A caminho da glória

16 de maio de 2017 at 0:37 3 comentários

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POR GERSON NOGUEIRA

A vida de técnico de futebol é uma eterna montanha-russa. Apesar de valorizada financeiramente, é uma atividade de alto risco, pois depende essencialmente de resultados. Por vezes, o trabalho é até meritório, mas as peças não se encaixam e as vitórias rareiam. Além dessa característica singular, é ofício sob permanente julgamento de uma corte rigorosa, que se deixa levar por motivações quase sempre emocionais: a torcida.

Tome-se o caso de Marcelo Chamusca como exemplo. Depois de um período meio conturbado junto aos torcedores, ele está bem perto de repetir o feito de Dado Cavalcanti no ano passado: levantar duas taças no primeiro semestre. Contra o Luverdense, hoje à noite, o Papão pode se sagrar bicampeão da Copa Verde. Para isso, terá que mostrar capacidade de superação para descontar a vantagem do adversário no placar agregado.

Há cinco meses no comando técnico do Papão, Chamusca encontrou de início muitas dificuldades para montar um time competitivo, sofrendo com o fraco rendimento de alguns contratados e errando a mão em certas escolhas. Aos poucos, com a evolução natural quanto ao condicionamento físico, os resultados começaram a aparecer.

Enquanto o time penava para superar adversários limitados no Campeonato Estadual e na Copa Verde, Chamusca enfrentava questionamento cada vez mais forte. O conflito chegou a um ponto crítico na partida contra o Galvez, na Curuzu, válida pela primeira fase da CV.

Depois da má apresentação do time, que chegou a ser dominado e esteve a pique de ser eliminado pelo representante do Acre, os torcedores vaiaram e protestaram nas arquibancadas. Chamusca reagiu atribuindo a manifestação a grupos específicos, que queriam prejudicar seu trabalho.

Desde então, a relação entre técnico e torcida se tornou delicada, sujeita a solavancos e queixas. O comportamento tímido da equipe contra o Santos-AP no jogo de ida em São Luís, com baixa produção ofensiva, voltou a inquietar a Fiel. Na volta, em Belém, o time reagiu e se classificou.

O principal motivo das cobranças era a falta de confiabilidade do time, sempre sujeito a apagões e com escasso repertório ofensivo. A insistência com jogadores que não rendiam – como Sobralense, Wesley e Lombardi – também contribuíram para afetar a aceitação do trabalho de Chamusca.

A conquista do título estadual sobre o maior rival foi como um bálsamo. A vitória alcançada no último minuto do clássico eletrizou a torcida e fez com que a zanga se transformasse em aplauso.

Um claro sinal disso é que, três dias depois da vitória sobre o Remo, a queda frente ao Santos no Mangueirão foi assimilada com tranquilidade e  grandeza. Mesmo triste pela eliminação na Copa do Brasil, o torcedor aplaudiu o time agradecendo pelo bicampeonato paraense.

Chamusca tem indiscutíveis méritos na ascensão do Papão. Sofreu enquanto os jogadores não assimilavam o esquema proposto. As vitórias aconteceram quando a qualidade técnica começou a se manifestar. Bérgson, Perema, Rodrigo e Leandro Carvalho são exemplos dessa evolução.

Caso consiga pular o obstáculo representado pelo LEC hoje à noite, com o time mostrando organização e comprometimento, Chamusca estará inevitavelmente nos braços do povo bicolor, confirmando que no futebol uma linha tênue separa o inferno do céu.

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Carvalho pode ser a grande baixa na decisão

A dúvida sobre a presença de Leandro Carvalho na final só será desfeita momentos antes do jogo, mas uma coisa está bem clara: sem ele, o Papão terá um caminho mais complicado para romper o bloqueio defensivo do Luverdense. Titular absoluto e grande arma ofensiva, a ponto de ser cobiçado pelo técnico do Santos, Dorival Jr., o crescimento de Leandro na temporada coincide com a melhor fase do time. Um depende do outro.

Ele entrou aos poucos na equipe, mas seus dribles e arrancadas asseguraram a titularidade. Será uma pena se a lesão impedir que ele exiba essas qualidades no momento mais importante da festa.

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 16)

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3 Comentários Add your own

  • 1. Antonio Oliveira  |  16 de maio de 2017 às 8:24

    Sob o meu ponto de vista a dilação do limiar de tolerância com o Chamusca está relacionada com um único aspecto: a vitória no clássico e o título.

    Deveras, o trabalho pouco evoluiu, creio que menos pela incapacidade do treinador, mais pela falta de condicionamento físico dos atletas.

    Note-se que neste último jogo, mais uma vez o time no segundo tempo apagou fisicamente e permitiu a ascensão do adversário. A estratégia do professor tem surtido mais efeito no trabalho de revezar os atletas para a maratona, do que no desenrolar dos jogos.

    Quanto ao jogo de hoje, com o revezamento realizado, as chances de reversão do placar aumentaram e tornam o listrado favorito. As chances do Lec só passam a existir se puder resistir até por ali uns 10 minutos do segundo tempo, ressalvado, lógico, algum cochilo na própria zaga ou um erro do juíz. A conferir.

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  • 2. celira  |  16 de maio de 2017 às 11:21

    Continuo achando que Chamusca está devendo, mas, não posso negar que as duas apresentações contra o peixe da vila indicam que há solução… Vide o visível crescimento do Diogo Oliveira.

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  • 3. Nelio  |  16 de maio de 2017 às 15:45

    Atenção, o site globo esporte divulgou a imagem dos troféus que serão entregues aos campeões e vice dessa Copa Verde. Se forem só esses mesmos serão considerados os troféus mais ridículos e feios do mundo, confeccionados todo em madeira e sem nenhuma criatividade. Já estão sendo alvo de chacotas. Espero que esses sejam apenas os troféus ecológicos igual em 2016 quando entregaram 2 troféus ao Paysandu, um ecológico representado pelo vaso de planta e um outro belo troféu que está em nossa galeria. Se for assim tá ÓTIMO. Porém seja com troféu feio ou bonito o que marcará para sempre é o título, o qual será o ápice de mais uma grande conquista e glória bicolor. Espero que os Deuses do futebol estejam mais uma vez com o Paysandu nesta grande decisão com público estimado em 30 mil. Será mais uma enorme festa. Moral da história: SE TROFEU FEIO DADO AO CAMPEÃO FOSSE RELEVANTE, O PARAZÃO JA DEVERIA SER EXTINTO HA ANOS.
    KAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKAK

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