O que uma série croata ensina sobre jornalismo e poder no Brasil

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Por Tiago Barbosa

O exercício do jornalismo tem se equilibrado com sofreguidão para manter o vigor de outrora. Amarga a proliferação das fake news, lida com perda de credibilidade de veículos tradicionais e sente a queda da publicidade seduzida cotidianamente pela presença de plataformas digitais como Google e Facebook.

O calvário é ainda mais penoso para os jornais impressos: definham sob a fuga de anunciantes, a incapacidade gerencial de estabelecer novas receitas e a mudança de hábitos de leitores cada vez mais atraídos tanto pela facilidade quanto pela diversidade da internet.

As entranhas desse sistema corroído constituem a matéria-prima de uma série de TV croata cujos 12 capítulos da primeira temporada foram recém-disponibilizados na Netflix. A produção O Jornal (de 2016, chamada Novine no idioma natal) é zelosa em transpor para a tela os efeitos da influência da força política e econômica sobre a imprensa e em amplificar a reflexão urgente em torno da atividade jornalística quando profissionais enfrentam a pressão do poder.

O seriado narra a aquisição do jornal por um magnata da construção civil íntimo do círculo corrupto do prefeito para fazer do veículo porta-voz dos próprios interesses – seja usá-lo como instrumento político a favor do colega, seja abafar a investigação em torno de um acidente relacionado à família. O periódico, apontado como último reduto de independência jornalística da região, enfrenta crise financeira a ponto de as máquinas de impressão falharem com frequência.

A narrativa estrutura dois polos antagônicos ocupados por políticos e empresários endinheirados, de um lado, e pela redação, do outro – reprodução do confronto entre patronato e trabalhadores – e tem no centro do confronto os limites da ingerência sobre a linha editorial da publicação. A dinâmica da história mostra como o poder desequilibra a disputa, coloniza o jornalismo e desafia a integridade tanto da instituição quanto dos profissionais.

O conflito produz situações típicas das redações contemporâneas – e bem familiares aos jornais brasileiros: a formulação de dossiês para incriminar adversários, o abafamento de temas contrários aos desejos do dono, a demissão de jornalistas críticos à linha editorial ancorada na prevalência do interesse privado sobre o público.

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A abordagem das nuances em torno dessas práticas enriquece o seriado ao mostrar como a conduta dos jornalistas e dos poderosos influencia e é suscetível a implicações da esfera familiar, afetiva e particular. A disposição deixa flagrantes contradições éticas de quem defende a notícia no trabalho, mas vaza informação quando interessa ao parente ou é flexível com o rigor da apuração a depender do tema da reportagem.

Outro ponto bem explorado pela série é a fragilidade da submissão dos jornalistas aos patrões para ascender na carreira – em geral, marcada pela supressão dos princípios jornalísticos em favor da adesão acrítica à diretriz do chefe. A sujeição justifica, em parte, o crescimento na hierarquia da empresa. Com um dano colateral: o alinhamento enterra a pluralidade editorial, compromete a busca pelo contraditório, privilegia a versão da corporação e torna homogênea a informação – práticas recorrentes no Brasil, onde cinco famílias controlam os principais grupos de mídia e tentam inibir fontes jornalísticas divergentes.

A resistência à intervenção não escapa à série. E se escora justamente na internet como espaço alternativo ao rolo compressor da mídia convencional – embora os limites éticos sejam colocados à prova em sites cujos conteúdos prezam mais pelo clique e menos pela relevância da informação.

A zona de permanente conflito ético e profissional é reforçada pelas atuações corretas e pela construção de personagens complexos, ambíguos, incoerentes, carregados de pragmatismo e familiarizados com a rotina real do jornalismo. Eles são apresentados sempre com nervos à flor da pele, espremidos entre a tensão do trabalho e os problemas particulares – e tensionados a consumir sexo e álcool como escapismo aos problemas cotidianos, embora o clichê etílico associado à profissão seja um tanto exagerado.

O enquadramento nervoso da câmera, trêmula a todo momento, e o slow motion usado em determinados trechos – além da captação do rosto de um ator diferente a cada capítulo com expressão de desespero e imerso na água – ampliam a alternância entre estados de turbulência e introspecção, apesar de os recursos da filmagem serem mais presentes do meio para o fim da série.

A atenção dedicada à faceta pessoal dos personagens humaniza a abordagem do assunto e introduz as particularidades de cada indivíduo como ângulo de observação significativo para a compreensão da trama e das reflexões sobre a própria prática jornalística. Situações de convivência, como namoros e amizades, ou sentimentos latentes, como egoísmo e inveja, assumem papel-chave sobre a conduta e dialogam com as pressões inerentes ao ambiente profissional – assim como ocorre fora da tela.

O realismo das situações apresentadas na produção deriva diretamente da experiência vivida pelo autor, Ivica Rijeka, jornalista e ex-editor de um jornal independente comprado por um milionário interessado em intervir na linha da publicação. A primeira parte se debruça sobre a mídia. As restantes, sem previsão de estreia, têm mira já definida: a política e o judiciário.

Mas o drama deve permanecer circunscrito aos dilemas enfrentados pelo jornal como metáfora para a reflexão sobre o papel da imprensa. Os próximos capítulos, na verdade, têm potencial para ajudar a compreender a situação na qual se enfiaram os veículos de mídia da atualidade – afinal, como prova o Brasil pós-golpe, é impossível separar a prática jornalística dos tentáculos da justiça e da política.

Excelente série, em ritmo bem coordenado e conteúdo certeiro sobre o dia a dia dos jornalistas, com todas as angústias inerentes ao ofício. Recomendo.

Manifesto assinado por 400 advogados acusa Moro de abuso de autoridade

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Um grupo de cerca de 400 advogados divulga nesta quarta-feira (2/5) um manifesto em defesa dos advogados Antônio Carlos de Almeida Castro (Kakay) e Diogo Malan. Eles defendem o brasileiro Raul Schmidt, detentor de nacionalidade portuguesa, que teve uma ordem de extradição emitida pelo Ministério da Justiça e depois cassada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

O juiz Sergio Moro, titular da “lava jato” em Curitiba e que toca as investigações contra Schmidt, se recusou a cumprir a decisão do TRF-1 e acusou os advogados de omitirem informações ao tribunal para induzir a uma decisão favorável.

O Tratado de Extradição entre Brasil e Portugal estabelece que é inadmissível a extradição quando a pessoa reclamada for “nacional da Parte requerida”.

Moro se referia a um Habeas Corpus impetrado no Superior Tribunal de Justiça que ainda não havia sido julgado.

Kakay e Malan demonstraram, no entanto, que a cópia da petição inicial foi enviada ao TRF-1 junto com o pedido de suspensão da extradição e que o tribunal cassou a ordem por entendê-la ilegal, e não por ter sido manipulado.

Todas as decisões, tanto a de Moro quanto a extradição e sua cassação, foram cassadas pelo STJ.

De acordo com o ministro Sérgio Kukina, só o STJ pode julgar pedidos contra atos de ministérios.

O caso ainda não teve desfecho. Mas, de acordo com os advogados que assinam o manifesto, Moro cometeu abuso de autoridade por tentar desqualificar a defesa de um investigado que vai julgar depois.

“A escalada de desprezo pelo direito de defesa e pela própria advocacia alcança agora outro patamar”, diz o texto.

Depois que Moro “orientou” a Polícia Federal a descumprir a decisão do TRF-1, o presidente do tribunal, desembargador Ney Bello Filho, acusou o magistrado de se deixar contaminar pela vaidade.

“Inimaginável, num Estado Democrático de Direito, que a Polícia Federal e o Ministério da Justiça sejam instados por um juiz ao descumprimento de decisão de um tribunal, sob o pálido argumento de sua própria autoridade”, escreveu o desembargador.

Leia a nota:

As entidades representativas da classe e os advogados abaixo assinados, em defesa das prerrogativas da advocacia, vêm de público lançar um grave alerta em vista de decisão do juiz federal Sergio Fernando Moro, que determina expressamente que as autoridades envolvidas num processo de extradição desconsiderem liminar concedida pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região e prossigam com a tramitação da sua ordem.

Afirma que os advogados omitiram informação para poderem obter tal liminar.

O referido magistrado, em uma só assentada, ofende a jurisdição do tribunal, os advogados de defesa e ultrapassa seus deveres funcionais como magistrado.

A 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região manifestou em nota pública “[ser] inimaginável, num Estado Democrático de Direito, que a Polícia Federal e o Ministério da Justiça sejam instados por um juiz ao descumprimento de decisão de um tribunal, sob o pálido argumento de sua própria autoridade”. É inimaginável, ainda, acrescentamos, que um magistrado se utilize dos autos do processo para colocar em dúvida a ética profissional dos advogados de uma das partes, sem qualquer fundamentação.

É preciso reafirmar, alto e bom som, que o advogado é indispensável à administração da Justiça, a ele é garantido tratamento igualitário perante os demais agentes do sistema, seja o membro do Ministério Público, seja o próprio magistrado, tudo como garantia do pleno exercício de sua atividade profissional na defesa dos direitos e garantias individuais daqueles que representa.

A escalada de desprezo pelo direito de defesa e pela própria advocacia alcança agora outro patamar, que precisa ser derrubado antes que possa se estabelecer como praxe.

A criminalização da advocacia pelo magistrado que deveria conduzir os autos com imparcialidade e isenção configura-se abuso de autoridade, desvio de função e, se não incontroversamente contido, dá impulso aos cada vez mais frequentes abalos que afetam pilares fundamentais do Estado de Direito.

Rendemos nossas homenagens aos advogados Antonio Carlos de Almeida Castro (Kakay) e Diogo Malan, ofendidos em seu ofício, e instamos as autoridades de controle do Judiciário a assumirem seu papel institucional.

É preciso conter de imediato o avanço de posturas voluntaristas e autocráticas no Judiciário, que poderão ter um custo insolvável à democracia no Brasil.

(Transcrito do DCM)

Gente que ganha muito querendo ganhar mais ainda

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“Vejam esses pobres homens e mulheres, bem vestidos, porém maltrapilhos: lutam pelo justo auxilio-moradia! Quem recebe 30 mil no Judiciário precisa de ajuda!
Chega de Bolsa-Família e casinha para falsos miseráveis iguais aos que morreram no incêndio Paulista!
Non ducor, duco!”
(Rodrigo Vianna, via Twitter)

A solidão do goleiro

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O goleiro Sven Ulreich, do Bayern, sentado no gramado após o jogo de ontem no estádio Santiago Bernabeu. Sozinho, abandonado em campo pelos colegas, ele foi o último a deixar o campo enquanto os espanhóis do Real Madri faziam a festa pela classificação à final. Autor de falha monumental, ao não conseguir cortar uma bola recuada, Ulreich deve estar balbuciando até agora: “Não consigo entender. Não sei o que aconteceu comigo. Não há explicação”. Coisas da vida de goleiro, a figura mais solitária do futebol.

Centroavante paulista é aposta do Leão para resolver o jejum de gols

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Em situação ruim na classificação da Série C, o Remo contrata o centroavante Eliandro, 28 anos, para tentar resolver o problema do ataque, que conseguiu fazer apenas um gol na competição – Isac, de pênalti, contra o Globo.

O centroavante disputou o Campeonato Paulista pela Ferroviária-SP, atuando em sete jogos sem marcar gol. Tem passagens por times como Cruzeiro, Sport, América-MG, Bragantino e Guarani. Pelo Bugre campineiro, teve sua melhor temporada, fazendo muitos gols e ajudando na conquista do acesso à Série B em 2016.

Eliandro chega ao Leão para disputar uma posição que tem o criticado Isac como titular. Marcelo é o outro jogador de centro de ataque. O novo reforço remista chega nesta quinta-feira para fazer exames, assinar contrato e ser oficialmente integrado ao elenco.

Papão contrata ex-lateral do Inter

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O Paissandu deve anunciar oficialmente nesta quinta-feira a contratação do lateral-esquerdo Carlinhos, 30 anos, ex-Internacional e Fluminense. O atleta está em Belém desde segunda-feira, 30, integrado ao elenco e realizando exames médicos e teste físico de condicionamento. Se for aprovado nos exames e na avaliação física, atleta assina com o Papão para a disputa da Série B do Brasileiro.

Revelado pela base do Santos, e com passagens pelo Cruzeiro, Fluminense, São Paulo e Internacional, Carlinhos chega ao Papão para disputar a vaga de titular com Mateus Miller e Victor Lindenberg. As atuações pouco convincentes de Miller apressaram a busca por um outro lateral-esquerdo.

Com características ofensivas, Carlinhos é especialista em cobranças de falta e foi durante sua passagem pelo Flu e S. Paulo considerado um “lateral artilheiro”.