O passado é uma parada…

Depois de criticar a diretoria do Vasco, o irreverente Ary Barroso, locutor da Rádio Tupi, compositor popular e fanático rubro-negro, foi proibido de entrar no estádio de São Januário para trabalhar. Ary não se apertou. Mesmo sob chuva, escalou o telhado de um galinheiro próximo ao estádio para narrar o jogo Vasco x Fluminense. A cena, que virou um clássico do desprendimento da categoria de radialistas, ocorreu na década de 30.

Coisa de gênio…

Atenção para mais uma façanha da moderníssima gestão do nosso futebol. O Paissandu queria, mas não vai poder enfrentar o Treze da Paraíba em seu estádio, sábado. O jogo – decisivo para as pretensões do clube na Série C – será mesmo no estádio Edgar Proença. Tudo porque o laudo de vistoria da Curuzu está vencido e ninguém se preocupou em renová-lo. Enfim, vida que segue.

MMA também é fashion

Sempre aparecendo em toda parte, fiel ao princípio de que marketing é tudo, o lutador de MMA (antigo vale-tudo) Anderson Silva põe uma roupinha colada para brilhar no ensaio da revista “RG” que deve chegar hoje às bancas. Em entrevista, ele se diz “patriota”, ainda que não seja plenamente reconhecido no Brasil. E reclama que não recebe aqui o tratamento que “um ídolo” merece. (Da coluna de Monica Bergamo)

Te contar…

A frase do dia

“Além de excelentes jogadores, o Fluminense joga junto há quase dois anos e isso pesa em  momentos como este; o Fred põe a bola para dentro, e o índice de acertos dele é impressionante, e o Deco voltou justamente agora, quando o time mais precisa dele”.

De Vanderlei Luxemburgo, técnico do Grêmio, admitindo que o Flu está com a mão na taça.

 

Morre Hobsbawm, um dos grandes do século XX

Eric Hobsbawm, considerado um dos mais maiores historiadores do século XX, morreu aos 95 anos de idade, informou a filha Julia Hobsbawm nesta segunda-feira. Segundo Julia, seu pai morreu durante a noite em um hospital de Londres. Ele vinha sofrendo de pneumonia. O intelectual marxista é considerado um dos maiores historiadores do século XX e escreveu “A Era das Revoluções”, “A Era do Capital”, “A Era dos Impérios”, “Era dos Extremos”, “História Social do Jazz”, entre outras obras.

Hobsbawm nasceu em uma família judia, na Alexandria, no Egito, em 1917, mas cresceu em Viena e em Berlim, mudando-se para Londres em 1933, ano em que o nazista Adolf Hitler chegou ao poder na Alemanha. Sua experiência como um estudante na Alemanha na década de 1930 consolidou suas visões de esquerda. Ele entrou para o Partido Comunista, na Inglaterra, em 1936 e foi membro por décadas, apesar da sua desilusão com a União Soviética. “Tínhamos a ilusão de que inclusive o sistema brutal, experimental (soviético) ia ser melhor que o ocidental, que era isto ou nada”, disse uma vez o intelectual, afirmando que nunca quis minimizar os abusos da antiga URSS.

Considerado um dos maiores intelectuais do século XX, Hobsbawm se tornou o historiador mais respeitado do Reino Unido, admirado pela esquerda e pela direita e um dos poucos a disfrutar de reconhecimento nacional e internacional. Crítico árduo do Partido Trabalhista, Hobsbawm foi determinante na reformulação da legenda, apesar de mais tarde ter revelado em público sua decepção com o ex-premier britânico Tony Blair. (De O Globo)

‘Placar’ crucificada

Por Xico Sá

Amigo torcedor, amigo secador, uma ótima ideia a da “Placar”, digna dos tempos gloriosos da publicação, foi, mesmo antes de a revista chegar às bancas e ser lida, rebaixada à condição de polêmica santa, cega e sem juízo. As redes sociais da Internet, tais como algumas pracinhas moralistas e fofoqueiras do interior, pegaram uma capa antológica para Cristo. Nela aparece o genial e genioso Neymar, do Santos FC mais uma vez campeão deste ano, crucificado como Jesus.

Os editores da revista usaram a crucificação como castigo público, talvez a imagem simbólica mais velha e popular do mundo, para discutir as acusações contra o atacante do Peixe e da seleção canarinha. A capa explica o motivo de pregar o jogador na cruz: “Chamado de ‘cai-cai’, o craque brasileiro vira bode expiatório em um esporte onde todos jogam sujo”. Você pode discordar ou não do pensamento, mas daí a fazer disso uma guerra pentecostal contra a sacada da “Placar”, pelo amor de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Para muitos, a revista estava comparando Neymar com o homem de Nazaré. Isso seria um pecado mortal. Os editores foram condenados ao inferno em segundos. Fico espantado com a treva, com a incapacidade de se fazer uma leitura menos religiosa e mais sensata.

Não duvido que alguns exemplares sejam queimados nos templos evangélicos e católicos. Se bem que, como discordam do uso e culto às imagens, algumas igrejas pentecostais não podem condenar por uma simbologia em que não acreditam. Você pode até acusar a revista de apelativa, sensacionalista e outros adjetivos colados ao exercício do jornalismo desde Gutenberg. Não consigo ver nem mesmo este aspecto. Acho, no máximo, um recurso engraçado para ilustrar a reportagem. No tempo em que nossa imprensa era mais criativa e bem-humorada, tínhamos capas e mais capas, páginas e mais páginas desse naipe.

É certo que não existiam as redes sociais, e apenas umas raras cartinhas, lavrando o protesto moralista, chegavam às redações. Assim como é certeiro que jornalista é um bicho orgulhoso que não gosta muito de ser contestado, tem dificuldade para lidar com as críticas do ombudsman e não gosta de assinar o “B.O.” da seção “Erramos”.

Bom que o barulho do Facebook e do Twitter, em muitas ocasiões, seja capaz de desconstruir manchetes vendidas como bombásticas e arrasadoras etc. Tudo isso é muito positivo. A confusão com a metáfora da “Placar”, porém, não faz sentido. Modestíssima opinião para tentar colaborar com o debate. Usamos diariamente, até sem perceber, a imagem da crucificação. Fulano pegou alguém para Cristo etc. Sinceramente é muito barulho por nada, minhas caras irmãs Cajazeiras da pracinha do interior chamada Internet.

Grande Xico. Cabra bom.

Por 2 vitórias e 2 empates

Por Gerson Nogueira

Depois do empate de sábado à noite, Águia e Paissandu passam definitivamente a fazer contas e a torcer contra os adversários diretos na briga pela classificação à próxima fase. Mais do que nunca, porém, precisam acumular pontos nos quatro jogos que restam. A linha de corte para garantir a vaga é calculada hoje em 26 pontos, mas, caso se repita a sucessão de empates das últimas rodadas, esse número pode cair para 25.

Nessa hipótese, tanto Águia (5º) quanto Paissandu (6º), ambos com 17 pontos ganhos, poderiam passar caso vençam duas e empatem duas. O lado ruim da história é que dificilmente os dois representantes se classificam. Um deve sobrar. Nos quesitos de desempate, reside o drama do Paissandu, que venceu apenas três jogos e só leva vantagem sobre o lanterna Guarani (CE).

O Águia tem uma vitória a mais, mas tem um dos piores saldos de gols do grupo (-7), o que também pode dificultar sua vida no inevitável  afunilamento das últimas rodadas.

A levar em conta o jogo de Marabá, o Paissandu parece mais bem preparado a essa altura da disputa. O elenco mais numeroso e diversificado faz do Papão um candidato mais forte à vaga, desde que pare de tropeçar nos jogos caseiros.

No confronto com o Águia, o time de Lecheva teve o jogo à sua feição durante os primeiros 45 minutos. O meio-de-campo, puxado por Alex Gaibú e Tiago Potiguar, foi superior ao adversário e produziu inúmeras situações de ataque.

Mas, na mesma proporção em que os meias e o lateral Pikachu deixavam os atacantes na cara do gol, o time se esmerou a repetir seu pecado mais sério na competição: a falta de pontaria dos atacantes. Moisés perdeu uma oportunidade preciosa, ao chutar por cima da trave bola que recebeu na pequena área. Era praticamente impossível errar aquele chute, mas o tiro saiu descalibrado.

Kiros, autor do gol em passe sensacional de Pikachu, perdeu outra chance ao chutar mal da entrada da área. Vânderson perdeu três gols. Arrematou à direita do goleiro no primeiro. Depois, avançou até o disparo já na área e o tiro saiu torto. No segundo, chutou praticamente cara a cara com goleiro por duas vezes. E errou. Potiguar também perdeu o seu.

O Águia empatou em cobrança de falta de Léo Rosas, resultante de uma marcação equivocada de Dewson Freitas. As imagens mostram claramente que não houve falta no lance, apenas um esbarrão do atacante no zagueiro do Paissandu. Além desse erro, o árbitro ainda foi questionado pelas duas equipes por supostos penais não marcados.

Depois do intervalo, o Águia equilibrou a situação e esteve perto de virar o placar, mas sem a mesma enxurrada de oportunidades que o Paissandu teve na primeira metade do confronto. Pelo futebol rápido e bem organizado dos 45 minutos iniciais, a vitória por justiça seria alviceleste. A questão é que, no futebol, essa questão de merecimento quase sempre é mero detalhe.

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Em entrevista ao Bola na Torre, o chefe do departamento jurídico do Remo, Ronaldo Passarinho, deixou clara sua discordância em relação aos métodos e práticas da gestão de Sérgio Cabeça. Citou o episódio Mendes como simbólico da bagunça administrativa no clube.

Só ficou sabendo da natureza do acordo entre Remo e jogador quando o incêndio já ganhava proporções públicas. Na verdade, pela conduta exigente e rigorosa, pessoas como Ronaldo tornam-se indesejáveis para os dirigentes que se acostumaram a não prestar contas de seus atos.

Para dar uma satisfação aos sócios, conselheiros e torcedores, Ronaldo decidiu pedir ao Conselho Deliberativo – tão inoperante quanto os executivos do clube – uma sessão especial para prestar contas das atividades de seu departamento, que responde pela redução das dívidas trabalhistas de R$ 13 milhões para R$ 13,8 milhões. Vai mostrar aos conselheiros, mas quer a presença da imprensa à reunião.

E, para o azar do Remo, Ronaldo está entregando os pontos. Com problemas de saúde e desgostoso com os gestores que viu atuar, resolveu sair de cena. Vai fazer falta.

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Direto do blog

“A Imprensa Esportiva do Pará só cresceu e se agigantou em virtude de baluartes e, principalmente, pela da paixão do Paraense pelo futebol, entretanto, hoje, acredito que Paysandú e Remo somente ainda impõe atenção de muitos torcedores pelo trabalho que vocês da Imprensa fazem, pois tendo um time atualmente brigando para não cair para a Série D e o outro sem divisão, só com muita coragem e determinação para continuar dourando uma pílula que já está opaca há muito tempo.

Continuarei seguindo o blog e ratificando que seus textos são de qualidade e que, apesar de alguns poucos pensarem na Imprensa Esportiva como representantes menores da Imprensa em geral, aqui em Belém isso não tem nada de verdadeiro. Pois, em verdade, sua presença nas diversas mídias é reconhecidamente uma das melhores impressões sobre o futebol que temos em nosso Estado”.

De José Maria Eiró Alves, referindo-se ainda às discussões em torno da capa do Bola da última sexta-feira. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 01)