Sábado do Ziggy tem especial Dia das Mães e samba rasgado à noite

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A programação deste sábado do Ziggy Hostel Club está muitíssimo especial: a Casa Aberta retorna com atrações e serviços inéditos durante o dia e, durante a noite, a primeira edição do Baile Sambalelê traz muita música brasileira com discotecagens e show em homenagem ao grande repertório nacional.

A Casa Aberta especial Dia das Mães começa às 14h, naquele esquema de portas abertas que todo mundo ama, com muita música, arte e gastronomia. A primeira novidade é que o club do Ziggy será tomado pelos tatuadores Caio Aguiar (@Bonikta), Leandro Bender (@sujeitoatatto) e Limbo Tattoo (@limbo_tattoo). Eles vão tatuar na hora a galera que quiser se riscar, com um monte de flashs exclusivos e acessíveis.

Além disso, o pessoal do Solar Colaborativo vai trazer marcas autorais para o evento, pra todo mundo se emperequetar e comprar aquele presente especial para a Mamuska. Vão rolar as roupitchas e acessórios da CabidêBiomarajoara e Alba Rocha Acessórios.

A ocasião também inclui a Oficina Horta em Casa, que vai apresentar as principais informações para quem quer começar a fazer uma horta em casa, de forma criativa, utilizando o conceito de upcycling para reutilizar recipientes e cultivar suas hortaliças em casa. O encontro será ministrado por Daniel Oliveira, Engenheiro Agrônomo especialista em Sustentabilidade e idealizador do projeto Verde Cidadão. As vagas são limitadas, o investimento é de R$ 20 e as e inscrições devem ser feitas com a galera do Solar Colaborativo.

E é claro que não podia faltar programação musical para embalar isso tudo, né? A Casa Aberta vai contar com Pockets Shows das artistas Lariza e Liège (foto de abertura). Lariza é uma cantora e compositora marabaense que atualmente desenvolve seu trabalho musical em Belém, fortalecendo a cena autoral da cidade. Com suas letras introspectivas e interpretação forte, a jovem cantora vem trazer ao palco do Ziggy seu show ao lado de João Urubu no violão, com um pouco do que vai estar no seu primeiro EP, que está nas partes finais de gravação.

Enquanto isto, a Liège toca o seu EP Filho de Gal, que permeia a MPB contemporânea com ritmos amazônicos, pop e rock, sempre com letras fortes de empoderamento feminino e causas (e causos) sociais. Pra completar os sons do dia, o evento ainda vai contar com discotecagens para que a trilha sonora da Casa Aberta não dê pausa.

marcelo sirotheau

Baile Sambalelê

A Casa Aberta finaliza seus trabalhos às 20h, mas o Ziggy segue em funcionamento até às 22h, quando começa o 1° Baile Sambalelê, evento dedicado aos ícones do samba, bossa nova e MPB. A ideia é fazer um passeio pelas canções de Chico Buarque, Vinícius de Moraes, Cartola, Criolo e afins. Os artistas Marcelo Sirotheau (foto 2) e Karen Tavares (foto 3) vão cantar um montão desses hinos, que todo mundo ama e sabe cantar junto.

KAREN TAVARES

A noite ainda vai contar com a participação especial do sambista Arthur Espíndola, que completa as vozes da noite com muito gingado, experiência e talento. Além disso, o DJ Azul vai discotecar muita brasilidade e ritmos nortistas pra ninguém ficar parado. (by Imprensa Se Rasgum)

SERVIÇO

12 de maio, a partir de 14h | Ziggy Hostel Club – Trav. Benjamin Constant, 1329, entre Av. Nazaré e Braz de Aguiar. 

Casa Aberta especial Dia das Mães – 14 às 20h

ENTRADA GRATUITA

Baile Sambalelê no Ziggy Hoste Club –  a partir de 22h

Ingressos (somente na bilheteria do Ziggy) 

*FUNCIONAMENTO: a casa abre desde 14h, com entrada gratuita até a festa começar (22h). A partir disto, os ingressos para quem quiser entrar OU continuar no Ziggy passam a ser cobrados na bilheteria ou no caixa.

// Evento para maiores de 18 anos //

Por que acho que não haverá eleições

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Por Milly Lacombe, em seu blog

Vendo a performance de Guilherme Boulos no Roda Viva do dia 7 de maio uma ideia que me persegue há meses ganhou cores ainda mais fortes. A ideia é a de que não haverá eleições esse ano. Nada além de minha especulação criativa sustenta o que escrevi acima, mas alguns pontos teimam em ficar reforçando a minha paranóia.

O primeiro deles é pensar que a direita, representada, financiada e alavancada pelo poder econômico, não teria elaborado e cumprido o bem-sucedido golpe parlamentar para correr o risco de perder o poder logo depois.

O teatro da democracia, até aqui tricotado com o apoio da mídia e do judiciário, seria sustentado caso um dos candidatos da direita, estando Alckmin como o nome de consenso, aparecesse bem nas pesquisas de intenção de voto.

Mas Alckmin se mostra, outra vez, um nome sem nenhum apelo popular, e não há outro possível, nem mesmo Bolsonaro, que, a despeito de todo o despreparo político e humanitário, seria abraçado pela direita se fosse essa a única alternativa para se manter no poder.

As urnas, para a direita, não parecem ser boa opção. Isso, claro, há quase 20 anos.

E por que a direita já não mais alcança a população? Porque fica difícil convencer a população de que medidas como a perda de direitos trabalhistas é bastante boa para ela e que esse tipo de iniciativa está sendo tomada para o bem da Nação.

Como explicar ao caixa do supermecado que a jornada de 12 horas vai ser benéfica para ele? Como explicar ao trabalhador do campo que, para uma vida melhor ele agora pode receber o salário em alimentos? Como contar que trabalhar mais e ganhar menos é uma ideia excelente?

E que os planos de saúde têm que ser maior do que o SUS? Como convencer de que privatizar os parques e cobrar entrada é, na real, muito bom para o trabalhador e sua família? Como dizer que o Brasil, afinal, não precisa de indústria de ponta e que mais vale vender tudo para a gringa?

Como desenhar que o congelamento de investimentos em educação por 20 anos é medida tomada em benefício dos mais pobres? Ou que o corte do fornecimento gratuito de leite para famílias de baixa renda é o que vai fazer com que aquelas pessoas, finalmente, desabrochem economicamente?

A cartilha de crenças da direita não tem mais adesão simplesmente porque ela é cruel, desumana e já não está minimamente conectada à realidade. O afastamento das coisas reais é tão brutal que passa a ser razoável dizer coisas como “os prédios estão sofrendo com as invasões”, ou “as ruas estão castigadas com os sem-teto”. É a mais completa inversão de valores, tudo em nome do lucro de poucos e da miséria de muitos.

Como, então, construir uma plataforma com essas bases e buscar apoio popular para ganhar no voto?

Em etapas.

Para tentar se manter no poder sob uma finíssima camada de democracia os mesmos interesses que deram o golpe tiveram que inviabilizar o candidato que seria capaz de unir as esquerdas e de ganhar a eleição com ampla maioria popular. Criaram uma história que não se sustenta, que precisou driblar a constituição e criar leis às pressas, e que contou com o apoio do judiciário. Acharam que tirando Lula de cena o caminho estaria livre e que ficariam protegidos para seguir com teatro da democracia e ganhar no voto. Mas as pesquisas indicam o oposto.

E aí entra a retórica de Guilherme Boulos e toda a esquerda de hoje.

A diferença de preparação, de elegância e de conhecimento entre Boulos e a turma da direita – Alckmin, Dória, Bolsonaro – é tão escandalosamente palpável que não existe chance de um debate entre eles ter algum resultado que não seja uma goleada para Boulos. Vou incluir aqui Ciro Gomes e Manuela D’ávila, outros dois que, a despeito das diferenças, estão conectados com as necessidades da população.

No Roda-Viva do dia 7 de maio Boulos destruiu, com a maior elegância do mundo, a bancada, quase toda formada por gente de direita e que estava ali babando para encurralá-lo. Mas não há como fazer isso porque tudo o que a direita tem como argumentos é uma cartilha defasada, que não se baseia mais na realidade, que está distante das necessidades, dos sonhos da população e que encontra porta-vozes como Alexandre Frota, Janaina Paschoal e Luana Piovani.

Durante o Roda Viva os jornalistas da bancada jogavam à mesa, com perguntas longas, suas crenças macro-econômicas, cheias de uma linguagem feita para que pouca gente entenda, e Boulos respondia com a micro-economia que todos nós somos capazes de entender. Fazia muito tempo que a diferença entre as ideologias de esquerda e de direita não ficava tão escancaradamente nítida em um programa de TV. O que se viu Boulos fazendo no Roda Viva foi, para dizer o mínimo, um horror devastador para a direita.

A desigualdade chegou a um ponto sem volta, que fez nascer na população miserável um brutal interesse pela política. Até os motoristas de taxi de São Paulo, antes tão psdbistas, hoje já não se veem mais representados pelo poder que está aí.

Achar que essa gente esquecida não manja nada de política é a base do neo-liberalismo, cujo discurso é o de eleger homens escolarizados, bem-vestidos, ricos e que, por todas essas qualidades, estão mais preparados para dizer o que a população precisa. Uma turma que acredita estar de fato à frente de tudo e de todos, e por ser tão superior é capaz de guiar e de orientar.

Para se manter no poder essa turma contava com uma recuperação economica que obviamente não veio, ainda que os meios de comunicação tentem desesperadamente falar em crescimento de 1% e em diminuição de 0,01% no valor da compra de imóveis.

O colapso social da Nação já não sustenta mais esses homens de sapatos caros, dentes super-brancos e cabelos bem aparados. O máximo da transgressão para os Dorias da vida são as calças muito justas e as camisas sociais de gola ao contrário.

Não há mais retórica que eleve a direita à condição de favorita. Nem mesmo o apoio da mídia. Acontece que o golpe custou caro, há compromissos estabelecidos com gente graúda além-mar, e eu acho que o poder não vai ser entregue assim de bandeja para um Ciro da vida. Não acho que a turma do golpe vá permitir isso.

Como melariam as eleições eu não tenho a menor ideia, mas o medo sempre foi uma eficaz arma de dominação e a história está repleta de circunstâncias nas quais a população, apavorada e encurralada, ergue as mãos para cima e grita ao poder público: protejam-me a qualquer custo. E vamos lembrar que se trata de uma galera tem a seu lado aquela outra turma cheia de tanques, de fuzis e de patentes.

Seja como for, a verdade que fica a cada dia mais evidente é que nunca teve a ver com combate a corrupção; sempre teve a ver com recuperar o poder, e agora tem a ver com se manter no poder. Não me parece de verdade que vai ser pelas urnas.

Espero muito estar enganada, mas a performance devastadora de Boulos no Roda Viva de ontem segue aqui me dizendo que eu talvez esteja certa.

Celso de Mello envia para 1ª instância investigação sobre deputado delegado

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou nesta terça-feira (8) para a primeira instância da Justiça do Pará um inquérito no qual o deputado federal Éder Mauro (PSD-PA) é investigado pela suposta prática de tortura.

O caso deixará de tramitar na Corte seguindo a decisão da semana passada que restringiu o foro privilegiado de deputados e senadores para crimes ocorridos dentro do mandato e ligados ao cargo.

Delegado da Polícia Civil do Pará, Éder Mauro é suspeito de conduzir junto de outros dois policiais, com uso de violência, o interrogatório de dois homens presos em flagrante com drogas e armas. O caso ocorreu em 2008, antes de ele assumir mandato parlamentar, em 2015.

Os dois supostos traficantes teriam sido questionados na delegacia ajoelhados, com mãos amarradas para trás, teriam sido sufocados com sacos de plástico na cabeça e levado socos no estômago por parte dos policiais.

O que diz a defesa

Em manifestação apresentada na investigação, a defesa de Éder Mauro disse que os presos distorceram os fatos. Informou que eram assaltantes conhecidos de Belém e foram presos pela equipe do então delegado após comunicação de uma loja de construção que já havia sido roubada.

“Não houve nesta atuação policial, ou em qualquer momento, abuso de poder e muito menos crime de tortura. Não houve exorbitância na atividade policial desempenhada pelo parlamentar, o qual, na verdade, apenas e tão somente cumpriu com seu dever de oficio”, disse a defesa.

Na investigação sobre o caso, a Polícia Federal não comprovou tortura no caso ao analisar os exames de corpo de delito nos presos e levando em conta a “vida pregressa” deles, suspeitos de envolvimento em outros crimes.

Em abril deste ano, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu para a investigação retornar à Polícia Federal, considerando haver “fatos extremamente graves” no caso. Pediu depoimento do diretor do Instituto Médico Legal (IML), responsável pelos exames; e de policiais e testemunhas que acompanharam a prisão dos supostos traficantes.

Em março do ano passado, o ministro Edson Fachin, do STF, arquivou outra investigação semelhante sobre Éder Mauro por suposto envolvimento em tortura.

O pedido foi feito pelo então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que não viu indícios contra o deputado.

Esse inquérito se baseou em um fato ocorrido em março de 2011, quando Éder Mauro participou de uma operação em Belém na qual um suspeito resistiu à prisão, teria ameaçado abrir fogo contra os policiais, e acabou morto. Ele chegou a ser socorrido com vida e levado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos.

O exame de necropsia médico-legal mostrou como causa da morte “hemorragia interna, devido a perfuração de coração e pulmão por projétil de arma de fogo”. Um exame residuográfico realizado nas mãos do cadáver foi negativo para pólvora, segundo os autos, e os policiais passaram a ser investigados por tortura. (Transcrito do G1)

Leonardo Boff visita Lula na prisão e recorda conselhos da mãe do presidente

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Por Joaquim de Carvalho

Quando, na visita de hora e meia que fez na tarde de segunda-feira (07/05), Leonardo Boff sugeriu a Lula que além da intercessão dos tradicionais santos e santas dos altares ele apelasse para “aquela que viveu e sofreu, santificou-se no cuidado da vida de seus filhos”, referindo-se a mãe do ex-presidente, dona Lindu, os dois, abraçados desabaram em um choro emocionado.

Boff, após ter sido barrado na porta da Polícia Federal, em 19 de abril, foi o primeiro religioso a estar com Lula nas chamadas visitas para Assistência Espiritual. Elas são fruto de uma negociação entre os advogados do ex-presidente e o superintendente da Polícia Federal no Paraná, Maurício Leite Valeixo. Ocorrerão sempre nas tardes de segundas-feiras.

Na próxima semana será a vez de dom Angélico Sândalo Bernardino, bispo emérito de Blumenau (SC). Ele também convive com Lula há 40 anos, desde a época em que o ex-presidente surgiu como líder metalúrgico. Período em que dom Angélico servia como bispo auxiliar de dom Paulo Evaristo Arns, em São Paulo.

Foi dom Angélico quem presidiu a Celebração Eucarística no aniversário de Marisa Letícia, em 7 de abril, horas antes de Lula se entregar à Polícia Federal. Na sequência, Lula espera receber a visita de outro velho amigo, o dominicano Frei Betto. O pedido feito ontem a Boff já foi transmitido a Frei Betto.

A emoção surgida no encontro desta segunda-feira entre quatro paredes acompanhou Boff mesmo depois de ele deixar o prédio da Polícia Federal em Curitiba, onde seu amigo de 40 anos está recolhido, cumprindo antecipadamente a pena imposta por um processo viciado, sem provas e sem que a sentença tenha transitado em julgado, como manda a Constituição.

Dona Lindu surgiu na conversa entre os dois amigos quando Boff lembrou a Lula a “essencial necessidade de cultivar o espírito na circunstância solitária” pela qual ele está passando naquela sala transformada em cela. Conforme o teólogo depois relatou a amigos mais próximos. Boff então lembrou a fé da mãe do ex-presidente, dona Lindu, e recordou a frase que o filho diz sempre ter ouvido dela: “lute Lula, lute sempre, nunca desista”.

Com essas recordações, o teólogo propôs que, nos momentos de solidão, Lula não se limitasse “a pedir a intercessão dos tradicionais santos e santas dos altares”, mas também à sua mãe.

Do ex-presidente, Boff ouviu a expectativa de que esse período na prisão tenha um significado maior: “Essa prisão não deve ser em vão, deve ter um significado maior. Maior do que, eu, maior do que você. No sentido de resgatar a dignidade dos pobres, porque para isso eu entrei na política”.

Diante de tal depoimento, Boff confessou: “Entrei abatido, pela situação total do Brasil. Escutando Lula, convivendo com ele, vendo o seu espírito para cima, eu saí fortificado. Sai com esperança (…) Eu saí de lá enriquecido, espiritualizado, pela força não só política dele. Pela força que vem de dentro. Uma espiritualidade de nível popular. Não é essa clássica que nós conhecemos. Mas essa que sente quando diz ‘vai com Deus’, ‘fique com Deus’, ‘que Deus lhe abençoe’.”

O encontro dos dois amigos provocou emoção, mas também momentos de reflexão de ambos. “Quando nos encontramos e nos abraçamos como irmãos, choramos juntos”, admitiu Boff no vídeo gravado por Finco, o amigo que o acompanhou até a Polícia Federal e depois levou-o ao aeroporto.

“Moro supera a própria mentira” -Na definição de Boff, Lula está “extremamente animado, pra cima”. O próprio ex-presidente tratou de desmentir boatos que circulam há algum tempo, como relatou Boff no vídeo:

“Ele disse que ‘é mentira quando disseram que eu recebo todos os dias, de um soldado, injeção de insulina. É mentira”, complementando em seguida: “A injeção que recebo, duas vezes ao dia, é o “Bom dia, Lula!” e o “Boa noite, Lula!”. Isso é uma injeção que me dá ânimo. Escuto perfeitamente a partir da minha cela“.

Boff insiste que Lula está muito bem. Segundo relata, o ex-presidente diz que “vai sair de lá mais fortificado, mais decidido e , mais ainda, que ele é candidatíssimo. Pediu que eu declarasse a todo mundo, ele é candidatíssimo”. Lula, pelo relato do amigo, não perdeu a oportunidade de alfinetar o juiz Sérgio Moro, responsável pela sua condenação e pela antecipação de sua prisão:

“Se o juiz Moro apresentar uma única prova, um pequeno documento que seja, a respeito do triplex, ele renuncia e quer ser preso. Porque não há nenhum documento, não há nenhuma nota, não há nada. Ele mente e se supera na própria mentira.

Na definição de Boff, “se por um lado ele (Lula) se sente muito bem, por outro lado ele tem uma grande indignação. Mas ele recebe esta energia, que ele sente que vem do povo e, especialmente, da verdade que está dentro dele”. Na narrativa de Boff, Lula “acentuou, muito na linha de Gandhi, que a verdade tem a sua força intrínseca, ela vai se manifestar.

Ouviu ainda de Lula a promessa: “Eu vou voltar ainda para servir o povo brasileiro, especialmente os pobres. Quero que eles entrem no orçamento”

Por fim, o teólogo recomenda: “Fiquemos tranquilo, lutemos por Lula, pela democracia e, especialmente, pela liberdade …”

Ao deixar o prédio da Polícia Federal, Leonardo Boff foi presenteado pelo repórter fotográfico Eduardo Matysiak, autor da famosa foto que registrou, no dia 19 de abril o momento de solidão do teólogo sentado junto à guarita da entrada do estacionamento da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

Boff, ao lado do amigo Finco, recebeu um quadro com a imagem que rodou mundo e acabou denunciando a indiferença para com um idoso.

Joaquim de Carvalho

Jornalista, com passagem pela Veja, Jornal Nacional, entre outros. joaquimgilfilho@gmail.com 

A Fifa, a faixa e a hipocrisia

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POR GERSON NOGUEIRA

Caso precisasse pagar pelos atos de hipocrisia que tem cometido ao longo de sua existência, dona Fifa estaria falida a essa altura. Desde o reinado de João Havelange, a entidade se notabiliza por decisões e normas que visam exprimir uma aparente neutralidade em relação ao que ocorre no mundo.

A proibição a manifestações políticas e religiosas, adotada nos tempos do próprio Havelange, cumpria o papel de evitar problemas com as ditaduras ao redor do mundo. Preocupada em ampliar seu poder, a Fifa, obviamente, não queria atritos com os tiranetes de plantão.

Avalizou sem pruridos a Copa do Mundo na Argentina durante a sangrenta ditadura militar no país. Jorge Rafael Videla, o ditador de plantão, comandou a festa ao lado de um conivente Havelange. A conquista da taça serviu para prolongar por mais alguns anos o reinado de terror.

Chile e Brasil, entregues a regimes militares à época, jamais sofreram qualquer sanção. Tiranos do continente africano também foram aceitos como integrantes dos conselhos internados da instituição. A Fifa sempre foi fiel a seus próprios interesses, levando as coisas à sua maneira e sempre condescendente com os poderosos.

Nos últimos anos, reforçou ainda mais a política de neutralidade, agindo contra manifestações de natureza política nos estádios, ao mesmo tempo em que se mostra branda com as seguidas e vergonhosas explosões de racismo em estádios da Europa.

Atenta ao receituário ético da Fifa, a CBF procura caprichar na repressão seletiva. Não permite faixas que critiquem a Globo, principal parceira de negócios desde sempre, e é rigorosa com cartazes que façam alusão à prisão do ex-presidente Lula, mas faz vista grossa quando torcedores exibem aqueles cartazes babando ovo de apresentadores globais.

Ocorre que na Arena Itaquera, em São Paulo, a torcida corintiana tornou rotineiras manifestações desse gênero, assim como torcidas do Grêmio, Atlético-MG, Botafogo e Cruzeiro. Em Belém, no jogo Remo x Santa Cruz, pela Série C, um desses protestos pacíficos foi detectado pelo quarto árbitro, que, pressuroso, avisou o árbitro.

A retirada da faixa foi imediata e ríspida, além de obviamente hipócrita, visto que a manifestação não foi (nem de longe) mais grosseira que as vaias e xingamentos dirigidos à presidente da República na abertura da Copa do Mundo de 2014, em espetáculo de selvageria transmitido para o mundo inteiro. O então presidente, Josef Blatter, presente ao evento, manteve-se calado e a Fifa não tomou qualquer atitude punitiva.

É compreensível que o árbitro tenha mandado retirar a faixa no Mangueirão, afinal recebe ordens expressas nesse sentido. Esquisito é ver a CBF patrocinando a inquisição. Justo ela, useira e vezeira em atropelar normas, com dirigentes envolvidos até o pescoço em maracutaias e eleições maculadas por irregularidades flagrantes.

Não se pode esquecer que a censura atenta contra um dos pilares da Constituição – ainda temos uma – e preceito básico de qualquer democracia: o direito à liberdade de expressão, desde que exercido pacificamente. Respeitar esse princípio deve ser missão e objetivo de todos, acima de ingerências externas.

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Pitacos dos baluartes do blog campeão

“Já comentei aqui: o Flamengo só não ganha títulos em série, nos campeonatos nacionais, porque sua administração é de uma incompetência atroz. Suas cotas de TV são absurdamente superiores às dos demais clubes. O banco estatal, patrocinador de vários outros clubes brasileiros, contempla esse clube com valores bem maiores. A juizada sempre dá uma ajuda para que o Flamengo saia vencedor. As tabelas são montadas para facilitar o arranque nos torneios que o clube participa. E, aí, não há como não desconfiar da mão grande da Globo, maior interessada no sucesso do clube queridinho, pela audiência que isso pode proporcionar”.

Miguel Silva, a respeito de um dos tópicos da coluna de ontem.

“Nunca o Remo foi tão prejudicado em um início de campeonato. Em quatro jogos, dois gols erroneamente anulados e dois pênaltis não assinalados; todas as situações ocorridas enquanto os jogos estavam no 0x0. Coincidentemente, isso ocorre no ano de pior relação da torcida remista com o Esporte Interativo, atual ‘dono da série C’. Quem gosta de teorias da conspiração, já pode botar a pulga atrás da orelha”. Thiago Corrêa, azulino desconfiado do poder do apito.

“Sabe por que o Atlético Acreano é vice-líder da Série C? Por que fez exatamente o que se espera dele. Não investiu em grandes contratações, mas em conjunto. O mau futebol apresentado até aqui pelos demais decorre de investir no elenco sem se interessar com o conjunto, com a forma de entrosar e de todos jogarem bem”. Lopes Junior, certeiro, como sempre.

“Todo mundo sabe que o Dado faz parte daquela confraria da Elenko e é treinador de empresário. Eles são resistentes a usar aqueles que não fazem parte do grupinho. Carlinhos combina com chinelinho, igualzinho Carmona, Maicon Silva, Danilo Pires, Cáceres e Walter. Vêm fazer turismo e ganhar altos salários. Se estivesse bem, Carlinhos estaria na Série A”. Aldo Valente, peremptório sobre a política de contratações do Papão.

“Sem dúvida, foi mais um bom resultado. O Sampaio teve chance de liquidar, mas o Papão também teve a melhor chance do jogo quase no final com Danilo Pires, que recebeu passe açucarado e perdeu certo. Era o gol que levaria à liderança isolada da competição e talvez nem perdesse a ponta nem com derrota para o Juventude. Danilo Pires que foi uma das mais badaladas contratações parece não dar liga. Nesse jogo em São Luís teve chance de ouro, diamante, esmeralda de se redimir fazendo o gol da liderança, mas bateu fofo novamente. Numa bola dessas é encher o pé de primeira e até de bico que o goleiro não veria a cor da bola. Um dos maiores artilheiros do Brasil , Rei Dadá, disse certa vez que ‘feio não é fazer gol de qualquer jeito. Feio mesmo é perder gol’.” Nélio, ainda abespinhado com a falha de Danilo Pires no Castelão.

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 08)

O destino de Lula é a Presidência

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Por Emiliano José, em resposta a Wanderley G. dos Santos

Não, professor Wanderley Guilherme dos Santos, e digo professor com toda a força que a palavra tem, com o respeito que merece, o PT não quer o “Lula ou nada”. Seu texto parece uma quase-chantagem ao partido, como se fosse ele obrigado, não se sabe por que, a abrir mão da disputa das eleições de 2018, da luta para ter Lula livre, do direito de Lula ser candidato. O PT faz isso em nome da inocência de um prisioneiro político e do nome mais forte para tal disputa. Respondo a quente, como convém nessa conjuntura de tanta velocidade, com tantos acentos de imprevisibilidade. O seu texto reclama isso, porque injusto com o partido e com o presidente. Não falo à distância, como observador neutro. Tenho lado, como você, todos têm. E Lula carrega consigo enorme, inegável responsabilidade histórica, e não cuida apenas de seu destino pessoal. Fosse assim, e poderia ter ido embora do País, exilar-se e conscientemente não o fez.

Não ousaria lembrá-lo mais extensivamente da luta de tantas lideranças que presas, ao longo da história, souberam honrar suas trajetórias, e corresponder à confiança e esperança nelas depositadas. Não é necessário. Fosse por um argumento, que um raciocínio frio poderia denominar de sentimental, que partido abandonaria sua principal liderança, de longe principal liderança do povo brasileiro, às traças, jogado numa prisão, um prisioneiro político, como se pudesse ser descartado assim, sem mais? Não é esse o principal argumento, nem deve ser, embora ele nos assalte a vista de seu texto, porque isso corresponderia evidentemente a um abandono.

Não é disso que se trata, no entanto. A questão central é que tentam impor que a principal esperança do povo brasileiro, a liderança que encarna o sonho de resgatar a democracia, barrar a monumental retirada de direitos, barrar o fim de nossa soberania, tentam impor, pelo arbítrio, com o Estado de Exceção vigente, que se mate a esperança de tanta gente. É, abandonar Lula no cárcere, o líder de todas as pesquisas, é exatamente matar a esperança dos pobres, dos excluídos, dos tantos milhões a quem as políticas desenvolvidas por ele permitiram a chegada à condição de cidadãos. O povo brasileiro tem o direito de tê-lo como candidato, livre. E o PT tem o dever de levar essa luta às últimas consequências, e não por qualquer capricho, mas porque não o fazendo frustra os que o dão vencendo as eleições em qualquer situação, em repetidas pesquisas.

Deveria o PT abaixar a cabeça, dizer sim ao arbítrio? Não, não seria digno, e, sobretudo, não corresponderia àquilo que está no coração de nossa gente. Discutindo por outro ângulo, para caminhar no raciocínio desenvolvido pelo professor, algumas indagações me vêm. O PT é de longe o partido mais bem avaliado do povo brasileiro – é isso mesmo, as pesquisas recentes estão à disposição. Tem, insista-se, o candidato mais forte para a disputa, não obstante, e por causa disso, preso. O povo reconhece sua inocência. Que argumentos o PT teria para abrir mão da candidatura? Por que não esgotar todas as possibilidades, e a política é o território dos milagres, disso o professor sabe, para que ele venha a ser o candidato? Ele não foi preso por acaso, mas exatamente para tentar evitar sua participação na disputa. E o PT não pode e não dever ser o cordeiro que caminha de cabeça baixa para a imolação.

Além disso, admita-se cheguemos a uma situação-limite em que o arbítrio vença, e ele não possa ser candidato. Que razão teria o principal partido da esquerda, que tem dado mostras seguidas de amplitude, de política de alianças, de solidariedade com candidaturas do campo progressista, para deixar de ofertar outro nome do próprio partido, fosse o caso, alguns deles com enorme potencial, que obviamente poderiam crescer mais e mais com o apoio de Lula? Não, não se trata de qualquer sectarismo. O argumento de tantos, com a existência de primeiro e segundo turnos, vale também para o PT, e nós não podemos ser cobrados por não tentar. Não se acuse, porque injusto, o partido de ser intolerante com outras candidaturas, nem de agredi-las.

A direção do partido tem sido cuidadosa diante, de manifestações que não carregam o selo da unidade, às vezes agressivas, arrogantes e desrespeitosas . O partido tem sabido, corresponder às necessidades de unidade do campo democrático, popular, de esquerda e progressista. Não se desespera no momento da dificuldade, não deve desesperar, que destino a gente constrói, não espera acontecer. Não abandona seu líder. Não deixa de participar dos esforços, e já são consideráveis, para a construção de um programa comum. Estamos construindo a unidade. Lula pode ser libertado com a luta do nosso povo e alguns candidatos à presidência, de esquerda, dignamente, estão nessa luta. Lula será candidato para agregar forças para o resgate da democracia, para o início de uma nova fase em nossa história, tão agredida pelo golpe de abril de 2016. Se não o for, o PT manterá sua solidariedade a ele, a vida segue, e saberá continuar no caminho que derrote os golpistas e o Estado de Exceção implantado no País.

Grêmio dá show dentro e fora de campo

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Faixa estendida pela torcida gremista, ontem, durante o jogo contra o Santos, na Arena do Grêmio, em Porto Alegre.

No Mangueirão, sábado à tarde, no jogo Remo x Santa Cruz, uma faixa com os mesmos dizeres, em defesa da libertação de Lula, foi estendida nas cadeiras do estádio, mas foi logo retirada por funcionários da Seel atendendo ordem do árbitro da partida, que foi avisado pelo quarto árbitro, Joelson Cardoso.

Bar do Fim do Mundo

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