Papão vence Madureira e passa à 2ª fase da Copa do Brasil

Paysandu vence Madureira por 1 a 0 e está na próxima fase da Copa do Brasil - Crédito: Luis Miguel Ferreira/Madureira

Com atuação segura, sem correr grandes riscos, o PSC derrotou o Madureira no Rio de Janeiro por 1 a 0, garantindo a classificação à segunda fase da Copa do Brasil 2021 e o prêmio de R$ 675 mil. O gol foi marcado pelo zagueiro Vinícius, no primeiro tempo, desviando de cabeça um cruzamento do meia Ruy.

O técnico Itamar Schulle fez poucas mudanças no time que havia derrotado o Paragominas, na segunda rodada do Parazão. A estratégia deu certo. O Papão mostrou-se mais organizado e com boa movimentação entre os setores. A única novidade foi o retorno do goleiro Victor Souza.

Mesmo tendo a vantagem do empate, o Paissandu partiu para o ataque e avançou suas linhas, dificultando a saída de jogo do Madureira. Logo no primeiro minuto, Denilson acertou um chute forte, defendido pelo goleiro Lucão.

O Madureira respondeu aos 21 minutos. No levantamento à área, bate-rebate e a bola sobrou limpa para Silas, que encheu o pé. A bola tinha endereço certo, mas o goleiro Victor Souza fez grande defesa. A bola ainda bateu na trave direita e voltou para as mãos do guardião.

Aos 33′, em bom avanço pelo lado direito, o meia Ruy cruzou na medida para o cabeceio de Denilson, sem chances para Lucão. O Madureira tentou reagir, mas não tinha consistência na articulação e dependia sempre das bolas erguidas na área do PSC.

No segundo tempo, o controle do jogo foi exercido com mais tranquilidade pelo PSC, que de vez em quando chegava com perigo no ataque. Logo aos 4 minutos, Diego Matos disparou de fora da área, obrigando o goleiro a rebater a bola. A zaga afastou em seguida.

Na raça, o Madureira botou pressão nos minutos finais. Elias e Luiz Paulo eram acionados em cruzamentos, mas a zaga ia se safando. Aos 44′, Perema dividiu bola com Silas e quase a bola entrou. Depois, em cabeceio de Luiz Paulo, a bola se dirigia ao canto esquerdo, mas a zaga conseguiu afastar.

Na segunda fase da Copa do Brasil, o PSC enfrentará o vencedor da disputa entre Goianésia e CRB, que jogam na próxima semana.

Quem vai pagar pelo caos e perdas impostos ao país pela Lava Jato?

Por José Cássio, no DCM

São muitos os atores que contribuíram com a farsa, e aí cabe um capítulo à parte para falar sobre a atuação da velha imprensa, mas o fato é que, com o conluio entre o ex-juiz Sergio Moro e procuradores, a Lava Jato solapou a democracia e arruinou a economia ao criminalizar a política para tirar Lula e o PT do jogo eleitoral. Junto com a tragédia à democracia, veio o maior prejuízo da história econômica do país. Um rastro de destruição que dificilmente será  recuperado.

Segundo levantamento feito pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), divulgado nesta terça pelo portal Sputnik Brasil, a operação fez o país perder R$ 172,2 bilhões nesse período. Nada menos que 4,4 milhões de empregos foram jogados na lata do lixo.

O estudo diz ainda que o Brasil deixou de arrecadar 40 vezes mais do que o valor recuperado com a operação (R$ 4,3 bilhões). Para Clarisse Gurgel, professora da Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), o relatório apenas confirma agora o que já era percebido no dia a dia da população brasileira. A cientista política diz que o levantamento “consegue traduzir por números fenômenos que têm sido cada vez mais cotidianos”.

“Algo que já tinha se experimentado no dia a dia da população brasileira, mas que agora se confirma em dados e números mais precisos, que é um contexto de absoluto abandono de um país que foi devastado, seja no que diz respeito a sua natureza, ao seu desenvolvimento, a sua independência, seja no que diz respeito as suas liberdades, a sua participação popular, a sua democracia e as suas instituições republicanas”, disse Gurgel.

Empregos destruídos

O estudo do Dieese também indica que o país deixou de arrecadar R$ 47,4 bilhões em impostos. Dessa quantia, R$ 20,3 bilhões seriam em contribuições sobre a folha de salários.

Segundo o levantamento, as consequências da operação Lava Jato provocaram o fechamento de 4,4 milhões de empregos. O setor mais afetado foi o da construção civil, que perdeu 1,1 milhão de postos de trabalho no país.

Para Gurgel, empreiteiras “foram cirurgicamente perseguidas pela Lava Jato”, que, segundo ela, teve como resultado nefasto a perda de investimentos que essas empresas e a Petrobras geravam. Além disso, Gurgel ressalta que esses empregos produziam “consumo e tributos”.

“Tudo aquilo que o governo Lula e o governo Dilma produziram de perspectiva de autonomia na geração de empregos e mercado, ruiu a partir do governo Temer e Bolsonaro”, disse a professora.

Nesta segunda-feira (8) a Lava Jato sofreu um duro golpe, com a anulação de duas condenações e dois processos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o ex-juiz Sergio Moro, que foi titular da 13ª Vara Federal de Curitiba, não era o “juiz natural” dos casos.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) deve recorrer da decisão.

A frase do dia

“Você não precisa gostar do Lula para entender a diferença dele para o Bolsonaro. Um tem visão de país; o outro só enxerga o próprio umbigo. Um defende a vacina, a ciência e o SUS; o outro defende a cloroquina e um tal de spray israelense”.

Rodrigo Maia, deputado federal/DEM e ex-presidente da Câmara dos Deputados

Schulle e a primeira decisão

POR GERSON NOGUEIRA

Itamar Schulle pede calma à torcida: "nosso trabalho está iniciando" |  Esporte Pará | Diário Online | DOL

Clima decisivo é sempre um desafio para técnicos em início de caminhada dentro de um clube. Itamar Schulle, que chegou depois da Série C para reformatar completamente o PSC, ainda não conseguiu dar ao time bicolor uma aparência bem definida.

Nos dois jogos pelo Campeonato Estadual, o rendimento foi de insatisfatório a competitivo. Na estreia, contra o Castanhal, o visível desentrosamento quase causou a derrota. Diante do Paragominas, fora de casa, o comportamento mudou e o time teve méritos indiscutíveis na vitória por 2 a 0.

O que se pode esperar da terceira apresentação do time de Schulle? Para os que observaram com mais atenção a atuação em Paragominas, ficou evidenciado um perfil guerreiro, pragmático e voltado para o esmero no aproveitamento das chances que aparecem.

A rigor, foram três oportunidades naquela partida. Duas delas resultaram em gols que nasceram de lances com participação de pelo menos três jogadores, o que denota um esforço para adquirir sentido de conjunto.

É provável que o Papão que irá a campo hoje à tarde, no Rio, seja uma mescla do que se viu até agora. Velocidade em contra-ataques, pegada na marcação de meio campo e tentativa de organização em blocos. A participação dos laterais Israel e Diego Matos reforça o potencial ofensivo.

Até mesmo o esquema usado desafia a curiosidade. Contra o Castanhal, Schulle usou o 3-5-2. Para vencer o Paragominas, utilizou um 4-3-1-2. Com meias já integrados ao time, aumentam as variáveis de jogadas para aproveitar o talento e o oportunismo de Nicolas na frente.

Como Rui ainda não parece com o condicionamento adequado, talvez ceda lugar a João Paulo, estreante do dia. Schulle também pode surpreender com João Paulo mais à frente, colado em Nicolas. Essa mexida pode implicar na saída de Marlon, jogador que destoou até aqui.

Para sair com a vaga, o PSC joga por dois resultados – empate e vitória. O Madureira joga em seu estádio e costuma ser agressivo, embora sofra do mesmo problema encarado pelo time paraense neste começo de temporada: a dificuldade de ajustar peças recém-contratadas.  

Não é um adversário superior tecnicamente ao Papão, mas pode representar problemas caso estabeleça pressão desde o início da partida. Do lado bicolor, controle e intensidade devem ser as armas de luta.

Leão repatria ponteiro nascido em São Geraldo

O paraense Lucas deu uma volta pelo país em pouco tempo de carreira até surgir a chance de defender um clube de seu Estado. Jogador de beirada, de 26 anos, ele está vindo para reforçar o Remo na temporada. Nascido em São Geraldo do Araguaia, ele passou pelo Botafogo de Ribeirão Preto, Diadema, Ivinhema, Maringá, Atlético-PR, Rio Claro e Coritiba, onde viveu grande fase. No ano passado, jogou pela Chapecoense.

Com o apelido de Lucas Tocantins, o jogador parece animado com a ideia de disputar a Série B pelo Leão. Os seis anos fora do Pará foram produtivos e movimentados, permitindo jogar sob o comando de vários treinadores e aperfeiçoar a habilidade natural de velocista.

O jogador foi avalizado pela comissão técnica e chega hoje a Belém para se submeter aos exames. Depois disso, será anunciado oficialmente e integrado ao elenco azulino. Vem para disputar espaço com jogadores igualmente jovens que atuam pelos lados, como Gabriel Lima, Dioguinho e Ronald.

É uma opção interessante para a disputa do Brasileiro. Nenhum time pode hoje abrir mão de um atacante rápido pelos lados, capaz de puxar contra-ataques e contribuir com cruzamentos para os homens de área.

Aliás, o centro do ataque já conta com a opção do experiente Edson Cariús, contratado junto ao Fortaleza. Aos 32 anos, o centroavante viveu boas fases nas últimas temporadas, mas perdeu espaço no ano passado e foi negociado com o Al Jabalain, da Arábia Saudita.

Terá que lutar para arranjar um lugar no ataque, que conta com Renan Gorne em fase ascendente, com três gols marcados no Parazão.

A tragédia aumenta e o futebol não se sensibiliza

O futebol vai sendo mantido em meio às agruras do pior momento da pandemia no país. Em São Paulo aumenta a discussão para suspender o certame estadual, após o novo recorde diário de mortos: 517 óbitos. É provável que a bola pare de rolar ainda neste fim de semana.

“Futebol tem que parar já! Escolas têm que fechar já! Igrejas e cultos têm que fechar já! SP está na iminência de um colapso sanitário sem precedentes na sua história”, escreveu ontem no Twitter o neurocientista Miguel Nicolélis, uma das maiores autoridades do país no estudo da pandemia.

Em outros Estados, a movimentação aumenta, embora o cenário de fundo revele um claro esforço de CBF e federações para que os jogos sejam mantidos até quando não der mais. É um pacto não oficial, segundo reportagens recentes da mídia paulistana.

Talvez por um desses caprichos próprios da retórica negacionista, há quem entenda que a continuação das competições não representa qualquer adicional de contágio ou perigo para outras pessoas, que trabalham com futebol e nem sempre integram elencos ou comissões técnicas.

O problema que tornará inviável teimar com o futebol no país mais impactado pela pandemia é o próprio tamanho das cifras nacionais: caminha-se para os 300 mil mortos. A superlotação de hospitais particulares e públicos também não é boa aliada para dirigentes teimosos e pouco solidários com a tragédia humana. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 10)

Gilmar: ‘Não se combate crime cometendo crime’ e ‘quem investiga não pode ser quem julga’

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi o primeiro a votar na retomada do julgamento na Segunda Turma que discute nesta terça-feira, 9, a atuação do ex-juiz federal Sérgio Moro nos processos abertos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a partir das investigações Operação Lava Jato.

Na avaliação do ministro, o ex-juiz agiu com parcialidade ao condenar o petista por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá. Caso os colegas sigam o entendimento e formem maioria para declarar a suspeição de Moro, todas as provas reunidas contra o ex-presidente podem ser anuladas, incluindo o acervo que embasa as demais ações penais contra Lula.

Conhecido crítico aos métodos da Lava Jato, Gilmar reuniu em seu discurso um compilado de votos anteriores em que alertou para o modus operandi da operação. Segundo o ministro, a história recente do Poder Judiciário ficará marcada pelo ‘experimento de um projeto populista de poder político’.

“O resumo da ópera é: você não combate crime cometendo crime. Ninguém pode se achar o ó do borogodó. Cada um terá o seu tamanho no final da história. Calcem as sandálias da humildade. Eram as palavras daquele que vos fala em dezembro de 2016. Na presença dos membros da Lava Jato e do juiz Sérgio Moro”, lembrou o ministro. “O combate à corrupção é digna de elogios. Mas o combate à corrupção deve ser feito dentro dos moldes legais. Não se combate crime cometendo crime”, acrescentou.

Para se declarar ‘insuspeito’ no julgamento, Gilmar lembrou ainda que não chegou ao tribunal pelas mãos de ex-presidentes petistas e, por isso, não pode ser acusado de nutrir ‘simpatia’ ou de ter ‘envolvimento com o PT’.

“Não obstante eu sempre soube distinguir o que é ser adversário do que é ser inimigo. E eu tentava dizer isso dos próprios próceres do PT. A democracia exige oposição, adversariedade, mas ela não pode tolerar com um modelo do amigo e inimigo. Não é disso que se cuida. Quem está na oposição hoje pode estar no poder amanhã. Para isso é preciso que ele subsista, e não que seja extinguido”, disse. “Não tenho políticos de predileção. Agora acho que não se pode permitir fazer política por meio da persecução penal”, completou.

Durante o discurso, o ministro fez críticas contundentes às ‘alongadas prisões de Curitiba’ e às ‘intenções espúrias da força-tarefa no sentido de hastear sobre toda e qualquer investigação relacionada à criminalidade econômica no País’.

“Em atuação de inequívoco desserviço e desrespeito ao sistema jurisdicional e ao Estado de Direito, o juiz irroga-se de autoridade ímpar, absolutista, acima da própria Justiça, conduzindo processo ao seu livre arbítrio, bradando sua independência funcional. É inaceitável, sob qualquer perspectiva, esse tipo de comportamento, felizmente raro”, disse sobre a conduta de Moro. “A Justiça Federal está vivendo uma imensa crise a partir deste fenômeno de Curitiba, que se nacionalizou”, acrescentou.

Na avaliação do ministro, os métodos de Curitiba teriam ‘contaminado’ também a 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro, responsável pelos processos da Lava Jato fluminense. “A tal 7ª vara do Rio de Janeiro, não sei porque o escândalo ainda não veio à tona, mas o que se fala em torno dessa vara também é de de corar frade de pedra”, disparou.

O ministro ainda lembrou da condução coercitiva de Lula para ser interrogado pela Polícia Federal nos autos da Operação Alethea, 24ª fase da Lava Jato, ordenada pelo então juiz Sérgio Moro. Para Gilmar, a determinação foi um ‘hediondo estado-espetáculo de caráter policialesco’. “O que justificaria a solução de submeter o ex-presidente do constrangimento de uma condução sob vara?”, questionou.

Gilmar Mendes também disse que Moro agiu para ‘preservar o seu projeto de poder’ ao se manifestar contra o cumprimento da decisão, tomada no plantão judiciário pelo desembargador do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), Rogério Favreto, que mandou soltar o ex-presidente, preso em Curitiba havia quase três meses, em julho de 2018. (Do Blog da Cidadania)