Bruce Lee interpreta “Kato” no programa de TV “The Green Hornet” (1966)
Mês: julho 2020
Bola na Torre – domingo, 05.07
Uma repatriação providencial
POR GERSON NOGUEIRA
O Remo acabou fechando, assim meio na surdina, uma transação que combina qualidade, oportunidade e baixo custo. A terceira aquisição para a temporada, confirmada na sexta-feira, é o zagueiro Kevem, um jogador revelado nas bases do clube e foi eleito como revelação do Campeonato Estadual de 2019. Chega para brigar pela titularidade numa defesa que deve ser desfalcada do polivalente Rafael Jansen, em vias de se transferir para um clube de Israel.
Sem Jansen, o técnico Mazola Jr. fica apenas com a opção de Mimica e Neguete, pois Fredson terá que cumprir suspensão, ficando fora dos próximos três jogos da equipe no Parazão – levou um gancho de quatro partidas, mas já cumpriu uma.

Kevem é, portanto, um reforço providencial para o Remo na briga pelo tricampeonato estadual. Além disso, pelas características, unindo velocidade e boa impulsão, pode ajudar a solucionar problemas que o sistema defensivo apresentou na primeira fase do campeonato.
A saída de Kevem no ano passado foi vista como precipitada, pois o Remo se beneficiou dele por apenas meia temporada. Como as dificuldades financeiras assolavam o clube, como de hábito, ele foi negociado na esteira do sucesso de sua participação na competição.
A transação envolveu o grupo de investidores que tem participação do ex-jogador Deco. Passou primeiro pelo Mirassol (SP) e depois seguiu para defender o Paços de Ferreira, time de Portugal.
Ocorre que a trajetória no futebol europeu foi comprometida por uma lesão séria, fazendo com que tivesse que retornar novamente ao Mirassol. Depois de recuperado, surgiu a chance de voltar a jogar no futebol paraense, por empréstimo. Aos 19 anos, valorizado, Kevem tem a perspectiva de ao final do ano investir novamente na carreira internacional.
A lembrança da bicicleta contra o Paragominas, na Arena Verde, eleito o gol mais bonito do Parazão, é o que vem logo à memória do torcedor azulino, mas Kevem teve uma participação destacada na campanha. Entrou no fogo no primeiro Re-Pa da temporada, substituindo Mimica, que sofreu contusão grave. Apesar da responsabilidade, estabilizou-se nos jogos seguintes e garantiu a titularidade, que agora busca reconquistar.
TV de clube inaugura novo tipo de jornalismo esportivo
Na treta que cercou a retomada do futebol no Rio, com descumprimento de contrato de transmissão e criação de medida provisória em benefício direto do Flamengo, entrou em cena uma ferramenta para uso dos clubes que não tenham (ou não queiram) compromissos com TV aberta ou a cabo: a exploração do streaming (fluxo de dados ou conteúdos multimídia).
Foi o que o Flamengo fez mostrando seus jogos contra Boavista e Volta Redonda (ontem) através das redes sociais, com cobrança de taxa aos internautas. Ontem, o streaming vacilou e o clube viu-se obrigado a liberar a transmissão em seu canal do YouTube.
Um aspecto, porém, independentemente da plataforma utilizada, merece uma análise mais acurada: o jornalismo praticado nas transmissões que tem um clube como detentor de direitos. Passa-se a conviver, cada vez mais, com um monstrengo chamado “jornalismo clubístico”.
Nessas transmissões, as TV’s de clubes exibem exclusivamente o que interessa ao dono do evento. O jornalismo passa a ter um lado declarado. Locutores e comentaristas observam um lance polêmico sempre do ponto de vista do torcedor da casa. Os árbitros jamais metem a mão no time adversário e os dirigentes têm assegurado o direito a elogios ilimitados.
A linha seguida nas transmissões que acompanho em jogos de TV e rádio de clube raramente fogem ao clichê do pachequismo. Narradores berram e torcem desbragadamente, com direito a demonstrações (nem sempre republicanas) de desapreço pelo clube rival.
A já famosa MP do Flamengo abriu a porteira. A partir de agora, o que antes era praticado em jogos caseiros e sem cobrança de taxa a internautas, agora se torna algo real e rentável, principalmente para clubes de massa, como a dupla Re-Pa. Será trágico, obviamente, para emergentes que não têm um produto atrativo e não irão faturar com o serviço de streaming.
Como ficará o desdobramento desse tipo de cobertura – com alguns locutores e comentaristas seletivamente convidados? Será que ainda haverá espaço para opiniões que não sejam necessariamente do agrado do torcedor? O telespectador de futebol, normalmente dado a ver inimigos em todo tipo de transmissão, continuará a consumir a cobertura tradicional?
Ainda é cedo para saber, mas são visíveis os riscos de que as transmissões passem a ser ditadas pelo clubismo, como em jogos de Copa do Mundo.
Hélio reclama da perda de uma semana na preparação
Com a franqueza conhecida, o técnico Hélio dos Anjos criticou duramente a antecipação do retorno aos jogos do Campeonato Paraense para 1º de agosto. Antes, defendia-se um período de 40 dias de preparação, mas o acordo firmado na semana passada definiu que a preparação terá somente 31 dias. Mostrando-se surpreso, o treinador admite que a perda de uma semana pode impactar negativamente no rendimento do Papão.
Cresce a importância do trabalho elaborado pela comissão técnica do clube para recuperar os atletas e garantir que voltem a campo em condições de manter a boa campanha do time na competição.
Os trabalhos ministrados durante a quarentena também asseguram certa tranquilidade, pois permitem que na volta aos treinamentos os jogadores recebem uma carga mais forte de exercícios. A partir desta semana, o grupo já poderá ter contato com bola.
Apesar da reclamação, Hélio tem um trunfo em relação aos adversários: o PSC foi o único a manter todos os jogadores que iniciaram o campeonato. Apesar disso, deixou no ar que o clube busca reforços, além de Alan Calbergue e Vítor Diniz, reintegrados ao elenco.
(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 06)
Rock na madrugada – Mountain, Blood Of The Sun
Compromisso com Lava Jato dá curto-circuito na mídia

Por Ricardo Amaral e José Chrispiniano
Raros textos são tão reveladores da má consciência da mídia sobre seu papel na farsa jurídica da Lava Jato quanto o artigo de Eliane Cantanhêde (“Nem heróis nem vilões”) no Estadão deste domingo. Em busca de uma imparcialidade tardia, o texto reflete o dilema atual do jornalismo brasileiro: como descartar, sem maior prejuízo de credibilidade, os “heróis” que ela criou ao longo de uma cobertura parcial e politicamente direcionada. E como dar essa guinada sem fazer justiça ao “vilão” Luiz Inácio Lula da Silva.
O artigo concede que José Genoíno foi condenado no mensalão “talvez exageradamente” e admite que haveria “alguns excessos” na sentença do tríplex contra Lula. Mas abordar dois notórios erros judiciais com a naturalidade de um passeio pelo jardim não é exatamente uma correção de rumo. É seguir sancionando a instrumentalização do Judiciário e do Ministério Público como arma de disputa política, como fez nossa imprensa com a Lava Jato do começo ao fim, que agora parece necessário e inexorável.
A cobertura da Lava Jato entrou em curto-circuito junto com a operação em si porque nem uma nem outra se sustentam em fatos e provas, mas na simbiose típica dos julgamentos midiáticos. Nesta semana em que se comprovou a relação indecente e ilegal da força-tarefa com o FBI, Deltan Dallagnol ganhou mais tempo para se defender no Jornal Nacional que os advogados de Lula ao longo de cinco anos. Não custa lembrar: de janeiro a agosto de 2016, o JN somou 13 horas de noticiário negativo contra Lula, preparando a denúncia do powerpoint que hoje se volta contra Dallangnol.
O tratamento editorial abusivamente desequilibrado da Globo ditou a cobertura da mídia e de seus colunistas, que hoje se agarram nas “provas robustas”, jamais exibidas, do caso Atibaia. Da mesma forma que na desmoralizada ação do tríplex, também neste processo Lula foi condenado por “atos indeterminados”. E a prova mais “robusta” dos fatos é um laudo técnico, ignorado por Sergio Moro e censurado pela Globo, mostrando que foi depositada para um executivo da Odebrecht, e não para “obras no sítio”, a tal transferência de R$ 700 mil incluída na sentença.
O reconhecimento da farsa judicial contra Lula não é, portanto, uma questão de “simpatia” pelo ex-presidente ou pelo PT, por parte de um procurador-geral indicado por Jair Bolsonaro, muito menos dos ministros do Supremo Tribunal Federal, como propõe o artigo. É uma imposição de justiça, diante da qual autores e cúmplices não imaginavam ter de prestar contas tão cedo. Uma questão objetiva, a ser examinada à luz da lei por instituições que, por definição, têm de preservá-la e preservar-se acima de circunstâncias políticas.
É tão fácil quanto fútil afirmar que o PT, Lula ou quem quer que seja “demoniza” a Lava Jato, sem enfrentar objetivamente a suspeição de Moro e a dos procuradores, como sustenta a defesa do ex-presidente em dois pedidos de habeas corpus que tramitam no STF. Ninguém foi mais demonizado neste país do que Lula, seu partido e sua família, por uma imprensa que erigiu falsos heróis e agora se vê na contingência de descartá-los, como fez com Aécio Neves e Eduardo Cunha quando perderam utilidade.
O dilema da mídia – e dos interesses que vocaliza – é lançar fora o veneno da Lava Jato preservando seu principal efeito, que foi a proscrição política de Lula. E, se possível, reconstruir o mito Sergio Moro, o que exige falsificar duas vezes a história. Em primeiro lugar, a Lava Jato não combateu a impunidade: negociou-a no balcão das delações que premiaram 99% dos acusados. E foi com a cobertura da mídia que Sergio Moro “fez a diferença”, demonizou Lula, o PT e a própria política, abrindo o caminho para Jair Bolsonaro, o filho que agora rejeitam.
(*) Ricardo Amaral e José Chrispiniano são jornalistas, assessores do PT e do ex-presidente Lula.
Direto do Twitter
Luar sobre Istambul
Lua cheia sobre a Hagia Sophia, Istambul.
Vida besta
Enquanto isso…
Pilotos da F1 se recusam a fazer gesto antirracista
Seis pilotos se recusaram a fazer o gesto antirracista na primeira corrida da F1. Max Verstappen, Charles Leclerc, Carlos Sainz Jr., Daniil Kvyat, Kimi Räikkönen e Antonio Giovinazzi ficaram de pé, enquanto os demais se ajoelhavam em frente à faixa de “End racism”.
Antes da largada do GP da Áustria neste domingo (5), na abertura da temporada de 2020 da Fórmula 1, os pilotos da modalidade fizeram um protesto pedindo o fim do racismo. No entanto, seis competidores não se ajoelharam durante a execução do hino. Na véspera da corrida, não houve consenso sobre o gesto em reunião marcada com os 20 participantes. A informação é do jornal Folha de S. Paulo.
O fato incomodou Lewis Hamilton, de 35 anos, único negro no grid da F1, diz a reportagem. O gesto tem se repetido em várias manifestações do esporte, inclusive na Premier League e na La Liga espanhola, após a morte do negro George Floyd, imobilizado e asfixiado por um policial branco em Mineápolis (Minnesota), nos Estados Unidos.
Antes da prova, pelo Twitter, os pilotos Charles Leclerc (Ferrari) e Verstappen (Red Bull) tentaram explicar nas redes sociais o motivo de não terem se ajoelhado. “Acho que o que importa são os fatos e comportamentos diários, e não os gestos formais que podem ser vistos como controversos em certos países”, escreveu o piloto da Ferrari.
“Acho que todo mundo tem o direito de se expressar quando e como quiser”, disse Verstappen. “Não vou me ajoelhar, mas respeito e apoio as escolhas pessoais de cada piloto”.
A dúvida: racismo atávico, desinformação ou falta de empatia?
Do território livre da internet
Recém-formada é nomeada para coordenar formação de professores no MEC
Mesmo na falta de um ministro da Educação, a insanidade não tem fim no MEC. Acaba de ser nomeada a nova coordenadora geral de Formação de Professores, da Secretaria de Alfabetização do Ministério da Educação, um cargo importantíssimo na estrutura educacional.
É Maria Eduarda Manso Mostaço, de 27 anos, cujo currículo raso indica que nunca entrou numa sala de aula para atuar como professora. É formada em direito pela UEL. Sua única experiência na “área” é o TCC sobre ensino domiciliar, que ela defende ardorosamente nas redes sociais.
Sem dúvida, mais uma nomeação “coerente” com o governo de destruição da educação.