O adeus do guerreiro Audálio

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Por Ricardo Kotscho

Fiquei sabendo agora pela Thaís, neta dele, que trabalha com minha filha Mariana, uma notícia muito triste para todos os jornalistas e cidadãos brasileiros: morreu meu amigo Audálio Dantas, um cara que batalhou pela vida até o seu último suspiro.

Estive com ele poucos dias atrás num almoço com velhos amigos no Hospital Premier, onde ele viveu seus últimos dias, com a mesma dignidade de toda uma longa jornada de lutas, nem sei de quantos anos, porque até hoje há controvérsias, mas foram muitos, alguma coisa entre 80 e 90.

Trabalhou até onde deu, vivia com muito aperto apenas dos seus escritos, que lhe garantiam a sua sobrevivência e a da brava e unida família Dantas, comandada pela guerreira Vanira.

Audálio há tempos sofria de muitos achaques da saúde, um após outro, mas tenho certeza de que morreu foi mesmo de tristeza, ao ver o que fizeram do seu país, pelo qual sempre foi muito apaixonado. Nas nossas últimas conversas, ele já estava desesperançado de que a nossa geração ainda conseguisse ver o Brasil com que sonhamos a vida toda, mais justo, mais humano, mais decente.

Sertanejo valente das Alagoas, este brasileiro de muito talento e firmeza foi um dos protagonistas da passagem da ditadura para a democracia, quando falar a verdade sobre o assassinato do jornalista Vlado Herzog nos porões da ditadura era correr risco de vida.

Para quem quiser saber mais sobre a sua história, é só entrar no Google, porque agora vou ao velório para ver se é verdade que ele morreu mesmo.

Homens como Audálio Dantas nunca deveriam morrer. Continuarão vivos na nossa lembrança como exemplo dos brasileiros que não se vergaram nunca.

Vida que segue para quem fica.

Audálio representa muitos de nós, jornalistas, com todas as ansiedades, sonhos, aperreios e angústias que o ofício nos traz. Que o velho guerreiro descanse em paz!

Egípcios acreditam na recuperação de Salah até a Copa

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A Federação Egípcia de Futebol segue otimista em relação a participação de Mohamed Salah na Copa do Mundo. A entidade divulgou nesta quarta-feira, em suas redes sociais, um comunicado garantindo que o astro ficará em recuperação por no máximo três semanas. Dessa forma, o egípcio conseguiria voltar a jogar ainda na fase de grupos da Copa do Mundo.

Salah foi avaliado, nesta quarta-feira, por um médico escolhido pela federação. O jogador viajou para a Espanha acompanhado do presidente da entidade, Hany Abo Rida. Segundo o fisioterapeuta do Liverpool, a expectativa era de uma recuperação entre três a quatro semanas.

– Depois de encontrar Abu Rida e o médico da seleção hoje na Espanha, a Federação de Futebol reafirma: Salah vai jogar a Copa do Mundo. Se tudo der certo, sua ausência não vai exceder três semanas – emite o comunicado

Segundo o ‘Bleach Report’, o presidente Abo Rida declarou que Salah estaria apto a entrar em campo já na segunda rodada do Grupo A, contra a Rússia, no dia 19, em São Petersburgo. Porém, contra o Uruguai, na estreia, no dia 15 de junho, às 9h, em Ecaterimburgo, o jogador não vai estar, provavelmente, a disposição.

Salah sofreu uma lesão no ombro esquerdo após falta violenta do zagueiro Sérgio Ramos, em jogo válido pela final da UEFA Champions League. O egípcio foi substituído ainda no primeiro tempo e viu os Reds serem derrotados por 3 a 1 pelo Real. (Do Terra)

Precisamos falar sobre Ciro Gomes…

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Por Sheila Grecco, via Facebook

Se Ciro não tivesse sido tão grosseiro com Lula e o PT durante essa pré-campanha, eu votaria feliz e tranquilamente nele como plano B ao Lula. Não tem nenhum candidato nesta campanha que reúna a experiência que ele tem em vida pública (foi deputado federal aos 25 anos, está hoje beirando os 60), tampouco a inteligência dele. O projeto de transposição do Rio São Francisco não teria sido feito sem a competência e a coragem dele em peitar ambientalista e ativista malesco, sem senso nenhum de realidade, aqueles que acreditam em horta vertical de manjericão orgânico e energia solar e astral pra abastecer um país com mais de 200 milhões de habitantes. Pra mim, foi o segundo melhor ministro do Lula. O primeiro foi o Celso Amorim.

Dito isso, estando Lula preso e inelegível, embora alguns petistas vivam de quimeras e auto-ilusão, foi completamente desarmada e com total senso de pragmatismo que assisti hoje à entrevista dele no Roda Morta. Minhas impressões:

1) O cara é uma Wikipedia econômica ambulante. Impressionante como tira da cachola 500 números e consegue desarmar até um arrogantezinho do mercado financeiro que estava na bancada. É imbatível no quesito contas públicas. Não tem pra ninguém. Coerente, lógico, dá aulinha;

2) Chama Parente de “apátrida” e pede sua cabeça, chama Temer de “escroque”. No quesito xingamento aos golpistas, lava nossa alma em inúmeros momentos e empolga. Parece o cabra macho que vai governar com faca na bota;

3) Desenvolvimentismo, política industrial, a política de preços fraudulenta da Petrobras, todos esses são temas em que dá aulinha, tá em casa, mas eis que começam os temas indigestos.

4) Acho que o Roda Morta fez um choque de gestão da entrevista do Boulos pra cá. Toda essa bancada de entrevistadores do Ciro foi excelente e até o apresentador se redimiu de imbecilidades passadas. Foi dele, inclusive, a pergunta touché: “Por que você nunca pôs os pés no Instituto Maria da Penha no seu próprio Estado?”. Eu sairia correndo depois dessa… Tachado, e com razão, como machista, teve de ouvir essa, depois de definir o Estado do Ceará como… “matriarcal”. Pausa pra risos…

5) A pergunta do gringo sobre a Transnordestina, com generoso financiamento público ao seu ex-patrão Steinbruch (CSN) e obra que permanece inacabada, ficou sem resposta a não ser o mantra de que era uma “concessão privada” (ainda que com dinheiro público). Recebeu um “desde o momento em que assumi o projeto” pra tentar justificar as cagadas do passado na CSN, de onde talvez saia o seu vice (aquele ser golpista, um genérico do Skaf, que defende a dieta dos 15 minutos de lanchinho pro trabalhador no lugar de 1 hora de almoço). Toda vez que as perguntas entram na linha das relações do candidato com a direita, as respostas são pouco ou nada convincentes.

6) Bernardo Mello Franco mandou as perguntas mais duras, sobre Lula e como governar sem maioria no Congresso. Ciro não convenceu em nenhuma resposta. E ainda mandou a seguinte piada: “O PDT seguramente fará 60 deputados nesta eleição”. Para de He-man…

7) Repórter da CBN e José Roberto de Toledo (Piauí) entram nas pautas identitárias. O resultado é desastroso. Não conseguiu citar nada sobre o que fará de políticas públicas para as mulheres. Praticamente recorreu a uma resposta nível Bozonaro: “Pergunte aos meus especialistas”. E ainda deu uma resposta-sabão sobre aborto. Ué, cadê o cabra-macho de outrora?? No caso das drogas, se era a favor ou não da descriminalização, veio com um papo de consultar o papa Francisco. Sério. Assumindo-se de direita mesmo, pula fora de temas polêmicos e ainda recorre a… consulta nonsense ao Vaticano pra pegar voto de católico. Deprimente.

8. Durante a pré-campanha, uma das coisas que mais me irritou no Ciro foi a postura de desonestidade intelectual em relação ao Lula. Não foi só a falta de solidariedade com a prisão em si, foi o que disse bem antes. Ele não só escreveu como falou textualmente isso:

“Considero Lula o grande responsável político pelo momento terrível pelo qual passa o País. Foi traído, mas a ele, e somente ele, devemos a imposição de um corrupto notório na linha de sucessão do Brasil, o senhor Michel Temer”, Ciro.

Todos sabemos que não foi Lula quem escolheu Temer pra ser vice de uma chapa que nem dele era. Tudo bem que ele é foda mesmo, mas nunca mandou no PMDB, já seria demais, não? Ele é onipresente? Manda em tudo? Seria linda essa ditadura petista, mas ela só se concretizou nos delírios de coxinhas. PMDB fez prévias pra decidir quem seria o vice. Um cara como o Ciro – que começou sua carreira num Arena, que é o pai legítimo do Plano Real e que é cria política de Tasso Jereissati – sabe muito bem como funciona política. Tá querendo confundir pra pegar voto de anti-petistas ou de esquerda puritana-Pollyana… Pois bem, na entrevista ao Roda Viva, utiliza mais uma vez de desonestidade intelectual, desta vez contra a Dilma. Em duas vezes diz explicitamente que ela preferiu ficar ao lado de Cunha e não de Cid, seu irmão. Curioso. Mesmo ficando ao lado de Cunha, foi por ele derrubada?? E ainda fecha com a frase medonha de que não teria caído no governo como ela porque… “não é a Dilma”. Esse “a” com tom de… “uma”. Não é “uma” Dilma. É contra o golpe machista e misógino, mas se entrega com atitudes machistas e misóginas. A fala revela tudo da psiquê.

Bem, tudo isso pra dizer que sim, tentei, mas não voto no Ciro nem que seja a última Coca-Cola do deserto. Pra começar, odeio Coca-Cola… E esse perfil não é o de um líder humanista que pacifique o Brasil. Tá mais pra um excelente ministro da Fazenda ou de Política Industrial. Apesar de ter tido uma bancada fraquíssima, vi muito mais verdade, humanidade e futuro num Boulos do que num Ciro. Pra dialogar com o Tiozão da Vila Nhocuné ou com a Dona Joana da Chicória, não interessam superávit, déficit primário e afins, interessam empatia e solidariedade. Pra quem quer ser um pós-Lula, ainda falta muito. Economês pode conquistar mentes, mas não os corações.

Galeria do rock

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A 30 de maio de 1973, George Harrison lançava seu quarto álbum de estúdio “Living in the material World”, que trazia o mantra “Give Me Love” como carro-chefe, aprofundando as experiências com misticismo e meditação e trazendo letras com mensagens de cunho espiritualista.

O disco foi todo gravado na Abbey Road & Apple Studios, em Londres. A foto interna é uma representação da “Última Ceia” com os músicos que tocaram no álbum.

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Nesta mesma data, em 1968, os Beatles iniciavam a gravação nos estúdios Apple do lendário álbum duplo “The Beatles”, mais conhecido como “White Album”, contendo algumas preciosidades, como “While My Guitar Gently Wheeps”, “Back in the USSR”, “Blackbird”, “I’m So Tired”, “Sexy Sadie”, “Julia”, “Helter Skelter”, “Dear Prudence” etc.

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Sob um clima pesado, devido às sérias desavenças internas, agravadas pela presença de Yoko Ono nas gravações, os quatro produziram um disco fantasticamente rico em canções melodiosas e sacadas poéticas, expostas em vinhetas deliciosas, como poucos na história do rock.