Vote no mico da semana

Escolha aqui seu King Kong preferido e faça bom proveito:

1) Presidente do Conselho Deliberativo do Remo, Manuel Ribeiro, rejeita e debocha da proposta de eleições diretas para presidente no clube, apresentada por um grupo de torcedores e sócios. 

2) Lideranças das “torcidas organizadas” do Remo se manifestam a favor de uma possível candidatura à reeleição do atual presidente, Sérgio Cabeça Braz. 

3) Van desembestada da FPF confirma presença certa nos jogos decisivos da Segundinha Paraense, mas não vai acompanhar confronto de alto risco do Paissandu em Juazeiro do Norte-CE, domingo. 

4) Empresário ligado ao Santa Cruz telefona para jogadores do Águia, aparentemente tentando oferecer suborno. Depois que o Águia vazou a informação, via Twitter, veio o desmentido .

Entre o ataque e a cautela

Por Gerson Nogueira

Lecheva queima pestanas para tentar reorganizar seu quadrado de meio-campo, desfalcado de seu ponto de equilíbrio que é Vânderson (suspenso pelo terceiro cartão amarelo). Quando o Paissandu vivia sob os sacolejos da instabilidade técnica, podia-se temer pela decisão do treinador. Hoje, depois que o time atravessou a parte mais árdua e superou suas próprias hesitações, a opção encontrada certamente dará conta do recado.

Nos treinos da semana, o veterano Junior Maranhão saiu em vantagem, cotado para fazer parceria na cabeça-de-área com Ricardo Capanema. Lecheva também tem observado o jovem Neto, mas o candidato mais forte na concorrência pela vaga com Maranhão é o versátil Leandrinho.

Sob o comando de Roberval Davino, Leandrinho jogou até como lateral-direito e meia ofensivo algumas vezes, sem decepcionar. Afeito ao passe e às jogadas em velocidade, é um jogador para situações de desafogo, quando o contra-ataque está à disposição. Contra o Icasa, em Juazeiro do Norte, domingo, essa situação seguramente vai ocorrer.

Cabe a Lecheva medir os riscos de apostar no jogo de contra-ataque, expondo-se à pressão dos donos da casa ou jogar normalmente, buscando tomar a iniciativa e manobrando no ataque desde o começo. Claro que a alternativa representada por Junior Maranhão é mais conservadora, pois é um jogador que sai pouco de sua posição. Seu forte é a marcação no meio-de-campo, mas não é exatamente um especialista no passe.

A vantagem de Maranhão é a experiência em jornadas no futebol nordestino e contra o próprio Icasa, time que conhece bem. Tem semelhança com Vânderson pela experiência e, como se sabe, a serenidade na meia cancha é um item fundamental em confronto decisivo.

Neto, a terceira opção, já foi muito utilizado por Lecheva no Campeonato Paraense e até na Copa do Brasil. A questão é que, além da menor experiência, tem sido pouco aproveitado. E, devido ao longo tempo na reserva, acabou não mantendo o mesmo nível de regularidade. Numa comparação direta com Maranhão e Leandrinho, fica em desvantagem. Arrisco dizer, porém, que qualquer que seja o escolhido substituirá bem ao dono da posição.

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Teimosia histórica

Os velhos gestores que tomam conta do futebol do Remo parecem inflexíveis quanto a ceder nacos de poder. A recente manifestação do presidente do Conselho Deliberativo do clube, Manoel Ribeiro, veio se juntar ao repúdio demonstrado pelo benemérito e ex-presidente Rafael Levy meses antes.

Ambos foram duros, indelicados até, quando confrontados com a proposta de eleições diretas para a presidência do clube. Um grupo de jovens associados e torcedores levou à frente um movimento de reivindicação, mas o esforço – materializado na carreata de domingo passado – acabou frustrado pelo posicionamento frio dos conselheiros.

Rejeitar a ideia do pleito direto é brigar com a modernidade e desdenhar dos princípios democráticos. Transparência e fiscalização são itens essenciais para medir a gestão de um clube. O Remo, há décadas, é comandado por dirigentes que se revezam na presidência, raramente abrindo oportunidades para cristãos-novos.

Levy, por sinal, foi o último presidente com esse perfil. Coincidência ou não, acabou levantando o maior título da história do clube, o de campeão brasileiro da Série C 2005. Pois o mesmo dirigente agora se volta contra um mecanismo que pode significar o ponto de elevação do Remo entre o atraso prolongado e a modernidade tão almejada.

Eleições diretas, nos moldes do que o Paissandu vai fazer no fim do ano, não representam panaceia para todos os males, mas certamente ajudam a fazer com que um clube se entregue a projetos mais abertos e legitimados pela maioria de seus sócios e torcedores.

Infelizmente, os donos do clube seguem de braços dados com o obscurantismo. E essa cegueira pode tornar o Remo ainda mais atrasado do que já é.

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Direto do blog

“Lamentavelmente não há mais lugar para o futebol do Norte nas divisões principais do futebol brasileiro. Uma rápida pesquisa mostra que em 2001, ano que o Paissandu subiu, o Norte detinha nada menos que sete clubes na série B. Hoje não tem nenhum. O futebol do Norte ficou defasado e, agora, com os clubes-empresa, onde elevados investimentos fazem a diferença, ficou empobrecido para competir contra os grandes clubes. O torcedor de Belém não tem renda para alavancar projetos de sócio-torcedor e outras ações de marketing para arrecadação. Regiões ricas tem clubes ricos, regiões pobres, estão relegadas a clubes pobres e às divisões inferiores”.

De Antonio Santos, criticando as estruturas corroídas do nosso futebol.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 26)