Do blog Esporte Fino
Em seu blog no R7, o jornalista André Barcinski deu destaque na sexta-feira 7 a uma frase do presidente da Portuguesa, Ilídio Lico, que passara em brancas nuvens. Em 29 de outubro, em entrevista a Jorge Nicola, do Diário de São Paulo e do Yahoo!, Lico afirmou que foi premeditada a escalação irregular de Héverton na última rodada do Campeonato Brasileiro de 2013. Trata-se de uma revelação bombástica. Se foi deliberada a entrada de Hevérton contra o Grêmio, substituição que tirou quatro pontos da Lusa e rebaixou a equipe, trata-se de um dos maiores escândalos da história do futebol brasileiro, talvez mais importante que o da Máfia do Apito.
Vamos relembrar os fatos. Na última rodada do Brasileirão de 2013, disputada em 7 e 8 de dezembro, Náutico e Ponte Preta chegaram rebaixados, enquanto outros seis times lutavam para se livrar do descenso: Fluminense (43 pontos), Vasco (44), Coritiba (45), Criciúma (46), Internacional e Portuguesa (ambos com 47). O Fluminense venceu o Bahia na Fonte Nova, mas acabou na zona do rebaixamento por conta da vitória do Coritiba sobre o São Paulo. Dias depois de o campeonato encerrado, veio a surpresa. A Portuguesa e o Flamengo teriam utilizado jogadores de forma irregular, e perderiam quatro pontos, gerando uma mudança na tabela que salvaria o Fluminense e rebaixaria o clube paulista.
O caso trouxe à tona faces feias do futebol brasileiro. Mostrou a desorganização da Portuguesa, que não enviara representantes ao julgamento, a incompetência da CBF, que não tinha capacidade de informar de forma eficiente as suspensões; e o viés seletivo do STJD, que mais uma vez se mostrava pronto a agir e impor a lei quando esta favorecia um clube do Rio de Janeiro. O caso pode ser pior que isso, no entanto.
Em janeiro, o promotor que investiga o caso afirmou que até seis pessoas de dentro da Portuguesa sabiam que Héverton seria julgado. Para Roberto Senise Lisboa, tratava-se de um indício de favorecimento ilícito: alguém da Portuguesa teria escondido a informação para prejudicar o clube e conseguir algum benefício próprio. Além de Ilídio Lico, Marcelo Cabral, presidente da torcida organizada Leões da Fabulosa, acha que essa versão é verdadeira. Em 31 de outubro, ao iG, Cabral disse ser “fato consumado” que “a Portuguesa vendeu a vaga na Série A“. Lico e Cabral não explicam, no entanto, como a fraude teria se consumado, uma vez que ela dependia da entrada em campo de Héverton, um reserva, e da anuência do técnico Guto Ferreira que, segundo o MP, não ficou sabendo da suspensão.
Talvez o MP esteja vendo pelo em ovo, e os dois dirigentes lusitanos estejam expondo a frustração pelo novo rebaixamento em forma de vitimização, na qual a culpa é da administração anterior. Na sexta-feira 7, ao blog Bastidores FC, do Globoesporte.com, o vice jurídico da Portuguesa, José Almeida, foi menos assertivo que seus colegas. Segundo ele, a comissão do Conselho Deliberativo do clube formada para investigar o caso “não tem como afirmar alguma coisa”. Talvez o caso seja só aquilo que parece: o STJD julgou, a Lusa não acompanhou, a CBF não informou, a incompetência monumental dentro da Portuguesa jogou o clube aos leões e o STJD salvou o Fluminense, algo que dificilmente teria feito por um pequeno – lembremos que, neste ano, o Corinthians foi corretamente absolvido no “caso Petros” por ser considerado vítima de um erro de comunicação da CBF, benefício que a Lusa jamais recebeu.
Por outro lado, Lico e Cabral podem ter ciência de fatos que não têm como provar, e o esquema pode ser ainda mais profundo. Se a Portuguesa vendeu a vaga na Série A, quem comprou? O Fluminense? O Flamengo, que escalou André Santos de forma irregular no sábado e seria o rebaixado caso Héverton não tivesse entrado em campo no domingo? Algum outro clube que bolou o esquema como “prevenção”, mas acabou ficando na primeira divisão pelos resultados em campo? Quem participou da fraude?
Talvez essas respostas nunca sejam conclusivas o suficiente. Hoje, o mais provável é que o caso entre para a história como mais um episódio sinistro no folclore do futebol brasileiro, e nunca seja esclarecido de fato.

Elementar o grande beneficiado quem foi? O jogador envolvido pediu aposentadoria precoce, tão precoce que alguém o alertou. O Sr.” Dono” da UNIMED é um comprador de várias coisas. Tem muitos elementos para simplesmente arquivar tantas provas. A meu ver não interessa para ninguém tocar no assunto, muitos foram favorecidos. E a Portuguesa, é simplesmente a Portuguesa.
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Ainda acho que tem dedo do Flamengo nessa história, já que o time rubro negro, escalou um jogador irregular no sábado e a Portuguesa somente no domingo.
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