Artur antecipa os trabalhos e começa a treinar o Leão

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Artur Oliveira não perdeu tempo. Chegou nesta terça-feira e assumiu o comando técnico à tarde, movimentando o grupo de jogadores do Remo em treino no estádio do Souza.

A atividade da tarde foi com portões fechados. Ao lado do preparador de goleiros Juninho Macaé e do auxiliar Netão, Artur conversou com os atletas e deu as primeiras orientações. A apresentação formal do treinador acontece nesta quarta-feira, no estádio Evandro Almeida.

Mimica, um dos destaques do time desde o Campeonato Paraense, comentou a chegada de Artur, apostando que os bons resultados irão surgir. “Acho que não precisa se assustar, mas somos conscientes de que não estamos fazendo grandes jogos. Estamos devendo muito, principalmente dentro de casa. O fator casa tem que prevalecer, temos que levar os três pontos, e fora você tem que arrancar pelo menos um. A gente já conhece a história do Artur no Remo. Temos que, junto com ele, melhorar para buscar resultados”, disse o zagueiro.

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O primeiro compromisso do Remo com Artur no comando será domingo, às 19h, contra o Salgueiro (PE), no estádio Jornalista Edgar Proença. O nome do treinador precisa sair no BID da CBF até sexta-feira para que ele possa dirigir a equipe. Esta é a terceira passagem de Artur pelo Remo como técnico. Antes, brilhou como jogador, ganhando a condição de grande ídolo da torcida azulina. (Fotos: Fábio Will/Ascom Remo) 

“Sobrevivendo no Inferno” é uma aula de história, política, racismo e luta por direitos

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Por Luanda Julião

Na semana passada, mais especificamente no 23 de maio, a Unicamp divulgou a lista com os nomes das obras obrigatórias para o vestibular 2020. Na lista, o álbum “Sobrevivendo no inferno” do grupo Racionais Mc’s se destaca como uma das obras exigidas, não apenas por se tratar de um álbum musical que nos ensina ritmo e poesia, mas também por nos trazer raps cujas letras nos ensinam história, política, racismo, exclusão social e a luta por direitos.

O disco retrata o cotidiano do jovem negro na periferia, o sentimento de revolta e a luta para sobreviver num Estado que tira violentamente a vida de 23 mil jovens por ano. Os raps escancaram o dia-a-dia emocional e social do negro periférico, dissecando a exclusão racial que existe no país.

O cenário das músicas é a pobreza. O enredo e a narrativa é a exclusão, a discriminação e o racismo. A atmosfera é a do medo e da violência. O sentimento é de ódio, rancor, frustração, indignação. E o desfecho, o cemitério São Luiz (citado na música Fórmula Mágica da Paz, faixa 11 do álbum e que no final da década de 1990 era o cemitério com maior número de jovens negros enterrados no Brasil), ou o encarceramento penitenciário (falido, cruel e sanguinário, dissecado na faixa 7 do disco, com a música Diário de um detento, na qual fica nítida a crítica ao massacre do Carandiru, ocorrido em 2 de outubro de 1992). Em suma, sonhos abortados, juventude interceptada, futuro perdido.

Mais que uma aula de poesia e métrica, “Sobrevivendo no Inferno” é uma aula de história, racismo, violência, direitos e literatura. Mais especificamente, o álbum faz uma crônica da violência, exclusão, discriminação, racismo e falta de oportunidades à juventude negra.

Lançado em dezembro de 1997, Mano Brown tinha 27 anos e se declarava um sobrevivente no inferno da periferia de São Paulo de um país que sistematicamente extermina sua população negra há séculos, dando voz a muitos outros negros que sobrevivem na selva urbana, cujo maior vilão é o Estado e o racismo estrutural.

Eu tinha 15 anos quando o álbum foi lançado e “Sobrevivendo no Inferno” foi meu primeiro contato com o rap – meu e de muitos garotos e garotas daquela época. Mais que expor o racismo e a violência, o grupo devolveu à população negra brasileira a voz, o grito sufocado por tanta opressão e medo. Lembro-me que na época, muitas pessoas passaram a circular com camisetas que traziam estampadas o logo do álbum, uma cruz com o salmo 23, ou com a frase “orgulho de ser negro”. Essas mesmas pessoas eram os principais alvos das revistas policiais feitas nas portas das escolas públicas ou nas entradas dos bailes de black music. Essas mesmas pessoas se viam representadas nas letras do grupo rap.

É importante destacarmos que quando os Racionais Mc’s lançaram esse álbum, a lei 7.716 que determina o racismo como crime inafiançável já havia sido sancionada há 8 anos, em 1989. No entanto, o racismo que no Brasil se alimenta de práticas sutis, de nuances e formas maleáveis para atingir suas vítimas, continuava ceifando vidas ou agonizando sonhos. Quando esses quatro jovens pretos da periferia de São Paulo, Mano Brown, Edi Rock, Ice Blue e Kl Jay começaram a soltar suas vozes e batidas com o sentimento de revolta e indignação, era como se eles apontassem a falha na Constituição, indignados com a sua ineficácia. 

Em 1997 o Brasil era então governado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e sua política de privatização de empresas públicas e estatais. Sua política neoliberal andava de mãos dadas com a premissa ideológica da democracia racial, que buscava afirmar a inexistência do racismo, negando a própria paisagem social que escancarava que a democracia racial ainda não havia chegado para os negros, pois estes ainda são minoria nas profissões mais remuneradas, nas posições de maior reconhecimento ou melhor renda, principalmente a mulher negra que ainda ocupa uma posição econômica e social extremamente desvantajosa.

Adicionalmente, nas escolas públicas da periferia mal se ouvia falar em racismo, exclusão social ou violência policial. Na sala de aula havia uma dissonância entre aquilo que estava no discurso dos livros ou dos professores e aquilo que muitos alunos e alunas de fato viviam nas quebradas. E era justamente nas músicas dos Racionais que esses jovens se reconheciam; reconheciam a realidade árdua que enfrentavam dia a dia. Não era o ambiente escolar conteudista que aproximava o aluno da realidade dele, eram as músicas de quatro jovens negros e pobres, que com suas batidas e letras traziam esperança à uma camada da população esquecida das políticas públicas.

Em 2010, quando comecei a lecionar História e Filosofia na rede pública estadual, percebi que as aulas sobre racismo, abolição dos escravos e direitos civis faziam muito mais sentido para os alunos se analisássemos as letras do Racionais. Primeiro porque a arte tem esse dom de nos colocar em consonância com os sentimentos, de desencadear em nós o reencontro com nós mesmos e de nos fazer pensar o insuspeitável. Segundo, porque as aulas se tornavam muito mais dinâmicas e permitiam a recriação de sentidos e significados, fazendo com que os discentes compreendessem o mundo e as coisas a partir de si mesmos. Parafraseando Paulo Freire, se o objetivo maior da educação é a conscientização do estudante, devemos levar àqueles mais desfavorecidos e marginalizados da sociedade a entender sua situação de oprimido e agir em favor da sua própria autonomia e libertação, e sem dúvidas os raps traziam essa conscientização.

Como docente do ensino médio, fico muito feliz que a Unicamp tenha reconhecido publicamente a relevância pedagógica desse álbum para a formação dos estudantes do ensino médio e colocado a obra como leitura obrigatória.

Muito antes do governo Lula e da política de autoafirmação da população negra no Brasil; muito antes da lei 10.639/03 ser aprovada em 2003, lei esta que indubitavelmente é uma vitória, mas que em 15 anos de existência vem andando a passos lentos; muito antes do Estatuto da Igualdade Racial ser aprovado em 2010; muito antes da Lei de Cotas Raciais em 2012 ser sancionada,  os Racionais em 1997 já expunha em suas melodias o fato de que a cidadania e os direitos ainda são algo a ser conquistado pelos negros.

Em 1997, apenas 2,2% de pardos e 1,8% de negros, entre 18 e 24 anos cursavam ou tinham terminado o ensino superior.

60% dos jovens de periferia sem antecedentes criminais já sofreram violência policial. A cada 4 pessoas mortas pela polícia, 3 são negras. Nas universidades brasileiras apenas 2% dos alunos são negros. A cada 4 horas, um jovem negro morre violentamente em São Paulo. Aqui quem fala é Primo Preto, mais um sobrevivente”, afirma o início da faixa 3, Capítulo 4, Versículo 3.

O Racionais Mc’s tem para a população negra brasileira a mesma importância que o movimento pelos direitos civis dos negros teve nos Estados Unidos na década de 1960, como o Black Power, Martin Luther King, Malcon X e o Partido dos Panteras Negras, pois no Brasil,o grupo de rap, com suas rimas e melodias, fez a mesma pressão ou tiveram o mesmo impacto que esse movimento fez nos Estados Unidos. É claro que não estamos comparando, até porque ao contrário dos norte- americanos que estabeleceram regras claras de classificação e segregação racial, e que consequentemente engendrou todo o movimento de direitos civis para os negros, o Brasil sempre se nutriu de maneiras sutis para racializar e diminuir sua população negra. O que é preciso deixar registrado aqui e que é preciso admitir é a importância dessas músicas para a conscientização e emancipação da população negra brasileira, que hoje exige os seus direitos.

O afã desmedido desse grupo de rap, enfurecido com as estatísticas, frustrado com a negação de elementares direitos de cidadania à população pobre e negra, resistiu através da música, e melhor ainda, com suas canções devolveu ao negro o grito guerreiro de Ogum Iê (que o grupo musical saúda na faixa 1 do álbum), isto é, devolveu ao negro a sua autoestima e dignidade.

Todo o álbum dos Racionais nos obriga a parar e refletir. Suas músicas são um exercício de reflexão, pois ao ouvi-las experimentamos um assombro: é um negro contando a sua história “de lágrima, sangue, vidas e glórias, abandono, miséria, ódio, sofrimento, desprezo, desilusão” (trecho da faixa 7, Diário de um detento). Não é como nos livros didáticos, que na maioria das vezes traz a versão de um branco contando a história de um negro ou do povo negro, mas a narrativa da condição do negro narrada por um negro.

Remo contrata meia-atacante e já treina sob o comando de Artur

O meia-atacante Dudu (foto), 21 anos, cedido pelo Vila Nova-GO, é o novo reforço do Remo para a Série C. Virá por empréstimo depois de não ter emplacado no alvirrubro goiano. Empresariado pelo ex-jogador Roni, um antigo parceiro do Remo em outras áreas, Dudu deve chegar amanhã e se apresentar no Evandro Almeida.

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Dudu é o segundo reforço contratado nos últimos dias. Ruan, ex-CRB, chegou anteontem e já treina com o elenco azulino, podendo inclusive estrear contra o Salgueiro, no próximo domingo. Artur Oliveira, contratado após a saída de Givanildo, já assumiu o comando técnico nesta terça-feira, dirigindo treinamento no Souza.

A frase do dia

“Começam a chegar notícias de que há gasolina nos postos. A manada estúpida da classe média forma filas imensas, como jumentos enfileirados sobre quatro patas de borracha, em busca do alívio escroto da satisfação pela posse e pelo poder de ter. É muita podridão.”

Eduardo Goldenberg, no Twitter 

Ziggy recebe a programação exclusiva do Festival Sonido

LOXODONTA GROOVE

O calendário cultural do Ziggy está mais do que especial: além da programação do Festival Sonido, a casa ainda vai aproveitar o feriado na quinta-feira (31.05) para realizar uma edição da No Laço da Rabiola em plena quarta-feira. A festa vai contar com as discotecagens de MauVianna (Meachuta), Faca, Zek Picoteiro (Lambateria) e Jack Sainha, em uma noite dançante com muito Pop, Funk, Trap, Hip Hop e Reggaeton. A entrada é gratuita até 20h, após o horário os ingressos custam apenas R$ 10 a noite inteira.

Em seguida, na quinta, o Sonido dá o seu pontapé inicial no Ziggy com sua festa de lançamento. A noite tem show da banda Loxodonta Groove, além da discotecagem dos DJ’s Se Rasgum Damasound e Lux. O som do grupo Loxodonta (foto acima), do baixista paraense Rafael Azevedo, é marcado por um forte swing afro e dançantes arranjos de metais. Além do baixista, a banda é formada também por Dom Edy (trompete), Felipe Ricardo (saxofone), Melk Souza (bateria) e Handel Alcântara (trompete). O trabalho resultou de quase vinte anos de carreira de Rafael Azevedo que já transitou por diversos gêneros musicais com parcerias do cenário local e nacional. Além disto, a noite ainda conta com o Pocket Show de Careca Braga, famoso violonista paraense, às 20h30. A entrada é gratuita até 20h, após o horário os ingressos custam apenas R$ 10 a noite inteira.

Depois da primeira noite do Festival Sonido 3, no dia 01 de junho, a sonzeira vai toda pro Ziggy, onde vai rolar show do Projeto Secreto Macacos e STRR, além da discotecagem do DJ Marquinhos (Fliperama – CE).

Em uma proposta que mescla muito groove e improvisações experimentais, há mais de 10 anos o Projeto Secreto Macacos (foto abaixo) foca na qualidade musical aliada ao experimentalismo, fugindo de vários parâmetros determinados por estilos e contextualizações musicais.

PROJETO SECRETO MACACOS

STRR é o trabalho como artista solo do produtor musical paraense Mateus Estrela. A sonoridade é eletrônica e os timbres passeiam pelos calores analógicos e as definições digitais dos sintetizadores modernos, influenciados pelo house, synthpop, R&B e future bass.

Pra encerrar o último dia do Festival Sonido 3, no dia 02 de junho, todo mundo corre pro Ziggy porque a onda continua com uma Jam Sessions dos artistas que passaram pelo palco do festival nos dois dias, além da discotecagem das minas do Ema Stoned (SP) e DJ Zalma (Je Treme Mon Amous – SP).

Festival Sonido 3

A terceira edição do Festival Sonido acontece nesta semana, nos dias 1 e 2 de junho, no mercado de carne do Ver-o-Peso. Se você não conhece, o Sonido é um evento gratuito de música instrumental e experimental, produzido pela Se Rasgum Produções e ACAI, com patrocínio do Banpará e Ministério da Cultura através da Lei Rouanet de incentivo à cultura.
Desta vez o line up traz sonoridades sulistas, experimentações com berimbau e violão, rock psicodélico feito por uma girl power band, post-rock experimental e misturas com música paraense, do clássico ao contemporâneo.
Ao todo, a sexta e o sábado de Sonido irão receber oito shows, tanto regionais quanto nacionais, para criar dois dias de memórias incríveis para o público. Mais do que uma simples ida à um show, o festival convida os amantes de boa música a vivenciar um local histórico de Belém. Patrimônio cultural material do estado, o Mercado de Carne Francisco Bolonha esbanja charme em sua arquitetura, que será somada com diversas projeções de video mapping da artista Roberta Carvalho. Em suma, a ideia é incentivar o uso de espaços público e ajudar a democratizar a música autoral e instrumental brasileira e paraense. (by Imprensa Se Rasgum)

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SERVIÇO

30.05 – Quarta No Laço da Rabiola. DJs: Jack Sainha, Zek Picoteiro, Faca e Mauvianna

31.05 – Festa de Lançamento do Festival Sonido 3 no Ziggy. Show: Loxodonta Groove
DJs: Damasound + Lux. Pocket Show: Careca Braga

01.06 – After do Festival Sonido 3 – Dia 01. Shows: Projeto Secreto Macacos e STRR
DJ: Marquinhos (Fliperama – CE).

02.06 – Jam Sessions do Festival Sonido 3 – Dia 02, jam com artistas do Festival Sonido 3. DJ: Mancha (SP) + Djs Ema Stoned (SP)