O peso das diferenças

Por Gerson Nogueira

bol_sab_260113_15.psSerá que vai chover? É a pergunta que mais se ouve em Belém nessas horas nervosas que antecedem o Re-Pa tão aguardado – mais até que as tradicionais indagações sobre o placar do confronto. A preocupação é justificada, pois no ano passado um toró atrasou e estragou o segundo clássico do campeonato. Na ocasião, o Paissandu também tinha o time mais arrumado, mas o resultado final foi um frustrante 0 a 0. O campo pesado produziu um jogo feio e amarrado.

Desta vez, com times tecnicamente melhores, a perspectiva é de um grande jogo. A anunciada disposição de Flávio Araújo e Lecheva manter os sistemas que já vinham usando revela coerência, mas põe em relevo o setor mais estratégico do futebol: o meio-de-campo. Se o Paissandu faz bem em manter a escalação que atingiu seu melhor estágio de entrosamento contra o Águia, não se pode dizer o mesmo do Remo.

Lecheva tenta, compreensivelmente, repetir a impressionante atuação de domingo passado, quando os bicolores apresentaram um ajuste de meio-de-campo que nenhuma outra equipe mostrou na competição até agora. A bola foi tocada de pé em pé, quase sem erros. Graças a isso, o jogo fluiu e o Paissandu passou como um trator sobre o Águia. Parecia um time ajustado há muito tempo, embora fosse apenas a terceira apresentação da nova formação.

As atuações de Ricardo Capanema e Esdras, cuidando da marcação e eventualmente se lançando à frente, foram fundamentais para o equilíbrio do setor. Mais à frente, Gaibu e Eduardo Ramos abasteceram o ataque com passes e lançamentos de qualidade, deixando Rafael Oliveira e João Neto várias vezes em situação de finalização. E, com o meio arrumado, Pikachu também teve espaço e liberdade para se dedicar ao ataque.

Ao contrário do grande momento vivido pelo Paissandu na meia-cancha, o Remo sofre para ajustar o setor. Seus volantes, Nata e Endy, não funcionam como guardiões da defesa e nem fazem a distribuição de bola para os meias e atacantes. Pagam o alto preço do desentrosamento e sobrecarregam tanto a armação, entregue exclusivamente a Tiago Galhardo, quanto os três zagueiros, que é obrigada a rebater bolas a todo instante.

Com o buraco existente, o time abusa das ligações diretas e do jogo aéreo. Mesmo aos trancos e barrancos, a campanha é vitoriosa, mas será capaz de superar o principal adversário?

Tony, outro volante, tem sido improvisado na direita. E aí reside outro problema: a falta de conexão entre os alas e o ataque. No 3-5-2 clássico, alas desempenham papel decisivo na transição de jogo. Não tem sido assim no Remo atual. Berg, pela esquerda, até tenta, mas não executa bem a função.

Os dois lados têm diferenças claras no momento, capazes de pesar na balança durante o jogo. O Paissandu tem um meio-campo mais organizado e um ataque que reflete essa organização. O Remo tem uma defesa firme, mas sobrecarregada pelos volantes, e um ataque que podia render mais se a armação fosse bem feita. O embate de hoje colocará à prova essas duas realidades.

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Valtinho assume a base do Leão

O Remo anunciou ontem a contratação de Valter Lima para coordenar suas divisões de base. Tão importante quanto a escolha de um profissional do nível e da competência de Valtinho é a confirmação pública de interesse pela formação de atletas.

Profissionalizar a organização da base é um mandamento que muitos clubes alardeiam, mas poucos cumprem efetivamente. Mesmo com erros recentes na condução dos negócios envolvendo jovens atletas de sua propriedade, o Remo parece disposto a dar prioridade a um departamento que sempre justificou a própria denominação – amador.

Baluartes, pais e colaboradores sempre se encarregaram das divisões formadoras, com todos os méritos e problemas que esse tipo de situação acarreta. A base já revelou bons jogadores, desde os tempos gloriosos de Aderson e Mego, mas precisa se organizar para produzir craques e garimpar pedras a serem lapidadas.

Valter Lima tem traquejo e experiência para cuidar das várias divisões. No futebol profissional, mostrou qualidades. Montou o Remo, campeão brasileiro de 2005 (Série C), e o São Raimundo, campeão brasileiro da Série D em 2009. Com autonomia e apoio, pode fazer muito pelo clube. Terá Rogério Belém como colaborador e olheiro de novos talentos.

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Direto do blog:

“Incomodou ter visto na relação remista só 2 meias ofensivos e um lateral de ofício, mais uma vez. Gerônimo pode até ser uma surpresa na escalação, mas essa parece a mudança mais provável. É pouca variação. Isso indica, para mim, que o Remo, no máximo, vai de Gerônimo na vaga do Endy até aqui. De resto, a única outra dúvida é quem forma o ataque com o Paulista: Leandro Cearense ou Val Barreto? Ok, os outros laterais estão sem ritmo de jogo, clássico é clássico, blá-blá-blá… Mas o que parece é que Flávio Araújo não quer abrir mão dos volantes. O Nata parece ainda sem ritmo de jogo e faz falta a granel, além de errar muito passe. É candidato a cartão vermelho. Escalaria ou o Biro ou o Gerônimo para volante e poria Edilsinho pela direita para encostar mais no ataque. Mas nada disso que sugiro parece ter chance de acontecer e o Remo vai de novo a campo tomar sufoco no 1º tempo pra arrumar a casa, no 2º. Tomara que eu esteja enganado”.

Por João Lopes Jr., torcedor inquieto com os problemas da meiúca azulina.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste sábado, 26)

21 comentários em “O peso das diferenças

  1. Gerson e amigos, o fato do Paysandu apresentar um time mais entrosado, podemos assim dizer, é pelo fato de ter mantido muitos jogadores do ano passado, diferentemente do Remo, que precisou, num tempo não muito adequado, montar um time e um elenco para a disputa desse Parazão e, ainda hoje, sem todos os jogadores a disposição do técnico.
    – Do time do Paysandu, hoje, 5 jogadores são remanescentes do ano passado(sem contar no banco), o que faz a diferença, quando o assunto é entrosamento. No do Remo, os 11 jogadores e mais o banco, são jogadores novos. Nenhum do ano passado..
    – No Paysandu, não se enganem, o técnico é o Lecheva, mas quem dá as coordenadas, é Wellington Vero, por sua experiência ao lado de Givanildo, por isso, inteligentemente o Papão mantém o time, hoje. O problema, é dentro de campo, na hora de ler o jogo e isso, nenhum dos dois sabe, ao que me parece..
    – Flávio Araújo, ao manter a equipe, mostra que sabe o que faz, pois com essa mesma equipe, fez ela jogar fácil no 2º tempo do jogo contra o Cametá, ajustando a mesma, taticamente, uma vez que não pode ainda,contar com alguns jogadores..
    – É bom lembrar, que Gerônimo, é ala direito, mas que joga como volante e não o contrário.. Então, no banco, hj, teremos um ala direito, pela 1ª vez.

    – É a minha opinião.

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  2. – Sinceramente, Gerson e amigos, vejo com bons olhos essa contratação do Valtinho, para coordenar as divisões de base do Remo, que já tem no sub 17, o Rogério Belém(Bom, só conheço ele como jogador..)..
    – O grande problema que vejo nisso, é que aqui em Belém, temos em grande parte da mídia, pessoas que insistem em ver técnicos locais treinando Remo e Paysandu e isso, poderá ser a chance(E acredito que eles(os técnicos contratados) pensaram nisso), para ingressarem no profissional..
    – Parece que já estou escutando no rádio: “O Remo não tem porque gastar dinheiro com técnicos de fora, pega logo o Valtinho que já está aí, ou então, faz uma dobradinha Valtinho/R.Belém, não vai gastar dinheiro com passagens, hospedagens,..Eles conhecem o grupo…”. Com dirigentes de radinhos que temos…

    – Espero estar enganado..

    Eu hein..

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  3. Quanto ao post, do amigo João Lopes.. Amigo João, um conjunto, só se faz dando continuidade a uma equipe. Perceba, que Givanildo quando estava montando o Paysandu, que ganhou tudo à época, não mudou a base do time, mesmo perdendo algumas competições, para, lá na frente, ganhar tudo, acrescentando alguns jogadores de qualidade a essa base, já estruturada.. Percebeu que o Águia de Marabá não mudou seu time, mesmo após a goleada para o Paysandu? O problema é, em clubes de massa, você fazer o torcedor enxergar isso. É por isso se fala que técnico para Remo e Paysandu, tem que ter pulso..Daí essa importância do Vero, ao lado do Lecheva,..

    Flávio já tem em mente as mudanças que todos queremos, mas ele precisa dar conjunto a essa base montada, mesmo perdendo o Re x Pa,…., para que, na hora que mudar, não atrapalhe o conjunto do time e jogue fora todo o trabalho realizado, até aqui.. Elementar..

    O Remo está sendo preparado para voltar Série C e não só para o Parazão…

    É a minha opinião

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    1. É verdade, amigo. Na verdade, queria exemplificar o último clássico entre os dois rivais e acabei mencionando o primeiro. Vou corrigir aqui no blog.

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  4. Égua Claudio!…é muita perseguição ao Lecheva…o cara não tem mérito em nada..vc insinua que.até os méritos que ele teve e tem, (do Lecheva) agora são do ex- preparador físico do Givanildo Oliveira…te dizer. Para com isso…meu camarada!!

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  5. Fim de jogo no Francisco Vasques.. Tuna 0 x 1 Cametá – Cametá jogou com 10 jogadores, desde o 1º tempo…. Não estava enganado com esse time da Cruz de Malta… Infelizmente…

    Aliás, estão dizendo que o técnico Samuel Cândido vai ser demitido… Aliás, amigos, é o técnico que mais insucessos acumulou, desde 2012.
    1- Foi contratado pelo Rio Branco-AC, com bastante antecedência para montar o elenco, e foi demitido, por incompetência..
    2- Foi contratado pela 3ª vez consecutiva, pelo Parauapebas e não conseguiu, nas 3 vezes, levar esse time à elite do Parazão;
    3- Na Tuna, pude constatar no jogo contra o Remo(está gravado aqui no blog) que é um time desarrumado taticamente e que, mesmo o Remo não conseguindo apresentar um bom futebol, ganhou de 2 x 0..

    A Tuna, é lanterna, até agora, no 1º turno do Parazão 2013.

    Infelizmente..

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  6. Claudio, eu até ia lhe convidar pra assistir ao jogo do Souza pela manhã, mas como tinha uma consulta no HPD nao lhe avisei…estive assistindo ao jogo desde 25 minutos do primeiro tempo e realmente a Tuna Luso nao possui um esquema tático definido…sao 11 jogadores correndo perdido nas quatro linhas ….mesmo com um atleta a mais desde 35 mtos da primeira etapa (Marcelo Pitbul foi expulso pelo segundo cartao amarelo) a Aguia guerreira nao cnseguiu nem o gol de empate…Obs 1: encontrei o Agnaldo por lá e brincando falei para ele ir se preparando q a qualquer momento pode asumir o clube tunante…rsrs..ele apenas sorriu. Obs 2: Rafael Paty e Diego Indio foram indicados ao SC q vetou dizendo q tinha atacantes bem melhores por lá…he he ..Obs3: O Arbitro da partida Marcelo Ramos em meu ponto de vista, marcou uma falta fora da area, com a mesma acontecendo dentro em favor da TLB…

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    1. Amigo Edmundo, diante do seu relato, pode-se dizer então que Cacaio aplicou um nó tático em Cândido? Ou trata-se apenas da constatação de que a Tuna de Cândido não chega aos pés daquela treinada pelo grande estrategista Lucena?? hehehe…

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  7. É aquilo que sempre falo, amigo Edmundo.. Independente da Tuna não ter condições de dar bons jogadores ao Samuel, mas pelo menos se imaginaria um mínimo de organização tática no time… Contra Remo e Paysandu, todo mundo quer jogar, amigo, por isso os jogadores dão tudo de si num jogo contra esses 2 clubes e passa a falsa impressão de domínio, no jogo, mas na verdade, é muita disposição e correria, apenas isso.

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  8. Gerson, eu nao diria um nó tatico, rsrrsr, mas com menos um em campo, qualquer treinador deve dizer: vs nos fechar e sair no contra ataque,,,rsrsrrs….no gol da vitoria, o jogador de numero 8 é quem perdeu a bola no meio de campo,,,logo nao foi contra ataque, e sim um erro crucial do meio campista tunante….

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