Por Ricardo Kotscho
“Estou indignado. Uma injustiça monumental foi cometida! A Corte errou. A Corte foi, sobretudo, injusta. Condenou um inocente. Condenou-me sem provas. Com efeito, baseada no domínio funcional do fato, que, nessas paragens de teorias mal-digeridas, se transformou na tirania da hipótese pré-estabelecida, construiu-se uma acusação escabrosa que pode prescindir de evidências, testemunhas e provas.”
Esta foi a reação do meu velho amigo José Genoino, ex-deputado federal e ex-presidente do PT, horas após ser condenado por 9 votos a 1 pelo Supremo Tribunal Federal pelo crime de corrupção ativa, quebrando o silêncio mantido antes e durante o julgamento do processo do mensalão.
É a revolta de um homem honrado que não se conforma com esse resultado. Quando o STF decidiu que houve compra de apoio político, na terça-feira passada, abri assim um texto aqui no Balaio: “Decisão da Justiça não se discute, cumpre-se, aprendi muitos anos atrás ao cobrir meu primeiro julgamento.”
Genoino não concorda com isso e resolveu, mais uma vez, ir à luta.
“Dizem, no Brasil, que as decisões do Supremo Tribunal Federal não se discutem, apenas são cumpridas. Devem ser assumidas, portanto, como verdades irrefutáveis. Discordo. Reservo-me o direito de discutir, aberta e democraticamente com todos os cidadãos do meu país, a sentença que me foi imposta e que serei obrigado a cumprir.”
Em sua “Carta Aberta ao Brasil”, que leu, bastante emocionado, na reunião da direção nacional do PT nesta quarta-feira, Genoino denunciou o que está em jogo neste momento:
“Esse julgamento ocorre em meio a uma diuturna e sistemática campanha de ódio contra o meu partido e contra um projeto político exitoso, que incomoda setores reacionários incrustrados em parcelas dos meios de comunicação, do sistema de justiça e das forças políticas que nunca aceitaram a nossa vitória.
Nessas condições, como ter um julgamento justo e isento? Como esperar um julgamento sereno, no momento em que juízes são pautados por comentaristas políticos? Além de fazer coincidir o julgamento com as eleições.
Mas não se enganem. Na realidade, a minha condenação é a tentativa de condenar todo um partido, todo um projeto político que vem mudando, para melhor, o Brasil. Sobretudo para os que mais precisam.”
Depois de ler a carta de Genoíno, me lembrei do dia em que, ao voltarmos de uma viagem, na primeira campanha presidencial de Lula, em 1989, descobri que estava sem a chave de casa, e não tinha ninguém lá.
Na época, não existia celular. Fui para a casa dele, a mesma onde vive até hoje, modesto sobrado no Butantã, bairro onde eu também morava. Ficamos um tempão conversando sobre a campanha que então começava e só levaria Lula à Presidência da República em 2002, uma longa jornada. Tínhamos muitos sonhos e ideais, uma palavra hoje fora de moda. Vencemos três vezes, mas agora os derrotados estão indo à forra.
Força, Genoino.
Mestre Kotscho disse tudo. É uma questão de forra, disfarçada de julgamento isento.








