Brasileira ‘esquecida’ em Cuba: “Governo cubano está cuidando melhor da gente do que o nosso”

Por Sturt Silva

Cerca de 53 brasileiros residentes em Cuba tentam voltar ao Brasil há quase dois meses. Cuba fechou seus aeroportos em 1º de abril e o governo brasileiro enviou apenas um avião à ilha socialista com foco na repatriação de turistas. 
Segundo reportagem de Thayz Guimarães no jornal O Globo, entre os brasileiros “esquecidos” em Cuba está a jornalista Ana Graziela Aguiar, repórter especial do programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, e mestrando em Cinema na Escola Internacional de Cinema e Televisão (EICTV). 
Além da jornalista, o grupo dos brasileiros é formado por estudantes de Medicina, pesquisadores e professores que moram em Havana, além dos alunos da EICTV, localizada em uma fazenda em San Antonio de Los Baños, a 40 Km da capital, onde também estão dois professores, um deles acompanhado de sua mulher e do filho pequeno.

Solidariedade cubana
“O governo cubano está cuidando melhor da gente do que o nosso próprio governo. A gente se sente muito mais protegido aqui, a medicina é muito mais avançada, mas queremos voltar para casa porque é nosso direito, como de qualquer brasileiro”, afirma Ana Graziela Aguiar. 
A tradicional escola cubana de cinema foi fundada por García Marquez nos anos 80 e precisou cancelar suas atividades em abril devido a pandemia do novo coronavírus. Porém, diante da impossibilidade de alguns alunos e professores voltarem para casa, decidiu manter suas instalações funcionando até julho. Das cerca de 180 pessoas que a escola recebeu no início de 2020, 50 ainda estão por lá. 
“Apesar das recomendações de voltarem para casa, muitos funcionários preferiram continuar morando com a gente na escola durante a quarentena para cuidar dos alunos e professores que não puderam ir embora. E agora que a quarentena foi levantada, eles estão fazendo um revezamento. O espírito de coletividade e solidariedade aqui é bem bonito de ver, a escola é uma família”, relata Aguiar ao “O Globo”.

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