Rafael Bastos é novo reforço do Remo

Divulgação-Buriram-United

A diretoria do Remo anunciou neste domingo a contratação do meia Rafael Bastos, 33 anos, como novo reforço para a campanha na Série C. Rafael é carioca e acumula passagens por clubes conhecidos, como Chapecoense, Figueirense, Bahia, América- MG e Vitória. Tem experiência internacional, com atuações por clubes de Romênia, Japão, Portugal, Arábia Saudita e Bulgária. Seu último clube foi o CRB, onde disputou a Série B.

O jogador chega com o aval do técnico Givanildo Oliveira, com quem trabalhou em 2016, quando o América-MG conquistou o Campeonato Mineiro da temporada. Rafael se apresenta ao Remo na terça-feira. Realizará exames e depois assinará contrato.

Censura de ‘Deadpool 2’ é a melhor coisa que podia acontecer

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Por André Forastieri, no portal Terra

Nos últimos anos, as liberdades no Brasil têm sido cada vez mais atacadas. Inclusive a liberdade de expressão. Mas não só. Grupos organizados estão lutando contra nossa liberdade de se informar, de se educar, de se expressar. E até de se divertir. É gente querendo censurar a educação nas escolas, como faz o movimento Escola Sem Partido.

É gente querendo censurar qualquer manifestação política que fuja do que eles acham bonito. É gente boicotando palestrantes, tentando calar a boca dos outros à força. Isso vai além da direita e da esquerda. Aliás, muita gente que se diz “liberal” ou “progressista”, no que se trata de censura, é igualzinho: censor.

Em 2017, uma exposição sobre sexualidade, patrocinada por um grande banco, foi alvo de muitas críticas, porque seria “blasfema”. Acabou sendo interrompida. Foi mais um caso do Brasil se rendendo à censura, no caso ao fundamentalismo religioso.

Mas sabe como é: perseguição dos outros não importa. Só importa quando chega à gente.

Agora chegou num grupo que gosta muito de ter liberdade, mas que geralmente ainda não aprendeu que liberdade não é uma coisa que a gente tem. É uma coisa que se conquista, se arranca de quem quer nos aprisionar. E depois tem que ser defendida com unhas e dentes, cotidianamente, para sempre.

E foi assim que o Ministério da Justiça, nesse país tão injusto, de tantas maneiras, decidiu que nenhum menor de idade poderá ver Deadpool 2. Nem acompanhado dos pais.

Assim, o governo federal ataca não só a liberdade dos jovens, mas a liberdade de seus pais. Diz, em resumo, que eu, pai, não tenho direito de mostrar determinadas coisas para meu filho.

Eu vi no cinema todos os filmes da Marvel com meu filho, desde que ele tinha quatro anos, o primeiro Homem de Ferro. E inclusive o primeiroDeadpool . Eu ia comprar hoje ingresso para Deadpool 2, quando soube de mais esse ato autoritário desse regime que nos foi imposto.

Isso é especialmente patético, nesses dias digitais, em que qualquer garoto pode baixar o filme na hora da internet e ver o que quiser. Mas também achei útil. De uma certa maneira, a melhor coisa que podia acontecer.

Porque agora, o crescente cerceamento da liberdade que o Brasil vive ficou explícito para os adolescentes de elite, que é quem tem dinheiro para ir ao cinema, para pagar pipoca e refrigerante caro.

Agora, não tem como eles fazerem de conta que o problema é dos outros. Agora, a censura passou a ser problema deles. (e, claro, dos pais deles, como eu, que queriam curtir junto com os filhos o besteirol de Deadpool ).

O primeiro passo para derrotar um inimigo é reconhecer que ele existe, está aqui, é perigoso e nos está causando dano. A censura é insidiosa, é um vilão maquiavélico, que vai enganando as pessoas que está fazendo o bem, que vai dominando a situação. Não é Thanos. É Loki.

E dependendo de quem for eleito esse ano para presidente, e para o congresso, a censura vai aumentar. E vai aumentar muito.

Derrotar o autoritarismo é a missão de todo herói. Agora é dos garotos e garotas que não podem ver Deadpool 2. Quem sabe, a sua.

Para confirmar a evolução

POR GERSON NOGUEIRA

O Remo que jogou (e venceu) domingo em João Pessoa mostrou, pela primeira vez nesta Série B, o espírito de destemor que lhe garantiu a conquista do Campeonato Paraense, impondo-se ao maior rival nos quatro clássicos realizados. O torcedor andava sentindo falta, estranhando até, a lerdeza com que o time se apresentava na competição nacional, abrindo a guarda para adversários menos qualificados e comportando-se de maneira acanhada sempre que jogava longe de seus domínios.

A postura determinada e firme como reagiu à desvantagem inicial, em terreno inimigo, fez justiça à valentia que foi a grande arma azulina no torneio estadual. Como a equipe não é um primor de qualidade técnica, precisa compensar isso com muita entrega e transpiração. Quando se deixa vencer pela acomodação, vira presa fácil em qualquer circunstância.

Aliás, nenhum time consegue sobreviver no futebol ultracompetitivo dos nossos se não tiver disposição para a luta. Mesmo os mais aquinhoados com virtudes técnicas não podem menosprezar o valor do esforço para a conquista de espaços em campo.

Por tudo isso, o jogo desta noite contra o Confiança, no estádio Jornalista Edgar Proença, reserva à torcida justificada esperança de evolução por parte da equipe de Givanildo Oliveira. Sem Jaime, contundido, a mais provável alternativa para completar o ataque é o ágil Gabriel Lima (foto), que marcou um gol contra o Botafogo-PB na volta ao time.

Rápido, inquieto, driblador e afeito ao jogo dentro da área, Gabriel é daqueles atacantes com recursos preciosos e tende a crescer caso incorpore algumas lições básicas para o êxito no futebol. No caso específico, é fundamental não confundir oportunismo com afobação.

Isso vale, principalmente, para as decisões na zona de finalização. Em várias ocasiões – inclusive no célebre jogo contra o Santos, em Macapá, pela Copa Verde 2017 – Gabriel mostrou presença de área, senso de colocação para estar aonde a bola chega, mas falhou terrivelmente na escolha do golpe final.

Ou pegava muito forte na bola quando o correto seria deslocar o goleiro ou vice-versa. Saiu daquela partida com o peso das críticas pelos cinco gols desperdiçados, não por omissão, mas por excesso de vontade. Assim como para os toureiros, saber dosar a ansiedade é um dos predicados mais visíveis nos grandes atacantes.

Sob a orientação de Givanildo, sempre meticuloso e observador, Gabriel tende a progredir tecnicamente, transformando talento em resultado prático. O jogo contra o Botafogo genérico já mostrou um pouco dessa evolução.

Detive-me na avaliação do papel de Gabriel no ataque do Remo por entender que ele, mais até que Elielton (também ameaçado de veto por contusão) e Isac, é o jogador talhado para surpreender e abrir defesas.

Não se pode esquecer que até recentemente o Remo pecava justamente por ser um time previsível ofensivamente, com um centroavante fixo e dois ponteiros abertos. Gabriel subverte esse planejamento de jogo, pois flutua por todos os lados do ataque, dificultando a marcação. Esse aspecto certamente não passa despercebido ao matreiro Givanildo.

Contra um visitante sempre difícil de ser batido – da última vez, em 2017, empatou com o Remo no Mangueirão fazendo dois gols em dois minutos –, os cuidados com a marcação precisam ser redobrados. Leandro Brasília e Dudu mostram-se mais afinados e, com isso, tem havido mais tranquilidade para a última linha.

O jogo deve ser tão problemático para o Remo como foi o do Santa Cruz. A vantagem é que agora o time conta com mais confiança e recursos para furar o bloqueio defensivo do adversário.

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Uma análise mais fria sobre a final da Copa Verde

Quem se deu ao trabalho de observar, comparativamente, Papão e Atlético-ES na final da Copa Verde deve ter se impressionado com os erros primários cometidos pelo time capixaba na partida. Falhas de coordenação entre zagueiros e alas, nervosos ao extremo, resultando em bolas que escapavam constantemente ao controle e saíam pela linha de lado.

O goleiro Bambu não encaixou uma bola durante todos os 90 minutos. Saía, de maneira estabanada, socando qualquer cruzamento, até mesmo quando tinha a proteção de seus defensores. Evidência clara de um time inseguro e vulnerável.

Curiosamente, o Papão facilitava a vida do visitante, chutando pouquíssimas vezes em direção ao gol e insistindo nos cruzamentos sem direção. Mesmo com toda a pobreza técnica, o Atlético deu uma escapada pela direita e chegou ao gol num cochilo geral da defesa paraense.

A desatenção é prima-irmã da desgraça, principalmente em decisões. Com a desvantagem, os erros passaram a ser primários também do lado bicolor e quase ninguém parava para analisar o absurdo da situação. O Atlético é um time de Série D. Não apenas isso, um time limitado até para a Série D.

É preciso considerar que o clima de festa pode ter influenciado no desempenho dos bicolores, que tinham a vantagem expressiva da vitória no jogo de ida (2 a 0). Ainda assim, fica difícil aceitar que um time com o preparo que a Série B exige se deixe desnortear por um amontoado de jogadores do outro lado.

Quando Pedro Carmona entrou e concretizou a jogada mais lúcida, aproveitando uma situação para finalmente chutar no gol, fez-se a luz. O golaço caiu do céu e atenuou a impressão ruim deixada pelos campeões, quase amargando uma derrota inesperada diante de 35 mil torcedores.

Triunfos costumam obscurecer defeitos e amplificar virtudes. O Papão venceu merecidamente a CV, mas, na condição de time que luta pelo acesso à Série A, não pode aceitar como normal o sufoco que foi empatar em casa com o modesto Atlético.

Para levantar o troféu, o PSC ganhou seis das oito partidas, empatando duas, contra adversários de 4ª divisão ou sem série. A conquista é importante (e lucrativa), mas não podia jamais terminar de outra forma. O título era, sim, obrigação.

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda o programa, a partir das 21h, na RBATV, com participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Tudo sobre os jogos de fim de semana dos clubes paraenses nas séries B, C e D, além de sorteios para os telespectadores.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 20) 

O novo calvário de Zé Dirceu revela muitos de nossos erros

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Por Renato Rovai, na Revista Fórum

Zé Dirceu se entregou ontem pra cumprir mais 30 anos prisão realizando todos os rituais que lhe foram impostos pela justiça. Mesmo assim foi jogado na porta de trás de um camburão e tratado como um criminoso perigoso. Um tratamento absurdo, ainda mais porque tem mais de 70 anos.

Ou seja, mais um lamentável episódio do golpe vivido no Brasil que é conduzido por um judiciário que trata de forma absurdamente distinta uns e outros.

Aécio continua dando seus pulos no Senado, Paulo Preto foi solto e isso garantiu a tranquilidade de Serra, Alckmin e Aloysio Nunes. Temer permanece presidente a despeito de provas robustas contra ele. Mas Zé Dirceu foi novamente preso e humilhado.

E esta foto precisa ser estudada em retrospectiva, porque ela explica em boa medida o que estamos vivendo.

Quando Zé Dirceu, Genoíno e João Paulo Cunha foram presos (pra ficar só nos três) no episódio caracterizado como mensalão, Lula e outros que hoje estão sendo vítimas do Estado judicial fizeram muito menos do que deveriam para defendê-lo.

Este é um dado da realidade e que deve ser debatido não pra lavar roupa suja, mas para que se entenda como se processam Estados autoritários e golpes e como governos progressistas devem lidar com isso.

Dali em diante continuou-se a nomear ministros do Supremo como se estivéssemos em tempos normais, manteve-se a independência da PF e do MP sem limitá-la a controles sociais e foi mantida a lógica das alianças em termos semelhantes aos anteriores.

E tudo com Zé Dirceu e outros importantes líderes do PT presos. Era o preço a pagar, diziam alguns quando questionados.

O preço a pagar na verdade é o que está se pagando hoje. E Zé Dirceu volta ao cárcere novamente sem que haja qualquer comoção ou disputa.

Sozinho, jogado na parte de trás de um camburão, sem poder sequer levantar a sua mão e sair altivo na foto como o fez da vez anterior. Mas a sua altivez e dignidade não ficaram menores por isso. E provavelmente a história ainda lhe fará justiça. Mas Zé Dirceu não merecia isso.

E esta foto revela muito do que se tornou a justiça e o sistema policial brasileiro, mas também é um retrato histórico da incapacidade de resistência do campo progressista brasileiro, que permitiu Zé Dirceu ir a um calvário injusto quando foi preso pela primeira vez.

Golpe calça chuteiras e escala Tite para seguir na batalha

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Por Wilson Roberto F. Vieira, no blog Cinegnose

 

Vista em perspectiva, a intervenção norte-americana no Brasil por meio da estratégia de guerra híbrida (guerra semiótica implementada pelo complexo jurídico-policial-midiático com apoio logístico e de inteligência dos EUA) teve dois propósitos bem definidos: primeiro, o golpe político – o impeachment, nova modalidade de golpe sem mais traumáticas imagens de tanques de guerra cercando o Congresso ou um presidente  com quepe estrelado discursando para a TV, e a inviabilização de um candidato de esquerda por meio da pesada artilharia do chamado “lawfare”.

E segundo, a conquista dos corações e mentes: fazer a choldra, que olha para tudo até agora bestializada, acreditar na ideologia do mérito-empreendedorismo da nova ordem neoliberal imposta ao País – diante da perda das garantias trabalhistas e sociais e por meio de pitacos ideológico-motivacionais, incutir nas massas a fé de que, daqui em diante, é cada um por si pelo próprio mérito e esforço empreendedor. E o salto de fé de que, um dia, a força de trabalho magicamente se converterá em capital.

Da mesma forma como na Copa do Mundo de futebol de 1970 (em pleno início do golpe militar e dos anos de chumbo de perseguições e tortura), na qual a ordem militar calçou as chuteiras dos “90 milhões em ação, prá frente Brasil!”, também o atual golpe político que promove a guerra semiótica também calça suas chuteiras.

Neste momento, a palavra de ordem é mostrar uma nação unida, brasileiros “com muito orgulho e com muito amor”, entusiasmo, felicidade e inspiração. E muitos pitacos motivacionais do técnico Tite em vídeos publicitários do banco Itaú.

Para aqueles que ainda duvidam sobre estarmos em plena guerra semiótica ou de que o País continua alvo de uma guerra híbrida cuja logística poderá colocar em xeque as eleições desse ano (se as coisas nãos seguirem o script previsto pela banca), uma prova é fazer um comparativo das campanhas publicitárias de duas copas do mundo de futebol: a de 2014 e a desse ano. Lá em 2014 vivíamos o auge de uma pesada guerra semiótica que pretendia desestabilizar o governo Dilma Rousseff (o clima do “não vai ter Copa” + Lava Jato).

E agora em 2018, a luta midiática pela estabilização da Nova Ordem – Lula preso, a inviabilização de um candidato de esquerda (só esperam a definição do candidato para a artilharia lawfare ser acionada) e a catequização diária dos valores do mérito-empreendedorismo para a massa de desempregados e aqueles inseguros com o emprego que ainda possuem.

Em 2014, as campanhas publicitárias eram polissêmicas, ambíguas, explorando um duplo sentido: entre o tradicional ufanismo da pátria de chuteiras e a incitação das mobilizações de rua do “Não Vai Ter Copa!” e contra o governo federal.

Bem diferente, hoje vemos um clima publicitário semioticamente unívoco, assertivo, com um único sentido: a necessidade da Nação ficar unida, esquecer as diferenças e torcer pela Seleção. Um incômodo déjà vu que lembra as amargas atmosferas do anos de chumbo das copas de 1970, 1974 e 1978 – cuja Seleção chegou até a contar como um técnico militar, Cláudio Coutinho, capitão que se graduou na Escola de Educação Física do Exército.

Não foi por acaso que, assim como o juiz Sérgio Moro (arma do lawfare da atual guerra híbrida), Coutinho fez cursos nos EUA.  A diferença é que foi na área de preparação física com Kenneth Cooper (idealizador do famoso método de avaliação física), chegando a frequentar o Laboratório de Estresse Humano da NASA – afinal, o futebol fez parte do aparato ideológico dos governos militares.

Campanha polissêmica em 2014

Olhando em conjunto anúncios e vídeos publicitários é nítida a intenção polissêmica das criações que antecederam a Copa do Mundo no Brasil: um misto de festa e agressividade, alegria e raiva. E torcidas que ora parecem as tradicionais torcidas organizadas de futebol, ora manifestantes que saem às ruas para protestar. E tudo é reforçado com alusões aos icônicos “cara pintadas” das manifestações (cores verde e amarelo pintadas no rosto) pelo impeachment de Collor em 1992.

Punhos fechados, gritos com dentes acirrados, gente gritando com fisionomias ambíguas entre alegria e raiva e massas de torcedores que ocupam ruas com mais punhos fechados, gritos e bandeiras. Praticamente, as peças publicitárias eram extensões das imagens dos telejornais de manifestantes nas ruas gritando “não vai ter Copa” e exigindo “padrão Fifa” para educação e saúde.

Em outras palavras: vendo em perspectiva a semiótica publicitária daquele momento, tudo parecia a prévia dos ícones que iriam tomar conta da midiosfera dos anos subsequentes: batedores de panela com camisetas da CBF, esgarçando os dentes e fechando os punhos.

Itaú e Boticário vão à luta

Duas campanhas foram emblemáticas: a do Itaú e do Boticário. A do representante da banca financeira (interessada em criar a cortina de fumaça do discurso anticorrupção para esconder o fator dos juros altos na atual crise) criou o “Hino da Copa do Mundo” composto e dirigido por Jair Oliveira e Simoninha e cantado por Paulo Miklos e Fernanda Takai. Um vídeo-clip que agora se repete em 2018, porém com outra edição bem sintomática.

Lá na versão de 2014, o foco são torcedores saindo de casa e tomando as ruas. Muitos jovens correndo pelas ruas num conjunto de cenas com claras alusões às imagens dos protestos que tomavam conta dos telejornais naquele momento. Com direito a um skatista com gestalt de black bloc. Mais punhos fechados e gritos. Há uma ambiguidade clara entre festa e torcida se contrapondo à tensão e protesto reforçado pelos signos dos gritos, rostos franzidos e punhos fechados para o alto.

Na atual versão do vídeo-clip Itaú do “Hino da Copa do Mundo” tudo mudou:  vemos os músicos no estúdio numa metalinguagem da gravação da música. A atmosfera é de calma, leveza, concentração e união dos músicos. Com letterings se sobrepondo as imagens nos quais se ressalta a “união”, “coração”, “todos juntos”, “alma verde-amarela” etc.

Veja os dois vídeos abaixo e compare:

Quando as imagens dos torcedores aparecem não há mais ruas tomadas pelas massas.  Na verdade, elas estão agora ocupando campos, áreas arborizadas, montanhas, rios e natureza. Os closes são agora em bandeiras. Não há mais os planos abertos do alto mostrando massas humanas de torcedores/manifestantes ocupando as ruas.

Em 2014, o Boticário também foi à luta com a “Coleção Torcida Linda”. Mais gente nas ruas, dessa vez mulheres lindas e perfumadas. Tendo ao fundo mais torcedores/manifestantes com punhos fechados e erguidos no ar. O ar é de leveza, mas a modelo leva as mãos em concha para a boca, como se preparasse para gritar/manifestar.

A preleção de Tite para os desempregados

No ano de 2014 víamos nas peças publicitárias torcedores ocupando muito mais as ruas do que estádios. Agora em 2018 temos o inverso: torcida no estádio e muitos closes em bandeiras e rostos não mais tensos e com dentes acirrados. Agora todos com olhos bem abertos e sorrisos. No vídeo do Itaú, agora as ruas estão vazias. A torcida foi para o estádio. Os rostos agora estão limpos. Sem mais a maquiagem dos cara pintadas que dominava as campanhas de 2014.

Mas se as ruas foram pacificadas, agora precisa-se conquistar os corações e mentes com o ideário mérito-empreendedor. Nada melhor do que um misto de personal coaching  e pastor motivacional: o técnico da seleção Tite.

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Ele fala de “resgate de valores” com “determinação e trabalho duro”. Depois que os corruptos foram presos (aqueles que querem ganhar dinheiro no mole, sem mérito, trabalho e determinação), instaurou-se a Nova Ordem: a da Meritocracia, com uma preleção de Tite para todos os brasileiros. Ele fala que “tudo que é passado é História”, superar o medo, termos coragem para “lutar, retomar e recuperar”… mesmos com os juros escorchantes da banca representada pelo Itaú.

Portanto, a guerra semiótica calçou a chuteira nessa Copa ao assumir uma dupla função: no campo político, pacificar as ruas com a ideia de união e nação; e no campo ideológico, enfiar à fórceps em corações e mentes a preleção de Tite. Para nos fazer acreditar que desemprego não é crise. É oportunidade para virarmos todos empreendedores.

Mas, e se o script sair do controle? E se as ruas, agora vazias, forem ocupadas novamente e a “grande esperança branca” não for um candidato forte que potencialmente vença um candidato à esquerda?

Bom, então teremos o Plano B, o grande álibi para um golpe dentro do próprio golpe: um Estado de exceção para combater o suposto novo inimigo interno pós-prisão de Lula – o crime organizado, aquela “facção criminosa” que a grande mídia não ousa dizer o nome: o PCC.

Sinais ou “balões de ensaio” já começam a despontar: a estranha enquete do tucano telejornal “Jornal da Cultura”, prontamente apagado do Tweter após reações negativas contra o post:

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E a escalada de notícias nos telejornais sobre execuções de policiais por criminosos tanto no Rio quanto em São Paulo. Um golpe tão milimetricamente planejado que, até aqui, não sofreu nenhum tipo de revés. Sabe que diante das ruas vazias e do auxílio luxuoso da grande mídia há uma grande margem de manobra para a criação de álibis, pretextos e crises que justifiquem uma nova virada de mesa.

A esquerda precisa urgentemente de um Goebbels!