Por Gerson Nogueira
Contra todo o pessimismo reinante – inclusive meu –, o Remo contratou o técnico Flávio Araújo, que desembarcou ontem em Belém cheio de ideias para ressuscitar o time. Terá trabalho árduo pela frente no processo de reconstrução do time. Enfrentará ainda um retrospecto altamente desfavorável. Nas últimas temporadas, técnicos forasteiros sempre entraram pelo cano quando dirigiram Remo e Paissandu no campeonato estadual.
Na primeira visita ao clube, deve ter observado os muitos pontos cegos existentes na estrutura do Evandro Almeida, a começar pelos alojamentos e gramado. Deu uma espiada na movimentação dos garotos do sub-19 e repetiu a ladainha de 10 entre 10 técnicos: prometeu valorizar talentos da base. Registre-se que Araújo merece crédito pelo que realizou no Sampaio Corrêa, mesclando jogadores experientes e atletas revelados no próprio clube. Fez o mesmo quando dirigiu América de Natal e Fortaleza.
Entre os dirigentes, mesmo aqueles preocupados com o preço do investimento no técnico campeão da Série D, prevalece avaliação positiva sobre os primeiros contatos com Araújo. De estilo discreto, até tímido nas declarações, o treinador deixou a impressão de que passa longe do jeitão chucro de Edson Gaúcho e do temperamento dado a explosões de Flávio Campos.
A preocupação em fechar com a diretoria um plano de trabalho a ser executado nas próximas semanas foi outro ponto destacado pelos interlocutores de Araújo. Há, contudo, a consciência de que será muito difícil montar um elenco de bom nível até pelo pouquíssimo tempo restante até o começo do Parazão e, principalmente, pelas sérias limitações financeiras do Remo.
Por fim, Araújo parece devidamente vacinado para a pressão que precisará encarar no comando de um time que está há tanto tempo sem levantar o título estadual e amarga hoje a condição de sem-divisão. A referência ao Sampaio, pelo planejamento executado , é o item mais respeitável da agenda do novo técnico no Baenão.
A direção do Remo só precisa entender que, no Maranhão, foi dado a Araújo um mínimo de condições para estruturar o elenco, que venceria o certame estadual e depois iria brilhar na Quarta Divisão. Sem isso, o esforço para contratá-lo se revelará um gesto inútil.
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Todo poder aos sócios
Torcedores que integram o grupo “O Remo é Meu!” decidiram criar a Associação de Sócios do Clube do Remo (Assoremo), com estatuto e sede próprios, com vida independente do clube. Pretendem, a partir da união, mudar os destinos do clube, fazendo valer seus direitos e vontades.
Acima de tudo, sonham em acabar com a ditadura dos “donos” do Remo. No papel, a meta é interessante. Outra história, bem diferente, é a aplicação prática desses princípios.
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Lua-de-mel com a galera
O Paissandu chega com antecedência a Paragominas para o período de adaptação e as perspectivas são as melhores possíveis. Em lua-de-mel com o torcedor paraense após garantir o acesso, o time de Lecheva certamente desfrutará de total apoio nesse primeiro embate das semifinais da Série C.
O trabalho deve ser facilitado pelo ensaio de um motim no adversário. Jogadores do Icasa ameaçavam não viajar ao Pará, aborrecidos com a demora no pagamento de salários. A história é mais ou menos igual por aqui, mas a diferença é que o elenco alviceleste está realmente focado no objetivo de conquistar o título.
Nem mesmo a frase inadequada de Vânderson, relativizando a importância da conquista da Série C, deve influir no ânimo da rapaziada. Como é natural, os mais novos, incluindo Tiago Costa – que volta ao time substituindo a Marcus Vinícius –, estão loucos para levantar uma taça. Por isso mesmo, é zero o risco de um esmorecimento a essa altura.
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Teste excelente, jogo razoável
A seleção de Mano Menezes se notabilizou em 2012 por amistosos risíveis, contra adversários fracotes. Uma exceção é a Colômbia de Falcão Garcia, que ontem pôs em xeque as condições de segurança da zaga nacional. Triangulações rápidas, jogadas em profundidade e ataques sempre perigosos obrigaram Tiago Silva e Davi Luiz a se desdobrarem, mas o Brasil se saiu muito bem do teste.
O quadrado de meio-campo não esteve tão afinado, mas foi sempre insinuante quando Ramires, Paulinho e Kaká se aproximavam de Neymar. Oscar e Tiago Neves, errando muito, destoaram.
Empate final retratou bem o equilíbrio do confronto, mas o Brasil podia até ter saído vitorioso contra uma das mais sólidas equipes do continente e integrante do Top 10 da Fifa. O penal (inexistente) que Neymar mandou na estratosfera garantiria o triunfo, mas o placar ficou de bom tamanho para a produção dos times em campo.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 15)
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