A frase do dia

“Goste-se ou não, Dilma foi legitimamente reeleita. Derrotou Aécio Neves por uma diferença superior a três milhões de votos. O próprio Aécio telefonou para ela parabenizando-a. Não se pode impedir ninguém de pregar o impeachment. Nem mesmo de pregar um golpe militar. O extraordinário da democracia é que ela garante a liberdade até mesmo dos que se opõem a ela. Mas quem tenha o mínimo de responsabilidade política e social não pode ouvir calado os que incitam ao ódio e à quebra da legalidade”.

Por Ricardo Noblat, jornalista e colunista de O Globo.

Too old to rock and roll

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Por Edyr Augusto Proença

Robert Plant acaba de negar mais uma reunião da lendária banda Led Zeppelin. Deixou de receber alguns milhões de libras dos patrocinadores. Na última vez que o grupo tocou, na Inglaterra, o resultado comercial foi esplendido, gerando cd e dvd. A desculpa de Plant, frágil, é a preocupação com sua carreira solo – acaba de lançar mais um disco. Penso que o real motivo é o declínio de sua voz, com a idade. Eles todos estão nos 70 anos. Enquanto os demais se divertem tocando seus instrumentos, com amplificadores atuais e todos os outros eletrônicos que facilitam a vida, Plant tem apenas a voz. Era uma voz!

jimmy-page-and-robert-plant-1975No auge, sua figura no palco, cabeludo, bonito, sem camisa, calças apertadas e atingindo tons agudos, era de uma octanagem sexual altíssima. Na reunião passada, fora toda a vibração por vê-los novamente juntos, vamos combinar que na maioria das músicas, Plant optou pelos tons mais baixos, variações vocais, fugindo dos agudos, o que alcançou, razoavelmente, nas duas ou três últimas canções. Já são passados oito anos, creio. A velhice cobra.

O show business, na falta de novos astros que reúnam gigantescas plateias, chama de volta os velhos heróis. Há quem aguente o tranco. Os Rolling Stones são o exemplo, mas diga-se, Mick Jagger está inteiro, aos 70 anos, com energia de sobra. Paul McCartney arrisca-se nos agudos. Alguns falham, mas vai tudo na emoção.

Lembro de uma frase célebre, escrita por Pete Townshend na primeira música de sucesso do The Who: “Hope I die before I get old”. Estou lendo a biografia de Pete, rapaz pobre, molestado sexualmente na infância, aprendeu a tocar guitarra, a compor, sempre sonhando com uma ópera e hoje, pretende, com Roger Daltrey, encerrar a carreira faturando algum com cd e show. Já não há mais John Entwhistle, nem Keith Moon. Eles ficaram velhos e continuam tocando.

O Yes é outro exemplo. A banda utiliza no momento um cantor especializado em imitar Jon Anderson, que após problemas médicos, não alcança mais as notas mais altas. Tempos difíceis para cantores veteranos. A galera dos instrumentos se esbalda enquanto eles sofrem. Quem envelhece, morre, diz “Oblomov”, em uma peça russa.

Como pode rock and roll com septuagenários? E fico lembrando de como amávamos nossos ídolos, sem nunca ter assistido sequer um show deles. Jimi Hendrix, para mim, veio em Woodstock, o qual assisti sete vezes. Passava um vídeo clip, em película, muito antes da MTV. A geração atual tem tudo à disposição, mas me parece estar criando pouco.

Garotos passam uma tarde ouvindo a discografia dos Stones e depois vêm dizer que sabem de tudo. Nós tínhamos um disco por ano, o qual escutávamos sem parar. Conhecemos ate hoje a ordem das músicas. Nas capas não vinham as letras, o que começou com Sgt Pepper.

Estou ouvindo Steve Hackett, o lendário guitarrista do Genesis, há muito em carreira solo. Gravou e fez turnê tocando sucessos antigos da banda. As execuções são um primor instrumental e nos vocais, alguns convidados. “Play me my song”, em “Musical Box”. Muitas outras. A vantagem é o som, excelente, encorpado, forte, instrumentos melhores.

Robert Plant pode ter ficado envergonhado, também, de cantar hits, digamos, juvenis, como “Whola lotta of love”, por exemplo. O U2 ainda sobrevive, mas seus integrantes são, hoje, senhores ricos, cuidando de suas famílias. E você, quem acha ser “too old to rock and roll”?

(Publicado em O Diário do Pará, caderno TDB, coluna Cesta, 21.11.14)

Nunca se roubou tão pouco

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Por Ricardo Semler, na Folha de SP

Não sendo petista, e sim tucano, sinto-me à vontade para constatar que essa onda de prisões de executivos é um passo histórico para este país

Nossa empresa deixou de vender equipamentos para a Petrobras nos anos 70. Era impossível vender diretamente sem propina. Tentamos de novo nos anos 80, 90 e até recentemente. Em 40 anos de persistentes tentativas, nada feito.

Não há no mundo dos negócios quem não saiba disso. Nem qualquer um dos 86 mil honrados funcionários que nada ganham com a bandalheira da cúpula.

Os porcentuais caíram, foi só isso que mudou. Até em Paris sabia-se dos “cochons des dix pour cent”, os porquinhos que cobravam 10% por fora sobre a totalidade de importação de barris de petróleo em décadas passadas.

Agora tem gente fazendo passeata pela volta dos militares ao poder e uma elite escandalizada com os desvios na Petrobras. Santa hipocrisia. Onde estavam os envergonhados do país nas décadas em que houve evasão de R$ 1 trilhão –cem vezes mais do que o caso Petrobras– pelos empresários?

Virou moda fugir disso tudo para Miami, mas é justamente a turma de Miami que compra lá com dinheiro sonegado daqui. Que fingimento é esse?

Vejo as pessoas vociferarem contra os nordestinos que garantiram a vitória da presidente Dilma Rousseff. Garantir renda para quem sempre foi preterido no desenvolvimento deveria ser motivo de princípio e de orgulho para um bom brasileiro. Tanto faz o partido.

Não sendo petista, e sim tucano, com ficha orgulhosamente assinada por Franco Montoro, Mário Covas, José Serra e FHC, sinto-me à vontade para constatar que essa onda de prisões de executivos é um passo histórico para este país.

É ingênuo quem acha que poderia ter acontecido com qualquer presidente. Com bandalheiras vastamente maiores, nunca a Polícia Federal teria tido autonomia para prender corruptos cujos tentáculos levam ao próprio governo.

Votei pelo fim de um longo ciclo do PT, porque Dilma e o partido dela enfiaram os pés pelas mãos em termos de postura, aceite do sistema corrupto e políticas econômicas.

Mas Dilma agora lidera a todos nós, e preside o país num momento de muito orgulho e esperança. Deixemos de ser hipócritas e reconheçamos que estamos a andar à frente, e velozmente, neste quesito.

A coisa não para na Petrobras. Há dezenas de outras estatais com esqueletos parecidos no armário. É raro ganhar uma concessão ou construir uma estrada sem os tentáculos sórdidos das empresas bandidas.

O que muitos não sabem é que é igualmente difícil vender para muitas montadoras e incontáveis multinacionais sem antes dar propina para o diretor de compras.

É lógico que a defesa desses executivos presos vão entrar novamente com habeas corpus, vários deles serão soltos, mas o susto e o passo à frente está dado. Daqui não se volta atrás como país.

A turma global que monitora a corrupção estima que 0,8% do PIB brasileiro é roubado. Esse número já foi de 3,1%, e estimam ter sido na casa de 5% há poucas décadas. O roubo está caindo, mas como a represa da Cantareira, em São Paulo, está a desnudar o volume barrento.

Boa parte sempre foi gasta com os partidos que se alugam por dinheiro vivo, e votos que são comprados no Congresso há décadas. E são os grandes partidos que os brasileiros reconduzem desde sempre.

Cada um de nós tem um dedão na lama. Afinal, quem de nós não aceitou um pagamento sem recibo para médico, deu uma cervejinha para um guarda ou passou escritura de casa por um valor menor?

Deixemos de cinismo. O antídoto contra esse veneno sistêmico é homeopático. Deixemos instalar o processo de cura, que é do país, e não de um partido.

O lodo desse veneno pode ser diluído, sim, com muita determinação e serenidade, e sem arroubos de vergonha ou repugnância cínicas. Não sejamos o volume morto, não permitamos que o barro triunfe novamente. Ninguém precisa ser alertado, cada de nós sabe o que precisa fazer em vez de resmungar.

RICARDO SEMLER, 55, empresário, é sócio da Semco Partners. Foi professor visitante da Harvard Law School e professor de MBA no MIT – Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA)

Na Ferrari, Vettel será piloto mais caro da história

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Do site Grande Prêmio

Nesta sexta-feira, a jornal britânico ‘The Telegraph’ revelou que o contrato do tetracampeão com a escuderia de Maranello é de £ 150 milhões (aproximadamente R$ 600 milhões). Segundo o ranking divulgado pela revista Forbes recentemente, Vettel é o 83º na lista dos 100 atletas mais bem pagos do mundo, com um faturamento de R$ 48,4 milhões por ano.

Com o novo vínculo com a Ferrari, Sebastian passaria a ter um ganho anual de R$ 199,8 milhões — considerando apenas o salário —, o que o colocaria como o terceiro atleta mais bem pago do mundo, atrás apenas do boxeador Floyd Mayweather (R$ 267,3 milhões) e do jogador de futebol Cristiano Ronaldo (R$ 203,8 milhões).
Entre os pilotos da F1, Lewis Hamilton aparece como o 19º na lista dos mais bem pagos, recebendo R$ 81,5 milhões. Fernando Alonso é o 21º, com R$ R$ 79 milhões.
Participando de um evento ao lado de Alonso e Jenson Button na noite passada, Vettel recordou a passagem de Michael Schumacher pela escuderia vermelha e afirmou que espera repetir o ídolo e ver a Ferrari retomar o caminho das vitórias.
“Quando eu era criança, Michael Schumacher em seu carro vermelho era o meu grande ídolo e agora é uma honra incrível finalmente ter a chance de guiar uma Ferrari”, declarou.

O abismo de nove anos

Por Gerson Nogueira

A serena eleição de Alberto Maia em processo de aclamação pelos sócios e conselheiros é só um aspecto a diferenciar hoje a gestão do Papão no cenário desolador do futebol paraense. Enquanto seus oponentes, principalmente o mais tradicional deles, tropeçam nas próprias pernas, o Bicolor segue altaneiro, guiado por cabeças lúcidas e bem-intencionadas. O fato leva forçosamente a uma comparação com o deserto de ideias que campeia do lado azulino.

Quando um clube consegue conduzir sem solavancos o processo sucessório é porque alcançou a tão sonhada estabilidade democrática. Há dois anos, Vandick Lima venceu o pleito em meio a uma acirrada disputa, embora o resultado final tenha se revelado incontestável.

unnamed (89)Desta vez, a coisa foi mais tranquila. Alberto Maia não teve adversário. Méritos de Vandick e de sua gestão muitas vezes tão injustiçada. Depois de um primeiro ano insatisfatório, marcado pelo rebaixamento à Série C, eis que tudo mudou no final do mandato.

Quiseram os deuses da bola que o presidente conquistasse o acesso à Série B e afugentasse os urubulinos de plantão, ávidos em denegrir e escarnecer. Caso não tivesse sido bem sucedido na condução do futebol, mola mestra de todo clube de massa, Vandick estaria relegado hoje à galeria dos presidentes “malditos”.

A confirmar a tese da insustentável leveza do futebol, o Papão saltou de situação extremamente desfavorável na Série C para uma reação espetacular, que culminou com a conquista do acesso. Mas o êxito não deve ser atribuído apenas às forças do imponderável.

Para se reerguer na competição, a diretoria teve o desprendimento de trazer de volta o técnico Mazola Junior, peça fundamental na campanha. O resto da história todo mundo já conhece e se completará amanhã à tarde.

Enquanto isso, nos arraiais remistas, campeia uma crise turbinada pela falta de compromisso com a instituição. Vaidades pessoais pontificam e o clube afunda. A incompetência dá as cartas até na organização de uma eleição, levando a um processo tumultuado e tabajara, que forçou a um repeteco do pleito em dezembro. Isso tudo, claro, se a Justiça não mudar os rumos do enredo.

Não por acaso, os remistas festejaram ontem os nove anos da conquista do Brasileiro da Série C 2005, título mais importante da história do clube. Refletindo a barafunda interna, não houve qualquer comemoração pública do feito. Talvez nem haja mesmo clima para isso.

Na comparação direta com o maior rival, e para usar um termo em voga, o Remo padece de desamor. Seus dirigentes não são comprometidos o suficiente e nem enxergam com clareza a gravidade da situação. Enquanto brigam por poder, os gestores do Papão agregam e avançam. Por isso, num cálculo livre, pode-se dizer que a vantagem bicolor já é exatamente proporcional aos nove anos que o Remo está órfão de glórias nacionais.

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Decisão rende mais de R$ 1,5 milhão

Caso venda todos os ingressos para a decisão com o Macaé no sábado, os cofres do Papão devem registrar nas próximas horas a excepcional entrada de R$ 1.678,750,00, correspondentes a 38 mil lugares no estádio Jornalista Edgar Proença. Só com a venda das arquibancadas, a R$ 50,00 por pessoa, o clube vai arrecadar R$ 1.455.000,00.

A venda direta ao torcedor envolve 32.240 ingressos, sendo 29.100 arquibancadas, 1.840 cadeiras, 1.000 meias, 150 cadeiras para sócios proprietários e 150 arquibancadas para sócios proprietários. Além disso, serão distribuídos 2.760 ingressos de gratuidades e mais 3.000 para sócios torcedores, que registram no borderô com o valor simbólico de R$ 1,00.

Até ontem à tarde, cerca de 30 mil ingressos já tinham sido vendidos.

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Direto do blog

“O Remo paga por ter cometido uma grande injustiça e, pior, uma grande ingratidão com quem o levou ao título nacional, o técnico Roberval Davino. Se entendessem de futebol, a primeira coisa que deveriam ter feito era ter segurado o bom técnico e mantido alguns jogadores a pedido dele. O Remo teria montado uma boa estrutura e certamente hoje não estaria sem série”.

De Cláudio Santos, sobre a conquista do Remo na Série C 2005.

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Rio na Série A: futebol de segunda

Na Copa do Brasil, o Flu já havia sucumbido ao América de Natal, levando de 5 a 2 no Maracanã. Ontem, também no Rio, outro emergente subjugou o poderoso tricolor carioca, impondo uma goleada de 4 a 0. A façanha desta vez coube à Chapecoense.

O vexame vem se juntar a uma rodada trágica para os cariocas na Série A. O Flamengo tomou a segunda goleada (4 a 0 desta vez) para o Atlético-MG em Belo Horizonte. E o Botafogo confirmou sua marcha inabalável rumo ao rebaixamento, perdendo para o Figueirense, em São Januário.

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Cruzeiro com a mão na taça

Com gols de seus principais jogadores, Ricardo Goulart e Everton Ribeiro, o Cruzeiro virou um placar adverso sobre o Grêmio e manteve a rota rumo ao bicampeonato brasileiro. Com 73 pontos (sete sobre o vice-líder São Paulo), pode conquistar o título já no próximo domingo caso vença o Goiás.

E a derrota do Grêmio permitiu à torcida paraense um rápido reencontro com Ivo Wortmann, ex-técnico do Papão e hoje auxiliar de Felipão. Não foi um bom momento de Ivo, que, inconformado com o resultado, vociferou críticas injustas à arbitragem.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 21)

Mão Santa é vaiado e xinga plateia em Caruaru

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Do NE10 Interior

O ex-jogador de basquete da Seleção Brasileira Oscar Schmidt, de 56 anos, foi vaiado durante palestra realizada no último domingo (16) em Caruaru, no Agreste de Pernambuco. Mais de dois mil alunos de uma faculdade particular do Interior pernambucano estiveram presentes no evento realizado em um shopping center da cidade. A palestra repercutiu negativamente nas redes sociais. O jogador foi alvo de críticas.

De acordo com Marcos Ferreira, aluno de educação física, que esteve na palestra, o ex-jogador foi “grosseiro com o público” e não estaria preparado para realizar palestras. “Nós tivemos que passar por momentos constrangedores. Ele começou a falar vários palavrões desnecessários, foi mal educado com as pessoas. As pessoas que foram para admirar e ouvir a história dele começaram a vaiar. Ninguém estava acreditando naquilo. Mais de 500 pessoas abandonaram a palestra antes da metade”.

Ainda segundo Marcos, Oscar começou a ficar irritado por causa de uma falha no sistema de som do evento. “O microfone sem fio dele estava dando interferência e ficava fazendo um barulho. Ofereceram outro microfone para ele, mas ele disse que não usava aquele tipo porque era microfone de amador. Enfim, eu fui ver um exemplo, esperando levar ensinamentos para minha vida profissional, e saí com uma sensação terrível. Ele disse que sairia com uma má impressão de Caruaru, mas ele que destruiu tudo que nós pensávamos sobre o atleta”.

A estudante de Letras Cybeli Oliveira também reclamou da condução da palestra. Ela fez um texto e publicou em uma rede social.  Segundo ela, “a palestra foi uma total baixaria, chamou vários palavrões, insultou e humilhou a plateia em todos os momentos, reclamava o tempo todo com as pessoas que estavam tirando fotos dele dizendo que estava ali para contar a história dele e não para ser fotografado, pois quem quisesse tirar foto dele poderia ir embora. […] Enfim, só presenciei apenas 15 min de palestra, pois eu e mais centenas de pessoas nos retiramos dali, pois esses poucos minutos foram o suficiente para transformar aquele momento de satisfação e de aprendizado em ódio. Pois em minutos aquele tão desejado palestrante nos mostrou pessoalmente o seu lado mal educado,torpe, grosso, sem escrúpulos”.

A faculdade emitiu nota pedindo desculpas aos alunos que pagaram para assistir à palestra e lamentando o comportamento do ex-jogador. O departamento de marketing da unidade de ensino informou que a escolha de Oscar para ministrar a palestra foi baseada em outras ações feitas por ele em outras instituições de ensino e que “jamais se esperaria o tipo de comportamento adotado por ele diante do público”. A equipe doNE10 Interior ligou diversas vezes para a assessoria de imprensa do ex-jogador, mas as ligações não foram atendidas.