Ex-chefão da Fifa recebe segunda pena de banimento antes de cumprir a primeira

A Fifa anunciou nesta quarta-feira, 24, que Joseph Blatter, seu ex-presidente, recebeu novo banimento do futebol por seis anos e oito meses. Essa proibição foi imposta por violações múltiplas do código de ética da Fifa e entrará em vigor quando a suspensão atual terminar em outubro. O mesmo período de suspensão também foi imposto ao ex-secretário-geral da organização, Jerome Valcke, igualmente punido antes.

Em nota oficial, a entidade explica os motivos que fizeram essa punição ser ainda mais dura para um de seus mais notáveis mandatários. “As investigações sobre os senhores Blatter e Valcke cobriram vários encargos, em particular relativos ao pagamento de bônus em relação às competições da Fifa que foram pagas a altos funcionários da administração da Fifa, várias alterações e prorrogações de contratos de trabalho, bem como o reembolso pela Fifa de custos legais privados no caso do Sr. Valcke”.

Joseph Blatter é banido do futebol por mais seis anos em nova punição da Fifa - Crédito: Getty Images

A câmara de julgamento do comitê de ética da Fifa considerou que Blatter, atualmente com 85 anos, violou as regras relativas ao dever de lealdade, conflitos de interesse e oferta ou aceitação de presentes ou outros benefícios. Valcke violou os mesmos artigos do código de ética, além de abuso de posição.

Em dezembro, a Fifa entrou com ação criminal contra Blatter por causa das finanças de seu deficitário museu do futebol em Zurique por suspeita de administração criminosa por parte dos ex-chefes da entidade e de empresas nomeadas por eles para trabalhar no museu – há muito visto como um projeto de estimação de Blatter – em um prédio reformado e alugado no centro da cidade.

O Fifa World Football Museum foi inaugurado em 2016, depois de US $ 140 milhões (£ 104,2 milhões) em dinheiro do futebol gastos na reforma do prédio de escritórios dos anos 1970 para incluir também 34 apartamentos alugados.

A longa agonia de Fachin

Por Leandro Fortes

De toda a sucessão de eventos transmitida pela internet para o Brasil e o mundo, relativa ao julgamento da suspeição do ex-juiz Sérgio Moro, nada foi tão simbólico da degradação resultante da Operação Lava Jato, na estrutura orgânica do Poder Judiciário, do que o surto final do ministro Edson Fachin.

Como naquela cena de “Zoolander”, na qual o personagem de Ben Stiler, incapaz de assimilar a derrota, sobe ao púlpito de um concurso de beleza para receber um prêmio outorgado a seu principal inimigo, o inconsciente de Fachin o obrigou a entabular um discurso de vitória sem fazê-lo perceber que, naquele momento, não havia ninguém naquela histórica transmissão mais derrotado do que ele.

Com uma aparência fantasmagórica, impulsionado por uma força ainda misteriosa centrada na origem de sua conversão de frenético apoio ao lavajatismo, Edson Fachin danou-se a falar, imerso em uma ilusão ultradimensional, transportado, por um desespero quase sólido, de tão visível, para a areia movediça do rídículo, do bizarro – esse campo da infâmia onde os traidores e os covardes encerram carreiras que lhes pareciam tão promissoras.

A presidenta Dilma Rousseff cometeu alguns erros, é fato, mas a indicação de Edson Fachin para o Supremo Tribunal Federal não foi um deles. Dilma, nessa caso, foi vítima de uma traição vil. O nome de Fachin foi chancelado por diversos setores da esquerda do Paraná, dada sua atuação histórica, como advogado, na defesa da reforma agrária e dos direitos humanos. Teve apoio do MST e de boa parte do PT, partido para o qual posou, em depoimento gravado, prestando apoio público à candidatura de Dilma, em 2010.

A indicação de Fachin ao STF, em 2015, foi tão tumultuada, que Dilma pensou em desistir dela, dada a possibilidade de o Senado Federal rejeitar a presença de um esquerdista tão radical na conservadora Suprema Corte brasileira.

Fachin tomou posse como ministro do STF em 16 de junho de 2015. Em 13 de julho do mesmo ano, portanto, 27 dias depois, o procurador federal Deltan Dalagnol, chefe da força tarefa da Lava Jato, em Curitiba, enviou a seguinte mensagem a seus capangas, em uma conta do Telegram: “Aha, uhu, o Fachin é nosso”.

As razões dessa súbita cooptação e a conversão de Fachin a escudeiro da Lava Jato no STF ainda são um mistério, mas não é delírio deduzir que há alguma coisa muito grave nessa relação do ministro com a quadrilha comandada por Sérgio Moro e Dalagnol. Desde sempre, ficou evidente a submissão do ministro a uma gangue montada, com dinheiro público, para prender Lula e destruir as indústrias naval, de construção civil e de petróleo do país, sob comando de autoridades dos Estados Unidos e da Suíça.

A cena final do julgamento da suspeição de Moro, na qual Fachin aparece balbuciando frases desconexas, dando satisfação a interlocutores ocultos, apenas reforça essa suspeita.

Ainda irá se passar muito tempo até a História do Brasil registrar cena, ao mesmo tempo, tão humilhante e sinistra como essa protagonizada por Fachin, uma performance que, de tão triste, pareceu a agonia de um animal mortalmente ferido.

Cabra bom. Quando crescer quero escrever assim, te contar…

Papão anuncia a contratação de mais 2 volantes

Volante ex-Vasco e elogiado por Jorge Jesus chega ao Paysandu — Foto: Agência Paysandu

O PSC apresentou o volante Bruno Paulista, de 25 anos, como novo reforço para a temporada 2021. O jogador, com passagens por Vasco e Bahia, estava no Sporting, de Portugal, onde atuava pela equipe B. O atleta assina contrato com o Papão até o final do ano. Segundo especulações, o atleta vem com 100% dos salários pagos por um grupo de investidores. A diretoria bicolor não confirmou essa informação.

Se for verdade, será o terceiro acordo firmado pelo clube com investidores e clubes. Os atacantes Laércio e Gabriel Barbosa, que vieram por empréstimo, também têm salários parcialmente pagos pelos clubes de origem, Cruzeiro e Palmeiras, respectivamente.

Paulinho chega para a segunda passagem no Paysandu — Foto: Agência Paysandu

Ao anunciar Bruno Paulista, o Papão também confirmou a chegada de outro volante, Paulinho, 31 anos, que estava no Santa Cruz, de Recife. Paulinho defendeu o PSC anteriormente, sem grande destaque, mas é tido como jogador de confiança do técnico Itamar Schulle.

Depois de firmar contrato, Bruno Paulista e Paulinho viajam para Castanhal, onde os demais jogadores realizam treinos. O setor de marcação passa a ter oito atletas. Já estão treinando no clube Adriel, Fernando Portel, Denilson (zagueiro de origem), Elyeser, Ratinho e Jhonnatan.

Melhores momentos da sessão do STF que acabou com o Marreco

Por Fernando Lopez

1 Cássio Nunes alegou direito de defesa de Moro em um HC!
É de cair o cu.

2 Nunes não leu um voto, leu um editorial da Folha.

3 “Isso não tem a ver com garantismo nem aqui nem no Piauí”

Gilmar Pistola

4 “Algum dos senhores compraria um carro do Moro? Compraria um carro do Dallagol? Os contrataria como advogados “?

Gilmar ainda mais pistola.

5 Gilmar cita Nunes diretamente, manda ler o Código de Processo Penal da “Rússia “.

6 “O Senhor Moro utiliza uma linguagem peculiar, muito próxima do português”

Gilmar, o belo

7 “O bom ladrão salvou-se, mas não há salvação para o juiz covarde”

Gilmar

8 “O tuíte do General Villas Boas não me afeta”

Gilmar, o sábio

9 “Dallagnol estava se apossando de metade dos valores recuperados pela Lava Jato. E a outra dividia com seu parceiro, o Modesto Carvalhosa”.

Gilmar, o franco

10 Gilmar agora fala do conluio espúrio entra LJ e a mídia.

Ele não vai poupar ninguém hoje.

11 “Como se diz no meu Mato Grosso, Moro e a mídia roubaram cachorro junto”

Gilmar, o pantaneiro

12 Lewandowski pede a palavra.
Cita dez HCs onde se concedeu nulidade processual. Outra porrada no Nunes.

13 Lewandowski lembra Nunes o que está nos autos.

14 Nunes pede a palavra pra dizer que não vai falar nada.

15 Nunes acusa Gilmar de ofender o Piauí

16. Fachin sorri feliz por ver que não é mais o mais estúpido da turma

17 “Meu contributo é o silêncio”

Nunes, o silencioso.

18 Todos têm direito a um julgamento justo.

Carmen, a justa.

19 Cara, Bolsonaro armou esse voto com o estúpido do Nunes, e a Carmen comeu os dois!

Que coisa linda.

20 O silencioso Nunes fez o voto mais merda da história do supremo, a mando do Bozo, e foi vencido!!!!

Covid ameaça futuro dos atletas

POR GERSON NOGUEIRA

Gedoz marca em reestreia pelo Remo

No dia em que o Brasil bateu a infame marca de 3 mil mortes diárias, o médico e cientista Miguel Nicolelis é uma voz que merece atenção a respeito da situação do futebol no país no momento mais agudo da pandemia. Autoridade nos estudos sobre a doença, ele fornece informações que deveriam ser anotadas e acatadas pelos sindicatos de atletas profissionais, que permanecem em ruidoso silêncio até o momento.

Para Nicolelis, em entrevistas a vários jornais e sites, o quadro é de “surrealismo” absoluto. Enquanto as capitais e cidades médias enfrentam o colapso dos sistemas de saúde e famílias em desespero buscam leitos para entes queridos, o futebol mantém a arrogância ignorando por completo o quadro dantesco da pandemia no Brasil.

O cientista fulmina como irreal a tese de que os protocolos são seguros. “Expor quatro delegações a viagens e adentrar um Estado que está entrando na fase crítica, como no resto do Brasil… O último número que temos de Volta Redonda é de 89% de UTI’s ocupadas. Pra quê? Qual é a razão, a não ser essa ganância pelo dinheiro do futebol?”, questiona, a respeito da manobra que transferiu jogos do Paulistão para Volta Redonda (RJ).

Mais assustadora ainda é a constatação de que os jogadores estão submetidos a riscos que desconhecem. “Recebi mensagem de um jogador famoso dizendo que não tinha ouvido esses argumentos de que jogadores podem ter sequelas crônicas no futuro. Jogadores podem não saber que, mesmo tendo um quadro clínico assintomático leve, sendo exposto ao vírus, ficam expostos ao risco pro resto da vida”, afirma.

Estranhamente, nenhum protocolo ou documento da CBF ou das federações faz qualquer menção ao impacto danoso que o contato com o vírus pode causar a um atleta. As sequelas podem não surgir de imediato, mas há a perspectiva de que apareçam no futuro e encurtem carreiras.

Nicolelis também denuncia a fragilidade dos testes realizados diariamente pelos clubes como método de certificação da não contaminação. Observa que há um registro expressivo de testes com resultado “falso negativo”.

“Aconteceu com o time do Corinthians, tiraram o Cantillo da concentração, porque ele estava com os sintomas, mas tinha testado negativo. O Lucas Piton jogou infectado. Os testes dependem da proficiência na coleta e na realização. Vocês acham que a qualidade de coleta e análise é Fleury Plus (alta qualidade) no Brasil todo?”.

Com a superlotação de hospitais, os deslocamentos de times podem causar prejuízos ao resto do país: “Alguém se machuca gravemente no jogo e pra onde eles vão tratar o cara? Não tem hospital. A CBF não parou pra pensar que, tendo 30 jogos entre times na Copa do Brasil em uma quarta-feira, são mobilizadas 60 ambulâncias paradas em um estádio. E falta ambulância para transportar pacientes de covid em todo o Brasil”. 

Como se sabe, a Copa BR continua a ser realizada, normalmente, inclusive para Remo e PSC, que passaram pela primeira fase e aguardam os jogos da próxima etapa.

A responsabilidade da CBF, que anteontem protagonizou uma reunião repleta de palavrões e toscas manifestações de empáfia, é outro ponto ressaltado por Nicolelis. “A CBF e a FPF vão arcar com os custos que jogadores profissionais podem ter para cuidar da sua saúde o resto de suas vidas? Podem entrar com queixas trabalhistas por exposição a um ambiente insalubre. A legislação brasileira é muito clara nisso”.  

O questionamento mais pungente do cientista ainda não tem  resposta: por que o futebol se transforma em fator de risco em um país que já vive uma pandemia fora de controle? Segundo Nicolelis, a CBF comete crimes sanitários ao promover aglomerações e promover riscos de contágio.

A coluna, que aborda sempre o tema dos sucessivos abusos cometidos pelas autoridades em relação à pandemia, abre espaço para Nicolelis porque é preciso ouvir quem detém conhecimento científico e conhece as entranhas do futebol no Brasil. Basta de ignorância e negacionismo.

CBF banca jogos e fala grosso com os clubes

Em reunião com representantes de clubes das Séries A e B, o presidente da CBF, Rogério Caboclo, abandonou a capa de bom moço e adotou um discurso agressivo em defesa da continuação dos campeonatos. Disse que a ideia é apoiada pela TV Globo, velha parceira da entidade em muitos e rentáveis negócios.

Como manda-chuva, mandou um recado curto e grosso, dando nome aos bois. Os donos do futebol não querem suspender os jogos. “A Rede Globo não quer. Ninguém quer, seus patrocinadores não querem. (…) Eu vou mandar no futebol brasileiro e vou determinar que vai ter competição e que vocês estão f**** se não tiver (competições)”.

Não surpreende que as federações (incluindo a do Pará), agarradas até o talo na CBF, sejam tão subservientes à ideia de negar a tragédia da pandemia e a ignorar deliberadamente o perigo do contágio.

Direto do Twitter

“O futebol tem que entender que não é só as quatro linhas, que eles falam que estão seguras. No entorno do futebol, ninguém está seguro. A federação e a CBF só veem isso porque a preocupação deles é com o dinheiro, é econômica. (…) Não é questão se contamina ou não, é questão de solidariedade, de um país só”.

Casagrande, comentarista e ex-jogador

“3.251 novas mortes nas últimas 24 horas. E tem gente que acha que o debate é onde disputar o Campeonato Paulista”.

Jamil Chade, jornalista

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 24)

Zanin, a pedra no sapato de Moro, é o maior herói não cantado da odisseia de Lula

Por Kiko Nogueira, no DCM

Há outros, mas Cristiano Zanin Martins é o maior herói não cantado na odisseia de Lula. Ele e a mulher e sócia, Valeska Teixeira, apanharam da esquerda e da direita ao longo do últimos cinco anos. Para alguns aliados do ex-presidente, o advogado era frouxo, burocrático e sem sal. Para a direita, tratava-se, simplesmente, de um idiota a serviço de um corrupto.

Zanin teve a justa — e breve — homenagem de Lula no discurso em São Bernardo, quando foi chamado para a frente do palco, juntamente com Valeska, pelo cliente famoso. Discreto, mais jovem do que aparentam os 43 anos, cabelo com gel emplastrado para trás, Zanin parece sempre ter acabado de sair do banho com o mesmo terno novo.

Não fica à vontade com os holofotes, como acontece com a imensa maioria de seus pares, especialmente os da República de Curitiba. Numa entrevista ao DCM, Valeska contou o que eles estavam passando com os filhos pequenos (eles têm três). 

Filha do compadre de Lula, Roberto Teixeira, relatou que as crianças tiveram de mudar de escola mais de uma vez por causa da hostilidade dos colegas coxinhas.

Perderam amigos e clientes.

Frio, contundente, insistente Zanin nunca foi visto saindo do sério. Pelo contrário, tirou do sério Sergio Moro algumas ocasiões.

Zanin sabia que o então juiz, que deveria ser imparcial, estava com um dos lados — o da acusação. À sua maneira, expôs o imperial Moro nas audiências, sem jamais mostrar subserviência. Moro acusou o golpe algumas vezes. A principal delas, em depoimento na Câmara dos Deputados.

“Ele adotou a postura quase ofensiva beirando as ofensas em praticamente todas as audiências”, disse, desafinando e se vitimizando. “Em uma audiência, quis contraditar um acusado. Falei com ele que era medida destinada à testemunha. Ele recusou. Isso é quebra de imparcialidade?”

Coube ao tempo dizer quem estava estava operando o Direito e quem o estava destruindo. Zanin tem uma contribuição imensa no Lula livre e, portanto, na democracia brasileira.