Baenão é reinaugurado com grande festa do Fenômeno Azul

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Um público em torno de 14 mil pessoas compareceu ao estádio Baenão para comemorar a reinauguração e apoiar o Remo na partida com o Luverdense, pela Série C. Antes da partida, ex-atletas do clube – Adriano Paredão, Landu, Dico, Fábio Oliveira e Marquinho Belém – e torcedores famosos – como o cantor Nilson Chaves – foram homenageados no gramado. O fato é que a atmosfera de caldeirão voltou a ser vivenciada em toda a sua intensidade pelo Fenômeno Azul após cinco anos de inatividade.

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Lava Jato e a indústria das palestras: indícios de crimes que precisam ser investigados

Por Joaquim de Carvalho

Os diálogos obtidos pelo Intercept e revelados hoje pela Folha de S. Paulo mostram Deltan Dallagnol tramando sobre como burlar a vigilância da opinião pública, para fazer algo que é eticamente indefensável: aproveitar a exposição adquirida com uma função pública para ganhar dinheiro em eventos privados.

Outro ponto que deve ser verificado é a possível trama para burlar a lei, o que é, evidentemente, muito mais grave. Ele e o procurador Roberson Pozzobon discutem como se tornarem sócios ocultos de uma empresa para administrar cursos e palestras. É um indício de crime que, por si só, merece investigação aprofundada.

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Também precisa ser verificada a ocorrência de crime a partir de dois outros trechos das conversas de Dallagnol. Em um, ele sugere a uma colega do Ministério Público que faça palestra para a Unimed a partir de um caso em que ela estava atuando como servidora pública.

“Vc podia até fazer palestra sobre esse caso mais tarde em Unimeds. Eles fazem palestras remuneradas até”, disse Dallagnol à procuradora Thaméa Danelon, da Lava Jato em São Paulo e militante dos protestos de direita na avenida Paulista.

Ele fez palestras em várias cidades. Ao sugerir que Thaméa Danelon também faça palestras para a Unimed, Dallagnol demonstra que conhece o caminho das pedras.

Por si só, num primeiro momento, esse tipo de exploração de prestígio pode não ser crime, mas é preciso verificar até onde vai essa relação e sua origem. Médicos se destacaram no movimento para desestabilizar o governo de Dilma Roussef, principalmente depois que o programa Mais Médicos foi criado.

– Um número muito grande de médicos que nunca se envolveu em eleições está determinado a se envolver, mas influenciando, não se candidatando. É muito comum os pacientes perguntarem para a gente, em período eleitoral, em quem vamos votar, principalmente nas regiões menos favorecidas. Há um movimento grande da classe médica para participar da política dessa forma. Não é o candidato A ou B, o sentimento é escolher um candidato que, certamente, não será a presidente Dilma – disse.

Como os médicos liderados por Florentino Cardoso perderam a eleição em 2014, não é exagero suspeitar que tenham estimulado a Lava Jato no movimento que criou o ambiente que levou à derrubada de Dilma.

Também é preciso investigar o uso de funcionárias da Procuradoria da República para organizar as palestras de Deltan Dallagnol.

Se isso aconteceu, é um desvio de finalidade, o que, em interpretação rigorosa, pode ser visto até como crime de peculato, que é se apropriar de bem público — no caso, o serviço de funcionárias pagas com dinheiro do contribuinte. O que também há de grave nesses diálogos é a evidência de que se estabeleceu uma rede, a partir da Lava Jato, para influenciar a opinião pública.

Um exemplo: no dia 3 de julho, procurador do Ministério Público de São Paulo Edilson Mougenot Bonfim conseguiu espaço nobre na Folha de S. Paulo para atacar, em artigo, o trabalho realizado pelo Intercept e dizer que os diálogos revelados caracterizam “O parto de uma calúnia”.

Moro também foi defendido por ele em uma entrevista à Gazeta do Paraná, nesta semana. “As decisões do juiz Sergio Moro são belas decisões”, disse Edilson.

O que se sabe agora, com o vazamento ao Intercept publicado na Folha, é que o prestígio alimentado por pessoas como Edilson Mougenot também serve para alavancar um negócio de palestras mantido por ele.

Num diálogos publicados, Deltan Dallagnol intermedia uma palestra de Dallagnol, em 2017, para a Escola de Altos Estudos em Ciências Criminais, fundada por Edilson Mougenot Bonfim.

“Caro, o Edilson Mougenot [fundador da Escola de Altos Estudos em Ciências Criminais] vai te convidar nesta semana pra um curso interessante em agosto. Eles pagam para o palestrante 3 mil”, disse Deltan a Moro.

“Pedi 5 mil reais para dar aulas lá ou palestra, porque assim compenso um pouco o tempo que a família perde (esses valores menores recebo pra mim… é diferente das palestras pra grandes eventos que pagam cachê alto, caso em que estava doando e agora estou reservando contratualmente para custos decorrentes da Lava Jato ou destinação a entidades anticorrupção – explico melhor depois)…”, emendou.

Dallagnol ainda disse a Moro:

“Achei bom te deixar saber para caso queira pedir algo mais, se achar que é o caso (Vc poderia pedir bem mais se quisesse, evidentemente, e aposto que pagam)”.

A princípio, Moro disse que já estava com a agenda cheia, mas posteriormente aceitou o convite e participou com Deltan, em 26 de agosto de 2017, do 1º Congresso Brasileiro da Escola de Altos Estudos Criminais em São Paulo.

Portanto, como cliente da palestra de Moro, o procurador Edilson Mougenot Bonfim não tem opinião isenta.

Edilson Mougenot Bonfim, nascido no Paraná, pertence à carreira do Ministério Público do Estado de São Paulo há cerca de 30 anos. Foi promotor do júri, é procurador na área criminal e, agora se sabe, tem o negócio paralelo das palestras.

No júri, Edilson Mougenot ficou famoso em um julgamento no qual, enfrentando o criminalista Márcio Thomaz Bastos, denunciou a indústria dos pareceres: peritos criminais utilizavam o prestígio acumulado em casos famosos para cobrar caro por pareceres em ações privadas.

Ou seja, acumulavam prestígio na função pública para, depois ou ao mesmo tempo, ganhar dinheiro do outro do balcão, em pareceres que integram a defesa de acusados de crimes. Como pareceristas, não têm compromisso com a verdade. Já como peritos forenses, se mentirem, podem ser processados.

Tratei desse caso no meu livro “Basta! Sensacionalismo e Farsa na Cobertura Jornalística do Assassinato de PC Farias” (editora Girafa, 2005).

Nos processos criminais, o nome desses peritos é mais importante do que o conteúdo do parecer. Se o perito famoso está contradizendo a acusação, isso é levado em conta no julgamento. No episódio escancarado pela Folha, acontece algo parecido, não em processos, mas na milionária indústria de palestras.

A palestra de Moro ou Dallagnol só tem valor pela visibilidade que adquiriram em casos em que atuaram como servidores públicos. Quem pagaria entre R$ 850 (ex-alunos) ou R$ 940 (novos participantes) para ouvir um desconhecido — ainda que bem preparado tecnicamente —,  falar?

Moro e Dallagnol valem sobretudo pelo que fizeram ao ex-presidente da república. Pelas conversas vazadas, Dallagnol já sabia que essa exposição poderia se transformar em renda extra.

Escreveu ele à esposa:

“Vamos organizar congressos e eventos e lucrar, ok? É um bom jeito de aproveitar nosso networking e visibilidade”. 

As atividades extras talvez expliquem por que Dallagnol, mesmo sendo o coordenador da força tarefa, nunca compareceu a uma audiência em que o ex-presidente Lula prestou depoimento. Ele não tinha tempo.

A imagem do dia

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Outdoor no centro de Manaus, assinado por um grupo denominado Policiais pela Democracia, pede “um estado democrático de direito” e questiona se “a lei é para todos”.

A chance de sair por cima

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POR GERSON NOGUEIRA

Há uma semana, discutia-se em todo o Brasil o futuro de Tite na Seleção. Caso conquistasse a Copa América, ficaria tudo bem. Uma derrota, porém, significaria sua demissão. Cenário típico da gangorra dos técnicos, endeusados nos momentos de glória e execrados no primeiro tropeço.

Com o triunfo, até previsível, sobre a seleção peruana o Brasil voltou a sorrir por alguns minutos e Tite deixou o lugar desconfortável de bola da vez na lista dos que estavam prestes a ficar desempregados.

O trabalho desenvolvido pelo gaúcho não pode jamais ser apontado como ruim, mas os resultados frustraram expectativas na Copa do Mundo de 2018. E Copa do Mundo é o que importa para o torcedor, sabemos disso.

Vencer a Copa América é uma obrigação. O que enche os olhos é mostrar qualidade, jogar futebol e levantar a taça no maior torneio do planeta. Isto o Brasil passou longe de alcançar nos gramados da Rússia.

Tite, que havia recuperado a autoestima do escrete com a impecável campanha nas Eliminatórias, prometia muito e entregou pouco. A eliminação para a Bélgica, sem sinais de reação inteligente, foi a pá de cal. Muita gente abandonou a titemania e a popularidade despencou.

O cuidado em montar um time cascudo para a Copa América acabou justificado pelo título. Emprego garantido, embora sem o prestígio de antes, Tite agora terá um breve período de trégua para remontar o escrete, mas a paz segue ameaçada.

Não é tarefa simples, pois ele caiu do pedestal e agora está permanentemente sob avaliação. Em 2020, o Brasil terá outra Copa América e as desconfianças irão brotar outra vez, pois o tempo já será mais curto para apresentar um time realmente competitivo para 2022.

Diante do previsível cenário da próxima temporada, desconfio que Tite teve nas mãos a oportunidade e o privilégio de sair por cima, abrindo mão do cargo na Seleção logo após a vitória de domingo passado, como se chegou a especular. Teria a vantagem de sair com um título nas mãos e deixar as portas abertas.

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Ainda sobre os baluartes do Evandro Almeida

A coluna registra, a título de correção, a presença do ex-presidente Raphael Levy entre os que batalharam contra o projeto de venda do estádio Evandro Almeida na gestão Amaro Klautau. No comentário de ontem, citei pessoas envolvidas em etapas diferentes do processo, incluindo o saudoso amigo Djalma Chaves, mas omiti o nome de Raphael.

Dentro do mesmo tema, recebi do também amigo e leitor Domingos Sávio Campos um recadinho carinhoso, que transcrevo aqui:

“Caro Gerson, li a tua festejada coluna no Diário de hoje. Agradeço de coração a referência feita ao meu nome. Foi uma luta dificílima. Várias vezes pensei que não haveria volta. A dra. Ida Selene, que é minha amiga de faculdade, estava determinada em realizar a permuta com a (construtora) Leal Moreira. Nos ‘acréscimos’, depois de uma longa reunião, felizmente ela pensou melhor e mudou de ideia. Destaco também – lembro perfeitamente – que foste o único jornalista, radialista de rádio, TV e jornal que se posicionou abertamente contra aquela tenebrosa transação, como diz o poeta Chico Buarque. Muito grato”.

Destaco o papel sempre equilibrado e firme da juíza Ida Selene, que buscou de todas as formas compatibilizar as obrigações trabalhistas do clube com a sensatez de preservar patrimônio tão caro a todos os azulinos.

De minha parte, cumpri apenas minha obrigação. Fiz o que os princípios básicos da profissão impunham, apesar da pressão de algumas figuras poderosas e da omissão da mídia esportiva local. Divulguei em 21 artigos informações cuidadosamente checadas, apontando discrepâncias entre o anunciado pelos defensores da negociata e a realidade dos números, claramente lesivos ao clube.

Caso fosse levado a cabo, o projeto de venda teria possivelmente representado o fim do clube, que perderia seu principal patrimônio.

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VAR: protagonismo que incomoda e preocupa

O Campeonato Brasileiro não tem um craque para chamar de seu. Não houve nenhum grande jogo como prova de qualidade. Craque, então, nem pensar. A verdade é que o protagonista da competição é o VAR. Depois da estranheza nas primeiras nove rodadas, o monitoramento por vídeo voltará a dar as cartas neste fim de semana, na retomada da competição.

O público ainda não se habituou com aquelas paradas chatas, que quebram o ritmo das partidas e tiram o entusiasmo quando os gols são anulados. Na Copa América, a demora na revisão de lances causou muita irritação e reabriu a discussão sobre a utilização do olhar eletrônico no Brasil.

Para espanto geral, na quinta-feira (11), a CBF divulgou um balanço com números e comparativos que atestam os benefícios da adoção da tecnologia no futebol. Leonardo Gaciba, que preside a comissão de arbitragem, é um apaixonado defensor do VAR, o que não significa que sob sua orientação o mecanismo esteja sendo bem empregado.

O problema é quando a ausência de revisão causa injustiças terríveis, como a não expulsão do goleiro Diego Alves na partida entre Atlético-PR e Flamengo pela Copa do Brasil. As câmeras não captaram escandalosa infração cometida por Diego.

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Bola na Torre

Giuseppe Tommaso apresenta o programa, a partir das 22h, na RBATV. Ao meu lado, na mesa de debates, a colega Karen Sena. Tudo sobre a rodada da Série C e sorteios de brindes para os telespectadores.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 14)

Fernandes admite queda, observa nervosismo e critica critérios do árbitro

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Passou longe de ser a volta dos sonhos. O Remo reinaugurou o Baenão depois de cinco anos de inatividade, a torcida fez uma bonita festa e lotou o estádio, mas o time sofreu um apagão inicial e levou dois gols do Luverdense tendo que fazer uma partida de recuperação para alcançar o empate no último minuto. “Acho que o início da partida os jogadores realmente sentiram muito o estádio. Se eu tivesse que substituir, teria que trocar quatro logo com 15 minutos de jogo. Aí você tem que ver o quê que está pior para você poder trocar, porque só tem três substituições. Quando eu cheguei no vestiário (no intervalo) acertamos algumas coisas e optamos por tirar aqueles que estavam em situações piores”, observou o técnico Márcio Fernandes ao analisar a partida.

A dramaticidade da partida, em função dos gols sofridos antes dos 10 minutos, foi justificada pelo técnico Márcio Fernandes pela perda de confiança dos jogadores de ataque com a sequência sem vitórias. Além disso, ele atribuiu a má atuação inicial a um certo nervosismo da equipe.

Agora, o Remo acumula cinco partidas sem vencer na Série C. Apesar de se manter no G-4 do Grupo B, o sinal de alerta está definitivamente ligado. Na entrevista coletiva após a partida, o treinador admitiu a queda de desempenho no setor de meio-campo:

“A partir do momento que nós tivemos derrotas, houve um decréscimo de confiança do time. E aí, quando você sai jogando, o jogador não tem a mesma confiança do início. Quando a gente estava vencendo jogos, tudo aparece. Se você fizer uma pesquisa em times que estão com derrotas, os jogadores já não saem muito, ficam perto da marcação, isso atrapalha um time que quer propor o jogo, quer jogar. O ponto forte do nosso time sempre foi a rotatividade do nosso time no meio de campo. A gente girava muito, encontrava os espaços para sair com a bola limpa. No momento que houve um decréscimo de confiança, os jogadores passaram a não sair muito. O nosso meio de campo caiu um pouco, tirando o Yuri, que manteve sempre o nível da nossa equipe”, disse Márcio Fernandes. 

Ele elogiou a entrada de Emerson Carioca e Guilherme Garré e ressaltou que todas as substituições que fez visaram aumentar a ofensividade. “Eu sempre procuro levar o time à frente. Eu poderia ter feito substituições de seis por meia dúzia. Isso não ia levar a nada. Temos que arriscar e foi o que eu fiz. Tirei um jogador de trás e coloquei um de frente, coloquei um atacante pelo lado, tentei fazer o máximo para que a gente pudesse chegar lá. Deus nos abençoou com o empate. Acho que as substituições que foram feitas foram em cima do jogo, pela necessidade do momento. E acho que surtiram efeito, conseguimos empurra-los lá para trás. E o Luverdense tomou muito poucos gols no campeonato. Empatam muito, mas tomam poucos gols, então não é qualquer time que faz dois gols neles. Ainda tivemos chances claras e desperdiçamos”.

Fernandes também reclamou do excesso de paralisações e do critério do árbitro pernambucano na hora de dar os acréscimos. “Eu não concordo com os seis minutos. O goleiro deles [Luverdense] caiu, ficou um minuto e meio no chão, e ele [árbitro] não acrescentou nada. Ficou seis minutos do mesmo jeito. Ele falou ‘dei 51’. Beleza, deu 51, mas e o um minuto e meio que o goleiro caiu lá? Porque eu acho assim: se ele dá o acréscimo de dez minutos, que seja, se o goleiro cai e fica um minuto e meio, que acrescente um e meio nos dez que ele deu, se não ele acaba não dando dez, mas só oito e meio. Isso que eu tentei discutir mas ele não entendeu e tudo bem, não vamos colocar a desculpa em cima do árbitro. Eu só questionei porque, naquele momento, poderia acontecer o terceiro gol, tal era a vontade e o domínio do Remo”.

O Remo tem 18 pontos e se mantém na 4ª colocação, dois pontos atrás do líder Juventude e com a mesma pontuação do quinto colocado, o Paissandu. A próxima partida do Leão é na sexta-feira que vem, contra o Ypiranga-RS, em Erechim. (Com informações da Rádio Clube e site Remo100porcento)