Helder anuncia prorrogação do lockdown

O governador Helder Barbalho informou na noite desta sexta-feira, 19, que o lockdown em Belém e Região Metropolitana será prorrogado por mais sete dias, terminando no próximo dia 29 de março. A medida restritiva é uma tentativa de controlar o avanço da covid-19. Os casos continuam a aumentar, mas o lockdown já garantiu um recuo na demanda por leitos hospitalares.

Com a decisão, que tem o apoio dos prefeitos dos municípios metropolitanos, os horários continuarão controlados e aglomerações continuam proibidas. O Campeonato Paraense de futebol segue paralisado.

Após intimidações por luta contra agrotóxicos, pesquisadora decide deixar o país

A professora Larissa Bombardi, colunista da Rádio Brasil Atual e pesquisadora do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP), publicou uma extensa carta aberta nesta quinta-feira (18). Em tom de desabafo, ela relata ataques ao seu trabalho, sobretudo após a publicação de seu atlas Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia, em 2019. As intimidações, além de outros motivos pessoais, a fizeram decidir por deixar o país.

Mãe de duas crianças, a mestra, doutora e pós-doutora em Geografia Humana conta que, após o lançamento do livro na Europa, passou a ser intimidada. “Recebi indicação de lideranças de movimentos sociais para que eu evitasse os mesmos caminhos, alterasse os meus horários e a minha rotina, de forma a me proteger de possíveis ataques dos setores econômicos envolvidos com a temática sobre a qual eu me debruço”, disse a pesquisadora.

Ela relata que as intimidações se avolumaram após a maior rede de supermercados orgânicos da Escandinávia boicotar produtos brasileiros, a partir do conhecimento do conteúdo do Atlas. Um dos que a atacaram por suas pesquisas foi o agrônomo Xico Graziano, ex-deputado federal pelo PSDB e apoiador de primeira hora do governo Jair Bolsonaro (sem partido). Ele acusa a pesquisadora de falsificar a história. “A professora Larissa deforma a realidade do agro, para assim endossar sua fantasia retrógrada”, acusou, em artigo.

O agrônomo é conhecido por ter seu nome envolvido em disparos de fake news, através de seu filho, Daniel, que administrou o site Observatório Político, do Instituto Fernando Henrique Cardoso. Daniel foi intimado num inquérito por postar calúnias envolvendo Fábio Luis Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula. Entre elas, a de Fábio ser sócio da Friboi e dono de mansões, aviões e grandes áreas de terras, como o terreno onde está instalada a Escola Superior de Agricultura (Esalq), na cidade de Piracicaba. Todas desmentidas.

Assalto suspeito

Em agosto de 2020, a professora foi vítima de um assalto em sua casa. Após ter sido trancada, durante a madrugada, no banheiro, teve seu laptop antigo levado. “Era um laptop antigo de baixíssimo valor, mas que tinha todo o meu banco de dados. Felizmente eu tinha um backup em outro local, em um HD externo escondido, que não foi encontrado”.

Larissa Bombardi é também autora de estudos, em 2020, nos quais relaciona a suinocultura e a covid-19. “Os artigos tratam da hipótese, ainda não comprovada, mas já discutida por outros pesquisadores, de que a criação intensiva de animais possa ser um dos veículos de propagação da doença”, escreve.

Por conta desses textos ela conta que sofreu intimidações da Associação Brasileira dos Produtores de Proteína Animal e da própria Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). Além de, outra vez, ser alvo de Xico Graziano, dessa vez numa reportagem do Jornal Nacional.

Com bolsa na Universidade Livre Bruxelas, prevista para iniciar em abril desse ano, a pesquisadora, que se abrigou com os filhos, desde o assalto, em uma casa de amigos, pretende deixar o país. (Transcrito do Brasil de Fato)

Maturidade e evolução

POR GERSON NOGUEIRA

Paulo Bonamigo, técnico do Remo — Foto: Samara Miranda/Ascom Remo

Salta aos olhos a evolução técnica do Remo desde que Paulo Bonamigo assumiu o comando, ainda no ano passado, em meio à disputa da Série C. A equipe deixou o estilo arrastão de lado e abraçou um cuidado maior com a organização, valorizando jogadas trabalhadas e correção nos passes.

As mudanças implementadas pelo treinador foram tão profundas que muita gente não lembra dos tempos de chutões, jogo aéreo irresponsável e a quase patológica mania de errar os passes mais básicos.

Era um tormento ver o Remo atuar, principalmente como visitante, quando quase sempre era sufocado até pelo mais furreca dos adversários. Todos os pecados vinham à tona na forma de timidez e insegurança nas apresentações fora de casa.

A era Bonamigo rompeu radicalmente com isso. Para os mais distraídos pode não parecer grande coisa, mas esteticamente o time evoluiu muito, sem ter se reforçado tanto desde que ele pegou o bonde andando na Série C.

Foram ideias bem aplicadas, conceitos básicos de compactação e boa distribuição em campo, além da utilização correta da função dos laterais. Com Bonamigo, os jogadores entram em campo claramente conscientes do papel que devem executar. Antes, a coisa era meio à bangu.

A apresentação de anteontem, em Bento Gonçalves (RS), foi uma reafirmação dessa nova realidade. O Remo, agora contando com reforços de nível Série B, mostrou-se firme, sólido taticamente e com variações de saída para o ataque.

Não se acomodou com a vantagem do empate. Tocou a bola conscientemente, envolveu o adversário afoito e começou a construir a vitória logo aos 20 minutos em jogada exaustivamente treinada com Marlon avançando para dar assistência aos atacantes.   

Interessante é que, nas outras participações recentes do Remo na Copa do Brasil, o grande fantasma era justamente a dificuldade de se impor em terreno inimigo. Ficava faltando sempre um detalhe a resolver, o time não engrenava e acabava sofrendo derrotas inaceitáveis.

A apresentação foi tão ajustada que nem mesmo a arbitragem negativa conseguiu prejudicar ou abalar a equipe. Claro que ainda existem detalhes a corrigir, como o encaixe da marcação no meio-campo, dependente ainda de maior entendimento entre Uchoa e Lucas Siqueira.

Desperdício de chances, hesitações da zaga e decisões erradas no penúltimo passe, como aconteceu em lances com Renan Gorne e Felipe Gedoz, não podem ser relativizados. É preciso treinar e corrigir, pois a meta principal é obviamente preparar o time para a duríssima Série B 2021.

A tranquilidade decorrente da superioridade óbvia permitiu ao Remo se manter inabalável em momentos cruciais, quando o adversário passou a apelar para o antijogo e jogadas de intimidação.

Na entrevista pós-jogo, Bonamigo foi cirúrgico: elogiou a maturidade e a consciência tática da equipe. Sem deixar de valorizar a reestreia de Gedoz, fundamental para fazer o meio-campo funcionar em ritmo mais acelerado, apesar da aparente postura de cadenciar as jogadas.

Ocorre que, mesmo sem correria, Gedoz faz o jogo fluir porque é meia de passe direto, recebe e toca, o que faz o time todo se beneficiar e alargar espaços. Intenso, o meia também pisa na área, como os técnicos gostam de dizer. Como vive boa fase desde a Copa Verde, ele entrou confiante e isso se refletiu na produção.

Lucas Tocantins, por seu turno, estreou e deixou sua marca. Gol importante no jogo e ponto de afirmação para um jogador que veio recomendado, mas que enfrentará concorrência pela titularidade.

O técnico admite que os jogos têm sido usados para dar entrosamento e padrão ao time, pois quase não há tempo de treinamentos repetidos. Além disso, é uma excelente oportunidade para equilibrar o nível técnico e físico de todos, inclusive dos recém-chegados.

Renan Oliveira, que ainda não busca espaço, apareceu de forma diferente no 2º tempo, mostrando preocupação com o jogo verticalizado e contribuindo ainda mais para o desembaraço de Dioguinho, peça mais livre e interessante deste promissor início de temporada azulino. (Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)

Insucesso na Copa BR derruba o Rei Artur

O futebol é um poço de injustiças; algumas pequenas, mas não menos dolorosas. Ontem, depois da eliminação na Copa do Brasil frente ao Volta Redonda (RJ), o Castanhal anunciou a demissão de Artur Oliveira. Ficou claro que, para os dirigentes, a culpa do insucesso cabe ao técnico.

É óbvio que Artur tem responsabilidade na má jornada castanhalense, mas não pode ser crucificado como único culpado. Sabia-se que o clube vinha apostando alto na campanha, atento à gratificação por etapas alcançadas. A frustração levou ao fim da parceria com o treinador.

Talvez tenha faltado dimensionar com mais frieza as verdadeiras possibilidades do Castanhal na Copa BR. O time serve para o Campeonato Estadual, mas não tem qualidade técnica para encarar adversários mais calejados. O Voltaço tem um bom time, disputa a Série C e cumpre boa campanha no Cariocão.

Rei Artur, por mais esforço que fizesse, não podia operar milagres. Já tinha ido bem no ano passado, alcançando as semifinais do Parazão – foi eliminado pelo Remo. É verdade que, neste ano, o time ainda não deu liga. Fez boa estreia contra o PSC, mas as atuações seguintes não convenceram.

No embate da quarta-feira, a zaga falhou muito e acabou propiciando ao Voltaço certa facilidade para impor um resultado folgado, sem aperreios. Ficou evidente que, apesar da luta, o time do Japiim não tinha como fazer frente ao adversário mais credenciado.

A diretoria se movimenta em busca de um novo técnico. É provável que a aposta seja em alguém de fora do Estado. Artur seguirá na carreira e logo deverá estar em ação, talvez disputando o próprio Parazão. A conferir. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 19)