Que pena

Por Edyr Augusto Proença

Penso que tive muita sorte ao nascer na metade da década de 50 aqui em Belém do Pará. Distante dos grandes acontecimentos, mas com a curiosidade para tentar ver de tudo de maneira panorâmica, minha vida é rica na qualidade de espectador. Assisti de camarote os anos 60, 70, 80, tudo de bom que aconteceu. Agora, temos um mundo ainda mais moderno, conectado e estou mais conectado do que nunca. Acompanhei a chegada do computador, do notebook, tablete, smartphone. Do vinil passando por cassete, minidisc, cd, pendrive até a nuvem. Das invenções que todos acreditávamos no ano 2000 estivessem presentes no dia a dia, faltam os carros voadores, viagens à lua (nunca acreditei que os americanos foram) e a cura de todos os males. Hoje, todos podem fazer música, cinema, livro e publicar na rede. Há muita oferta, menos qualidade. Mas o que eu quero dizer, mesmo, é que não me imagino vivendo em outra época. No século 18, por exemplo, sem condições sanitárias, internet, jornais, livros, essas coisas. É porque estou lendo “Outlander, a Viajante do Tempo”, de Diana Gabaldon, romance desses com quase 800 páginas. Claire passa férias com o noivo na Escócia. Ela foi enfermeira durante a Segunda Guerra Mundial. Agora, quer relaxar. De repente vê-se na Escócia de 1743 e num festival de emoções, está casada com um foragido nobre, refugiada no castelo do clã MacKenzie, curando as pessoas da região e vivendo os corcoveios daquele tempo. Já são quatro meses de sumiço, está apaixonada pelo escocês, mas precisa voltar. Tudo completamente diferente do seu mundo “moderno”, em 1946. O texto é bom e por mais que se tente, não dá para largar. Recomendo.
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E as eleições, hein? As redes sociais bombaram. Creio que nos levaram a uma tensão de participação inigualável. Quase todos postaram opiniões, discutiram, brigaram. Houve muitos insultos e creio que, nem na eleição local para governador e a nacional ou para presidente, haverá quem seja convencido por argumentos de um ou de outro. Quase não me manifestei. Não era minha praia e tal como foi, qualquer opinião resultava em beligerância, insultos e que tais. Melhor ficar assistindo. Na véspera, postagens de todos os lados aventavam possibilidades absurdas. O mundo não é mais o mesmo. E não mudo minha opinião, nem aqui no Pará, nem no Brasil. Viva a democracia.
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Com a vitória de Simão Jatene, creio que nos próximos anos, estará devidamente enterrada a Cultura do Pará. O tema sequer foi discutido durante a campanha e quando foi ventilado, o reeleito limitou-se a apresentar obras como Hangar e Estação das Docas. Nem é ridículo ou vergonhoso. É profundamente lamentável. Os atores continuarão amaldiçoados, representados por teatro amador de municípios no maior festival de teatro do mundo. Só rindo. Os músicos, no máximo, receberão dinheirinho para pequenos shows de dois dias. Os escritores estão representados pelo dileto Sectário de Cultura, premiado com um Jabuti por um belo e rico livro, desses caríssimos, que servem de decoração em escritórios importantes. Imagino que com o dinheiro gasto, faríamos uma política cultural por um ano, pelo menos. Pior é ser uma segunda Prefeitura. A Sectaria de Cultura serve apenas a Belém. Sinto muito. Não morreremos porque somos fortes, mas a Cultura, esta, que pena.

A saga de um polivalente

Por Gerson Nogueira

Djalma tem sido lapidado e preparado pelos técnicos do Papão desde o final de 2010. Sua passagem pela base foi rápida, mas teve o providencial apoio de Nad e Lecheva, sendo através desde guindado ao elenco de profissionais. Sábia decisão. Dos valores revelados na Curuzu poucos são tão polivalentes quanto ele.

Embora muitos o considerem erradamente um jogador dos lados do campo, Djalma é mais versátil do que a média, sendo capaz de assumir praticamente qualquer função dentro do time.

unnamed (56)O que é uma virtude cada vez mais celebrada no futebol moderno pode ser também um problema sério para a afirmação e valorização de um jogador. Imagine alguém sendo indagado sobre a verdadeira posição de Djalma no Papão. Acho que até o próprio Djalma terá dificuldade em responder na bucha.

Do ponto de vista mercadológico isso cria uma tremenda dificuldade. Djalma não pode ser oferecido a outro clube como solução para a lateral-direita ou o meio-campo, pois não atua normalmente só nessas posições. Dentro do próprio elenco, acaba desfavorecido, pois os técnicos tendem a olhar primeiro para os chamados “especialistas”.

Já andou por tantos lugares dentro da equipe que fica difícil fixá-lo numa posição. Atuou inicialmente como meia, depois passou a ala direito e falso atacante em alguns jogos, voltando finalmente à lateral-direita e passando a se revezar com Pikachu, cuja ascensão meteórica terminou por relegar Djalma à reserva.

Lecheva em muitas ocasiões aproveitou a velocidade de Djalma para funcionar como um parceiro de Pikachu pela direita, atuando como um volante avançado. Na reta final da Série B do ano passado, sob o comando de Wagner Benazzi, Djalma chegou a entrar em vários jogos como um terceiro atacante pelo lado direito, com boas atuações.

Sob a orientação de Mazola Júnior, voltou a jogar bem, mas teve uma brutal queda de rendimento na passagem de Vica pela Curuzu. Sofreu lesões e admitiu que a desmotivação teve papel importante na fase ruim.

Para o confronto desta tarde contra o Mogi Mirim (SP) no Mangueirão, Djalma volta à ala direita, em substituição a Pikachu, que está suspenso. Veloz, tende a ser uma das peças fundamentais para abrir os caminhos ofensivos do Papão, pois o Mogi deverá jogar no tradicional esquema cauteloso que os visitantes trazem debaixo do braço.

Ágil e produtivo no apoio, Djalma é também uma alternativa para reforçar a linha de ataque dependendo da situação do jogo. Ao lado de Bruno Veiga e Dênis, pode ser utilizado para inversões de jogadas e infiltrações por trás da linha defensiva inimiga.

O fato é que por onde atuar terá muito a contribuir para o conjunto, pois, acima de todas as facilidades de adaptação a posições, Djalma é um jogador de equipe, que se engaja muito bem ao esforço coletivo. Em situação normal seria titular absoluto, por isso sua escalação deve ser sempre saudada como um fato positivo para o Papão.

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Confiança nas próprias forças

A postura determinada do Papão na reta final da fase classificatória e no mata-mata inicial da Série C permite supor que o time terá comportamento firme e coeso hoje à tarde contra o Mogi, no estádio Jornalista Edgar Proença. Além de possuir um elenco do mesmo nível, o Papão terá a seu favor a familiaridade com o gramado do Mangueirão e a excepcional energia que virá das arquibancadas.

Dono da segunda maior média de público da Série C – atrás apenas do Fortaleza –, o Papão deve muito do respeito que impõe sobre os adversários ao entusiasmo de sua imensa torcida. Esse poder de fogo, reconhecido nacionalmente, põe o time na condição natural de favorito e até mesmo como um dos mais cotados ao título da competição.

Para que isso se confirme, porém, será necessário reproduzir a disciplina tática exibida nas duas partidas contra o Tupi. Foram duas atuações quase impecáveis do ponto de vista tático. Em Juiz de Fora, principalmente, o time foi frio e calculista, como é recomendável em confrontos decisivos.

Com o retorno do volante Augusto Recife ao meio-campo, o time tende a ficar ainda mais sólido na marcação e na abertura de jogadas. Bom passador, Recife é também o mais experiente jogador do atual elenco. Sua presença ajudará a diminuir os danos que a falta de Pikachu gera ao time.

A outra ausência importante é de Ruan, uma das peças mais decisivas do mata-mata com o Tupi. Além do gol marcado no segundo jogo, o atacante se mostrou desembaraçado nas jogadas de preparação de ataque aparecendo para receber bolas na meia cancha.

Dênis, seu substituto, tem alguma semelhança de estilo, mas é um jogador muito mais fixo. Diante disso, Bruno Veiga deverá ser o atacante responsável pela flutuação pelos dois lados, buscando jogo com Djalma.

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Vasco: acesso ainda ameaçado

Em terceiro lugar na classificação geral da Série B, o Vasco voltou a tropeçar ontem à noite. Escapou da derrota para o Paraná em Curitiba com um gol nos acréscimos. Acima de tudo, o time voltou a se mostrar inseguro e confuso nas ações ofensivas. Joel Santana, que chegou com ares de Sassá Mutema, voltou a ser o técnico comum de sempre. Retranqueiro, sem um plano criativo de jogo, é facilmente marcado e anulado pelos adversários.

Com 56 pontos ganhos, para garantir o acesso o Vasco ainda precisa ganhar pelo menos 10 pontos nas cinco rodadas que restam. Do jeito que vem atuando, a missão será muito árdua. Atlético-GO, Avaí, Santa Cruz e Ceará são adversários perigosos na briga pelo acesso.

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Direto do blog

“Quando falei que ele tinha feito uma arbitragem no estilo Europeu, deixando o jogo correr, naquele Re-Pa, não estava enganado. Errou em algumas situações na parte disciplinar? Concordo, mas não existe árbitro perfeito. Temos a mania de ser muito rigorosos com nossos árbitros. Parabéns ao Dewson, e que continue sua carreira de sucesso”.

De Cláudio Santos, sobre a ascensão profissional do árbitro paraense Dewson Freitas.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste sábado, 01)

Papão anuncia medidas de segurança para o jogo

A diretoria do Papão adotou algumas providências para garantir a segurança em torno da partida deste sábado, no Mangueirão. Atenção para algumas medidas preventivas adotadas pelo clube:

1) Torcedores com menos de doze anos devem estar com identificação e acompanhados somente dos pais; os de 13 até 17 devem estar acompanhados de tios, irmãos, avós, algum parente consanguíneo que tenha uma declaração assinada pelos pais e que possuem documento de identificação, de acordo com a portaria nº 011 /2008/JIJ/GAB que disciplina a entrada e permanência de crianças e de adolescentes em estádios, ginásios ou campos Desportivos.

2) Os portões serão abertos a partir das 13h, mas o B2 só às 14h.

3) Os ingressos estarão sendo vendidos no estádio Mangueirão de 9h às 12h, no portão B1 bilheteria. A partir das 13h, em todas as seis bilheterias do estádio.

4) De acordo com o Estatuto do Torcedor, os portões serão fechados após o primeiro tempo da partida.