Ao fazer uma pregação durante culto da Igreja Quadrangular, em Belém, no fim de semana, o ex-deputado federal Josué Bengtson (PTB) disse que não voaria em um avião cujo piloto fosse cotista durante o curso universitário. “Eu não voaria num avião que alguém entrou como piloto por cota. Eu não voaria. É por isso que de vez em quando um avião cai. 99% da culpa é do piloto”, pregou tentando vincular acidentes aéreos com as cotas destinadas a minorias nas universidades federais.
Não satisfeito, Bengtson, que é bolsonarista declarado, disse aos fiéis da igreja que não se submeteria a uma operação de coração feita por cirurgião que tenha cursado a faculdade de medicina ingressando na graduação pelo sistema de cotas.
“Você deixaria se submeter a uma cirurgia feita por quem entrou a faculdade pela cota?”, indagou. “Ele não passou, mas tinha que deixar uma cota para índio, negro. Não, querido! A meritocracia tem que funcionar!”. Abaixo, o vídeo com a declaração do ex-deputado, que ficou inelegível em função de envolvimento no “Escândalo dos Sanguessugas”.
Deputado federal desde 2011, Bengstson foi condenado a 5 anos e 6 meses pelo STF em 2017, acusado de crimes no âmbito do “Escândalo dos Sanguessugas”. Escapou da prisão por força da idade, mas ficou inelegível.
Os embargos de declaração foram rejeitados e o STF manteve a decisão da primeira turma quanto à acusação contra Bengtson. Condenado por corrupção passiva, ele teve a extinção da pena aplicada ao caso por ter mais de 70 anos de idade, levando à prescrição do crime.
Em plena quarentena de prevenção ao novo coronavírus, autoridades furam o isolamento e dão mau exemplo frequentando as praias de Salinas. Neste domingo (19), o prefeito de Belém Zenaldo Coutinho, foi fotografado ao lado de amigos curtindo festivamente a manhã de sol na praia do Atalaia. Nenhum dos integrantes do grupo usava máscara de proteção.
Nas imagens que circularam nas redes, Zenaldo está de boné e óculos conversando com o deputado federal Cássio Andrade (PSB), que é pré-candidato à Prefeitura de Belém, e dos vereadores Fabrício Gama (PMN) e Mauro Freitas (PSDB), presidente da Câmara Municipal de Belém. Estavam próximos um do outro, sem respeitar a distância mínima de um metro e meio.
A cena revolto internautas, que criticaram a atitude irresponsável de quem tem a obrigação de dar bom exemplo à população. No caso de Zenaldo, a situação é mais grave pois ele vive fazendo lives nas quais convoca as pessoas ao isolamento e aos cuidados contra a covid-19.
À tardinha, o prefeito postou um vídeo curto nas redes sociais dizendo estar “inspecionando obras da prefeitura” em pleno domingo. Não fez referência ao flagra na praia de Salinas, nem mesmo para se desculpar com a população.
Aumenta a movimentação dos clubes, a 10 dias da reabertura do Campeonato Estadual, e os reforços começam a ser anunciados com a celeridade que muitas vezes traduz afobação. Que não seja o caso da dupla Re-Pa, principalmente, e dos demais clubes que estão investindo em contratações. O custo de fortalecer os times na maioria das vezes é desproporcional ao nível de retorno apresentado em campo. Gasta-se muito para pouco resultado.
O PSC trouxe mais um atacante, Mateus Anderson, que estava na Ponte Preta e teve passagem elogiada pelo futebol goiano. É jogador de beirada, como Erik Bessa, o primeiro reforço anunciado pelo clube depois da volta aos treinamentos. Hélio dos Anjos quer, claramente, abrir o leque de opções para o ataque.
Dependente em excesso de Nicolas, centroavante e faz-tudo do time, o técnico aposta em alternativas que permitam ao PSC explorar o contra-ataque e a chegada pelos lados. Antes da dupla de novatos, o Papão tinha Elielton e Uilliam para as investidas pelas pontas, sem que nenhum tenha atendido às expectativas do treinador.
O Remo anunciou no sábado pela manhã o sexto reforço após a retomada dos treinos. É Gilberto Alemão, zagueiro de 30 anos com larga experiência em clubes medianos do interior paulista e com atuação também no futebol paranaense. Tem perfil de capitão e faz o estilo xerife, tão ao gosto dos técnicos.
Sua contratação servirá para recompor o grupo de zagueiros do time, desfalcado com a saída de Rafael Jansen, a contusão de Kevem e a suspensão de Fredson. Alemão chega com status de titular, devendo formar dupla com Mimica já na reestreia no Parazão contra o Águia, no dia 2 de agosto, no Baenão.
É provável que vários dos nomes contratos recentemente pelo clube possam estar aptos para o Parazão, até como forma de preparação e busca de entrosamento para a Série C, que começa no dia 9 de agosto. Lucas, Julio Rusch, Zé Carlos e Everton Silva já deverão estar aptos a serem escalados para os primeiros dois jogos do Estadual.
Os clubes do interior também se reforçam. O Castanhal segue o exemplo remista e traz cinco novos atletas, de goleiro a atacante. O desembolso é seguramente inferior ao do Remo quanto a salários, mas não deixa de ser uma ousadia em tempos de crise.
As demais equipes interioranas que ainda têm chance no Estadual e competições nacionais a disputar – casos de Paragominas, Águia, Bragantino e Independente – mostram-se mais contidas. E estão certas, porque no mundo dos negócios em que o futebol se transformou cautela é um ativo cada vez mais valorizado.
Jesus volta à Lisboa deixando um rastro de incertezas
A lista é extensa e aumenta a todo instante. Já citaram Leonardo Jardim, Marcelo Bielsa, Mauricio Pochettino, Domènec Torrent, Marcelo Gallardo, Marco Silva e até Jorge Sampaoli, hoje no Galo.
O lugar vago com o retorno de Jorge Jesus a Portugal ainda não tem ocupante e o clube já procura um nome com perfil parecido. Tarefa dificílima. O treinador lusitano cravou seu nome no Flamengo com o melhor desempenho já visto na era moderna. Sai por cima, ostentando o status de astro de primeira grandeza e de ídolo da torcida rubro-negra.
Especulações pipocam a todo instante e, a princípio, nenhum dos nomes deve ser contratado. Por circunstâncias e razões diversas. Bielsa está bem no Leeds United, da Inglaterra. Leonardo Jardim já mandou dizer que não tem interesse. Sampaoli não sai do Atlético.
Marco Silva está sem clube, mas no próprio Flamengo há oposição ao seu nome. Pochettino, também livre desde que foi dispensado pelo Tottenham, não parece disposto a deixar o rico filão europeu. Torrent, ex-auxiliar de Pep Guardiola no Bayern e no Barça, parece acima do limite financeiro do Flamengo. Gallardo só troca o River por um clube europeu.
Apesar do excepcional progresso do Flamengo, há dois anos com as finanças saneadas e aparentando solidez administrativa, aventuras na América do Sul ainda são olhadas com extrema desconfiança por profissionais europeus. A passagem bem-sucedida de Jesus por aqui talvez ajude a quebrar essa cisma, mas o preconceito ainda existe.
É preciso considerar também que Jesus se submeteu a ganhar bem abaixo do que os técnicos do Velho Continente faturam porque estava em baixa, sem clube e sem perspectivas. Só após conquistas importantes em 2019 teve peito de exigir (e levar) um reajuste salarial de quase 100%.
Pelas condições de mercado e aceitação de seu trabalho, o espanhol Miguel Ángel Ramirez (foto acima), do Independiente Del Valle (Equador), parece reunir mais chances de um entendimento com a diretoria do Flamengo.
Curiosamente, segundo fontes rubro-negras, a idade de Ramirez (35 anos) o desfavorece no rol dos candidatos. A rejeição deriva da experiência feliz com um técnico veterano e passado na casca do alho como Jesus (65 anos).
A única certeza neste momento é de que o futuro treinador não terá CPF brasileiro. O Flamengo aprendeu definitivamente com o Mister que a mão-de-obra brasileira no segmento de técnicos é de terceira categoria.
A arte da violência absoluta não gera encanto
Aos que perguntam por comentários sobre MMA (artes marciais mistas, em inglês) ou UFC (Ultimate Fighting Championship) na coluna, reafirmo a primazia absoluta das análises de natureza esportiva. Lutas que permitem ampla gama de técnicas, aceitando golpes com punhos, pés, cotovelos e joelhos, além de recursos de imobilização (alavancas), endossam o culto à violência pela violência.
O vale-tudo não me apetece. Prefiro talento e habilidade. Há quem curta e aplauda, afinal há gosto para praticamente tudo. Por não apreciar, não acompanho. Por não acompanhar, evito comentar. Até o boxe, de regras mais firmes, deixou de me interessar como esporte a partir da aposentadoria de estilistas, como Muhammad Ali, Larry Holmes, Sugar Ray Leonard e Júlio Cesar Chávez.
(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 20)
O zagueiro Gilberto Alemão, de 30 anos, foi anunciado neste sábado como o novo reforço do Remo para o setor defensivo. O jogador estava atuando pelo XV de Piracicaba, de São Paulo. Catarinense, ele tem no currículo vários outros clubes do interior paulista – Botafogo, Grêmio Novorizontino, RB Bragantino, Rio Claro, Mogi Mirim e Independente de Limeira. Ainda acumula passagens por Felda United (Malásia), Icasa (CE), Volta Redonda (RJ) e Paraná Clube.
Alemão vem reforçar um dos setores mais vulneráveis do time azulino. Após a saída do polivalente Rafael Jansen, o técnico Mazola Junior perdeu Fredson (suspenso por três partidas) e Kevem, lesionado e com prazo de recuperação de três semanas. No momento, o Leão conta apenas com Mimica e Neguete para compor a defesa.
O jornalista Juca Kfouri afirmou à TV 247 que a Rede Globo fez uma leitura equivocada do cenário político em 2018 ao apoiar Jair Bolsonaro em vez do nome de Fernando Haddad, do PT. Para Kfouri, a emissora agora percebe que Bolsonaro, o “genocida”, é incontrolável, ameaçando inclusive cassar a concessão da Globo.
“Para mim é absolutamente incompreensível que as organizações Globo não tenham se dado conta, já na campanha, que Bolsonaro seria a pior hipótese, que Bolsonaro é incontrolável. Diga-se, em justiça a Bolsonaro: ele desde a campanha deixava muito claro a opção preferencial pela Record, do bispo Edir Macedo, e que a Globo era inimiga. A Globo fez uma leitura ingênua, que é inadmissível em se tratando do poder que tem, de achar que poderia controlá-lo. A história revela que na Alemanha se deu a mesma coisa entre os empresários e o Hitler, até por isso deveria ter clareza de que não controlaria esse maluco, esse genocida. Bom, se deu conta disso, o vê ameaçando cassar a concessão – claro que não é assim tão simples, mas se ele puder tentar, vai tentar”, disse.
Em participação no programa Boa Noite 247, ele também comentou a mudança nas regras de transmissão de jogos de futebol, que retira poderes da Globo.
Parece ser uma constante entre os tucanos. Aécio Neves, José Serra e, agora, Geraldo Alckmin, só são alvos de medidas policiais-judiciais depois de politicamente mortos. A esta altura, parece ser uma manobra publicitária, mais que uma investigação policial, como para provar que a lei seria para todos. No caso de José Serra, tudo indica que o destino será a decretação da prescrição judicial.
No de Alckmin, correndo pela Justiça Estadual, pouca gente acredita que o indiciamento vire denúncia e menos ainda que vire uma ação e, se virar, que chegue a termo antes de ter o mesmo destino.
O ex-governador que perdeu o partido que controlava – depois de tê-lo tomado de um Aécio Neves em desgraça – para o escorpião Doria é só mais uma destas figuras que passa pela política sem deixar qualquer significado.
Sobra do PSDB apenas Fernando Henrique Cardoso, que nunca foi processado, mas que já foi julgado e condenado pela população ao ostracismo. A direita agora é outra, tão entreguista quanto aquela, mas mais feroz. (Do Tijolaço)
Há um mistério que ronda a história de bons jogadores, ídolos de suas torcidas no Brasil, que não passaram no teste de admissão ao futebol da Europa, grande vitrine do esporte e régua para medir quem é bom de verdade no mundo da bola. A tendência se acentuou nas últimas décadas e que revela uma nova realidade: não basta ser craque, é preciso ser jovem para ter chances num futebol regido pelas leis do mercado.
O exemplo de Dudu, ídolo palmeirense nos últimas quatro temporadas, é simbólico das voltas que a bola dá. Badalado e inflado pela imprensa, que sempre viu alta categoria em um jogador mediano, Dudu tem contra si também a falta de participação na Seleção.
Mesmo se destacando no Palmeiras, com muitos gols e liderança em campo, Dudu nunca despertou interesse do futebol europeu. Acabou emprestado ao futebol do Catar, por 7 milhões de euros (R$ 42,8 milhões).
Por que tanta indiferença dos grandes centros? Além do futebol abaixo da linha de corte dos jogadores que a Europa busca, Dudu tem 28 anos e, por assim dizer, já é página virada, como no folhetim buarqueano.
Os gigantes da Europa focam em atletas cada vez mais imberbes, sem vícios. A preferência é por atletas na faixa de 14 a 17 anos, adquiridos para que complementem a formação técnica, física e escolar dentro dos clubes.
Não por acaso, o Real Madrid só se interessou nos últimos anos por jovens promessas, como Vinícius Junior, Rodrygo e Reinier. Antes, o Barcelona levou Arthur, que não se consolidou e foi negociado com a Juventus.
Quem via Dudu ser incensado pela sempre militante e apaixonada mídia esportiva paulistana, sendo coberto de elogios e prêmios (levou quatro bolas de prata e uma Bola de Ouro da Placar), imaginava que ele iria longe, com chances de vir a se transferir para Espanha, Itália ou França.
Afinal, nomes improváveis – e menos cotados – conseguiram transpor a fronteira, mesmo que o sucesso tenha sido modesto ou quase nenhum. Bernard, Richarlyson, Hulk são logo lembrados. Dudu é melhor que todos eles, mas chegou ao auge estourando a idade-limite.
É mais ou menos o que se passa com o ex-gremista Luan, hoje no Corinthians, e com Everton Cebolinha. Clubes ingleses sondaram o Grêmio, mas ficou nisso – e ele tem 24 anos. Gabigol, um dos protagonistas do Flamengo em 2019, também está fora do radar.
Aliás, o êxito no Brasil não é balizador de sucesso. Persiste lá fora, com razão, a impressão de que o campeonato nacional é tecnicamente fraco e pouco seletivo. Todos sabem que qualquer time um pouco mais organizado (o Fla de Jorge Jesus, por exemplo) acaba se destacando.
Conspira, ainda, contra Dudu o fato de ter – como Gabigol – passado por lá e não ter mostrado qualidades. Esteve no Dínamo de Kiev sem render. Podia ter sido a plataforma para chegar a centros de maior destaque.
É possível questionar os métodos de avaliação dos clubes da Europa, pois muito jogador bom só atinge o auge em torno dos 25 ou 27 anos, mas o pragmatismo financeiro faz com que a idade seja priorizada. Os clubes trabalham com a perspectiva de vir a negociar o jogador ao final do contrato. Quanto mais “velho”, menor o valor de revenda.
Mick Jagger teria dito certa vez que roqueiros deveriam morrer jovens, antes que envelheçam de corpo – e alma. O futebol europeu, grosso modo, segue à risca essa regra fechando a porta a boleiros rodados.
Bola na Torre
Guilherme Guerreiro apresenta o programa, a partir das 21h, na RBATV. Estarei na bancada ao lado de Giuseppe Tommaso. Em pauta, os reforços para o complemento do Parazão e a expectativa em relação à Série C.
Qatar prepara uma Copa para prender o torcedor em casa
Algumas Copas do Mundo nos obrigaram a horários meio malucos, como a de 1970 no México e, principalmente, a de 2002 na Ásia. Era preciso madrugar para ver a Seleção jogar. Felizmente, foram sacrifícios bem recompensados. A próxima, no Qatar, vai ser pela primeira vez em novembro e dezembro e terá alguns jogos às 7h (hora de Brasília).
A novidade é que a Fifa vai definir horário e local dos jogos somente após o sorteio dos grupos, provavelmente em abril de 2022. A preocupação é garantir horários decentes (e lucrativos) para a transmissão das partidas.
Com isso, seleções sul-americanas deverão ser contempladas com horários mais normais, assegurando audiências mais robustas. É provável que o Brasil, caso se classifique nas eliminatórias, tenha jogos na faixa local das 16h (10h de Brasília), 19h (13h de Brasília) e 22h (16h de Brasília).
A grande final, em 18 de dezembro, será disputada às 18h (12h no Brasil). A abertura, a 21 de novembro, será às 13h, 7h no Brasil. A Copa terá 32 participantes, mas a de 2026 (nos EUA, Canadá e México) alinhará 48 seleções. Para encaixar a tabela em 28 dias, a 1ª fase será realizada com quatro jogos diários, sem folga entre a etapa de grupos e as oitavas.
Como se vê, ninguém terá tempo para sair de casa, pois a bola vai rolar todos os dias em quatro faixas de horário. Uma overdose na TV.
Sons da torcida e totens para dar “calor” aos jogos sem público
Os clubes gaúchos estão dispostos a incrementar a transmissão de seus jogos e estimular os jogadores reproduzindo os cantos tradicionais das torcidas, vaias para os adversários e gritos de gol. É uma forma de manter a chama acesa e reconstituir o “calor” da galera. A ideia será colocada em prática já no Gauchão, mas deve ser mantida para o Brasileiro.
É o que Remo ensaia fazer postando totens com fotografias de torcedores no tobogã da 25 de Setembro, no estádio Baenão. Pelo direito de “estar lá” na arquibancada, os torcedores pagarão R$ 50,00 e R$ 60,00 (não sócios). Um bom negócio para todos.
(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 19)