Governo livra Itaú de pagar R$ 25 bilhões em impostos

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O Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) decidiu no último dia 10 de abril, por 5 votos a 3, que o Itaú não precisa pagar impostos no processo de fusão com o Unibanco. Isso significa uma derrota de R$ 25 bilhões para a Receita Federal.

O Ministério da Fazenda queria cobrar Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido por ganhos de capital no processo de fusão. A cobrança de tributos sobre a fusão do Itaú e do Unibanco era o processo de maior valor que tramitava no Carf.

Ficou conhecido pelo fato de seu ex-relator, João Carlos Figueiredo Neto, ter sido preso por cobrar propina para proferir voto favorável ao banco. Ele não atua mais no conselho.

Vinculado à Receita Federal, o Carf julga recursos contra a cobrança de multas e tributos. Está com 19 cadeiras vagas segundo o último levantamento, divulgado no dia 17 de março. (Do Poder 360)

A caminho da glória

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POR GERSON NOGUEIRA

A vida de técnico de futebol é uma eterna montanha-russa. Apesar de valorizada financeiramente, é uma atividade de alto risco, pois depende essencialmente de resultados. Por vezes, o trabalho é até meritório, mas as peças não se encaixam e as vitórias rareiam. Além dessa característica singular, é ofício sob permanente julgamento de uma corte rigorosa, que se deixa levar por motivações quase sempre emocionais: a torcida.

Tome-se o caso de Marcelo Chamusca como exemplo. Depois de um período meio conturbado junto aos torcedores, ele está bem perto de repetir o feito de Dado Cavalcanti no ano passado: levantar duas taças no primeiro semestre. Contra o Luverdense, hoje à noite, o Papão pode se sagrar bicampeão da Copa Verde. Para isso, terá que mostrar capacidade de superação para descontar a vantagem do adversário no placar agregado.

Há cinco meses no comando técnico do Papão, Chamusca encontrou de início muitas dificuldades para montar um time competitivo, sofrendo com o fraco rendimento de alguns contratados e errando a mão em certas escolhas. Aos poucos, com a evolução natural quanto ao condicionamento físico, os resultados começaram a aparecer.

Enquanto o time penava para superar adversários limitados no Campeonato Estadual e na Copa Verde, Chamusca enfrentava questionamento cada vez mais forte. O conflito chegou a um ponto crítico na partida contra o Galvez, na Curuzu, válida pela primeira fase da CV.

Depois da má apresentação do time, que chegou a ser dominado e esteve a pique de ser eliminado pelo representante do Acre, os torcedores vaiaram e protestaram nas arquibancadas. Chamusca reagiu atribuindo a manifestação a grupos específicos, que queriam prejudicar seu trabalho.

Desde então, a relação entre técnico e torcida se tornou delicada, sujeita a solavancos e queixas. O comportamento tímido da equipe contra o Santos-AP no jogo de ida em São Luís, com baixa produção ofensiva, voltou a inquietar a Fiel. Na volta, em Belém, o time reagiu e se classificou.

O principal motivo das cobranças era a falta de confiabilidade do time, sempre sujeito a apagões e com escasso repertório ofensivo. A insistência com jogadores que não rendiam – como Sobralense, Wesley e Lombardi – também contribuíram para afetar a aceitação do trabalho de Chamusca.

A conquista do título estadual sobre o maior rival foi como um bálsamo. A vitória alcançada no último minuto do clássico eletrizou a torcida e fez com que a zanga se transformasse em aplauso.

Um claro sinal disso é que, três dias depois da vitória sobre o Remo, a queda frente ao Santos no Mangueirão foi assimilada com tranquilidade e  grandeza. Mesmo triste pela eliminação na Copa do Brasil, o torcedor aplaudiu o time agradecendo pelo bicampeonato paraense.

Chamusca tem indiscutíveis méritos na ascensão do Papão. Sofreu enquanto os jogadores não assimilavam o esquema proposto. As vitórias aconteceram quando a qualidade técnica começou a se manifestar. Bérgson, Perema, Rodrigo e Leandro Carvalho são exemplos dessa evolução.

Caso consiga pular o obstáculo representado pelo LEC hoje à noite, com o time mostrando organização e comprometimento, Chamusca estará inevitavelmente nos braços do povo bicolor, confirmando que no futebol uma linha tênue separa o inferno do céu.

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Carvalho pode ser a grande baixa na decisão

A dúvida sobre a presença de Leandro Carvalho na final só será desfeita momentos antes do jogo, mas uma coisa está bem clara: sem ele, o Papão terá um caminho mais complicado para romper o bloqueio defensivo do Luverdense. Titular absoluto e grande arma ofensiva, a ponto de ser cobiçado pelo técnico do Santos, Dorival Jr., o crescimento de Leandro na temporada coincide com a melhor fase do time. Um depende do outro.

Ele entrou aos poucos na equipe, mas seus dribles e arrancadas asseguraram a titularidade. Será uma pena se a lesão impedir que ele exiba essas qualidades no momento mais importante da festa.

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 16)

Lobbies cobram alto por reformas: valor pode chegar a R$ 164 bilhões

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POR TALES FARIA, no Poder 360

O governo pagará caro pela aprovação das reformas no Congresso. Michel Temer tem 2 compromissos agendados nesta semana que podem custar R$ 110 bilhões aos cofres públicos.

FUNRURAL: R$ 10 BILHÕES

O presidente recebe nesta 2ª feira (15.mai) a FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária). Deputados da bancada ruralista ameaçam votar contra a reforma da Previdência se não for aliviada a dívida do setor com o Funrural (Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural). Trata-se da contribuição previdenciária dos fazendeiros. Com base em ações na Justiça, eles deixaram de recolher R$ 10 bilhões aos cofres públicos nos últimos anos.

MEDIDA PROVISÓRIA, PERDÃO DEFINITIVO

O STF (Supremo Tribunal Federal) determinou que o pagamento do Funrural seja feito. O resultado do encontro de Temer com a FPA deve ser a edição de uma medida provisória.

A ideia é reduzir a contribuição previdenciária do setor, dos atuais 2% sobre o faturamento para 1,5%. A diferença, acrescida de 0,3%, seria usada pelos devedores para quitar a dívida. Os ruralistas não querem pagar nem esses 0,3%.

ATÉ R$ 100 BILHÕES PARA PREFEITOS

Nesta 3ª (16.mai) o presidente participa da abertura da “20ª Marcha a Brasília”, promovida pela Confederação Nacional dos Municípios. Temer deve anunciar a edição de uma medida provisória para atender uma das pautas do movimento: Refis municipal para 600 municípios renegociarem uma dívida de pelo menos R$ 100 bilhões com o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

MAIS R$ 6 BILHÕES

Os prefeitos cobram também apoio do Planalto à derrubada de 1 veto assinado pelo próprio Michel Temer. Tratava-se do projeto que estabelecia a destinação para os municípios do ISS (Imposto Sobre Serviço) relativo a transações on-line com cartões de crédito, planos de saúde e financiamento de veículos. O texto foi aprovado pelo Congresso em dezembro de 2016. Temer vetou. Agora o veto será votado no Congresso e os prefeitos cobram apoio do próprio Temer para a derrubada.

REFORMAS CUSTAM 1  ANO DE DÉFICIT DA PREVIDÊNCIA

Se forem atendidas as reivindicações dos prefeitos e dos ruralistas, o governo gastará R$ 116 bilhões. Mas tem também a renegociação da dívida dos Estados com o BNDES e o megarrefis, em tramitação no Congresso. Somam R$ 48 bilhões. Elevam para R$ 164 bilhões o que se pode chegar com a 1ª leva de concessões para aprovação das reformas. É de R$ 170 bilhões o déficit previdenciário anual no setor privado.

RENEGOCIAÇÃO COM BNDES

O Conselho Monetário Nacional retirou os entraves impostos à renegociação da dívida dos Estados com o BNDES. São R$ 25 bilhões. A presidente do banco, Maria Silvia Bastos Marques, já acertou em março com os ministros Henrique Meirelles (Fazenda) e Dyogo Oliveira (Planejamento) os termos dos acordos que deve começar a fechar com os Estados.

MEGARREFIS: R$ 23 BILHÕES

É quanto a Receita Federal calcula que pode chegar a perda para o Tesouro se for aprovado pelo Congresso o projeto que convalida a medida provisória do Programa de Regularização Tributária. Na prática, a MP já era 1 Refis. O relator no Congresso, deputado Newton Cardoso Júnior (PMDB-MG), incluiu uma série de “jabutis”. O governo resiste. Nos bastidores, o deputado tem dito que cerca de 54 colegas estão dispostos a votar contra a reforma da Previdência se a nova versão não for aprovada.

MAIS CONCESSÕES: SEM CONTAR OUTROS R$ 460 BILHÕES

É o total da dívida dos Estados coberta pelo projeto chamado de “reestruturação financeira dos Estados”. Foi aprovado pela Câmara na semana passada e deve ser votado nesta semana no Senado. Trata das regras para os Estados refinanciarem suas dívidas com a União.

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Brava imprensa tapuia

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Eliane Cantanhede, colunista política muito associada ao PSDB, demonstra toda a intimidade com o presidente interino Michel Temer durante entrevista no Palácio do Planalto.

O que será do Vasco?

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POR MAURO CEZAR PEREIRA, na ESPN

No primeiro tempo do Allianz Parque, um time finalizou mais, acertou a trave, exigiu do goleiro adversário, roubou bola perto da área rival e por pouco não marcou. Era o Vasco. Mas foi o Palmeiras que voltou ao vestiário no intervalo com o placar a favor, 2 a 0.

Dada a saída para a etapa complementar, mais um gol palmeirense. Se alguém tinha dúvidas sobre quem levaria três pontos na primeira rodada da Série A, elas desapareceram ali. E ainda houve mais um tento, fechando a vitória alviverde, 4 a 0.

Não faz sentido entrar em discussão por conta do polêmico pênalti que gerou a abertura do placar. A distância entre os times foi tamanha que o Palmeiras goleou sem que uma grande exibição fosse necessária. Cuca reapareceu diante do adversário ideal.

Por mais que os vascaínos tenham igualado o jogo em parte do primeiro tempo e ameaçado empatar, a retarguarda de São Januário estava lá, pronta para inviabilizar qualquer reação. Será esse o destino do clube em mais um retorno da segunda divisão?

Milton Mendes assumiu o elenco na parte final do campeonato carioca. Jogadores chegaram, outros saíram e jovens estão subindo. Mas a fragilidade defensiva vista nos 3 a 0 para o Fluminense que eliminaram a equipe do Campeonato Estadual e nesta reestreia na primeira divisão foi de apavorar.

Contratar desesperadamente pode ser um passo. Estruturar o time para que o sistema defensivo seja bem protegido é urgente. Há bons jogadores gente experiente no elenco. Mas se continuar jogando com tamanha exposição, o sofrimento da cansada torcida vascaína será grande. Mais uma vez.

Cuca recorda passagem pelo Leão

Bem humorado, o técnico Cuca comentou passagens de sua carreira durante o programa Resenha ESPN e citou o período em que treinou o Remo. Falou sobre a paixão do torcedor em Belém. No vídeo acima, a parte em que Cuca cita a experiência no Leão começa aos 6:24′. Vale a pena ver.

Expansão da inteligência artificial abre novas fronteiras

POR DAVI FERNÁNDEZ, de Madri – no El País

Não é ficção científica; seus efeitos já estão aqui. Ainda ecoam as palavras do cientista e programador Andrew Ng nas salas de aula da escola de negócios de Stanford: “É a maior revolução desde a introdução da eletricidade há 100 anos. Não vejo nenhum setor que não será transformado a médio prazo”. Trata-se da inteligência artificial. Uma tecnologia que ilumina um florescente negócio, cujas receitas crescem a uma taxa anual de 55%. O dinheiro chama o dinheiro e o financiamento de projetos nesse campo aumentou 8,5 vezes desde 2012. As máquinas que pensam como seres humanos contribuirão para a melhoria da produtividade impulsionando assim o crescimento econômico. O lado B é a destruição de centenas de milhares de empregos. Em um modelo econômico transformado em um jogo de soma zero, haverá países e empresas que ganharão à custa do resto. Por enquanto, um grupo avançado, liderado pelos EUA e suas corporações, leva vantagem nessa transformação.

Ao falar de inteligência artificial, a tendência natural é pensar em robôs, mas essa tecnologia é muito mais. O automóvel autônomo ou o sistema de reconhecimento de voz são filhos dela. Também bebem dos seus avanços as fintech e os diagnósticos de doenças por meio de algoritmos, entre centenas de aplicações industriais. Seu raio de ação é tal que a primeira tarefa é delimitar seu campo de jogo, buscar uma definição. “É um software que imita uma série de processos da mente que consideramos complexos, inteligentes e exclusivos do ser humano”, descreve Manuel Fuertes, presidente do Grupo Kiatt. “Baseia-se na compreensão do ambiente que nos rodeia e em extrair e analisar uma série de dados por meio da experiência ou do aprendizado, para depois raciocinar e tomar decisões por conta própria”, acrescenta o especialista, que também é associado do centro Oxford University Innovation.

Uma dificuldade na definição dos sistemas cognitivos é que parece que sempre é algo que está por chegar. Além disso, quando aplicados a uma determinada área, sua denominação muda. Um exemplo é o serviço do Google Maps ou as plataformas logísticas da Amazon. “Isso dá uma aura futurista que causa medo. Muitas vezes se confunde a forma com o conteúdo: não falamos tanto sobre robôs, mas da capacidade das máquinas para aplicar padrões de raciocínio”, diz Elena Alfaro, responsável de Data & Analytics do banco BBVA. O banco tem uma equipe de 50 pessoas especializadas em sistemas cognitivos que trabalham para melhorar a experiência do cliente – oferecendo-lhe, por exemplo, produtos personalizados –, bem como no desenvolvimento de processos internos ligados à gestão de risco ou à detecção de fraudes internas.

A origem da inteligência artificial remonta aos avanços obtidos por Alan Turing durante a Segunda Guerra Mundial na decodificação de mensagens. O termo como tal foi usado pela primeira vez em 1950, mas somente na década de oitenta a pesquisa começou a crescer com a resolução de equações de álgebra e análise de textos em diferentes idiomas. A decolagem definitiva chegou na última década graças a ter coincidido em tempo real com o crescimento da Internet e à potência dos microprocessadores. “A inteligência artificial pode ser a tecnologia mais perturbadora que o mundo já viu desde a revolução industrial”, escreveu recentemente Paul Daugherty, diretor de tecnologia da Accenture, em um artigo publicado pelo Fórum Econômico Mundial. “Esse campo está florescendo agora devido ao aumento da computação ubíqua, aos serviços na nuvem de baixo custo, aos novos algoritmos e outras inovações”, acrescenta Daugherty.

Esse salto qualitativo dos sistemas cognitivos começa a se traduzir em um próspero negócio. A adoção dessa tecnologia em uma ampla gama de indústrias disparará a receita das empresas que se dedicam a ela, que deve pular dos 8 bilhões de dólares (cerca de 25 bilhões de reais) obtidos no ano passado em todo o mundo aos 47 bilhões em 2020, de acordo com um estudo realizado pela International Data Corporation (IDC). “Os desenvolvedores de software e seus clientes começaram a testar a inteligência artificial em quase todas as aplicações e processos empresariais”, diz David Schubmehl, especialista dessa consultoria.

A IBM é uma das pioneiras no uso comercial da tecnologia. Em 2011, apresentou seu computador Watson no programa de televisão Jeopardy!, onde a máquina derrotou dois dos principais concorrentes de sua história. Desde então, o IBM Watson evoluiu em múltiplas aplicações. No campo da medicina, por exemplo, o percurso da inteligência artificial é enorme. A multinacional norte-americana realizou um programa-piloto com o hospital Memorial Sloan Kettering, de Nova York, centro de referência em questões relacionadas ao câncer. O sistema foi treinado com os 25 milhões de artigos acadêmicos publicados sobre o câncer. O resultado é que o Watson, em uma amostra de 1.000 pacientes, fez o mesmo diagnóstico que os médicos em 99% dos casos. Além disso, em 30% dos casos o tratamento recomendado foi ainda melhor, pois o programa teve acesso a estudos que tinham escapado ao olho dos seres humanos.

Essa tecnologia é muito mais do que robôs; abarca do automóvel autônomo até a medicina

A intenção da empresa é vender esse programa a um preço próximo de 250 dólares por paciente. “Vamos aprender mais rapidamente. A inteligência artificial não substitui a pessoa, mas aumenta a capacidade de fazer melhor seu trabalho ao expandir seu campo cognitivo, até agora limitado”, diz Alejandro Delgado, especialista da IBM.

Nessa viagem rumo a um novo mundo já se divisa a próxima escala, chamada machine learning, ou seja, ensinar as máquinas a buscar e interpretar os dados corretamente. Quando isto for alcançado, os sistemas informáticos poderão ser atualizados, tornando-se mais inteligentes sem ter de depender da ajuda de programadores. “A pesquisa se concentra em ensinar os softwares a ler, ouvir e visualizar uma variedade de conteúdos e fornecer uma resposta lógica entre aquelas que figuram em sua ampla base de dados”, segundo Manuel Fuertes.

Nessa aprendizagem, graças à expansão da Internet das coisas – conexão entre objetos entre si e o envio constante de dados entre eles –, em breve se conseguirá que as máquinas ensinem coisas umas às outras. Por exemplo, no domínio do automóvel autônomo estão sendo desenvolvidos algoritmos para que os veículos possam ser avisados em caso de acidente ou se as condições meteorológicas mudarem, para que alterem por conta própria os parâmetros de direção. “A inteligência artificial é uma das tecnologias que formam o nosso conceito de Indústria 4.0 e contribui para a digitalização das empresas. Em uma organização se gera muito conhecimento e os sistemas cognitivos permitem que esses dados sejam retidos, classificados e se tornem acessíveis a todos os trabalhadores”, diz David Pozo, especialista da Siemens. Em algumas empresas são usados sensores para coletar dados que, processados pela inteligência artificial, permitem evitar acidentes de trabalho ou detectar possíveis falhas muito antes que se tornem um problema sério.

Ganhadores e perdedores

Quando os bancos de investimento e os grandes fundos designam analistas para investigar o impacto da inteligência artificial é um sinal inequívoco do dinheiro que há em jogo. James Gautrey, gestor da Schroders, uma das maiores gestoras de fundos da Europa, publicou recentemente um relatório sobre esse assunto que alerta para a importância de estar na vanguarda do progresso. “Aquelas empresas que adotarem a tecnologia rapidamente desfrutarão de vantagens competitivas como menores custos ou maior velocidade para responder às exigências do mercado. Se uma indústria não se mover nessa direção com diligência suficiente, novos concorrentes surgirão. Aqueles que quiserem ter um crescimento sustentado, no entanto, terão de desenvolver sua própria tecnologia. Se todas as soluções forem compradas de fornecedores externos, a velocidade de adoção será o único fator de diferenciação”, argumenta Gautrey.

A inteligência artificial requer grandes investimentos e, o que às vezes é mais difícil do que o financiamento, exige contar com o talento certo para desenvolver esses sistemas. Portanto, ainda são muitas as empresas que não podem seguir as recomendações do gestor da Schroders e têm de recorrer a soluções externas. Na Espanha, um dos principais fornecedores é a Indra. No caso dela, 10% do volume total de vendas já está associado à computação cognitiva. No campo da gestão de clientes, por exemplo, oferece chatbots, agentes virtuais que podem interagir com voz ou texto para atender automaticamente em aplicativos, sites ou outro tipo de canais. A empresa também desenvolveu um sistema de análise de vídeo para detectar em tempo real peças defeituosas na cadeia de fabricação. Outra de suas áreas de pesquisa está relacionada com os drones, que exigem grandes quantidades de informação.

“As empresas tendem a se tornar mais competitivas e eficientes em custos, oferecendo produtos e serviços ultrapersonalizados no momento preciso, melhorando os níveis de serviço e maximizando a experiência positiva do cliente em todas as interações, prevendo comportamentos, antecipando e reduzindo os riscos… e em tudo isso a inteligência artificial contribui decisivamente”, diz Juan Francisco Gago, responsável de tecnologias da Minsait, a unidade de negócio da Indra especializada na transformação digital.

Destruição de emprego

O advento da inteligência artificial terá um impacto negativo no mercado de trabalho. Um dos estudos mais abrangentes nesse sentido é o que foi realizado por dois professores de Oxford, Benedikt Frey e Michael Osborne, segundo o qual 47% dos empregos nos EUA correm o risco de serem substituídos por máquinas. O estudo é um pouco antigo (2013), tendo em vista a velocidade com que os sistemas cognitivos evoluem, mas suas conclusões são semelhantes às de pesquisas recentes. O Bank of America Merrill Lynch prevê que, em 2025, o impacto negativo da inteligência artificial poderia chegar a uma faixa entre 14 trilhões e 33 trilhões de dólares, incluindo nove trilhões de economia por meio da automação dos postos de trabalho. O McKinsey Global Institute coloca em perspectiva o momento em que vivemos: “A contribuição da inteligência artificial na transformação da sociedade será 3.000 vezes maior do que a revolução industrial”.

A robotização tomará de assalto as atividades de manufatura em vários campos, como o têxtil e a eletrônica, pois permitirá acelerar a produção e torná-la mais eficaz. “Mas à medida que for ficando mais complexa, essa tecnologia eliminará outros trabalhos que envolvem uma grande especialização e preparação acadêmica, tais como a contabilidade, a leitura e a redação de relatórios ou contratos. Quem pode interpretar a lei com mais exatidão do que um software desprovido de sentimentos?”, argumenta Manuel Fuertes.

Os especialistas consultados reconhecem que o impacto da robotização no mercado de trabalho é inegável. Por isso instam os políticos a buscar soluções, incluindo o estudo da viabilidade de propostas como a renda básica universal. No entanto, também querem enfatizar os aspectos positivos. “Sempre que a humanidade esteve em um ponto de inflexão semelhante, a adoção dos avanços tecnológicos abriu oportunidades, gerando novos empregos. Não é justo colocar toda a pressão sobre a distribuição da riqueza em uma determinada tecnologia. O que devemos considerar são novos modelos para que esses avanços melhorem a vida das pessoas”, diz Elena Alfaro.