Pragmatismo na veia e morte da Rede

Por Renato Rovai

1379745_554377281297217_1930467473_nA notícia da vez em relação à decisão de Marina Silva é de que ela vai se filiar ao PSB. E que pode ser candidata a vice na chapa de Eduardo Campos. O PSB é um partido muito melhor do que a ampla maioria dos partidos políticos no Brasil. Mas não é diferente da maior parte deles. Ao contrário, talvez tenha como maior vocação o governismo. Onde há governo, o PSB é a favor. Tem sido um partido mais pragmático que o PMDB, que é acusado disso o tempo todo na mídia.

O partido de Eduardo Campos apoiava o PT no governo federal, no Rio Grande do Sul, na Bahia, em Brasília. O PSDB, em Sâo Paulo, Minas e Paraná. E o PMDB no Rio de Janeiro. Brasil afora, em quase todas as cidades onde o PSB está montado, ele ou é governo ou é governo. São raros os lugares onde se acha um PSB de oposição.

A decisão de Marina parece ter levado esse pragmatismo em conta. Ela se filia num partido que de alguma forma não é de direita, nem de esquerda e nem de centro. É governo. O que a leva a ter na vida real um espaço concreto para operar politicamente.

O jogo das eleições de 2014 fica muito diferente com essa sua decisão. Porque a candidatura Campos passará a ser muito mais forte. Mas ao mesmo tempo, Marina acaba de matar o que poderia vir a ser a Rede Sustentabilidade. Porque não fará sentido para muitos daqueles que a acompanharam integrar um projeto como o do PSB, que em vários lugares tem no comando do partido políticos altamente vinculados com o conservadorismo e a velha política. Em Santa Catarina, por exemplo, Campos acaba de entregar o partido aos Bornhausen.

O fato é que Marina se pintou. Se pintou para a guerra. Sua decisão de ir para o PSB é muito mais uma ação pragmática para tirar o PT do governo federal do que qualquer outra coisa. Ela faz parte de um projeto onde estarão não só Campos, mas Roberto Freire, Serra, Aécio, Borhausen etc.

Por fim, se Marina se filiou ao PSB por “questões programáticas”, imagino que a questão ambiental não esteja entre elas. Na votação do código florestal o partido liberou sua bancada para votar a favor ou contra o código. E a bancada se dividiu praticamente ao meio. Ou seja, metade votou com os ruralistas. É esse o programático de Marina? Ou seria o pragmático…

11 comentários em “Pragmatismo na veia e morte da Rede

  1. Não há medo de Marina, assim como não há de Eduardo, de Aécio, de Serra…
    É justamente o contrário. O que eu vejo é desespero da direita, do centro, da mídia, do conservadorismo… . Vale tudo para apear o partido que tirou dezenas de milhões de brasileiros da faixa da pobreza, que não se humilha diante dos estadunidenses, que equipou e apoiou a Polícia Federal no combate à corrupção (até cortando a própria carne, se for o caso).
    Vale tudo para tirar um partido que, para muitos, não passaria de um mandato de quatro anos e, para espanto do grande capital e da mídia subserviente, está no terceiro e com grandes possibilidades de um quarto mandato.
    É desespero mesmo.

    Curtir

  2. Esse PSB é apenas mais do mesmo: sai fazendo alianças com todos, em tudo que é canto… Acho que o E. Campos, pelo jeito, deve
    ter como um projeto muito pessoal ser presidente.

    Curtir

  3. Bom, meu amigo, a mim me parece uma análise que revela a cada parágrafo uma clara frustração e um desnecessário temor com a postura da “ex-Verde”. Vejo que a expectativa era a de que ela ao invés de vir pragmaticamente participar do pleito e com isso deixar a candidatura de Campos muito mais forte (como dito no post), deveria ter se resignado com a negativa do TST e ficado totalmente à margem da disputa.

    Curtir

  4. Valentin, não há mais esse negócio de direito, centro, esquerda. Afinal, hoje não há nada mais direitoso e neo-liberal do que o petismo, o lulismo, e, agora, o dilmismo. E, quanto às alianças, Heleno, ninguém melhor do que o pt pra mostrar que “vale tudo”. Afinal, o maluf, o Sarney, o Collor, e pasme, o Maluf, sim, o Maluf, agora são petistas desde criancinha, ou vice-versa.

    Curtir

  5. Como sempre digo, a eleição para os cargos majoritários começam bem antes que o eleitorado imagina. A polaridade, péssima para a democracia, felizmente não teremos nas próximas eleições. A Marina, que dizem os PMDBistas é muito fraquinha, deu um nó tático, como diria o Cláudio Colúmbia, no PT e no PMDB. Anotem, Eduardo Campos vem forte, a Dilma e o PT vai ter que ter muito folego para ganhar essa eleiçao. Infelizmente no Pará o Ademir Andrade suja a imagem do PSB. Antecipando meu voto, vou de Eduardo Campos e Marina para a presidência.

    Curtir

  6. O PSB é aquele partido que foi sem nunca ter sido, tal como o PPS. O discurso progressista fica só no discurso mesmo e no S das siglas, pois a prática é justamente o contrário. O PT, pelo menos, sabemos que é um partido que preza pela tal governabilidade e que em nome disto sai estabelecendo laços a torto e a direito com setores nada simpáticos às causas progressistas. Quanto aos partidos acima citados… são incógnitas.
    Ademais, não relacionemos a possível reeleição de Dilma às “bolsas”, haja vista que nem todos os pobres e miseráveis desde país são por elas contemplados. Associá-las à possível continuidade do partido no poder é querer observar o contexto sob a ótica da superficialidade e das meras aparências, quando a manutenção do poder nas mãos da sigla segue em outra direção, nos embates e no jogo político ambos de caráter palaciano.

    Curtir

  7. “Relacionemos”, sim! Aliás, a relação direta entre as “bolsas” e as reeleições é admitida e reforçada até pelos filósofos, teólogos e cientistas sociais do lullopetismo, para confirmar basta ler as respectivas obras. A propósito, Quanto aos “miseráveis”, aos quais os cientistas sociais do lullopetismo chamam de subproletariado, a estratégia do continuismo é exatamente esta: não incluir a todos, não contemplar a todos, de molde a ter à disposição um sempre crescente “exército de reserva” eleitoral. Com efeito, “superficialidade” e “aparência” é no que a propaganda lullopetista tem investido destes quase onze anos. Agora, de fato, há de se concrdar (aliás, eu já digo isso há tempos) não há no Brasil esquerdismo, máxime nos partidos, especialmente no lullopetismo.

    Curtir

Deixar mensagem para blogdogersonnogueira Cancelar resposta