Uma repatriação providencial

POR GERSON NOGUEIRA

O Remo acabou fechando, assim meio na surdina, uma transação que combina qualidade, oportunidade e baixo custo. A terceira aquisição para a temporada, confirmada na sexta-feira, é o zagueiro Kevem, um jogador revelado nas bases do clube e foi eleito como revelação do Campeonato Estadual de 2019. Chega para brigar pela titularidade numa defesa que deve ser desfalcada do polivalente Rafael Jansen, em vias de se transferir para um clube de Israel.

Sem Jansen, o técnico Mazola Jr. fica apenas com a opção de Mimica e Neguete, pois Fredson terá que cumprir suspensão, ficando fora dos próximos três jogos da equipe no Parazão – levou um gancho de quatro partidas, mas já cumpriu uma.

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Kevem é, portanto, um reforço providencial para o Remo na briga pelo tricampeonato estadual. Além disso, pelas características, unindo velocidade e boa impulsão, pode ajudar a solucionar problemas que o sistema defensivo apresentou na primeira fase do campeonato.  

A saída de Kevem no ano passado foi vista como precipitada, pois o Remo se beneficiou dele por apenas meia temporada. Como as dificuldades financeiras assolavam o clube, como de hábito, ele foi negociado na esteira do sucesso de sua participação na competição.

A transação envolveu o grupo de investidores que tem participação do ex-jogador Deco. Passou primeiro pelo Mirassol (SP) e depois seguiu para defender o Paços de Ferreira, time de Portugal.

Ocorre que a trajetória no futebol europeu foi comprometida por uma lesão séria, fazendo com que tivesse que retornar novamente ao Mirassol. Depois de recuperado, surgiu a chance de voltar a jogar no futebol paraense, por empréstimo. Aos 19 anos, valorizado, Kevem tem a perspectiva de ao final do ano investir novamente na carreira internacional.

A lembrança da bicicleta contra o Paragominas, na Arena Verde, eleito  o gol mais bonito do Parazão, é o que vem logo à memória do torcedor azulino, mas Kevem teve uma participação destacada na campanha. Entrou no fogo no primeiro Re-Pa da temporada, substituindo Mimica, que sofreu contusão grave. Apesar da responsabilidade, estabilizou-se nos jogos seguintes e garantiu a titularidade, que agora busca reconquistar.

TV de clube inaugura novo tipo de jornalismo esportivo

Na treta que cercou a retomada do futebol no Rio, com descumprimento de contrato de transmissão e criação de medida provisória em benefício direto do Flamengo, entrou em cena uma ferramenta para uso dos clubes que não tenham (ou não queiram) compromissos com TV aberta ou a cabo: a exploração do streaming (fluxo de dados ou conteúdos multimídia).

Foi o que o Flamengo fez mostrando seus jogos contra Boavista e Volta Redonda (ontem) através das redes sociais, com cobrança de taxa aos internautas. Ontem, o streaming vacilou e o clube viu-se obrigado a liberar a transmissão em seu canal do YouTube.

Um aspecto, porém, independentemente da plataforma utilizada, merece uma análise mais acurada: o jornalismo praticado nas transmissões que tem um clube como detentor de direitos. Passa-se a conviver, cada vez mais, com um monstrengo chamado “jornalismo clubístico”.

Nessas transmissões, as TV’s de clubes exibem exclusivamente o que interessa ao dono do evento. O jornalismo passa a ter um lado declarado. Locutores e comentaristas observam um lance polêmico sempre do ponto de vista do torcedor da casa. Os árbitros jamais metem a mão no time adversário e os dirigentes têm assegurado o direito a elogios ilimitados.   

A linha seguida nas transmissões que acompanho em jogos de TV e rádio de clube raramente fogem ao clichê do pachequismo. Narradores berram e torcem desbragadamente, com direito a demonstrações (nem sempre republicanas) de desapreço pelo clube rival.

A já famosa MP do Flamengo abriu a porteira. A partir de agora, o que antes era praticado em jogos caseiros e sem cobrança de taxa a internautas, agora se torna algo real e rentável, principalmente para clubes de massa, como a dupla Re-Pa. Será trágico, obviamente, para emergentes que não têm um produto atrativo e não irão faturar com o serviço de streaming.

Como ficará o desdobramento desse tipo de cobertura – com alguns locutores e comentaristas seletivamente convidados? Será que ainda haverá espaço para opiniões que não sejam necessariamente do agrado do torcedor? O telespectador de futebol, normalmente dado a ver inimigos em todo tipo de transmissão, continuará a consumir a cobertura tradicional?

Ainda é cedo para saber, mas são visíveis os riscos de que as transmissões passem a ser ditadas pelo clubismo, como em jogos de Copa do Mundo.

Hélio reclama da perda de uma semana na preparação

Com a franqueza conhecida, o técnico Hélio dos Anjos criticou duramente a antecipação do retorno aos jogos do Campeonato Paraense para 1º de agosto. Antes, defendia-se um período de 40 dias de preparação, mas o acordo firmado na semana passada definiu que a preparação terá somente 31 dias. Mostrando-se surpreso, o treinador admite que a perda de uma semana pode impactar negativamente no rendimento do Papão.

Cresce a importância do trabalho elaborado pela comissão técnica do clube para recuperar os atletas e garantir que voltem a campo em condições de manter a boa campanha do time na competição.

Os trabalhos ministrados durante a quarentena também asseguram certa tranquilidade, pois permitem que na volta aos treinamentos os jogadores recebem uma carga mais forte de exercícios. A partir desta semana, o grupo já poderá ter contato com bola.

Apesar da reclamação, Hélio tem um trunfo em relação aos adversários: o PSC foi o único a manter todos os jogadores que iniciaram o campeonato. Apesar disso, deixou no ar que o clube busca reforços, além de Alan Calbergue e Vítor Diniz, reintegrados ao elenco.

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 06)

Um comentário em “Uma repatriação providencial

  1. FlaxBoavista a transmissão foi gratuita(eu assisti). Ontem que o olho cresceu e o ladino resolveu cobrar 10,00. Deu zebra porque o site congestionou e teve que ser liberado pra todo mundo, em mais um imbroglio promovido pelo presidente do ‘Mais Querido do Brasil’, que agora terá de devolver o dinheiro já pago por milhares de torcedores.
    Quanto à isenção dos que fazem transmissão pelas tevês dos clubes, fico imaginando um jogo do Remo pela TV Leão, com comentário do Paulo Caxiado. Credo!

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