Ataques a jornalistas fazem Globo e Folha suspender cobertura do presidente em Brasília

A cena foi dantesca. Um grupo de bolsonaristas atacou jornalistas que estavam em frente ao Ministério da Defesa, onde Bolsonaro almoçava com com o ministro general Fernando Azevedo e Silva. Um dos homens ficou centímetros do rosto dos jornalistas e, sem máscara, gritou e hostilizou os repórteres. “Vai tomar no seu cú, cuzão. Vai se foder, filho duma puta. A gente tá aqui pela sua família, o cuzão, a gente tá aqui pela sua família. A gente tá aqui pela sua família, o cuzão. A gente tá aqui pela sua família, o seu bosta. Você tá fazendo o que aqui? Tá trabalhando por que? Lixo!”, xingou um militante.

Nesse momento, os manifestantes avançaram em direção aos jornalistas que ali estavam, e gritaram chamando de “comunistas”, “vocês querem o dinheiro do governo”, “divulga a verdade”, foram algumas das palavras de ordens dos militantes. De manhã, uma cena semelhante já havia acontecido em frente ao Alvorada. Os apoiadores de Bolsonaro passaram a hostilizar os jornalistas após o chefe do Executivo falar: “O dia que vocês tiverem compromisso com a verdade eu falo com vocês de novo, está ok?”.

A reação não tardou. Por falta de segurança o Grupo Globo decidiu que seus jornalistas não mais farão plantão no Palácio da Alvorada. “Como a animosidade dos militantes tem sido crescente, e sem que haja providências por parte das autoridades para proteger os jornalistas, o vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Globo comunicou a decisão, por carta, ao ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno”, diz o G1.

A carta do Grupo Globo ao ministro Augusto Heleno:

Ao cumprimentar V.Exa., trazemos ao conhecimento desse Gabinete uma questão que envolve a segurança da cobertura jornalística no Palácio da Alvorada. É público que o Senhor Presidente da República na saída, e muitas vezes no retorno ao Palácio, desce do carro e dá entrevistas bem como cumprimenta simpatizantes.

Este fato fez vários meios de comunicação deslocarem para lá equipes de reportagem no intuito de fazer a cobertura. Entretanto são muitos os insultos e os apupos que os nossos profissionais vêm sofrendo dia a dia por parte dos militantes que ali se encontram, sem qualquer segurança para o trabalho jornalístico. Estas agressões vêm crescendo.

Assim informamos por meio desta que a partir de hoje nossos repórteres, que têm como incumbência cobrir o Palácio da Alvorada, não mais comparecerão àquele local na parte externa destinada à imprensa. Com a responsabilidade que temos com nossos colaboradores, e não havendo segurança para o trabalho, tivemos que tomar essa decisão.

Respeitosamente,

Paulo Tonet Camargo

Vice-Presidente de Relações InstitucionaisGrupo Globo

A Folha de S. Paulo também anunciou que faria o mesmo: “Suspender a cobertura jornalística na porta do Palácio do Alvorada temporariamente até que o Palácio do Planalto garanta a segurança dos profissionais de imprensa”.

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