
Os jornalistas Camila Mattoso, Diego Garcia, Sérgio Rangel e Juca Kfouri entrevistaram o cartola suíço Joseph Blatter na Folha de S.Paulo.
(…)
A imagem que a Fifa tem hoje é de uma entidade corrupta. Qual a sua responsabilidade?
Essa é a imagem que dão para a Fifa. Mas a Fifa não é corrupta, são pessoas que são corruptas. A Fifa não é corrupta. A Fifa é a mesma, que continua a viver e a organizar esse Mundial. Pessoas, sim. As pessoas agora estão na Justiça, para ver se serão ou não castigados.
(…)
Qual é o maior erro que o senhor cometeu na Fifa?
Erros ou faltas? Porque faltas têm punições. Naturalmente cometemos erros. Meu maior erro foi dirigir a Fifa com o principio da direção de confidência, sem transparência. Na minha opinião, isso não se pode fazer. Tinha que ter sido mais duro com as pessoas que dirigiam a entidade. Esse é meu caráter e não posso mudar. Depois do Mundial de 2014, eu deveria ter terminado [meu mandato]. Esse foi um erro grave. As pessoas que estavam ao meu lado, como a família, me disseram: stop, stop [pare]. Você tem uma idade em que todos os outros já estão aposentados. Vá embora. Havia um pequeno problema, porque ao final do ano, o senhor Platini, que era o sucessor normal, me disse para não ir. Outras pessoas também disseram que não havia outro presidente preparado ainda. Esse foi um erro, ou possivelmente uma falta.
O senhor acha que a CBF perdeu força política com o coronel Nunes na presidência?
Não me recordo desse senhor. Definitivamente não me recordo. Nunes?
É o presidente da CBF. Foi colocado pelo ex-presidente Del Nero.
[muda de assunto e fala sobre a seleção]Se o Brasil continuar jogando como hoje, não vai ser campeão. O futebol é um jogo rápido e o Brasil para ir ao ataque pensa que está num treino. Brasil precisa jogar mais rapidamente.
O senhor falou sobre tudo, menos de Ricardo Teixeira.
Não, não. De tudo? Sim.
Por que não fala?
Por que eu deveria falar de Teixeira?
O senhor trabalhou com ele na Copa de 2014 e falou sobre tudo.
Mas não quero falar sobre pessoas que estão nas investigações, em diferentes Justiças. Não quero que falem de mim.
É um crápula, simplesmente.
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