Paz ou cinismo?

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POR FERNANDO BRITO, no Tijolaço

Hoje cedo, registrou-se  aqui o senhor Raul Jungmann anunciando que a favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio de Janeiro, estava “pacificada”.

Os tiroteios de hoje provaram que é apenas mais uma ilusão.

30 anos de uma pacificação falsa, hipócrita, como as capas de jornal, lá em cima, registram.

É impossível mudar isso?

Evidente.

Visitasse você em 1945 as cidades de Berlim ou Tóquio e iria ver ruínas, escombros, gente com fome, furtando o que podia para comer, com crianças sem escola ou no que restava delas.

30 anos depois, duas grandes metrópoles, ricas, pacíficas, com população extremamente educada, preparada, capaz de ser o núcleo do enriquecimento de suas nações.

Nem os japoneses são louros, nem os alemães têm os olhos puxados. Assim, ser mestiço, negro ou de origem indígena, como boa parte dos migrantes nordestinos, não deve ser razão para que não possa dar no mesmo.

Nas ruínas da guerra, porém, não eram considerados outro povo.

Não havia quem nos comentários dos jornais – as então “cartas para a redação” – escrevesse que  “clima tropical gera 3 coisas.. Rato , barata, mosca e favelado!! Joga uma bomba atômica e começa tudo do zero!”.

Mas será que alemães e japoneses antes não falavam isso? Quando o nazismo e o imperialismo japonês estava no auge, não falavam assim dos judeus e dos chineses e coreanos que estavam como seus vassalos?

Não, não tem nada a ver com o clima tropical. como diz o imbecil citado.

Tem a ver com o título do clip que o Michael Jackson gravou no morro próximo, o Santa Marta: They don’t care about us.

*atualizado, com correção do local do clip do Jackson.

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Veias abertas da barbárie

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POR MARIANA SANCHES, em O Globo

Os cabelos acastanhados desciam pelas costas estreitas até a cintura. Eram a expressão de vaidade da menina Zuleide Aparecida do Nascimento, de quatro anos. E uma das poucas coisas — além de uma boneca de plástico — que Zuleide supunha lhe pertencer quando foi presa por agentes da ditadura militar, em 1970. Talvez por isso a lembrança do corte de cabelo forçado que sofreu no Juizado de Menores seja uma das mais marcantes memórias de Zuleide.

— Aquilo foi uma violência muito forte para mim — afirma ela, aos 49 anos, emocionada.

Zuleide e os irmãos de 2, 6 e 9 anos foram “capturados” no Vale do Ribeira, onde sua família se engajara na luta armada contra o regime. Ali, Carlos Lamarca comandava quadros da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Quando o grupo foi preso, as crianças também o foram. Acabaram fotografadas (Zuleide, na imagem ao lado, já com o cabelo cortado), fichadas e tachadas como “miniterroristas” no temido Dops (Departamento de Ordem Política e Social). E foram banidas do Brasil. Ao lado de 40 presos políticos, embarcaram em um avião em direção à Argélia, e depois à Cuba, em uma negociação da esquerda com o governo militar que envolveu o sequestro do então embaixador alemão Ehrenfried von Holleben. O retorno de Zuleide ao Brasil só seria possível 16 anos mais tarde.

— Sou uma pessoa sem identidade. Fui alfabetizada em espanhol. Meus documentos foram cassados, nem sei que dia nasci. Me sinto mais cubana do que brasileira — diz.

A história de Zuleide e de outras 39 pessoas que hoje têm entre 40 e 60 anos e foram crianças durante o regime militar estão contadas no livro “Infância roubada”, recém-lançado pela Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva”. O material é uma tentativa de rememorar, a partir dos relatos das vítimas, como o Estado militar tratou os filhos de seus inimigos. São narrativas inéditas de um dos trechos menos conhecidos da história nacional. Em pouco mais de 300 páginas, ilustradas com fotografias e documentos históricos, há depoimentos e contextualizações dos casos.

“Infância roubada” tem valor historiográfico por sugerir um certo padrão de tratamento dispensado pelos militares às crianças. Além de serem banidas, ficaram presas com os pais, participaram de sessões de tortura das mães, como espectadores ou como alvos das sevícias. E tiveram a própria existência ameaçada. É o que relata Paulo Fonteles Filho, nascido em 1972, em um hospital militar. Seus pais foram presos por atividades comunistas.

Fonteles conta que o pai assistiu a torturas da mãe, Hecilda, grávida de cinco meses. Antes do nascimento da criança, os agentes teriam dito a ela que “filho dessa raça não deve nascer”. Depois do parto, os militares teriam demorado a entregar o bebê para a família de Hecilda porque não encontravam algemas que coubessem nos pulsos do recém-nascido. “Eles deviam me achar bastante perigoso!”, ironizou Fonteles em seu depoimento.

Zuleide partilha com Fonteles a mesma impressão:

— Tratavam-nos como se o comunismo fosse uma doença hereditária, sem cura. Como se fosse uma praga que pudesse se espalhar pela sociedade. Éramos um risco.

Apesar das semelhanças entre os regimes militares brasileiro e argentino, as narrativas sugerem uma diferença fundamental entre eles no tratamento dispensado às crianças. Se, na Argentina, os militares entendiam os filhos de inimigos como uma espécie de riqueza nacional, uma matéria bruta valiosa a ser moldada para a construção da sociedade que desejavam, no Brasil, o Estado, de inspiração fortemente positivista, foi para o lado oposto. As argentinas presas grávidas eram tratadas com cuidado até o nascimento da criança. Casos de aborto eram raros e acidentais. Depois de nascidos, os bebês eram entregues a famílias da elite militar ou a seus apoiadores. O resultado foi mais de 500 crianças sequestradas e adotadas ilegalmente.

Já as forças repressivas brasileiras parecem ter revivido uma inspiração lombrosiana. O cientista italiano Cesare Lombroso fez sucesso entre a polícia nacional nos séculos XIX e XX ao defender que características físicas hereditárias — tais como o formato da orelha — eram capazes de predizer se um sujeito era louco ou bandido. Ao tratar o comunismo quase como doença congênita, os militares parecem ter flertado com a estapafúrdia teoria. Esta hipótese, discutida por especialistas, ainda demanda estudos mais profundos para ser comprovada ou descartada. A tarefa deve ser facilitada quando forem publicados os relatórios das comissões da verdade em curso.

O segundo trunfo de “Infância roubada” é dar voz a pessoas cuja dor nunca havia sido abordada. Muitos dos que se dispuseram a falar jamais tinham revelado completamente seu passado. É o caso de Eliana Paiva, cujo pai, o ex-deputado Rubens Paiva, foi morto em tortura pela ditadura. Eliana passou 24 horas presa. Durante metade do tempo, teve que usar “um capuz fedorento” que a sufocava. Aos 15 anos, foi chamada de comunista, levou cascudos na cabeça, apertões nos seios.

— Conforme o tempo passava, os agentes diminuíram a agressividade no interrogatório. Intuí que meu pai já estava morto — conta.

Sua prisão, o desaparecimento do pai e o sofrimento contínuo da mãe marcaram sua vida:

— Nunca tinha conseguido contar tudo sobre a prisão. Nem para marido, nem para terapeuta. Mas, aos 59 anos, quero resolver algumas coisas. Falar pode ajudar.

Festa no interior: começa o Campeonato Intermunicipal

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Famoso por revelar craques para o futebol paraense – embora bem poucos nos últimos anos – e também pela profusão de jogadores com nomes estranhos, o Campeonato Intermunicipal, categoria adulto, torneio tradicional promovido pela Federação Paraense de Futebol (FPF), começa neste final de semana.

O torneio tem como participantes mais tradicionais os municípios de Abaetetuba, Marabá, Ananindeua, Cametá, Baião, Moju, Vigia, Tucuruí, Santa Izabel, Jacundá, Capanema, Paragominas, Castanhal, Barcarena e Bragança. A fase de grupos é disputada no interior e a etapa final está programada para Belém.

Apelidos como Lamparina, Banana, Pé de Chinelo, Tracajá, Garrincha, Bacurau, Pé de Cano, Cação, Boca Rica e outros fazem a alegria dos torcedores e enriquecem o folclore do futebol interiorano. (Com informações do DOL)

Os 17 sinais de que você nunca vai ter dinheiro na vida

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POR ANDRÉ CAMARGO (*)

Sabe aquela sensação maravilhosa de estar com as contas em dia, saber que sua grana está bem investida e ainda ter o suficiente na mão para uma bela viagem de férias (ou para aquele projeto que não sai da sua cabeça)?

Existem várias maneiras de garantir que isso nunca aconteça. Eis algumas das principais estratégias para passar a vida inteira contando migalhas.

1. Sua única fonte de renda é seu salário ou o que você ganha como profissional autônomo.

Esse é um dos principais. Você trabalha, recebe uma grana e usa essa grana para viver. Todo mês. O problema é que virou normal viver assim, no automático, mês a mês. Aí você se convence de que, se todo mundo faz isso, então tá tudo certo.

2. Você acha que empreender ou investir dinheiro são algo arriscado.

Dizem que empreender é arriscado, mas não há risco maior que depositar o controle da vida financeira da sua família nas mãos do seu chefe ou diretor, das políticas trabalhistas imprevisíveis da empresa ou de uma carteira flutuante de clientes. O mais arriscado é seguir dependendo de emprego em um mundo que está mudando completamente. No fundo, o que é arriscado não é empreender ou investir, mas fazer um ou outro sem conhecimento e planejamento suficientes.

3. Você caiu no conto da felicidade pelo consumo.

Criou o hábito de trocar dinheiro por bem-estar? Ora, de que adianta ter grana se não for para comer em restaurantes bacanas, torrar em baladas iradas (agregando valor ao camarote), trocar de carro, comprar uma casa maior, viajar para o exterior ou adquirir o último modelo de iPhone, não é? Precisar ostentar símbolos de riqueza material ou comprar coisas para aplacar a angústia existencial, a insegurança ou a ansiedade são caminhos seguros… para a ruína financeira.

4. Você está atolado(a) em dívidas.

Bom, esse eu nem preciso comentar. Juros de cheque especial e de cartão de crédito são a porta do inferno. É por isso que os principais bancos quebram recordes de lucratividade ano a ano. E você não.

5. Você gasta tudo o que ganha.

Aí um dia você recebe uma promoção. Ou conquista mais alguns clientes. Naturalmente, seu padrão de vida também sobe. Não vai mais almoçar no Burger King; agora é Outback. Nada de Praia Grande: agora é Maresias! Ou Leblon. Ou Ibiza. Afinal, a vida é curta. (E o dinheiro, pelo jeito, também será).

6. Você confunde ricos de verdade com novos ricos.

Novos ricos são ex-classe média com dinheiro. Deslumbrados, têm o hábito de postar regularmente nas redes sociais fotos de pratos de comida, do carro novo ou de destinos de turismo de gosto duvidoso. Ricos de verdade são discretos, preferem a sobriedade à ostentação. Conhecem o jogo do dinheiro, suas armadilhas e ilusões. (Sim, em ambos os casos, há exceções).

7. Você se enche de bens que obrigam você a trabalhar cada vez mais – para sustentá-los.

No Oriente, dizem que não é você que possui seus bens; são eles que possuem você. Daí os movimentos de minimalistas e as diferentes tendências de simplificar e desacelerar a vida. Se você tem menos bens, sobra mais espaço e energia para você dedicar ao que realmente importa.

8. Você não tem familiaridade com a dinâmica dos juros compostos e dos ativos financeiros.

Não, isso não é coisa de economista. É algo que todos nós deveríamos aprender na escola – algo muito mais prático e importante que a Fórmula de Bhaskara. Ao contrário de seus bens passivos (que tiram dinheiro do seu bolso, mês a mês), juros compostos e ativos financeiros fazem seu dinheiro trabalhar por você – mesmo quando você estiver dormindo. Seu dinheiro precisa estar a serviço do tipo de vida que você quer viver, e não o contrário: uma vida toda engessada por tudo o que você faz para ganhar dinheiro.

9. Você troca tempo por dinheiro.

Tempo é seu ativo mais escasso. Tem um limite de quanto você consegue trabalhar. Trabalhar demais deixa você exausto, doente, ou pode até te matar. Fora que a vida fica uma merda. Então chega um ponto em que, se você é assalariado ou autônomo, não tem mais como ampliar a renda se continuar simplesmente trocando tempo por dinheiro. Precisa encontrar um outro jeito para ter mais tempo e, mesmo assim, ampliar sua renda.

10. Você não dedica seu tempo, seus recursos e seus talentos para administrar seu patrimônio e gerar múltiplas fontes de renda.

Não tem milagre. Para fugir de viver na penúria, você precisa entender como funciona o jogo do dinheiro e aperfeiçoar sua forma de jogar. Entre uma viagem de cruzeiro (passivo) e investir em um pequeno imóvel para você alugar e completar seu orçamento mensal (ativo), por exemplo, o que lhe parece mais atraente?

11. Você acha a gerente do banco simpática.

Não, não, não. Ela é representante de uma instituição que vai te sugar até a medula se você deixar. Os produtos financeiros dos bancos de varejo não são investimentos de verdade. São para crentes e ignorantes. Poupança, CDBs, Letras, Títulos, Fundos, Seguros, Planos de Previdência Privada e Capitalização que você contrata nas agências de bancos como Itaú, Bradesco, Santander, Caixa e Banco do Brasil, por exemplo, escondem ‘pegadinhas’ e taxas escandalosas, que tornam esses “investimentos” um excelente negócio. Para o banco, é claro.

12. Você não investe em si mesmo(a).

Livros, cursos, retiros, processos de coaching, mentoria, consultoria e terapia são caros e tomam muito tempo. É verdade. O problema é que a alternativa – a ignorância – é muito pior. A ignorância te faz dependente do salário, do patrão, do gerente do banco, do cliente, do professor, do político, do mercado, da crise, da TV Globo, do governo. De todos os investimentos, o de maior retorno é investir em ampliar, cada vez mais, sua competência para a ação consciente e consistente.

13. Você vive uma vida de manada.

Tem medo de fazer diferente de todo mundo. Aceita dicas de investimento de vizinhos e familiares que nunca tiveram um puto na vida. Fica babando na propaganda da televisão. Vai e volta do trampo no mesmo horário que todo mundo, aí fica preso(a) no trânsito. Viaja só nos finais de semana, férias e feriados, quando é tudo muito mais caro, porque quem manda no seu calendário são seu emprego e a escola das crianças. Não faz planejamento e compra tudo de última hora.

14. Você bota a culpa no Petê.

Ou no Temer. Ou no Trump. É gostoso, porque aí você vira uma pobre vítima das circunstâncias e se exime de qualquer responsabilidade. Pode passar a vida reclamando com os amigos na mesa do bar, ao invés de encarar o cagaço e tolerar a frustração de pensar, estudar, planejar e executar a partir do que está efetivamente a seu alcance.

15. Você acredita que quem é rico deu sorte na vida, é fútil, materialista ou desonesto.

Você está programando seu mundo interno, sua energia e linguagem não-verbal para repelir dinheiro. Afinal, se você realmente acredita que ricos são pessoas más ou superficiais, cercadas de bajuladores, não é isso que você quer para você, não é? Desprezar ou invejar os ricos são formas de se manter prisioneiro(a) de uma paisagem de escassez.

16. Você acredita que dinheiro é sujo.

Talvez você tenha levado um grito, quando era criança, porque pegou em dinheiro e depois colocou a mão na boca. De fato, cédulas e moedas carregam micro-organismos que podem te contaminar. Mas moedas e notas não são dinheiro; são apenas duas de suas possíveis formas materiais. Já pensou nisso? Hoje em dia, na verdade, pouquíssimas transações são feitas com ‘dinheiro vivo’. O dinheiro, em si, vai muito além das notas e moedas e mesmo dos bitcoins ou algarismos nos computadores de sistemas bancários. Dinheiro é uma energia de troca e materialização, que organiza relações. Então, ainda que a falta ou o excesso de dinheiro possa corromper, o dinheiro, em si, não é nem sujo nem limpo. A sujeira, neste caso, está nos olhos de quem vê.

17. Você ainda não se deu conta de que o mercado de trabalho vai mudar mais nos próximos 10 anos do que mudou nos últimos séculos.

Em um cenário de inteligência artificial, machine learning e automatização exponenciais, empregos deverão desaparecer. A realidade emergente convida cada um de nós a se reinventar. E, sobretudo, a desenvolver a capacidade de ‘se virar’ diante de circunstâncias sempre cambiantes. Algo que, definitivamente, não se aprende na escola. Então, uma boa forma de se condenar a viver sem grana é fechar os olhos e continuar fazendo as coisas como você sempre fez.

Mestre em Psicologia pela USP e autor dos livros “O Poodle de Schopenhauer” e “Trabalho: Propósito, Impacto e Realização” (a ser lançado em breve). Atua como coach, escritor e empreendedor digital. Também publica no Medium, na Obvious e no HuffPost. Para receber seus textos por e-mail, você pode se cadastrar AQUI

Os 17 sinais de que você nunca vai ter dinheiro na vida

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POR ANDRÉ CAMARGO (*)

Sabe aquela sensação maravilhosa de estar com as contas em dia, saber que sua grana está bem investida e ainda ter o suficiente na mão para uma bela viagem de férias (ou para aquele projeto que não sai da sua cabeça)?

Existem várias maneiras de garantir que isso nunca aconteça. Eis algumas das principais estratégias para passar a vida inteira contando migalhas.

1. Sua única fonte de renda é seu salário ou o que você ganha como profissional autônomo.

Esse é um dos principais. Você trabalha, recebe uma grana e usa essa grana para viver. Todo mês. O problema é que virou normal viver assim, no automático, mês a mês. Aí você se convence de que, se todo mundo faz isso, então tá tudo certo.

2. Você acha que empreender ou investir dinheiro são algo arriscado.

Dizem que empreender é arriscado, mas não há risco maior que depositar o controle da vida financeira da sua família nas mãos do seu chefe ou diretor, das políticas trabalhistas imprevisíveis da empresa ou de uma carteira flutuante de clientes. O mais arriscado é seguir dependendo de emprego em um mundo que está mudando completamente. No fundo, o que é arriscado não é empreender ou investir, mas fazer um ou outro sem conhecimento e planejamento suficientes.

3. Você caiu no conto da felicidade pelo consumo.

Criou o hábito de trocar dinheiro por bem-estar? Ora, de que adianta ter grana se não for para comer em restaurantes bacanas, torrar em baladas iradas (agregando valor ao camarote), trocar de carro, comprar uma casa maior, viajar para o exterior ou adquirir o último modelo de iPhone, não é? Precisar ostentar símbolos de riqueza material ou comprar coisas para aplacar a angústia existencial, a insegurança ou a ansiedade são caminhos seguros… para a ruína financeira.

4. Você está atolado(a) em dívidas.

Bom, esse eu nem preciso comentar. Juros de cheque especial e de cartão de crédito são a porta do inferno. É por isso que os principais bancos quebram recordes de lucratividade ano a ano. E você não.

5. Você gasta tudo o que ganha.

Aí um dia você recebe uma promoção. Ou conquista mais alguns clientes. Naturalmente, seu padrão de vida também sobe. Não vai mais almoçar no Burger King; agora é Outback. Nada de Praia Grande: agora é Maresias! Ou Leblon. Ou Ibiza. Afinal, a vida é curta. (E o dinheiro, pelo jeito, também será).

6. Você confunde ricos de verdade com novos ricos.

Novos ricos são ex-classe média com dinheiro. Deslumbrados, têm o hábito de postar regularmente nas redes sociais fotos de pratos de comida, do carro novo ou de destinos de turismo de gosto duvidoso. Ricos de verdade são discretos, preferem a sobriedade à ostentação. Conhecem o jogo do dinheiro, suas armadilhas e ilusões. (Sim, em ambos os casos, há exceções).

7. Você se enche de bens que obrigam você a trabalhar cada vez mais – para sustentá-los.

No Oriente, dizem que não é você que possui seus bens; são eles que possuem você. Daí os movimentos de minimalistas e as diferentes tendências de simplificar e desacelerar a vida. Se você tem menos bens, sobra mais espaço e energia para você dedicar ao que realmente importa.

8. Você não tem familiaridade com a dinâmica dos juros compostos e dos ativos financeiros.

Não, isso não é coisa de economista. É algo que todos nós deveríamos aprender na escola – algo muito mais prático e importante que a Fórmula de Bhaskara. Ao contrário de seus bens passivos (que tiram dinheiro do seu bolso, mês a mês), juros compostos e ativos financeiros fazem seu dinheiro trabalhar por você – mesmo quando você estiver dormindo. Seu dinheiro precisa estar a serviço do tipo de vida que você quer viver, e não o contrário: uma vida toda engessada por tudo o que você faz para ganhar dinheiro.

9. Você troca tempo por dinheiro.

Tempo é seu ativo mais escasso. Tem um limite de quanto você consegue trabalhar. Trabalhar demais deixa você exausto, doente, ou pode até te matar. Fora que a vida fica uma merda. Então chega um ponto em que, se você é assalariado ou autônomo, não tem mais como ampliar a renda se continuar simplesmente trocando tempo por dinheiro. Precisa encontrar um outro jeito para ter mais tempo e, mesmo assim, ampliar sua renda.

10. Você não dedica seu tempo, seus recursos e seus talentos para administrar seu patrimônio e gerar múltiplas fontes de renda.

Não tem milagre. Para fugir de viver na penúria, você precisa entender como funciona o jogo do dinheiro e aperfeiçoar sua forma de jogar. Entre uma viagem de cruzeiro (passivo) e investir em um pequeno imóvel para você alugar e completar seu orçamento mensal (ativo), por exemplo, o que lhe parece mais atraente?

11. Você acha a gerente do banco simpática.

Não, não, não. Ela é representante de uma instituição que vai te sugar até a medula se você deixar. Os produtos financeiros dos bancos de varejo não são investimentos de verdade. São para crentes e ignorantes. Poupança, CDBs, Letras, Títulos, Fundos, Seguros, Planos de Previdência Privada e Capitalização que você contrata nas agências de bancos como Itaú, Bradesco, Santander, Caixa e Banco do Brasil, por exemplo, escondem ‘pegadinhas’ e taxas escandalosas, que tornam esses “investimentos” um excelente negócio. Para o banco, é claro.

12. Você não investe em si mesmo(a).

Livros, cursos, retiros, processos de coaching, mentoria, consultoria e terapia são caros e tomam muito tempo. É verdade. O problema é que a alternativa – a ignorância – é muito pior. A ignorância te faz dependente do salário, do patrão, do gerente do banco, do cliente, do professor, do político, do mercado, da crise, da TV Globo, do governo. De todos os investimentos, o de maior retorno é investir em ampliar, cada vez mais, sua competência para a ação consciente e consistente.

13. Você vive uma vida de manada.

Tem medo de fazer diferente de todo mundo. Aceita dicas de investimento de vizinhos e familiares que nunca tiveram um puto na vida. Fica babando na propaganda da televisão. Vai e volta do trampo no mesmo horário que todo mundo, aí fica preso(a) no trânsito. Viaja só nos finais de semana, férias e feriados, quando é tudo muito mais caro, porque quem manda no seu calendário são seu emprego e a escola das crianças. Não faz planejamento e compra tudo de última hora.

14. Você bota a culpa no Petê.

Ou no Temer. Ou no Trump. É gostoso, porque aí você vira uma pobre vítima das circunstâncias e se exime de qualquer responsabilidade. Pode passar a vida reclamando com os amigos na mesa do bar, ao invés de encarar o cagaço e tolerar a frustração de pensar, estudar, planejar e executar a partir do que está efetivamente a seu alcance.

15. Você acredita que quem é rico deu sorte na vida, é fútil, materialista ou desonesto.

Você está programando seu mundo interno, sua energia e linguagem não-verbal para repelir dinheiro. Afinal, se você realmente acredita que ricos são pessoas más ou superficiais, cercadas de bajuladores, não é isso que você quer para você, não é? Desprezar ou invejar os ricos são formas de se manter prisioneiro(a) de uma paisagem de escassez.

16. Você acredita que dinheiro é sujo.

Talvez você tenha levado um grito, quando era criança, porque pegou em dinheiro e depois colocou a mão na boca. De fato, cédulas e moedas carregam micro-organismos que podem te contaminar. Mas moedas e notas não são dinheiro; são apenas duas de suas possíveis formas materiais. Já pensou nisso? Hoje em dia, na verdade, pouquíssimas transações são feitas com ‘dinheiro vivo’. O dinheiro, em si, vai muito além das notas e moedas e mesmo dos bitcoins ou algarismos nos computadores de sistemas bancários. Dinheiro é uma energia de troca e materialização, que organiza relações. Então, ainda que a falta ou o excesso de dinheiro possa corromper, o dinheiro, em si, não é nem sujo nem limpo. A sujeira, neste caso, está nos olhos de quem vê.

17. Você ainda não se deu conta de que o mercado de trabalho vai mudar mais nos próximos 10 anos do que mudou nos últimos séculos.

Em um cenário de inteligência artificial, machine learning e automatização exponenciais, empregos deverão desaparecer. A realidade emergente convida cada um de nós a se reinventar. E, sobretudo, a desenvolver a capacidade de ‘se virar’ diante de circunstâncias sempre cambiantes. Algo que, definitivamente, não se aprende na escola. Então, uma boa forma de se condenar a viver sem grana é fechar os olhos e continuar fazendo as coisas como você sempre fez.

Mestre em Psicologia pela USP e autor dos livros “O Poodle de Schopenhauer” e “Trabalho: Propósito, Impacto e Realização” (a ser lançado em breve). Atua como coach, escritor e empreendedor digital. Também publica no Medium, na Obvious e no HuffPost. Para receber seus textos por e-mail, você pode se cadastrar AQUI

Promessa de ascensão

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POR GERSON NOGUEIRA

O PSC tem a chance de finalmente sair do 14º lugar na Série B e esta 25ª rodada oferece até a possibilidade de um belo salto para o 11º lugar. Para isso, o time paraense tem que vencer o Goiás (17º) e torcer para que CRB (13º) não ganhe o Criciúma, em Maceió, e o Boa Esporte (12º) perca para o Juventude, em Caxias. O Guarani (11º) perdeu para o Paraná, tem 33 pontos e saldo negativo de três gols negativos. Na verdadeira gangorra vista até aqui na competição, são resultados perfeitamente possíveis.

Acima de tudo, porém, o Papão precisa fazer sua parte na história. Tem que caprichar na objetividade, combinada à aplicação e ao ritmo forte nas ações ofensivas, como mostrou no sábado passado diante do lanterna ABC, na Curuzu. As falhas de posicionamento e os erros individuais ainda atrapalham, mas o triunfo evidenciou um ensaio de evolução.

É provável que no Serra Dourada o conjunto funcione até melhor, principalmente na aproximação entre os setores, do que no confronto em casa. Quando se apresenta em terreno adversário, o PSC costuma ser mais produtivo nos contra-ataques e certeiro na definição de jogadas.

Foi dessa maneira que o PSC venceu América-MG, Vila Nova-GO, Santa Cruz e Oeste, sempre caprichando no estilo sanfona. Estrategicamente encolhido atrás e partindo com rapidez após retomar a posse de bola.

Até mesmo a ausência de um organizador na meia-cancha é menos sentida em jogos fora de casa, pois o processo de criação e a iniciativa das jogadas cabem muito mais ao mandante – embora o ideal seja que o meio-de-campo funcione harmoniosamente, sem recuos excessivos. Pela posição na tabela, o Goiás tem a obrigação de partir para cima, o que dá ao PSC a condição cômoda de poder esperar em seu próprio campo.

Outro fator a ser considerado é o entrosamento da dupla Bergson e Marcão, responsável pelo bonito gol bicolor contra o ABC. Bergson gosta de arrancar com a bola dominada à espera de espaços para tabelar com um companheiro. Agiu assim diante do Santa Cruz, em tabelinha com Anselmo no lance do segundo gol daquela partida, e repetiu a dose no último jogo tendo Marcão como parceiro e finalizador na manobra.

Confiante a partir do gol marcado, Marcão pode ser peça-chave na partida de hoje pela capacidade de jogar como pivô, posicionado entre os zagueiros e esperando a chegada de Bergson ou mesmo Diogo Oliveira, que fará a aproximação.

Essas projeções levam em conta o fato de o adversário não vencer há sete jogos, estando naturalmente sob pressão e ansiedade. Hélio dos Anjos, velho conhecido do futebol paraense, fará sua estreia no comando e definiu o time no 3-5-2, com três ex-bicolores confirmados entre os titulares – Fábio Sanches, Tiago Luiz e Aylon. Promessa de jogo difícil, mas com boas perspectivas para o Papão.

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Um beque enjeitado e um armador subutilizado

O anúncio feito ontem da dispensa pelo PSC dos jogadores Lombardi e Rodrigo Andrade dividiu opiniões. Nem tanto pelo zagueiro, que não conseguiu se firmar na Série B, depois de um começo de temporada instável e com vários pênaltis cometidos (nem todos marcados pelos árbitros). Em fase descendente na carreira, sua saída já era prevista há semanas, principalmente depois que o clube contratou três jogadores para a defesa – Diego Ivo, Rafael Dumas e Douglas Mendes.

Quanto ao meia-armador Rodrigo, a avaliação era positiva, embora não tivesse conseguido se firmar como titular. Fez bons jogos – contra Brasil e Internacional – e se candidatou a ser o camisa 10 de que o time tanto carece. Surpreendentemente, acabou liberado em momento importante da competição, levando em conta que somente Diogo Oliveira vem sendo aproveitado. Fábio, o outro meia, nunca mais foi escalado.

Rodrigo sai, deixando a impressão de que poderia merecer mais chances. Pelo que mostrou conhecer do riscado, estava bem acima de alguns que o técnico Marquinhos Santos tem na conta de prioritários. Enfim, confirma-se uma vez mais a velha sentença: cabeça de técnico é território insondável e imprevisível.

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Direto do blog

“Coisas do futebol (brasileiro). Fiquei convencido que se o Fogão tivesse enfrentado o Barcelona, que eliminou o Santos dentro da Vila Belmiro, ou qualquer outro time (fora os brasileiros) teria chegado à final. Infelizmente, quis o destino que enfrentasse um do Sul do Brasil, que mescla traços característicos do nosso futebol com os assimilados dos vizinhos de além das fronteiras, e caísse prematuramente. Fica a certeza de um time guerreiro, solidário e aplicado. E enquanto for assim despertará o respeito de todos. Aqui e alhures”.

Do Jorge Paz Amorim, analisando com boa pontaria a sofrida eliminação do Botafogo na Libertadores. 

(Coluna publicada no Bola deste sábado, 23)