Nicolas confirma conversa com o Vasco, mas nega estar infeliz na Curuzu

Xodó da Fiel Bicolor, Nicolas tem 34 gols em 86 partidas com a camisa do Paysandu — Foto: Jorge Luiz/Ascom Paysandu

Finalmente, o silêncio foi quebrado. O atacante Nicolas fez uma live no começo da noite desta segunda-feira onde confirmou o contato com o Vasco, mas negou estar descontente no PSC. “Obviamente isso é um absurdo (o fato de estar descontente). Todo mundo sabe do carinho que eu tenho pelo Paysandu. Pela consideração, pelo profissional dentro do grupo. Procuro ser muito profissional e, consequentemente ajudar o Paysandu. É um absurdo as pessoas falarem e eu me sinto ofendido e triste ao ouvir os meus torcedores estarem falando que eu estou insatisfeito com meu contrato, que eu não quero treinar e jogar”, disse.

Sobre a negociação com o Vasco, o jogador confirmou o contato e disse que tinha interesse no acordo, pois a mudança representaria uma evolução na carreira. “Como profissional, trabalho para estar em um cenário maior. Infelizmente hoje o Paysandu está em uma competição que não condiz com a grandeza do clube. A situação do Vasco é verdade. Meus representantes chegaram até mim e perguntaram se eu tinha interesse, mas que eu tinha contrato. Precisava me resolver com o Paysandu. Me dá uma dor muito grande que em um dia posso deixar o PSC”.

“Uma oportunidade maravilhosa [ida para o Vasco]. É um gigante do futebol brasileiro, assim como o PSC. Hoje são cenários diferentes. Hoje o Paysandu está num cenário abaixo, mas não é por falta de dedicação”, afirmou.

Durante a live, o atacante procurou refutar a declaração do diretor de futebol do Vasco, Alexandre Pássaro, de que ele havia se oferecido ao clube e feito contato até com o técnico Marcelo Cabo. Segundo o dirigente, Nicolas disse que tinha um acordo com Papão para ser emprestado sem custos.

“Essa oportunidade apareceu e eu levei à direção. Pela grandeza do Vasco, da equipe, eu tive um certo interesse, obvio, mas sou muito feliz no PSC. O que me deixou incomodado é a maneira que a torcida lidou com isso. Foi como se eu tivesse um tipo de ingratidão da maneira que eu poderia sair”, observou. Ainda segundo Nicolas, a negociação entre PSC e Vasco não evoluiu. Por isso, ele disse que precisou “mudar a chave” e focar apenas na equipe paraense.

“Para deixar claro para o meu torcedor e do torcedor do Vasco, [a transferência] não evoluiu por diversas coisas e eu trato isso de uma forma simples: como ela não evoluiu, minha cabeça continua no Paysandu. Torcedor, quero que você leve isso para o seu meio de trabalho. O que você faria? A minha torcida, obviamente não foram todos, me tratou de maneira hostil, dizendo que eu era ingrato. Isso é mentira. Hoje estou feliz no clube. Levei a situação adiante, mas ela não foi adiante”, disse, dirigindo-se à torcida.

Nicolas contou que recebeu propostas de outros clubes, como Goiás e Sport. A que chegou “mais perto”, porém, foi a do Vasco. O atleta atribui a exposição do caso ao fato de o documento que oficializava a proposta do clube carioca ter sido vazado. “Isso me expôs de maneira absurda, que eu não queria, até porque se não desse certo, ninguém iria saber e as coisas iriam continuar caminhando”, lamentou.

Segundo fontes do clube, a oferta do Vasco envolveria um empréstimo de Nicolas até o final de 2021, mas sem pagar nenhum valor ao PSC, apenas o salário do jogador, com opção de compra ao final do ano por R$ 600 mil, divididas em três parcelas de R$ 200 mil. A diretoria bicolor descartou a oferta.

Nicolas, de 31 anos, tem contrato com o Papão até o fim de 2022, com multa rescisória de R$ 5 milhões. Em seu contrato não existe cláusula de liberação para clubes de divisões superiores ou para o exterior. Pelo PSC, marcou 34 gols em 86 partidas. (Foto: Jorge Luiz/Ascom PSC)

MPF denuncia punks do Pará por pôster com Bolsonaro nazista

Por Guilherme Lúcio da Rocha – no UOL

Cartaz do Facada Fest, no PA, divulgado em 2019 - Reprodução/Facebook

O Ministério Público Federal (MPF) ofereceu denúncia por injúria e apologia ao crime contra os organizadores do “Facada Festival” de 2019, festival punk rock idealizado por artistas de Belém (PA). Segundo o MPF, as ilustrações do festival feriram a honra do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Na última quinta-feira (25), a defesa dos quatro organizadores e do ilustrador responsável pelas artes entrou com um habeas corpus pedindo a paralisação da investigação e que a Justiça não aceite a denúncia.

O pôster mostra o presidente Jair Bolsonaro com uniforme nazista e bigode similar ao de Adolf Hitler. Na ilustração, creditada a Paulo Victor Magno, o presidente aparece armado, com a bandeira dos Estados Unidos, sobre a Amazônia pegando fogo e índios sendo crucificados.

O processo corre na 4ª Vara Federal Criminal do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) e, caso o habeas corpus não seja acolhido e a Justiça aceite a denúncia, os envolvidos se tornarão réus. Ele relembra uma comparação do governo brasileiro com a Alemanha nazista feita pelo ex-ministro do STF Celso de Mello, além de charges produzidas no Brasil e no exterior fazendo um paralelo de Bolsonaro com o regime.

Em conversa com Splash, o advogado Adrian Silva afirmou que o caso se trata de um processo político e um claro flagrante de censura. “Nós não acreditávamos que esse processo teria qualquer futuro pois não existe nada sólido nessa questão. Nos parecia muito óbvio que o Ministério Público iria arquivar o inquérito. O que houve foi uma crítica – feita, inclusive, por membros do Supremo Tribunal Federal e intelectuais, com relação a atitudes nefastas do presidente Jair Bolsonaro. Se estivéssemos num regime de exceção, numa ditadura, essa denúncia faria sentido”.

Splash teve acesso à denúncia do Ministério Público Federal, entregue à Justiça no dia 15 de setembro de 2020. De acordo com o documento, os organizadores do evento e o ilustrador das imagens que promoviam o Facada Fest ofenderam a dignidade e o decoro do presidente.

O MPF sugere uma proposta de transação penal, ou seja, um acordo para que o processo não seja instaurado e que consiste na doação de duas cestas básicas no valor de R$ 1 mil ou prestação de serviços comunitários por quatro meses, com seis horas semanais.

“[…] Não se tratou apenas de críticas ao governo federal. Houve, sim, manifesto abuso por parte dos denunciados, o que afetou diretamente a honra do Presidente da República e propiciou a exaltação de um ato criminoso”, diz trecho do documento. Desde a última quarta-feira (24), o caso aguarda uma decisão do juiz responsável, Antonio Carlos Almeida Cameplo. A defesa afirmou à reportagem que não aceitará o acordo com o Ministério Público, caso a denúncia seja aceita.

“O MPF não existe só para acusar as pessoas, mas para garantir os direitos. Ele deveria arquivar a denúncia, e vamos batalhar por isso. Estamos vendo aos montes casos de censura no país, olha o que aconteceu com o Felipe Neto ou o outdoor do pequi roído. Não podemos abrir um precedente para que a crítica se torne um crime no Brasil”.

SERGIO MORO AUTORIZOU INQUÉRITO

O processo teve início em setembro de 2019, quando o presidente do Instituto Conservador de São Paulo, Edson Pires Salomão, denunciou ao MPF o cartaz do festival por suposta ofensa ao presidente, fazendo alusão à facada sofrida pelo então candidato em 2018.

O Facada Fest, que é realizado em cidades do Pará e até fora do Estado, ganhou esse nome na sua criação, em 2017, antes do atentado sofrido por Jair Bolsonaro. O nome seria uma crítica a preços altos em eventos culturais.

Cartazes para edições de 2019 retratavam um palhaço Bozo empalado por um lápis que saía pela boca, vestindo uma faixa transversal com o número 171, e também uma sátira do presidente, com uma insígnia nazista, vomitando e empunhando uma arma.

Cartazes das edições anteriores do Facada Fest - Reprodução - Reprodução

“O fascistinha vomitando merda pois é só o que sai da boca dele, o povo achando que ele é um santo e o Brasil é um arco-íris, o índio sendo crucificado, um porcominion usufruindo da classe operária enquanto a Amazônia e o país estão em chamas”, diz a publicação de um dos eventos. Por se tratar de uma denúncia envolvendo o presidente da República, a investigação pelo MPF passa pela anuência do ministro da Justiça e Segurança Pública. À época, quem ocupava o cargo era Sergio Moro, que solicitou ao Ministério Público que desse segmento à investigação.

O caso foi apurado pela Polícia Federal, que ouviu os investigados. Splash também teve acesso ao inquérito policial. De acordo com a PF, apenas o nome do evento não é suficiente para fazer apologia ao atentado sofrido por Bolsonaro. No entanto, os cartazes produzidos pelo Facada Fest ferem a honra do presidente, além de “enaltecer” e “promover” o atentado contra o presidente. O inquérito indiciou os cinco envolvidos pelos crimes de injúria e apologia ao crime.

Uma conquista dos técnicos

POR GERSON NOGUEIRA

A decisão de limitar a apenas uma a troca de técnico por clube durante a temporada nacional de futebol, aprovada para as três principais divisões por iniciativa dos conselhos técnicos de cada competição, representa importante mudança de rumos no futebol brasileiro. No caso local, por exemplo, caso resolva dispensar Itamar Schule, o PSC só terá direito a contratar um outro técnico para o ano todo.

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Impensável há alguns anos, a restrição à orgia de troca de técnicos é um avanço, pois tende a regular um mercado promíscuo e que se destaca há muito tempo pelo vale-tudo. É uma evolução porque põe ordem e incentiva que os próprios treinadores aprendam a se proteger e respeitar os colegas de ofício.

Sim, porque a régua sem limites na relação entre clubes e treinadores inclui a oferta de nomes mesmo quando um técnico está empregado em determinada agremiação. Esse tipo de facada nas costas é mais comum do que se imagina, apesar de uma alegada (nunca comprovada) união da classe.

Ao mesmo tempo, a obrigatoriedade de só poder fazer uma troca no ano vai naturalmente levar os dirigentes a terem mais critério e cuidado na hora de contratar os comandantes de seus times. Não dá para cometer erros. É preciso acertar a mão, sob pena de ficar sem pai nem mãe antes do fim de competições importantes.

Nunca entendi a mania de ficar trocando treinador a torto e a direito, quando muitas vezes a responsabilidade pelas campanhas ruins é claramente um problema de gestão administrativa, principalmente no que se refere a contratações equivocadas de jogadores.

Como os cartolas têm uma espécie de estabilidade natural e não dá para demitir um elenco inteiro, a mão castiga sempre o lado dos técnicos. Com o tempo, todo mundo passou a achar natural que a cabeça dos treinadores seja sempre a única a ser imolada.

A partir de agora, a cartolagem das três divisões passa a ser mais cobrada por seus atos porque trocar indiscriminadamente técnicos pode custar muito caro. A não ser que, por força das malandragens típicas do futebol brasileiro, surjam brechas para burlar a determinação definida pelos conselhos técnicos.

Aliás, já desponta um pequeno espaço para manobra. Os técnicos podem ser trocados e substituídos, por baixo do pano, quantas vezes o clube quiser, com a diferença de que o profissional contratado após a primeira troca não poderá comandar o time da beirada do campo e nem ser mencionado como o comandante oficial.

O ideal, para todos, é que a orientação da CBF vetasse essa possibilidade, estabelecendo punição para quem tentar passar a perna na lei. Enquanto isso, espera-se que os técnicos saibam aproveitar essa significativa mudança de paradigma.

A conferir.

Helder convida Hamilton para conhecer Alter do Chão

Após o heptacampeão Lewis Hamilton, piloto da Mercedes, confessar à repórter Mariana Becker (Band), durante a prova de ontem no Bahrein, que tem vontade visitar o Brasil neste ano, para conhecer um lugar de lagoas cercadas de dunas, o governador Helder Barbalho não perdeu tempo.

Postou em seu perfil no Twitter um convite, em inglês, a Hamilton para vir conhecer um dos paraísos naturais do Estado. “Lewis Hamilton, aqui no Pará também temos belezas incríveis. Você é nosso convidado para visitar, por exemplo, Alter do Chão”, escreveu Helder.

Não tardou para o perfil brasileiro do astro britânico da F1 se manifestar, acusando o recebimento do convite oficial do governador do Pará. Pelo visto, Alter do Chão receberá um visitante ilustre ainda neste ano.

Em tempo: a Band RBA estreou com pompa e circunstância nas transmissões da F1. Uma corrida vibrante, interessante o tempo todo e sensacional nos minutos finais, quando Max Verstappen ameaçou seriamente a liderança de Hamilton. Um erro, porém, obrigou-o a devolver a ultrapassagem que havia conseguido a quatro voltas do fim.

Narração segura de Sérgio Maurício, com o tradicional show de competência de Reginaldo Leme. Gostei de ver, isso depois de anos sem acompanhar uma corrida inteira de F1.

A volta de Ibrahimovic em versão “assistente”

“Eu disse a eles que não preciso marcar gols, já fiz os meus. Ajudo meus companheiros a fazê-los, assim se aproximam do meu recorde”. Com a modéstia que lhe é peculiar, o craque Zlatan Ibrahimovic definiu assim seu atual momento, após a volta retorno triunfal à seleção da Suécia.

Com 39 anos e 62 gols, Ibra é o maior artilheiro da seleção sueca. Em sua volta à seleção sueca depois de quase cinco anos, ainda não fez gol, mas já descolou três assistências fundamentais nas vitórias contra Geórgia e Kosovo.

Vaidoso como sempre, marca que o acompanha desde sempre, Ibra já falou que está adorando essa fase no escrete e só pede que ninguém fale a sua idade. De toda sorte, as coisas estão funcionando. A seleção canarinho da Europa é líder do grupo B das eliminatórias, com 6 pontos.

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 29)