Símbolo da raça alvinegra, Bruno Silva completa 100 jogos no Fogão

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Destaque da Chapecoense na Série A de 2015, o volante Bruno Silva chegou para reforçar o Botafogo no começo da temporada de 2016. De lá para cá, o clube carioca fez 126 partidas somando amistosos e competições oficiais. O incrível é que Bruno Silva esteve presente em 100 desses compromissos, ou seja, em 80% dos jogos do Fogão.

A centésima partida de Bruno Silva teve um gosto especial para o camisa 8, afinal, de virada, o Botafogo superou o Coritiba por 3×2 em pleno o estádio Couto Pereira. Com o resultado positivo, o time da estrela solitária entrou no G-6 da Série A e novamente Bruno Silva contribuiu para o resultado positivo com uma assistência, a décima dele pela equipe alvinegra.

“Foi um resultado importantíssimo, que nos colocou no grupo de classificação para Libertadores, que é uma meta do clube para o próximo ano. Nosso time entendeu e gostou muito de participar da competição neste ano, foi uma bela campanha, e para 2018 queremos e temos condições de irmos ainda mais longe. Esse grupo merece”, garantiu Bruno Silva, que tem no Avaí o clube que mais defendeu na carreira com 130 compromissos.

Bastante identificado com o clube e a torcida, Bruno Silva não esconde a emoção de estar escrevendo uma bonita história com a camisa botafoguense. “Vivo meu melhor momento da carreira e fico feliz e honrado de estar sendo no Botafogo, uma camisa tão grande e respeitada no futebol mundial. Quero continuar tendo uma boa passagem por aqui e escrever mais capítulos bonitos dessa história”, enfatizou o camisa 8.

Com a camisa botafoguense, Bruno Silva não é destaque apenas na presença constante entre os titulares. Mesmo sendo um volante, ele tem chamado atenção pela participação ofensiva. Além das 10 assistências, Bruno Silva já anotou 13 gols pelo clube carioca. “Eu tenho a cara desse time do Botafogo. Desde o trabalho com o Ricardo Gomes até agora com o Jair Ventura. Ambos sempre me deram muita moral e o jeito da equipe jogar é como eu gosto. Minha característica principal é a marcação e pegada e isso é símbolo desse Botafogo. Mas, futebol não é só defender, tem que atacar para buscar a vitória. Tenho essa liberdade de chegar mais a frente e estou sendo abençoado com gols e assistências”, finalizou.

Números de Bruno Silva pelo Botafogo:

100 jogos – 46 vitórias, 24 empates, 30 derrotas, 13 gols e 10 assistências

Com a corda no pescoço

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POR GERSON NOGUEIRA

O Papão começa hoje, contra o Guarani, a série de seis partidas decisivas em casa para afastar o risco de rebaixamento. Com 30 pontos, precisa de mais 16 pontos para garantir permanência na Série B. Nos confrontos dentro de Belém está a chave para resolver a situação. Depende exclusivamente das forças do time para superar os visitantes, tarefa que se tornou um fardo ao longo do campeonato deste ano, com um surpreendente índice negativo diante da Fiel torcida.

A vitória sobre o ABC, na 24ª rodada, quebrou um jejum caseiro de dois meses. Fez ainda com que o torcedor voltasse a acreditar na possibilidade de uma reação dentro do torneio. A atuação convincente do ponto de vista ofensivo reabriu perspectivas de um final de campanha mais tranquilo.

Ocorre que o desempenho bisonho diante do Goiás, no último sábado, trouxe de volta toda a desconfiança acumulada até agora e reacendeu os sinais de alerta tanto entre torcedores como na diretoria.

Não há manifestação oficial por parte do clube, mas as preocupações são crescentes e naturais, pois o time não se estabiliza. Ganha uma, perde outra logo em seguida, não permitindo que se distancie dos últimos colocados. Tudo isso com o campeonato entrando em sua reta decisiva, com definição de posições e afunilamento da briga pelo acesso e contra o descenso.

A presença de quatro clubes com 28 pontos aumenta bastante a pressão sobre os bicolores. Qualquer tropeço hoje à noite pode significar perda de posição na tabela. Curiosamente, o técnico Marquinhos Santos mantém o discurso da tranquilidade absoluta, como se a situação estivesse sob controle. Obviamente, não está. De um comandante sempre se espera serenidade, mas, a essa altura, não é possível mais esconder que a situação é perigosa.

Para um clube que investiu alto, contratando mais de 30 jogadores na temporada e pagando uma das folhas salariais mais robustas do torneio, o Papão cumpre campanha decepcionante até aqui. Sofreu 11 derrotas e tem um dos piores ataques da Série B – o 17º, com 25 gols, acima apenas de CRB, Náutico e ABC.

Em relação aos adversários, o time não chega a ser tecnicamente inferior. Elenco por elenco, o do Papão se encontra no mesmo nível da grande maioria. O problema talvez seja justamente esse: a equipe está perdida na multidão e não consegue se sobressair.

Ainda há tempo de uma retomada, mas as dificuldades naturais da competição e o acirramento da disputa não permitem projeções otimistas. Paira, acima de tudo, o problema da ausência de confiabilidade do time. Marquinhos Santos tentou várias formações, mexeu no meio-campo, voltou com Diogo Oliveira e os ajustes não se encaixam.

Para o confronto desta noite, a escalação é praticamente a mesma das últimas partidas e o sistema é o 4-4-2, mas o Papão precisará sair da pasmaceira vista em Goiânia. A receita para mandantes em desespero é imutável: assumir as rédeas do jogo, buscar os lados e chutar bastante.

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Remo & Ramos: novela expõe questões maiores

Muita gente já dava como certo o fim do ciclo de Eduardo Ramos no Evandro Almeida. Notícias surgidas ontem indicam que a história do camisa 10 pode ter uma reviravolta. Parte da diretoria tende a concordar com a permanência do jogador – por achar que vale a pena ter um meia-armador de talento no time e também por não querer encarar problemas trabalhistas causados por acordos não cumpridos com o atleta.

O fato é que, 109 jogos depois, Ramos segue como um enigma difícil de decifrar. Foi campeão estadual em 2014 e 2015 e contribuiu para o acesso à Série C, mas enfrenta questionamentos junto ao torcedor pelos altos e baixos com a camisa remista.

Nas redes sociais e no blog campeão, posições divergentes quanto ao papel do camisa 10. Para Lopes Junior, a questão é mais em cima. “Sou favorável à manutenção de Eduardo Ramos no elenco, mas sou mais a favor ainda de uma profissionalização da gestão do clube, embora duvide que esta profissionalização ocorra logo, de modo a gerir com qualidade o futebol azulino já em 2018”.

Avalia que Ramos é um jogador que depende de estrutura mínima profissional “para render o máximo pelo tempo que se queira, ou por manter uma regularidade acima da média ao longo de todo um campeonato. A razão dos sucessivos fracassos azulinos não está nesse ou naquele jogador, mas na mais completa falta de profissionalismo para com o elenco, ou no que também é conhecido simplesmente como amadorismo”.

Para Lopes, Ramos é um jogador que se adaptou ao clube, à cidade e à torcida, e não deve ser desprezado. Ressalta que as sucessivas mostras de amadorismo ao longo deste ano indicam que isso não atrapalhava o clube enquanto os times do interior e de fora, considerados tecnicamente inferiores, não possuíam estrutura e planejamento equivalentes ao do Remo, há 10 ou 20 anos.

“Entendo que esse é o tamanho do atraso azulino – uma ou duas décadas –, em que muita coisa aconteceu e o clube perdeu o bonde da história. Quero dizer, o Clube do Remo não se modernizou, permanecendo nas mãos de dirigentes ultrapassados e com visão muito distante da realidade atual do mercado do futebol. E está pagando caro por isso”, finaliza.

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 26)

Ramos pode continuar no Leão

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A reformulação ampla que a diretoria do Remo pretende fazer no futebol do clube talvez não atinja o jogador mais caro do elenco. Eduardo Ramos, camisa 10 da equipe, com altos e baixos ao longo de seus 109 jogos com a camisa azulina, pode permanecer no Evandro Almeida para a próxima temporada. A maioria dos dirigentes é favorável à renovação do contrato com o jogador, cujo vínculo com o clube expira no fim de novembro.

Por enquanto, nenhuma negociação foi iniciada, mas a diretoria pretende chamar Eduardo Ramos para um acerto tão logo defina as demais situações no elenco. Até o momento, foram renovados os contratos dos goleiros Vinícius e Evandro Gigante. Nesta semana, o clube deve renovar com os jogadores Flamel, Jayme, Dudu e Martony, todos bem avaliados na campanha da Série C.

Ramos está no Remo desde 2014 . Marcou 26 gols em 109 partidas. Foi bicampeão estadual, em 2014 e 2015, além de ter sido figura importante na campanha de acesso à Série C em 2015.

Seis homens detêm a mesma riqueza que metade da população mais pobre

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Seis homens concentram juntos a mesma riqueza que os 100 milhões mais pobres do país, ou seja, a metade da população brasileira (207,7 milhões). São eles: Jorge Paulo Lemann (AB Inbev), Joseph Safra (Banco Safra), Marcel Hermmann Telles (AB Inbev), Carlos Alberto Sicupira (AB Inbev), Eduardo Saverin (Facebook) e Ermirio Pereira de Moraes (Grupo Votorantim).

Estes seis bilionários, se gastassem um milhão de reais por dia, juntos, levariam 36 anos para esgotar o equivalente ao seu patrimônio. Foi o que revelou um estudo sobre desigualdade realizado pela Oxfam.

O levantamento também mostrou que os 5% mais ricos detêm a mesma fatia de renda que os demais 95% da população. E que aqueles que recebem um salário mínimo (937 reais) por mês (cerca de 23% da população brasileira) teriam que trabalhar por 19 anos para obter a mesma renda que os chamados super ricos. Os dados também apontaram para a desigualdade de gênero e raça: mantida a tendência dos últimos 20 anos, mulheres ganharão o mesmo salário que homens em 2047, enquanto negros terão equiparação de renda com brancos somente em 2089.

Segundo Katia Maia, diretora executiva da Oxfam e coordenadora da pesquisa, o Brasil chegou a avançar no caminho rumo à desigualdade nos últimos anos, por meio de programas sociais como o Bolsa Família, mas ainda está muito distante de ser um país que enfrenta a desigualdade como prioridade. Além disso, de acordo com ela, somente aumentar a inclusão dos mais pobres não resolve o problema. “Na base da pirâmide houve inclusão nos últimos anos, mas a questão é o topo”, diz. “Ampliar a base é importante, mas existe um limite. E se você não redistribui o que tem no topo, chega um momento em que não tem como ampliar a base”, explica.

América Latina

Neste ano, o Brasil despencou 19 posições no ranking de desigualdade social da ONU, figurando entre os 10 mais desiguais do mundo. Na América Latina, só fica atrás da Colômbia e de Honduras. Para alcançar o nível de desigualdade da Argentina, por exemplo, o Brasil levaria 31 anos. Onze anos para alcançar o México, 35 o Uruguai e três o Chile.

Mas para isso, Katia Maia propõe mudanças como uma reforma tributária. “França e Espanha, por exemplo, têm mais impostos do que o Brasil. Mas a nossa tributação está focada nos mais pobres e na classe média”, explica ela. “Precisamos de uma tributação justa. Rever nosso imposto de renda, acabar com os paraísos fiscais e cobrar tributo sobre dividendos”. Outra coisa importante, segundo Katia Maia, é aproximar a população destes temas. “Reforma tributária é um tema tão distante e tecnocrata, que as pessoas se espantam com o assunto”, diz. “A população sabe que paga muitos impostos, mas é importante que a sociedade esteja encaixada neste debate para começar a pressionar o Governo pela reforma”.

A aprovação da PEC do teto de gastos, de acordo com Katia Maia, é outro ponto importante. Para ela, é uma medida que deveria ser revertida, caso o país realmente deseje avançar na redução da desigualdade. “É uma medida equivocada”, diz. “Se você congela o gasto social, você limita o avanço que o Brasil poderia fazer nesta área”. Para ela, mais do que controlar a quantidade do gasto, é preciso controlar o equilíbrio orçamentário e saber executar o gasto.

Além das questões econômicas, o cenário político também é importante neste contexto. “Estamos atravessando um momento de riscos e retrocessos”, diz Katia Maia. “Os níveis de desigualdade no Brasil são inaceitáveis, mas, mais do que isso, é possível de ser mudado”.

*Com informações do El País – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

De volta à zona de risco

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POR GERSON NOGUEIRA

O técnico Marquinhos Santos considerou normal a derrota para o Goiás, sábado, no Serra Dourada. Chegou mesmo a parabenizar seus jogadores pelo empenho demonstrado e evolução nos minutos finais. Ao invés de dar parabéns ao time, deveria se desculpar com o torcedor pelo futebol raquítico mostrado na maior parte do jogo contra um adversário que não vencia há sete rodadas e que não teve grande atuação.

Aliás, o começo do Goiás foi revelador da má campanha do time na Série B. Atrapalhado, o time não conseguia formular jogadas simples e errava muito nas tentativas de ataque. Apesar disso, o Papão passou o primeiro tempo inteiro sem dar um chute a gol, limitando-se a afastar os cruzamentos e tentar jogadas sem maior perigo para a defesa goiana.

Na verdade, o time paraense demorou mais de uma hora para ameaçar a meta do Goiás. É verdade que os comandados de Hélio dos Anjos também não demonstravam grande capacidade criativa, perdendo-se nas tentativas individuais de Tiago Luiz e na pouca mobilidade do ataque. O único chute foi dado por Aylon, longe do gol de Emerson.

No 2º tempo, a coisa mudou de figura. Ciente da importância do jogo, o Goiás se lançou à frente em busca do gol. Dos Anjos adiantou seus homens de meio e liberou os laterais para o apoio. Deu certo.

O primeiro gol surgiu de uma falta na intermediária. O cruzamento veio no primeiro pau, mas ninguém da zaga paraense se antecipou e o baixinho Tiago Luiz teve tempo para se abaixar e desviar de cabeça, no canto, sem defesa para Emerson.

Com a vantagem no marcador, o Goiás se animou em campo. Já não errava tanto e começou a ameaçar mais. O Papão, ao contrário, ficou ainda mais perdido, sem conseguir conectar meio-campo e ataque, e exibindo furos na marcação e no posicionamento da zaga.

Foi assim que nasceu o segundo gol. Cruzamento alto da direita para a esquerda do ataque goiano, de lateral para lateral. Carlinhos cabeceou com total liberdade, diante de três defensores do Papão, que se limitavam a olhar o lance. A bola tocou no chão e entrou no canto esquerdo.

Só a partir desse momento o time de Marquinhos Santos mostrou alguma disposição em se envolver no jogo, embora timidamente. Ergueu algumas bolas na área do Goiás até que, aos 37 minutos, um toque de Marcão chegou a Rodrigo Andrade dentro da área. O volante bateu de primeira, mandando para as redes e acrescentando tensão na reta final do jogo.

Ficou apenas na vontade. O Papão não tinha força e ânimo suficientes para uma reação. Já o Goiás se limitava a controlar as ações no meio, embora com certa dificuldade e visivelmente apreensivo nos últimos minutos.

Para quem buscava pelo menos o empate, a indigência ofensiva foi fator decisivo para a nova derrota, diante de um adversário direto na briga contra o rebaixamento. Com 30 pontos, a dois da zona fatal, os sinais de alerta se concentram agora nos seis jogos que o Papão fará em casa. (Foto: CRISTIANO BORGES/O Popular)

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Remo tenta agilizar escolha do novo técnico

Depois de confirmada a licença do vice Ricardo Ribeiro, o Remo vive a expectativa da entrada em cena dos novos dirigentes, à frente Milton Campos, Miléo Jr. e Abelardo Sampaio. Como Campos está em viagem à China, integrando a comitiva do governador, a posse do trio foi adiada. Antes, porém, ainda haverá nova rodada de negociação para definir os limites de ação do grupo dentro da gestão.

De qualquer maneira, o primeiro item da agenda azulina de final de ano é a escolha do técnico. Léo Goiano continua cotado, embora enfrente resistências na diretoria e entre os dirigentes que irão assumir. Entre os que defendem sua permanência, há a convicção de que foi o melhor treinador da temporada, mesmo pegando o bonde andando.

Pesam contra ele alguns erros cometidos na reta final da campanha, com escolhas erradas na escalação e o exagerado defensivismo mostrado em alguns jogos. Há o temor de que não tenha a envergadura necessária para enfrentar momentos de pressão, tão corriqueiros num clube de massa.

Na lista de técnicos lembrados no Evandro Almeida pontificam Paulo Bonamigo e PC Gusmão. Pelas ligações com o clube, Bonamigo leva mais chances. Está sem clube desde que saiu do Fortaleza e no começo deste ano chegou a ser lembrado como parte de um projeto que envolvia investidores de fora, mas que nunca chegou a ser oficialmente apresentado.

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Galo despenca e Micale sai de cena

Rogério Micale, campeão olímpico de 2016, não conseguiu ficar nem um mês à frente do Atlético Mineiro. Teve pouco tempo para trabalhar, não contou com reforços, mas passou imagem de um técnico frágil para o momento vivido pelo Galo.

A presença de atletas desmotivados e em má fase técnica em nada contribuiu para que ele pudesse se estabilizar. Com a derrota para o Vitória, ontem, no Horto, a crise se instalou de vez e é cada vez mais presente o medo do rebaixamento.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 25)

Galeria do rock

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Zak Starkey, pilotando a batera do The Who, foi uma das atrações secundárias do Rock In Rio. Experiente, aos 52 anos, o filho de Ringo Starr mostrou durante o show a competência e o vigor que fizeram dele um dos mais prestigiados bateristas do mundo. Em entrevista depois da apresentação, o cantor e compositor Pete Twonshend revelou que Zak foi influenciado diretamente por Keith Moon, lendário baterista do Who nos anos 60 e 70.

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Foi justamente de Moon que o garoto ganhou aos 8 anos seu primeiro kit de bateria, para desespero do pai, Ringo, que não queria vê-lo na profissão. Com o tempo, porém, o próprio beatle rendeu-se às evidências e passou a apoiar o filho, tornando-se um de seus entusiastas. Antes de entrar para o Who, em 2010, Zak já havia tocado com alguns importantes grupos e cantores do rock atual, incluindo Oasis, Johnny Marr, Spencer Davis Group e Noel Gallagher.

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The Who faz panorama da carreira em show impecável no Rock In Rio

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Depois de fazer seu histórico primeiro show no Brasil na sexta-feira, no São Paulo Trip, como headliner, o The Who fez o penúltimo show da programação de sábado no Rock in Rio com uma apresentação um pouco mais compacta, com três faixas a menos. Ainda assim, foi um panorama irrepreensível do rock britânico dos anos 1960 e 1970. Os veteranos Roger Daltrey e Pete Townshend mostraram vigor de moleques em um dos melhores shows da história do Rock in Rio.

Enquanto o telão exibia imagens de arquivo do grupo, fundado em 1964, com um efeito estilizado de fumaça que sugeria a viagem no tempo, ao lado de registros de época de casais mods ingleses com suas motos e lambretas, “Can’t Explain” e “Substitute” abriram a apresentação, que no geral se organizou cronologicamente. “Who are You” entrou num arranjo com piano mais sinuoso, e depois “The Kids are Alright” ganhou mais peso na guitarra de hoje de Townshend.

“Muitos de vocês não eram nascidos quando essa música foi escrita”, brinca o guitarrista quando introduz “My Generation”. Já virou lugar-comum lembrar que a banda sobreviveu a décadas de rock embora cantasse que preferia morrer antes de envelhecer, mas a piada resiste – não apenas segue tocando “My Generation”, como o The Who atualiza o seu maior hit com um arranjo um pouco mais dançante e com um rock displicente, como se improvisado, que no RiR arejou a música.

A partir de “Bargain”, de 1971, a banda entra na década seguinte de vez e Townshend começa a mostrar a que veio. Ele tem a delicadeza de dizer que a faixa, nem tanto conhecida do público, é a sua favorita da banda – uma tentativa de empatia que se repetiria até o final do show. O Who não cedeu ao populismo, mas conversou com o público, fez graça (Townshend brincava, “é agora que vamos tocar ‘Magic Bus’?”), e dizia que não era justo ele poder dançar e pular enquanto todo mundo se apertava na pista.

E Townshend, aos 72 anos, pulou como ninguém. Entre canções, fazia tipo, colocava a mão na bacia como se estivesse exausto, mas logo em seguida já dedilhava girando os braços de novo, em seu movimento de efeito consagrado. Só faltou quebrar a guitarra no final. Aqui o show completo:

O resultado foi uma apresentação panorâmica com um caráter didático (a banda emendou um quase medley de “Pinball Wizard”, “See Me, Feel Me” e “Listening to You” que passou rapidamente pelos hits) mas que acabou sendo construída num crescendo irresistível, bastante coeso e conciso, com as óperas rocks e o som setentista de instrumental mais vigoroso fechando a apresentação.

Daltrey visivelmente faz um esforço fisico, como quando toca a gaita, mas isso acaba transmitindo autenticidade à apresentação. Essa volta do Who e sua tão esperada vinda ao Brasil não tiveram nesses dois dias uma cara de empreitada caça-níquel, mas de correção e justiça histórica. Tivemos a sorte de ver não uma banda no auge, mas uma banda na maturidade. (Com informações do Omelete)