O passado é uma parada

O Cruzeiro, que se sagrou campeão da Copa do Brasil na última quarta-feira, já teve confrontos não muito felizes com a dupla Re-Pa. No mais expressivo deles, o Paissandu levou a melhor na decisão da Copa dos Campeões, vencendo no tempo normal e na série de penalidades, em partida disputada no estádio Castelão, em Fortaleza, em 2002.

Antes, o Cruzeiro havia sido goleado pelo Remo em 1994 e em 1977, em partidas válidas pelo Campeonato Brasileiro. Acima, o vídeo do primeiro confronto (Remo 4 a 0), disputado no estádio Evandro Almeida, que ainda tinha cobertura nas cadeiras do lado da travessa das Mercês, derrubadas pelo presidente Zeca Pirão, há quatro anos.

O segundo foi jogado no estádio Mineirão (Remo 5 a 1), em Belo Horizonte, com grande atuação de um time que reunia Clemer, Rogerinho, Helinho e Cuca, hoje técnico palmeirense. O Cruzeiro tinha Dida no gol.

Papão enfrenta Juventude e o frio dos Pampas

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Depois de derrotar o Guarani em casa, o Paissandu já encara novo desafio na noite desta sexta-feira. Terá pela frente o Juventude, em Caxias do Sul (RS), às 21h30, valendo pela 27ª rodada da Série B. Em função da maratona de jogos, o técnico Marquinhos Santos fez algumas alterações na delegação bicolor.

Magno, que entrou no segundo tempo da partida contra o Bugre, avalia que o momento é de superação e o time precisa conquistar um bom resultado fora de casa. “O grupo está com jogadores suspensos e contundidos, mas o nosso grupo é muito bom e independente de quem entrar, eu tenho certeza que via dar conta do recado”, avalia.

“A gente tem que saber jogar como a gente vem jogando bem fora. Sabemos que enfrentar o Juventude lá em Caxias é muito difícil, pois é um adversário que sabe se impor muito dentro de casa, então temos que estudar e saber jogar o jogo”, diz Magno.

Além da dificuldade natural de enfrentar o 6º colocado no campeonato, o Papão terá que superar a baixa temperatura em Caxias (em torno de 15 graus na hora do jogo, segundo a previsão da meteorologia). Para se ambientar com o clima, o elenco bicolor realizou ontem um treino na cidade gaúcha.

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O time não terá Rodrigo Andrade, suspenso, e pode ficar sem Bergson, Juninho e Rafael Dumas, que estão com virose. (Com informações e foto de Jorge Luís/Ascom-PSC) 

Papão reabre restaurante na sede social

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Será reinaugurado neste sábado (30), a partir das 11 horas, o restaurante da sede social do Paysandu (à avenida Nazaré, 404), agora com o nome de Aromas Gourmet, empresa que já está no mercado há um ano e arrendou o espaço. Para marcar o lançamento, será oferecido um serviço especial de almoço, com opções de prato executivo e a quilo.

O Aromas Gourmet funcionará de segunda a sábado, das 9h às 23h, com vendas de lanches durante o dia, almoço com prato executivo ou a quilo, jantar à la carte e pizzas no horário noturno. No local também serão transmitidos os jogos do Papão na Série B.

Com o consumo de almoço ou jantar, a primeira hora de estacionamento será gratuita. A partir da segunda hora, o cliente terá 50% de desconto. Caso não consuma nem almoço ou jantar, o cliente pagará preço normal estabelecido pelo estacionamento. (Com informações de Vitor Castelo/Ascom-PSC) 

Suspenso o leilão da sede do Remo

O Clube do Remo, através de seu departamento jurídico, informa que foi suspenso o leilão judicial da sede azulina, que estava marcado para o próximo dia 4 de outubro. Segundo nota oficial emitida na manhã desta sexta-feira, a Procuradoria da Fazenda Nacional manifestou-se nos autos pela suspensão do leilão, tendo o juízo despachado em conformidade com a petição da PFN.

“O Clube do Remo vem honrando com suas obrigações tributárias, através de parcelamentos formalizados com a União federal”, finaliza a nota.

Inter cativa torcedor de baixa renda e está perto de voltar à Série A

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O Internacional renasceu na Série B e já faz as contas para voltar à Série A do Brasileirão. Com 51 pontos, na liderança do campeonato, precisa de mais 12 para assegurar a vaga e voltar à elite em 2018. Restam 12 jogos. Basta somar um ponto por rodada. No Beira-Rio, acumula sete vitórias consecutivas. Tem uma média de público em casa de 25,4 mil pagantes, ao baixar preço dos ingressos para atender torcedores menos favorecidos. Até chegar a esse patamar, o Inter viveu dias de calvário com a possibilidade de resgatar o técnico Dunga quando a água estava no pescoço. Sobreviveu e se revigorou.

Muito da ressurreição na Série B, atesta a imprensa gaúcha, passa pelas políticas implantadas pelo comando do clube. Adotou de uma vez por todas o lema “Clube do Povo” ao abrir espaço aos torcedores menos favorecidos, de baixa renda, nos seu programa de sócio-torcedor – um dos mais bem-sucedidos do futebol brasileiro – e conquistar uma faixa expressiva de sua torcida. Dentro de campo, promoveu uma ampla reformulação no grupo de jogadores e sustentou o técnico Gustavo Ferreira nos momentos mais críticos do time na Série B.

Não deu trégua também às facções organizadas quando sofreu ataques em áreas internas e externas do Beira-Rio, diante de uma série ruim de resultados no seu estádio. Desde 8 de julho, quando empatou (1 a 1) com o Criciúma, não tem enfrentado problemas mais graves com as torcidas e o quebra-quebra na arena não se repetiu.

Tudo isso pode explicar o bom momento do clube na Série B e já abrir o processo do projeto para a próxima temporada. Mas algumas questões ainda terão de ser respondidas.

Veja parte de um artigo publicado pelo jornalista Alexandre Dornelles na edição digital do jornal Zero Hora, de Porto Alegre:

«A direção (do Inter) contratou a empresa Ernest & Young (EY) para fazer auditoria nas finanças. O Conselho Fiscal reprovou as contas de 2016. Ótimo começo para colocar fim em cartolas que estão mais para “aves de rapina”.

Porém, em agosto surgiram na mídia informações que constariam do relatório da E&Y, como a saída inexplicável de valores que variam de R$ 9 milhões a R$ 46 milhões, notas fiscais com números sequenciais emitidas de uma vez só, recibos rubricados e entregues sem justificativa, luvas e direitos de imagens pagos com recibos dado pelo atleta acima do que está no contrato, pagamento de direitos de imagem por meses sem nota fiscal, entre outras inconsistências

Convocaram reunião do Conselho Deliberativo (CD) para apresentar o relatório da E&Y no último dia 5 de setembro. Na ocasião, não exibiram o relatório, só um resumo em PowerPoint. A mesa diretora do CD instituiu uma Comissão Especial (CE), composta por sete conselheiros, para realizar sindicância interna. O presidente Marcelo Medeiros deu a palavra que os conselheiros do clube teriam acesso ao documento de 250 páginas da E&Y.

Após 20 dias, a CE entregou relatório para o presidente do CD com o apontamento de 12 irregularidades e solicitando nova comissão para aprofundar a análise, já que o relatório de 250 páginas ainda não apareceu. Após, a mesa diretora do CD convocou reunião extraordinária para a próxima segunda-feira (02/10), às 22h, para debater o relatório da Comissão Especial.

Estou indignado com as “informações”. Não adianta democratizar as arquibancadas se a gestão também não for democratizada. Por isso, a necessidade da profissionalização. O Inter é o clube do povo porque pertence à torcida e não a meia dúzia de autocratas.»

O comando do Internacional não havia respondido ao artigo de Alexandre Dornelles até essa quinta-feira (28/9).

Enquanto isso, o clube trata de arrebanhar o maior número possível de torcedores para o jogo contra o Santa Cruz neste sábado (30/9) no Beira-Rio, sem se preocupar com uma receita fabulosa na bilheteria. Torcedor pode pagar R$ 5 por um ingresso, em uma promoção curiosa divulgada no site do clube.

Em nota, o Inter garante que “sócios das modalidades ‘Campeão do Mundo’, ‘Nada Vai Nos Separar’, ‘Parque Gigante’ e ‘Academia do Povo’ que compraram ingressos nas áreas livres do Beira-Rio para o jogo contra o América-MG (disputado quarta-feira, 27/9) e entraram no estádio (passaram pela catraca) até as 18h30, ou seja, uma hora antes do começo da partida, têm direito a desconto de 50% sobre o valor de aquisição do ingresso para Inter x Santa Cruz. (Transcrito do Chuteira F.C.) 

A réplica

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“Meus amigos, leem (…) o que está escrito aí atrás. Agradeço a todos que ajudaram o Paysandu a ter esta estrutura que tem hoje, mas comparar este time com o time da minha época é sacanagem”.

Sandro Goiano, no Facebook, em réplica aos que responderam à postagem que ele fez na quinta-feira 

‘Me Gustan los Estudiantes’, de Mario Hendler, um marco do cinema latino

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POR GABRIEL VASCONCELOS, no blog Ultrajano

Enquanto os jovens empunham faixas contra o imperialismo, montam barricadas e enfrentam a repressão policial, o mandatário estadunidense se reúne com ditadores plantados por seu Departamento de Estado, entre os quais o paraguaio Alfredo Stroessner e o nosso Artur da Costa e Silva

Estive em Santiago do Chile, no último mês de julho, para entrevistar uma série de cineastas ligados a Cine Experimental, movimento que surgiu dentro da Universidad de Chile no final dos anos 1950 e foi extinto logo após o golpe militar, em setembro de 1973. Nada mais natural. Afinal, como acontecia por toda a América Latina, seus jovens integrantes dedicaram boa parte de seus filmes à denúncia do subdesenvolvimento e uma de suas fiadoras, a dependência externa, mais especificamente, aos Estados Unidos.

Ao todo, conversei com cinco ou seis senhores, entre os quais Pedro Chaskel e Carlos Flores, cujos filmes já deram as caras por aqui. Dedicando suas vidas ao cinema, produziram arte genuinamente latina: peças políticas plenas do espírito libertário terceiro-mundista, filmes que foram mundialmente reconhecidos à sua época, mas terminaram vencidos pela força bruta, quando não abafados pela estética comercial que pretendiam afrontar.

Inevitável perguntar a seus autores, quais eram as suas influências. E aí a surpresa. São bem conhecidos os intercâmbios do movimento com o escocês John Grierson e o holandês Joris Ivens. O último chegou a realizar três filmes no Chile, entre os quais o clássico À Valparaiso (1962), sobre a cidade portuária que vivia seu auge econômico.

No entanto, nenhuma das respostas exaltava este cinema reconhecidamente importante, mas feito nos limites metrópole. Todos, sem exceção, apontam sistematicamente dois nomes: o cubano Santiago Álvarez, notabilizado por filmes cheios de intertextos, como o clássico Now (1965), e o uruguaio Mario Handler. O último vinha sempre seguido de uma descrição calorosa de seu filme Me gustan los estudiantes (1968).

Curioso notar que ambos cineastas eram pouco ou nada mais velhos que os entrevistados, o que reforça a importância do intercâmbio cultural em encontros anuais, como os lendários Festivais de Viña Del Mar, exclusivos para películas latinas. Em tempos de comunicação onipresente, arrisco dizer, as trocas entre os países do bloco pouco avançaram. Pior ainda no caso do Brasil, eterna “ilha na costa do atlântico”. Grata exceção é o site Retina Latina, que reúne produções antigas e recentes de seis países latino-americanos (Bolívia, Colômbia, Equador, México, Peru e Uruguai). Foi lá que pude assistir, pela primeira vez, a Me gustan los estudiantes. O acesso, vejam só, é restrito a cidadãos latino-americanos, como nós brasileiros.

Mario Handler já disse, em entrevistas, não ser adepto da livre exibição de seus filmes, seu ganha pão ao lado da cátedra. Confessa ter se irritado com a difusão incontrolável de seu primeiro filme, Carlos, cine-retrato de un «caminante» en Montevideo (1965), que o fez conhecido mundo afora. O mesmo aconteceria três anos depois, com Me gustan los estudiantes, que se tornou uma febre compreensível num mundo pré-1968.

Em pouco menos de seis minutos, Handler alterna cenas do encontro anual da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Punta del Leste, e protestos de estudantes contra a presença do então presidente norte-americano Lyndon Johnson no país. Enquanto os jovens empunham faixas contra o imperialismo, montam barricadas e enfrentam a repressão policial, o mandatário estadunidense se reúne com ditadores plantados por seu Departamento de Estado, entre os quais o paraguaio Alfredo Stroessner e o nosso Artur da Costa e Silva. Também na roda, alguns presidentes democraticamente eleitos, como o chileno Eduardo Frei e o anfitrião Oscar Gestido, cujas cadeiras seriam tomadas por generais seis anos mais tarde.

Importante ao sentido do filme, as música de Violeta Parra, homônima à obra, e a canção Vamos Estudiantes, de Daniel Viglietti, vêm e vão, incidindo somente sobre as imagens dos estudantes. Aí, a letra conversa com o que se vê: estudantes que levantam o peito, arremessam pedras contra a polícia e seguem de punhos cerrados. Para as autoridades, o silênci
o. Uma dinâmica que acusa a postura militante de Handler.

Símbolo dos movimentos estudantis dos anos 1960, este filme inspirou toda a geração do Nuevo Cine Latinoamericano, seja no tocante ao argumento, seja na forma do filme, que prioriza a filmagem direta, alegoriza a imagem de anônimos e usa a música latina como recurso à ausência do som direto.

O cineasta, que preza pelo trabalho individual e rechaça o modelo de entrevistas, já relatou, em entrevista de 2012, que custou a entender o fenômeno em que o filme se converteu. De fato, após sua primeira exibição, num domingo de 1968, os jovens deixaram a sessão e foram direto protesta
r na Praça de Cagancha, na Avenida 18 de Julio, uma das principais da capital uruguaia. Como no filme, usaram os bancos públicos para montar barricadas.

Perguntado sobre o que pensa da militância jovem de nossos tempos, Handler foi claro: “Há uma grande diferença para os protestos modernos, como o Occupy. Naquela época (1967), os estudantes eram muito conscientes. Agora, acho que (os jovens) ainda não encontraram o seu lugar ideológico”, opina. Tem certa razão. Vide as nossas jornadas de junho de 2013, até hoje uma incógnita.

Assista o filme Me Gustam los Estudiantes aqui.

Lia Amancio

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