O técnico do Manchester City , Pep Guardiola, doou 1 milhão de euros (cerca de R$ 5,4 milhões) nesta terça-feira (24) para comprar suprimentos médicos na luta contra a pandemia do novo coronavírus, segundo a ‘EFE’.
O dinheiro foi direcionado para a Fundação Ángel Soler Daniel, que administra a Faculdade de Medicina de Barcelona. A quantia é para a compra e produção de materiais e equipamentos de saúde. Além disso, também servirá para financiar a produção alternativa de respiradores e outros elementos de proteção para os profissionais de saúde.
Guardiola também se envolveu em projetos de pesquisa para obter medicamentos que impedem a transmissão do Covid-19, como a vacina contra o vírus, na qual estão trabalhando o médico Bonaventura Clotet e o pesquisador Oriol Mitjà.
Integrantes do Palácio do Planalto admitem que os dois nomes dos pacientes com testes positivos para o novo coronavírus sonegados à Justiça pelo Hospital das Forças Armadas (HFA) podem ser os do presidente Jair Bolsonaro e da primeira-dama, Michele.
Esses servidores dizem que a lista do HFA virou tabu dentro do Planalto. A ordem é não passar qualquer informação sobre os exames do presidente e da mulher dele “por questão de segurança nacional”. Mas o incômodo é grande, uma vez que o Palácio de tornou uma das principais fontes de contaminação pelo coronavírus em Brasília.
O último a ser contaminado foi um dos motoristas que atendem o presidente da República. Ele deu entrada em um hospital de Brasília alegando estar com problemas respiratórios, sintomas característicos da Covid-19.
Não basta que uma pessoa saudável seja contagiada pelo novo coronavírus, se recupere e crie a imunidade para estar efetivamente protegida. A doença do Covid-19 pode infectar mais de uma vez uma mesma pessoa. O cenário já foi visto na China.
Especialistas então analisam que a única forma para conter gradualmente a pandemia não será por meio da chamada “heard immunity”, que é a imunidade de grupo ou, literalmente, “imunidade de rebanho”. E a vacina estará disponível entre 12 a 18 meses para os países aplicarem na população. Enquanto isso, cientistas apostam nas quarentenas e antivirais com medicamentos para a imunidade, até que a vacina possa ser disponibilizada.
Fim da pandemia? Não num futuro próximo
O mundo está tomado pelo pânico do coronavírus com a pergunta persistente: Quando isso vai acabar? Obviamente, não há respostas definidas, mas há probabilidades de respostas, pois a situação ainda não está sob controle. Certamente, isso não vai acabar logo, pelo menos por um ano, já que a vacina provavelmente levaria muito tempo, afirmam especialistas.
Os cientistas dizem que o COVID-19 diminuiria a velocidade quando aqueles que estão infectados não o transmitem a outros. “Basicamente, se eu infectar outra pessoa ou mais, então a epidemia pode decolar. Se eu infectar menos de uma pessoa e todo mundo infectar menos de uma pessoa, a epidemia diminuirá”, disse Elizabeth Halloran, pesquisadora da Universidade de Washington, relata Associated Press.
Entenda
Como o COVID-19 pode se espalhar depende de dados sobre a dinâmica populacional, demografia, capacidade de assistência à saúde e outros fatores, disse Rebecca Katz, especialista em saúde pública da Universidade de Georgetown. Os cientistas dizem que se cada pessoa infectada contagiar cerca de 2 ou 3 outras pessoas, isso levaria a um crescimento exponencial do vírus. Antivirais e medicamentos para imunidade podem parar o crescimento exponencial.
Assumindo que nada foi feito para interromper essa transmissão e se o vírus saltar para uma nova pessoa a cada dois a cinco dias, os cientistas calculam que uma única pessoa infectada pode levar a 4.142 infecções totais em um mês. As estimativas dizem que entre 40 e 80% da população global pode ser infectada dessa maneira.
Outras descobertas dizem que a maioria das novas infecções é transmitida por pessoas com sintomas leves ou por pessoas assintomáticas – aquelas que nem sabem que estão doentes. Se a maioria das pessoas se recuperar, como na China, os cientistas estimam que cerca de 14% dos infectados necessitam de hospitalizações, mesmo assim, isso sobrecarregaria todo o sistema de saúde.
Os médicos então teriam que decidir quem deveria viver, como aconteceu na Itália. Quebrar a corrente, então, significaria que estamos na direção de controlar a situação.
O fim
Mark Jit, pesquisador de doenças da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, disse: “Não é como um filme de Hollywood com um final claro, onde todos são salvos ou todos morrem rapidamente … O melhor cenário é que temos vacina em 12 ou 18 meses e, em seguida, nossas vidas voltam ao normal “, disse Jit.
“No pior cenário, leva muito tempo para que uma vacina seja desenvolvida, e o mundo realmente mudou e nossas vidas não são as mesmas novamente”, observou ele, relata a AP
Uma teoria diz que, uma vez que o número de casos chegue a um limiar, escolas, escritórios e restaurantes poderão reabrir. Se os casos ocorrerem, as restrições serão restabelecidas. China tem visto uma queda nos casos diários, essa teoria pode ser posta à prova lá. Mas não é uma solução final, mas adia até que uma solução seja encontrada.
Assim, se uma vacina for desenvolvida, ela deve envolver até mesmo aqueles que são espalhadores assintomáticos, o que significa que todos os países afetados devem receber a vacina após um ano. Ou então, em outro cenário, as pessoas devem desenvolver imunidade natural ao coronavírus. Isso significa que todos devem pegar o vírus antes de se tornarem imunes. Essa “imunidade de rebanho” está a quase dois anos, se for possível. Mas o novo coronavírus pode se infectar novamente, como aconteceu na China.
Os antivirais e os medicamentos para imunidade – que podem vir antes da vacina – por enquanto podem ser a escolha certa para conter gradualmente o vírus até que a vacina seja encontrada. (Do Jornal GGN)
“Essa proposta é totalmente rechaçada pela categoria. Redução salarial é algo inegociável. Os atletas até podem aceitar um parcelamento dos vencimentos e aceitam discutir também a antecipação das férias. Mas o ‘perdão salarial’ é algo inegociável”, disse Mocelin à GaúchaZH.
O dirigente afirma que tem conversado com lideranças da dupla Gre-Nal e também de clubes do interior, da primeira divisão e da Divisão de Acesso. Ele garante que os atletas estão fechados com a entidade. Logo, não acredita que possam ocorrer negociações diretamente entre os clubes e os jogadores, sem a mediação da entidade representativa de classe.
“Estamos montando uma proposta e em breve vamos apresentá-la aos atletas. Entendemos também que é hora de a CBF se coçar. Ela é a entidade maior e ela até agora não se pronunciou sobre dar um auxílio aos clubes”, completa Mocelin.
O primeiro-ministro japonês, Abe Shinzo, confirmou nesta terça-feira (24) que pediu ao Comitê Olímpico Internacional (COI) o adiamento de um ano dos Jogos Olímpicos, que estavam programados para o dia 24 de julho. A autoridade esportiva aceitou, e a competição foi postergada para 2021.
Abe fez o anúncio a jornalistas depois de uma conversa telefônica com o presidente do COI, Thomas Bach. Segundo ele, o COI aceitou o pedido.
O COI, então, confirmou em um comunicado o adiamento assinado em conjunto com o governo japonês:
“Na circunstância presente, e baseados na informação providenciada pela Organização Mundial da Saúde, o presidente do COI e o primeiro-ministro do Japão concluíram que os Jogos da 32ª Olimpíada em Tóquio devem ser reagendados para uma data para além de 2020, mas não depois do verão de 2021, para garantir a saúde de atletas, todos envolvidos nos Jogos e a comunidade internacional.”
As Olimpíadas, portanto, deverão ser realizadas em 2021. Mesmo assim, o nome oficial do evento será Tóquio 2020, de acordo com o governador de Tóquio, Yuriko Koike. Os Jogos Olímpicos foram adiados por causa da pandemia do Covid-19, que impactou a organização do evento e também a preparação dos atletas.
A conversa telefônica incluiu, além de Abe e de Bach, o governador de Tóquio, Yuriko Koike, e o líder da organização dos Jogos, Yoshiro Mori. Abe pediu para que Bach tomasse uma decisão o mais rápido possível, segundo a NHK.
Essa é a primeira vez, na era moderna, que os Jogos Olímpicos são adiados. Eles foram cancelados em três ocasiões: 1916, 1940 e 1944, por causa da Primeira e Segunda Guerras mundiais.
O Comitê Olímpico do Canadá havia publicado uma carta na segunda-feira (23) na qual informou que ia boicotar os Jogos Olímpicos e Paralímpicos se eles fossem realizados em 2020. A Austrália também informou que não enviaria seus atletas.
Noruega e Grã-Bretanha pressionaram o COI e ameaçaram não participar dos Jogos. Os comitês do Brasil, Eslovênia, Alemanha haviam pedido o adiamento, assim como as equipes norte-americanas de natação e corrida. (Da G1)
Mais de 90 testes de vacina são desenvolvidos em vários países, mas é incerto projetar um prazo para que o novo coronavírus seja neutralizado em larga escala. Enquanto a ciência não descobre um antídoto eficaz, o mundo precisa se adequar a um período de espera, mais ou menos longo, com potencial para comprometer planos e frustrar sonhos.
No plano local, não é diferente. O futebol segue sem perspectivas. A ideia de prosseguimento do Parazão ainda no 1º semestre depende do avanço da doença no Estado. Por enquanto, os números não permitem uma certeza. O Pará contabiliza cinco pessoas contaminadas.
Quanto ao futuro do Parazão, um movimento iniciado por cinco clubes disputantes pode apressar uma definição por parte da FPF. Águia e Itupiranga liberaram jogadores, preferindo desistir da competição a sofrer com as despesas de folha salarial extra durante a quarentena.
Ontem, mais três clubes tomaram a mesma decisão. Independente, Carajás e Bragantino também encerraram atividades, liberando atletas. O clube de Bragança pagou os salários de março e dispensou todo o elenco. Outros participantes estariam ensaiando o mesmo movimento.
A debandada geral pode criar um fato consumado: a FPF ficaria forçada a encerrar o campeonato sem vencedores ou rebaixados. Ou, ainda, teria que encarar a possibilidade de um Parazão esvaziado, com jogos decididos por W.O. nas duas rodadas que restam da etapa de classificação.
A entidade, através do vice Maurício Bororó, afirma que a CBF dará prioridade aos estaduais, descartando (por enquanto) o cancelamento. Para a dupla Re-Pa, que tem o Brasileiro da Série C para disputar, antecipar férias dos atletas pode ser uma solução de curto prazo.
O papel da FPF vai além de esperar ordens e humores da CBF. Tem por obrigação reunir os clubes para deliberações ou, pelo menos, buscando estabelecer cenários, até para dar respostas aos trabalhadores envolvidos – atletas, técnicos, profissionais de apoio. Caso demore muito a agir, corre o risco de ser atropelada pelos fatos.
Por enquanto, ninguém tem certeza sobre nada. Os clubes da capital silenciam sobre seus planos imediatos. O Remo optou por aguardar mais alguns dias, para avaliar o que poderá ser feito quanto ao elenco e sobre os planos para o Brasileiro. O PSC trabalha com vários cenários, mas, obviamente, sem nada conclusivo.
Com o prejuízo de R$ 1 milhão pela parada do campeonato e contabilizando mais perdas, o PSC antevê as dificuldades pós-pandemia e pretende investir em marketing agressivo para compensar o déficit acumulado. Vai reagir com atitude.
De maneira geral, a situação dos clubes soa até exagerada em relação ao drama da população, em confinamento social e sem expectativa de sair da quarentena. Durante o debate especial da Rádio Clube, no domingo, várias opiniões foram expostas por analistas e ouvintes.
Chamou atenção a fala de um torcedor remista observando, com razão, que o futebol não é o segmento mais impactado neste momento. Em primeiro lugar, disse – elogiando as providências adotadas pelo governador Helder Barbalho em defesa da população –, está o bem-estar das pessoas. Os problemas do futebol podem ficar para depois, acrescentou. (Foto: Jorge Luiz/Ascom PSC)
A estranha resistência do COI em suspender a Olimpíada
O mundo clama pelo adiamento ou cancelamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Na contramão da sensatez, o Comitê Olímpico Internacional insiste em manter a competição nas datas previstas. Ontem, surgiu um fato novo: o governo do Japão manifestou a preocupação com os rumos da situação e defendeu que a realização do evento seja reavaliada.
A menos de quatro meses para os Jogos, os comitês olímpicos dos países pressionam pela suspensão, alegando prejuízo na preparação dos atletas e o risco a que todos estarão submetidos caso a Olimpíada aconteça.
Para uma entidade que sempre primou pela preocupação com a segurança dos atletas, o COI tem vacilado em relação aos Jogos de Tóquio. A demora em decidir flerta com irresponsabilidade. A maioria dos atletas de ponta tem se manifestado pelo adiamento para dezembro ou para 2021.
A solução talvez ainda dependa da aprovação dos patrocinadores, suporte básico de toda e qualquer competição, mesmo a que diz celebrar os princípios olímpicos. Membros do COI já admitem o adiamento como hipótese mais provável, posição reforçada pelas últimas declarações do primeiro-ministro japonês Shinzo Abe.
Astros brazucas endinheirados não exercitam solidariedade
Alguns astros de primeira grandeza do esporte têm se mostrado generosos e sensibilizados com os efeitos devastadores da pandemia. Cristiano Ronaldo decidiu franquear sua rede de hotéis para abrigar famílias desabrigadas e para servir de estrutura hospitalar.
Ibrahimovic, o polêmico atacante sueco, abriu campanha de arrecadação doando meio milhão de dólares para ajudar as vítimas da doença na Itália. Michael Jordan seguiu a mesma trilha nos EUA. Atitudes cidadãs de homens que acumularam riqueza com o esporte.
Como de hábito, nenhum dos ricos endinheirados brasileiros do esporte teve a coragem de se coçar para doar algum dinheiro. Neymar, Ronaldo Fenômeno e outros são pródigos em gastar com farra e autopromoção. Olhar para os menos afortunados, nem pensar.
(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 24)
Em meio a pandemia do coronavírus, os brasileiros foram superintendidos por Jair Bolsonaro com a medida provisória 927, que ataca os direitos do trabalhadores. O governo afirma que a decisão é uma forma de evitar demissões em massa e Bolsonaro chegou revogar um dos artigos da proposta, que previa a suspensão dos contratos de trabalho por quatro meses. Apesar de toda a ação, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) publicou nota nesta tarde, 23 de março, repudiando a medida, que continua excluindo os Sindicatos das tratativas em questão:
Governo anunciou alteração, mas MP ainda prejudica classe trabalhadora, ao suspender direitos e excluir Sindicatos das tratativas das excepcionalidades
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), entidade máxima de representação da categoria, repudia a Medida Provisória nº 927, editada pelo governo Bolsonaro e publicada no Diário Oficial da União, em edição especial, neste domingo, 22 de março. A MP suspende a validade de artigos da CLT, excluindo os Sindicatos de trabalhadores das discussões e autorizando tratativas individuais dos patrões com seus empregados. Também suspende as fiscalizações no mundo do trabalho, informando que o trabalho a ser realizado será de caráter orientativo.
Após ser amplamente criticado, o governo Bolsonaro anunciou no início da tarde desta segunda-feira, 23, a retirada do artigo 18 da MP, que autorizava as empresas a suspender os contratos de trabalho de seus funcionários por até quatro meses, sem nenhuma remuneração. A MP, entretanto, prevê outras medidas excepcionais, como a adoção de bancos de horas com compensação em até 18 meses após o fim do estado da calamidade pública; o não pagamento do 1/3 de férias, a antecipação de feriados e, mais grave ainda, a relativização de normas de saúde e segurança no trabalho.
Para a Fenaj, inequivocamente, o governo de Jair Bolsonaro atua penalizando a classe trabalhadora e, neste momento de crise, continua adotando medidas inadequadas e que não contribuem para tranquilizar o povo brasileiro. Mais uma vez, o governo cobra sacrifícios dos/as trabalhadores/as, já bastante sacrificados com a implementação das contrarreformas trabalhista e previdenciária, com o desemprego e o crescimento vertiginoso da informalidade e com a diminuição da renda.
Em tempos de calamidade pública, é preciso que os esforços sejam coletivos e solidários e é preciso que as medidas, principalmente as governamentais, sejam tomadas para que toda a sociedade possa sobreviver à crise. Não é admissível que o extermínio de parte da população, pela miséria crescente ou por uma convulsão social, seja uma política de governo. Existem alternativas possíveis e viáveis, como a suspensão, ainda que temporária, do pagamento do serviço da dívida pública.
A Fenaj lamenta que o governo federal esteja mais preocupado em garantir a saúde financeira das empresas que a saúde e a sobrevivência do povo brasileiro. Enquanto em vários países do mundo – incluindo os capitalistas – medidas protetivas do emprego e da renda estão sendo tomadas, no Brasil, infelizmente, elas ainda não foram sequer cogitadas.
Do presidente inepto e da equipe econômica que o orienta não é possível esperar muito. Mas precisamos exigir dos demais poderes, em especial do Poder Legislativo, que assumam suas responsabilidades, diante do caos anunciado.
Em nota, o Ministério Público do Trabalho se posicionou contra a MP 927, baixada pelo governo federal e depois modificada.
“O MPT compreende o estado de calamidade vivido pelo país e pelo mundo e as sérias repercussões que a pandemia tem sobre a economia e sobre a sustentabilidade das empresas e, nesse sentido, se associa à necessidade de medidas emergenciais para esse momento.
Todavia, vê com extrema preocupação medidas que ao reverso de manterem o fluxo econômico em mínimo andamento mesmo em meio à crise, interrompem abruptamente a circulação de recursos e expõe uma gama enorme da população a risco iminente de falta de subsistência.
Evidencia-se plenamente equivocado imaginar um plano de capacitação, na forma do artigo 18 da MP, em que o trabalhador ficará por 4(quatro) meses em capacitação sem receber para tanto qualquer espécie de remuneração ou aporte assistencial por parte do aparato estatal. Em linhas gerais, tem-se um permissivo geral para a suspensão do contato de trabalho, sem qualquer tipo de remuneração ou indenização para o trabalhador, o que além de tudo, acelera a estagnação econômica.
O Ministério Público do Trabalho também reforça o seu entendimento de que o diálogo social pode conduzir a medidas mais acertadas e, principalmente, que envolvam as classes trabalhistas e empresarial. Por essa razão, também vê com preocupação a não participação das entidades sindicais na concepção de medidas e a permissão de que medidas gravosas sejam feitas sem a sua participação.
Por outro lado, em meio a uma crise de saúde, a instituição entende paradoxal e equivocado excepcionar justamente o cumprimento de normas de saúde e segurança laboral, que ao reverso deveriam ser reforçadas, evitando mais perdas de vidas em um cenário tão adverso.
O Ministério Público do Trabalho reforça a sua integração ao esforço concentrado de instituições em prol do combate à pandemia e a sua ampla e irrestrita disposição para o diálogo para que as medidas trabalhistas possam surtir efeito com o devido efeito, sempre tendo como balizas os parâmetros constitucionais, de equilíbrio da relações e de cogência das normas internacionais as quais o Brasil é aderente”.
Por Ethel Rudnitzki e Laura Scofield, na Agência Pública
A pandemia de coronavírus, que já infectou mais de 250 mil pessoas no mundo, também viralizou nas redes sociais. O assunto ocupa os assuntos mais comentados do Twitter – Trending Topics – há mais de uma semana, entre postagens de atualizações sobre a doença, piadas sobre a quarentena e disseminação de boatos.
Segundo levantamento feito pela Agência Pública, a hashtag #VirusChines, que chegou aos Trending Topics no Twitter ontem (19 de março), contou com o auxílio de robôs e foi coordenada por influenciadores virtuais.
Tudo começou quando, no dia 18 de março, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho zero três do presidente, retuitou postagem de Rodrigo da Silva, fundador do portal Spotniks, que culpa o governo chinês pela pandemia do coronavírus. “A culpa é da China e liberdade seria a solução”, acrescentou.
Menos de 12 horas depois, a Embaixada da China no Brasil repudiou o posicionamento do zero três. “As suas palavras são extremamente irresponsáveis e nos soam familiares”, respondeu o órgão em sua conta oficial de Twitter.
O embaixador chinês no Brasil, Yang Wanming, também respondeu ao deputado “Tal atitude flagrante anti-China não condiz com o seu estatuto como deputado federal, nem a sua qualidade como uma figura pública especial”, tuitou marcando o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, a Câmara dos Deputados e o presidente da Casa, Rodrigo Maia.
O ministro das Relações Exteriores se pronunciou em favor do deputado Eduardo Bolsonaro, mas ressaltou que as opiniões do zero três não refletem a posição do governo brasileiro. Para amenizar as tensões, o presidente Jair Bolsonaro tentou entrar em contato com o presidente chinês, mas não foi atendido.
Enquanto o Itamaraty tentava reduzir as tensões com a China, redes bolsonaristas levantaram a #VirusChines. Em questão de horas – durante a madrugada do dia 19 de março – a hashtag chegou aos Trending Topics no Brasil.
A Agência Pública levantou e analisou todas as postagens com a #VirusChines das 9h às 17h50 do dia 19 – período no qual a tag ficou entre os assuntos mais comentados incessantemente. Foram 94 mil tuítes e retuítes – uma média de 3 por segundo –, nos quais foram constatadas evidências de manipulação algorítmicas com o uso de contas automatizadas.
Além disso, a reportagem descobriu que o uso das hashtags também foi organizado pelo Whatsapp. Em pelo menos 16 grupos de apoio ao presidente Jair Bolsonaro foram enviadas mensagens pedindo que os membros tuitassem e retuitassem a #VirusChines durante o dia.
A mensagem retuitada por Eduardo Bolsonaro que deu origem à polêmica também foi compartilhada em grupos de Whatsapp como forma de corrente.
Influenciadores impõem narrativa
Grande parte das mensagens de Whatsapp que pediam que as pessoas “subissem a tag” estavam acompanhadas de um tuíte de Leandro Ruschel, influenciador bolsonarista que acumula mais de 370 mil seguidores no Twitter.
Ruschel foi um dos primeiros a usar a hashtag ainda no dia 18 de março, menos de 1 hora depois do posicionamento do embaixador chinês. “Vamos aproveitar a liberdade que o Partido Comunista Chinês nega ao seu povo, para reafirmar: #VirusChines!”, publicou. A postagem teve mais de 3,8 mil retuites e 13 mil curtidas.
Ele fez outras 18 publicações com a hashtag – a grande maioria durante a madrugada do dia 19 de março. Às 1h43 da manhã ele comemorou “#VirusChines subindo nos TT’s”. Das 9h às 17h50, período monitorado pela reportagem, Ruschel só publicou 3 vezes com a tag, mas foi mencionado ou retuitado mais de 7,2 mil vezes por perfis que publicaram a #VirusChines.
Além de Ruschel, outros influenciadores digitais que apoiam o presidente Jair Bolsonaro também tiveram grande influência para levantar a hashtag. O youtuber e diretor do portal “Brasil Sem Medo”, Bernardo Küster foi mencionado ou retuitado 5,4 mil vezes em postagens com a #VirusChines.
O perfil Bolsoneas também articulou pessoas em torno da #VirusChines. Em tom de ironia, alertou seus seguidores a não usarem a tag, pois a “extrema-imprensa mundial” ficaria “chateada”. Foi o único post que o perfil fez com a hashtag, mas conseguiu 2,6 mil retuítes e foi o 6º perfil mais mencionado, com 3,3 mil menções ou retuítes.
Robôs engajam
Os 94.243 tuítes feitos com a hashtag dentro do período de 8 horas analisado vieram de 27.982 perfis. A média é de 3,38 tuítes por usuário, mas, na realidade, apenas 187 (0,67%) perfis foram responsáveis por mais de 10% das postagens.
O usuário @aasteixeira foi o mais ativo. A conta tem 5.826 seguidores, 190 mil tuítes, e parece estar ligada a uma pessoa real. Porém, alguns dados indicam comportamentos automatizados.
Às 11h11 do dia 19 de março, Artur, que leva em seu nome de usuário a própria hashtag #VirusChines, seguida pelos emojis da bandeira do Brasil, Israel e Estados Unidos, fez 13 retuítes no mesmo minuto. Ao todo, foram 219 posts com a tag, todos retuítes, alguns postados com menos de 5 segundos de diferença entre eles.
Retuitar muito também é uma prática comum entre os 10 usuários que mais publicaram a hashtag — ao todo, as contas fizeram 1.448 tuítes, dos quais 947 são retuítes, ou seja 65%. @mceliaraujo, @ana_paula_nery e @SammirSouza também estão entre as contas que não produziram nenhum conteúdo original, somente republicaram. Eles foram responsáveis por, respectivamente, 121, 116 e 153 retuítes com a hashtag.
Segundo Sergio Denicoli, o excesso de retuítes e o grande volume de publicações em um curto período de tempo são evidências de automação para interferir no debate público. “Inicialmente os perfis fazem esse volume maior de postagem até que isso vá se dissolvendo e as pessoas vão absorvendo aquela informação”, explica o CEO da AP Exata.
@LIRAXXX, cujo nome de usuário destaca o número 38 — número do recém criado partido de Bolsonaro, o Aliança Pelo Brasil — , também traz evidências de automatização. No período analisado, publicou 200 vezes a frase “#VirusChines Não podemos deixar barato!!!!!!!”.
A AP Exata está analisando o debate no Twitter a respeito do coronavírus. Segundo a agência, 8,38% dos usuários que mencionaram a doença e usaram a tag #VirusChines são perfis de interferência, ou seja, “robôs ou perfis criados para interferir no debate público”, explica Denicoli. Por mais que pareça uma porcentagem pequena, o pesquisador garante que é uma média alta já que os esses perfis produzem um grande volume de tuítes. A análise também é restrita, pois só considera tuítes originais e geolocalizados, de forma que a presença de perfis de interferência pode ser ainda maior.
As regras de automação do Twitter permitem “retweetar ou comentar o tweet de maneira automatizada para fins de entretenimento, em caráter informativo ou de novidade”. Isso desde que o usuário esteja em conformidade com as outras normas, que incluem proibições a contas em série para o mesmo caso de uso e incitação de abuso, violência e ódio. Como punição ao descumprimento das regras, a plataforma indica que pode tomar medidas como a suspensão da contagem ou a filtragem dos tuítes nos resultados de buscas.
O perfil de Andrea Paccini (@apaccinifot), por exemplo, não aparece na busca da seção ‘Top’ ou por pessoas no Twitter, o que pode indicar que a conta já foi penalizada. Para encontrar o usuário, é necessário encontrar algum tuíte em que ele foi mencionado ou entrar direto no perfil.
Hashtags bolsonaristas
A hashtag #VirusChines foi utilizada várias vezes acompanhada por outras. As mais frequentes foram #GloboLixo, que apareceu 2.292 vezes, e #VirusdaChina, que foi citada 2.252 vezes. No ranking das cinco principais, as três que se seguem mostram que o movimento de culpabilizar a China e o governo chinês pelo surto não está presente somente no Brasil.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é citado em muitos conteúdos compartilhados com a hashtag e também tem chamado o Coronavírus de Vírus Chinês. Como reflexo no Brasil, #ChinaLiedPeopleDied (1.389), #ChineseVirus (1.310) e #ChineseWuhanVirus (895) se destacaram por terem sido usadas em conjunto com a analisada.
Mas essas não as únicas. A #RespeiteOPresidente foi utilizada 583 vezes, evidenciando ainda mais a relação da base bolsonarista com a campanha. #EduardoBolsonaroTemRazao apareceu em 247 tuítes, como uma resposta de defesa direta às críticas que o filho do presidente recebeu depois do posicionamento que deu força ao movimento.
#Respeitem57MilhoesDeEleitores (219 vezes) e #BolsonaroAte2026 (211 vezes) acompanharam frequentemente a hashtag que coloca na China a culpa pelo Vírus. Além de indicar a relação da base bolsonarista e a abrangência internacional do movimento, as hashtags utilizadas juntamente com a #VirusChines também evidenciam o caráter xenofóbico da campanha. Utilizada 321 vezes, a #VirusXingLing é um exemplo.
A expressão Xing Ling, em si, já tem tom preconceituoso e racista e são comuns tuítes de mesmo caráter. Em um deles, que traz a hashtag #EduardoBolsonaroTemRazao e foi retuitado por um dos perfis mais ativos, o vírus é desenhado remetendo à fisionomia chinesa.
Os povos das nações da Grã-Bretanha já praticavam o Ludopédio, ou um jogo parecido, quando, na noite de 26 de Outubro de 1863, na vetusta Freemason’s Tavern de Blackheath, Londres, 13 rapazes comandados por um tal Ebenezer Morley esboçaram a base das suas regras. E foi exatamente em 23 de Março de 1888 que, no Anderton Hotel da capital do Império que, sob a liderança de um forasteiro na cidade, William McGregor, diretor de uma agremiação de Birmingham, aquela do Aston Villa, um grupo de seis cartolas tornou formal uma entidade que já se esboçava desde 1884, a Football Association.
Além do Villa, se comprometeram o Blackburn Rovers, o Bolton Wanderers, o Preston North End, o Stoke City e o West Bromwich Albion. A oficialização da FA, com a criação de um campeonato regular, aconteceria logo depois, em 14 de Abril, numa reunião em outro lugar, no Royal Hotel de Manchester.
Do primeiro título, abiscoitado pelo Preston, temporada de 1888/89, até hoje, a FA fermentou o suficiente para ostentar 72 clubes profissionais, 69 na Inglaterra e três no País de Gales. Ostenta três divisões e supervisiona o mais antigo certame de todo o planeta. Desde 1992 batizada de Premier League, a mais importante dessas divisões ocorre por pontos e em turno e returno.
A entidade ainda realiza a FA Cup, inclusive com agremiações de diletantes, 736 no total em 2018/2019, obviamente no sistema de mata-matas. E mais o EFL Trophy, com 64 clubes, igualmente em duelos eliminatórios. Trata-se de contendas que, só com os direitos de TV, puderam acumular, na sua última temporada, a preciosa bagatela em torno de R$ 15bi. Os patrocinadores, que anteciparam uma parte considerável desse montante, já ameaçaram romper o seu volumosérrimo contrato. O caos dentro do caos.
Neste dia 23 de Março de 2020, tão formidável portento pretendia celebrar com festanças o seu 132º aniversário. Acaba de ser assolado, todavia, por um microrganismo ultra-insidioso, um novo coronavírus, o causador de uma pandemia, a Covid-19. Não interessa, neste texto, quantos britânicos já se contagiaram – afinal, o volume se altera minuto a minuto. Muito mais significativo afirmar que o governo de Sua Majestade interrompeu até mesmo a solene, tradicional troca de guarda diante dos portões do Palácio de Buckingham. E o Futebol? Por enquanto, em recesso integral.
Apenas duas vezes, no passado, a FA suspendeu o seu campeonato. De 1915 a 1919, conseqüência da I Guerra Mundial. De 1939 a 1945, por causa da II. Infortúnio do Liverpool, 82 pontos em 87 possíveis, o absurdo de 25 à frente do Manchester City. Estupidamente injusto, caso o certame não acabe, a FA não entregar a taça aos “Reds”. Pela pressão dos patrocinadores, porém, se especula que o campeonato ressuscite em 1º de Junho, sem platéias.
Enquanto no país, a crise do coronavírus possibilita, legalmente, que os clubes diminuam em até 50% os salários dos jogadores, Neymar não tem motivos de preocupação.
A respeitada revista France Football, responsável pela premiação Bola de Ouro para o melhor do mundo, divulgará seu tradicional dossiê anual sobre os maiores salários do futebol. O que já antecipou, incomodou os franceses.
Com o singelo nome “Salário de Estrelas”, revelará o abismo financeiro entre Neymar e Mbappé.
A revista garante que na sua terceira temporada, o jogador nascido em Mogi das Cruzes receberá nada menos do que 48,9 milhões de euros brutos, entre salários e bônus. São cerca de R$ 264,5 milhões. São R$ 22 milhões a cada trinta dias.
A revista deixa, nas entrelinhas, que é um disparate.
Porque é o mais do que o dobro do maior ídolo atual do futebol francês: Mbappé. O atacante campeão do mundo na Copa da Rússia recebe “apenas” 21,2 milhões de euros, cerca de R$ 114 milhões. Ou R$ 9,5 milhões por mês.
O uruguaio Cavani, maior artilheiro da história do PSG, 18,4 milhões de euros, R$ 99,5 milhões. Ou R$ 8,2 milhões.
Essa diferença a mais para Neymar não é aceita pela imprensa francesa.
O brasileiro e seu pai sabem disso e, por isso, seguem sonhando com a volta para o Barcelona, apesar de mais dois anos de contrato.PublicidadeFechar anúncio
De acordo com a France Football, se for acrescentada a publicidade, Neymar chegará ao final desta temporada com 95 milhões de euros, cerca de R$ 514 milhões.
Será o terceiro jogador a mais receber no mundo.
Ficando atrás só de Messi, o primeiro, com 131 milhões de euros, cerca de R$ 708 milhões. E Cristiano Ronaldo, 118 milhões de euros, cerca de R$ 638,4 milhões.
Os números são impressionantes.
Mas a diferença entre Neymar e Mbappé é gritante. E incomoda jornalistas e torcedores franceses. O país vive sob um governo nacionalista. Além de cobrar atitudes irresponsáveis de Neymar.
A pouca vontade em aprender a falar francês, que é vista como descaso, depois de três anos. Além da obsessão por voltar ao Barcelona.
A revelação que ele recebe mais do que o dobro de Mbappé traz desconforto. E mais cobranças ainda ao brasileiro…