Barça desiste de Coutinho e questiona novo modelo de negócios

nintchdbpict000310067442

O Barcelona se manifestou oficialmente neste sábado a respeito das negociações para contratar o brasileiro Phillipe Coutinho, do Liverpool. Segundo o clube catalão, os ingleses pediram R$ 746 milhões. Robert Fernandéz, secretário técnico, e Albert Soler, diretor esportivo do clube, informaram que o Barça desistiu da transação por não aceitar os termos de um “mercado inflacionado”.

Representantes de um dos mais ricos clubes do planeta, Fernandéz e Soler não pouparam críticas ao que consideram um novo modelo nas relações comerciais do futebol. Observaram que, há alguns anos, quando alguém falava em 100 milhões de euros por um jogador ninguém levava a sério. Após a venda do francês Pogba para o Manchester United, no ano passado, a tese caiu por terra.

Quando o Liverpool exigiu 200 milhões de euros por Coutinho, o Barcelona resolveu desistir do negócio, considerando o valor inviável e exagerado. Mesmo sem fazer referência direta, os executivos do Barça deixaram no ar críticas veladas ao comportamento do PSG, que gastou 222 milhões de euros (R$ 821 milhões) para ter Neymar.

“Estávamos acostumados com um modelo que tinha os clubes tradicionais como atores principais. Agora vemos os multimilionários e a intervenção de países como agentes do mundo do futebol”, disparou Soler. “Temos um mercado hoje que paga 50 milhões de euros por um goleiro! Isso, há anos, era impensável. Estamos num mercado que põe em xeque as próprias normas da Uefa”, finalizou. (Com informações do As e da ESPN)

Síndrome de reizinho

1504242082_211712_1504243910_noticia_normal

POR GERSON NOGUEIRA

O Brasil jogou contra o Equador na quinta-feira e a torcida foi reapresentada ao Neymar fominha, preocupado com a própria imagem e obcecado pela ideia de ser protagonista a qualquer preço. Lembrou até o atacante imberbe dos tempos de Santos, cujos pecadilhos e birras eram perfeitamente perdoáveis. O problema é que o garoto virou homem e o aspirante a craque é hoje um dos melhores do planeta, e precisa agir como tal. Mais que isso: é o principal astro da Seleção Brasileira, mas não pode achar que é o dono da companhia.

Diante dos equatorianos, Neymar voltou a exibir a face firuleira e egoísta. Foi o mesmo jogador que enfrentou problemas na chegada ao Barcelona devido ao estilo individualista e pouco afeito ao trabalho de equipe. Sob a batuta de Luís Henrique, foi burilado e atingiu seu melhor nível como futebolista, chegando em certos momentos – como no ano passado – a quase igualar Messi em termos de importância para o time.

Nada disso foi possível ver na partida do Beira-Rio. Neymar apanhava a bola e partia logo para dribles impossíveis sobre três, às vezes quatro, marcadores. Tentou isso várias vezes. Ao perceber que não levaria vantagem sobre os marcadores, perdeu a compostura. Apelou para simulações ridículas, irritando o árbitro e os equatorianos.

Durante todo o primeiro tempo só conseguiu encaixar uma boa jogada. Foi o passe certeiro para Willian bater da entrada da área, com grande perigo. Ficou nisso. Insistia nas jogadinhas pelo meio ou pela esquerda, sempre buscando concretizar “a” arrancada. Parecia disputar um jogo particular, no qual o mais importante não era marcar gol, mas driblar o máximo de equatorianos até deixá-los caídos e humilhados no gramado.

Bem postados e violentos, os defensores não permitiram que ele tivesse êxito, o que redobrou a irritação de Neymar. Logo no começo do segundo tempo, deu um carrinho bobo junto à linha lateral por pura raivinha. Tomou o cartão amarelo. Por reclamações e teatro de quinta categoria, podia perfeitamente ter sido expulso.

Só foi melhorar depois da entrada de Phillipe Coutinho, quando resolveu se espertar e interagir com os demais atacantes e meias. Viu Paulinho abrir o placar e, em seguida, Coutinho liquidar a fatura após inspirada assistência de Gabriel Jesus. A perspectiva de se ver superado pelos dois garotos parece ter mexido com os brios do craque do PSG, que por alguns minutos voltou a ser solidário nas jogadas e quase deixou sua marca, disparando forte à esquerda do gol.

Ficou no ar a sensação de que Tite terá pela frente um espinhoso período de dedicação a Neymar. A conversa precisa começar mais ou menos na seguinte linha: craque de verdade joga futebol e não perde tempo com provocações bobas. Um sujeito que almeja ser o melhor entre os melhores não pode ficar choramingando a cada choque com um equatoriano ou reclamando de tostões. Acima de tudo, tem que se dedicar a jogar bola.

Tite pode até apelar para uma comparação prática: mostrar a Neymar que a melhor referência é seu ex-companheiro de Barça Lionel Messi, de fleuma notável ao ser caçado em campo. Ninguém jamais viu La Pulga se lamuriar das bordoadas que recebe. Na verdade, como acontecia com El Pibe Maradona, as pancadas parecem surtir efeito contrário: atiçam o gênio, que se torna ainda mais destemido e letal.

Na flor dos 25 anos, Neymar precisa domar seus anseios. A saída do Barcelona parece provocar nele a necessidade de provar alguma coisa. Bobagem. Segue como o grande astro do Brasil e o importante agora é mostrar que continua focado na meta de ser melhor do mundo, o que obrigatoriamente inclui conquistar uma Copa do Mundo – coisa que nem Messi, nem Cristiano conseguiram até hoje. E a Rússia é logo ali.

————————————————————————————–

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta a atração a partir das 21h, na RBATV. Participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião.

————————————————————————————-

Muralha e os limites do humor no esporte

A confusão envolvendo o goleiro Muralha, do Flamengo, e o jornal Extra recoloca na ordem do dia a discussão sobre os limites do humor no jornalismo esportivo atual. A título de “editorial”, o jornal desceu o malho no goleiro, citando-o como frangueiro e informando que passa a grafar o nome oficial do arqueiro, evitando o apelido por considerá-lo inadequado.

A piada foi boa – para os que não são Muralha. Zoado intensamente nas redes sociais depois da capa do Extra, o goleiro não achou graça da brincadeira. Sentiu-se humilhado e “tratado como bandido”.

Exageros à parte, o Extra talvez tenha pecado por usar o termo editorial como cabeçalho das ironias dirigidas ao goleiro. Piadas até mais infames do que essa são corriqueiras nas páginas do Diário Olé, de Buenos Aires. Mas, no Brasil politicamente correto (para certas coisas apenas), o escracho gera atritos e é visto como prática pouco edificante.

O curioso é que parte da torcida rubro-negra saiu em defesa de Muralha, normalmente enxovalhado impiedosamente nas redes sociais a cada nova barbeiragem debaixo das traves. Coisas da vida.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 03)

Luz no fim do túnel: reforma trabalhista pode ser derrubada

O texto da Reforma Trabalhista, aprovado pelo Congresso Nacional, está sendo questionado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, no Supremo Tribunal Federal (STF). Janot solicita medida cautelar frente aos prejuízos da aprovação da matéria para os trabalhadores mais pobres. Com uma taxa de desemprego batendo a casa dos 15 milhões, a proposta do governo federal extingue direitos constitucionais dos trabalhadores, como o acesso à assistência jurídica gratuita.

Por Iberê Lopes*

Encaminhada ao STF pelo procurador nesta semana, a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) evidencia, em suas 72 páginas, a violação do direito fundamental dos trabalhadores pobres à gratuidade judiciária, como pressuposto de acesso à jurisdição trabalhista. Consta no texto que “as normas violam os princípios constitucionais (art. 5º, XXXV) da isonomia (art. 5º, caput), da ampla defesa (art. 5, LV), do devido processo legal (art. 5º, LIV) e da inafastabilidade da jurisdição”.

“Sem medida cautelar, os prejuízos serão ainda maiores para trabalhadores que necessitem demandar direitos sujeitos a perícia técnica, geralmente referentes a descumprimento de medidas de higiene, saúde e segurança do trabalho, em face do alto custo da atividade pericial”, ressalta Janot.
A presidente nacional do PCdoB, deputada Luciana Santos (PE), salienta que a reforma trabalhista é “absurda”. “Na prática, é jogar fora a carteira de trabalho quando o empregado não tem direito a férias, décimo terceiro, nem sequer uma carga horária pré-determinada. Você desconsidera conquistas caras para os trabalhadores. Desequilibra de vez a relação entre patrão e empregado que já é desigual e que com as leis trabalhistas eram de respeito mútuo”, aponta a parlamentar.
Quanto à justiça gratuita, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) permite aos juízes dos tribunais do trabalho de qualquer instância conceder esse benefício a quem ganha até dois salários mínimos – ou a quem declarar não estar em condições de pagar os custos do processo sem prejuízo do sustento próprio ou de sua família.
A Justiça do Trabalho recebeu, em 2015, 3.401.510 novas demandas, segundo o estudo “Justiça em Números 2016”. O total de demandas no Poder Judiciário é de mais de seis milhões. Os dados fazem parte de um relatório anual produzido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e constam na peça apresentada por Janot ao Supremo.
“Esse levantamento, representa a necessidade de garantir o acesso de forma gratuita”, afirma o deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA). Para ele, a gratuidade da assistência jurídica é um preceito fundamental. “Tudo isso será questionado nos tribunais. A reforma foi um grande golpe, uma violência à nossa CLT”.
O texto aprovado pelo Congresso promove “intensa desregulamentação da proteção social do trabalho. A Lei 13.467/17 inseriu 96 disposições na Consolidação das Leis do Trabalho, a maior parte delas com redução de direitos materiais dos trabalhadores”, aponta o chefe do Ministério Público.
Em audiência pública realizada no Senado Federal, nesta semana, o coordenador nacional de Promoção da Liberdade Sindical (Conalis) e procurador do Trabalho (Ministério Público do Trabalho), João Carlos Teixeira, disse que “a tendência, pela reforma, é que haja cada vez menos contratos de emprego”. “A reforma afastará o vínculo de emprego e, consequentemente, elidirá todos os direitos sociais previstos no artigo 7º da Constituição”, denunciou.
Sobre a possibilidade de reversão da Reforma Trabalhista na Justiça, o presidente da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público (CTASP) na Câmara, deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), ironiza: “Que ‘Reforma’ Trabalhista?!”.