira metade do século XX, influente pela penada fina e caprichada, Mário era irmão mais velho de ninguém menos que Nelson Rodrigues, o anjo pornográfico, dramaturgo maldito e pai do Sobrenatural de Almeida. Mário não era qualquer um.

Naqueles tempos de profunda atividade política nas redações, a influência do cronista foi determinante para o projeto que beneficiou o futebol e o desenvolvimento da própria Cidade Maravilhosa.

Com justiça, anos depois de sua morte, o estádio Municipal seria rebatizado como “Mário Filho”. Permaneceu assim por mais de meio século, até que nesta semana um estapafúrdio projeto urdido na notória Alerj resolveu conspurcar a obra que resume a própria história do futebol no Brasil.

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Além da Copa de 50, o Mário Filho foi palco de competições importantes, como o torneio de futebol da Olimpíada de 2016 e a final da Copa de 2014. Presenciou firulas magistrais e gols icônicos de Garrincha, Didi, Zico, Romário e o 1000º de Pelé. E é justamente para homenagear um Rei já tão homenageado que pretendem destronar Mário Filho.

Não que o Rei tenha culpa. Provavelmente nem foi consultado a respeito. O problema é de oportunismo mesmo, a busca da treta e dos debates imbecis nas redes sociais, uma das novas pragas entronizadas no país da pandemia. Só sei que Mário Filho não merecia tal insulto.

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Como diz o jornalista e escritor Luiz Antonio Simas, “Pelé merece todas as homenagens, sem dúvidas. No bairro do Maracanã mesmo, pertinho do estádio, existe uma praça chamada Presidente Emílio Garrastazu Médici. Fica a sugestão: tirem da praça o nome do ditador e coloquem o do Rei do Futebol”. Se a ideia é homenagear, que façam as trocas corretas.

Ameaça constante ao nome oficial do Mangueirão

Aqui em pleno Norte o estádio Jornalista Edgar Proença tem alguma semelhança com o histórico do Maracanã em função de também ostentar no nome tributo a um jornalista de imensa importância para o desporto e as comunicações no Estado. Fundador da PRC-5, Rádio Clube do Pará, a quarta emissora fundada no Brasil, Edgar era um apaixonado por futebol e foi simplesmente o pioneiro da radiofonia na Amazônia.

O estádio, construído ao longo de quase uma década, foi inaugurado no dia 20 de fevereiro de 1978 meio às pressas, sediando o jogo Remo x Operário-MS pelo Brasileiro de 1977. A conclusão veio em 2002, quando passou a ter oficialmente o nome de Jornalista Edgar Proença.

Nesse período de duas décadas, a homenagem dada pela Assembleia Legislativa correu riscos. Chegou a ser alvo da cobiça de personalidades estranhas ao esporte, mas ávidas por preservar lugar na posteridade.

A contínua falta de cuidados com a estrutura física do estádio denotava certa má vontade, apesar da óbvia importância que tem para o futebol paraense. A placa oficial traz até hoje uma indelicadeza em relação ao homenageado, cujo nome está grafado erradamente.

Menos mal que o governador Helder Barbalho decidiu levar a peito a reforma modernizante que o estádio Jornalista Edgar Proença fazia por merecer. Pelos próximos 18 meses, a obra dará novos ares ao Mangueirão, a começar pela capacidade ampliada (55 mil) e inovações no padrão Fifa.

Bola na Torre

O programa vai ao ar às 22h30, na RBATV, com apresentação de Valmir Rodrigues. Participações (home office) de Guilherme Guerreiro, Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em debate, Campeonato Paraense e Copa do Brasil. A edição é de Lourdes Cézar.  

Atuação no Rio torna Ruy atração no Papão

A vitória sobre o Madureira, quarta-feira, trouxe à tona pela primeira vez o protagonismo de Ruy no meio-campo do PSC. O meia-armador atuou em bom nível, organizou ataques e comandou todas as ações criativas. De quebra, deu o cruzamento/passe perfeito para o gol de Denilson.

Além de exibir mais desembaraço na equipe, a partir do maior entrosamento com os companheiros, deu sinais claros de que pode ser o camisa 10 há muito esperado pela torcida do PSC – a rigor, desde 2013, quando Eduardo Ramos passou pela Curuzu.

Ruy poderá ser melhor observado pela torcida neste domingo contra o Carajás, na terceira apresentação do Papão no Estadual. Boa oportunidade para ele e para o PSC, que ainda não deslanchou na competição.

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 14)

Helder decreta lockdown diante do colapso da rede hospitalar em Belém

O Governo do Pará decretou novo lockdown em Belém e na Região Metropolitana, após a saúde pública municipal entrar em colapso neste sábado (13) e ter 100% dos leitos destinados a pacientes com covid-19 ocupados. A medida, que foi anunciada pelo governador Helder Barbalho na noite deste sábado (13),  vale inicialmente por sete dias, a partir das 21h de segunda-feira (15), em Belém, Ananindeua, Marituba, Benevides e Santa Bárbara. 

Com isso, apenas os serviços essenciais, como supermercados, farmácias, feiras, entre outros, poderão funcionar. Deslocamentos entre as cidades estão proibidos, a não ser em casos extremos. Os jogos do Campeonato Paraense serão suspensos a partir do dia 15, mas a rodada deste final de semana está mantida.