Kalil, do Galo, solta o verbo contra STJD

Em declarações no Twitter, Ricardo Kalil, presidente do Atlético-MG, desabafou contra decisão do STJD, que suspendeu o meia-atacante Ronaldinho Gaúcho, tirando-o do jogo contra o Internacional, ontem. Algumas frases de Kalil:

“Pela decisão, eu fiquei envergonhado. E depois que eu recebi essa brincadeira do senhor, doutor, não sei quem é, Jonas Lopes Neto, estou absurdado, na mão de quem o futebol brasileiro está. Conheço o doutor Paulo Schmitt, que é sério, de Curitiba, conheço o presidente Flávio Zveiter, botafoguense muito sério, conheço desde garoto. Mas esse tipo de molecagem.”

 
“Esse rapaz que correu como um garotinho assustado para apagar o que fez no Facebook, é o mesmo que puniu o Loco Abreu, do Figueirense, que fez um sacrifício danado para contratar o jogador, por beijar o escudo do Botafogo perante a torcida do Flamengo.”

“Quero avisar para os presidentes de clubes, que estamos nas mãos desses garotinhos, meninos que brincam no Facebook, que não sabem que uma folha de pagamento custa dois, três, quatro, cinco, seis, sete milhões”.

Papão quer pagar salários antes de encarar Cuiabá

A Diretoria do Paissandu se mobiliza para pagar parte dos salários atrasados – em alguns casos, o atraso chega a três meses – antes do jogo decisivo de domingo diante do Cuiabá. Com folha salarial em torno de R$ 350 mil, o Paissandu é um dos clubes que mais gastou nesta Série C, ficando atrás apenas de Santa Cruz e Fortaleza. Despesas com técnicos demitidos (Roberval Davino e Givanildo Oliveira) aumentaram ainda mais o tamanho do aperreio. Ao mesmo tempo, o bloqueio judicial das verbas de patrocínio continua atrapalhando as finanças do clube e um pedido de empréstimo solicitado à CBF não obteve sucesso. Os dirigentes continuam buscando uma alternativa para solucionar o problema. (Foto: THIAGO ARAÚJO/Arquivo Bola)

Hoje é dia de Kaká

Por Juca Kfouri

Kaká volta hoje à seleção brasileira. Pode ser apenas mais uma frustração, mas pode ser o começo da salvação da lavoura.

Por que não?

Ao contrário da situação em que se encontrava na Copa do Mundo passada, quando correu sério risco de encerrar a carreira por jogar no sacrifício, agora todas as informações dão conta de sua recuperação total. Falta apenas ritmo de jogo, algo que José Mourinho teima em não lhe proporcionar.

Em 2010, neste espaço, foi escrito, com admiração e preocupação, que Kaká arriscava tudo para jogar na África do Sul, e que mesmo assim ele desequilibrava. A exposição de seu problema o levou ao destempero de acusar o elogio e a notícia como perseguição religiosa, ele que era fervoroso adepto da bispa Sônia e do apóstolo Estevam Hernandes, da Igreja Renascer.

Era, não é mais.

Como não era verdade que houvesse qualquer outra intenção que não a de informar –e, eventualmente, alertá-lo para as consequências de seu esforço desumano.

O resto da história também é sabido. Kaká voltou à mesa de cirurgia, o cirurgião que o operou confirmou que ele esteve a ponto de ter de encerrar prematuramente a carreira, e o craque, que já foi o número 1 do mundo, teve longo e duro período de convalescença.

Vê-lo hoje, mesmo contra o Iraque, na cidade sueca de Malmö, ao lado de Neymar, pode significar a reconquista, adiante, do respeito que a seleção perdeu pelo mundo afora. E é o que todos esperamos.

Oremos. Amém.

José Genoíno e a revolta do homem honrado

Por Ricardo Kotscho

“Estou indignado. Uma injustiça monumental foi cometida! A Corte errou. A Corte foi, sobretudo, injusta. Condenou um inocente. Condenou-me sem provas. Com efeito, baseada no domínio funcional do fato, que, nessas paragens de teorias mal-digeridas, se transformou na tirania da hipótese pré-estabelecida, construiu-se uma acusação escabrosa que pode prescindir de evidências, testemunhas e provas.”

Esta foi a reação do meu velho amigo José Genoino, ex-deputado federal e ex-presidente do PT, horas após ser condenado por 9 votos a 1 pelo Supremo Tribunal Federal pelo crime de corrupção ativa, quebrando o silêncio mantido antes e durante o julgamento do processo do mensalão.

É a revolta de um homem honrado que não se conforma com esse resultado. Quando o STF decidiu que houve compra de apoio político, na terça-feira passada, abri assim um texto aqui no Balaio: “Decisão da Justiça não se discute, cumpre-se, aprendi muitos anos atrás ao cobrir meu primeiro julgamento.”

Genoino não concorda com isso e resolveu, mais uma vez, ir à luta.

“Dizem, no Brasil, que as decisões do Supremo Tribunal Federal não se discutem, apenas são cumpridas. Devem ser assumidas, portanto, como verdades irrefutáveis. Discordo. Reservo-me o direito de discutir, aberta e democraticamente com todos os cidadãos do meu país, a sentença que me foi imposta e que serei obrigado a cumprir.”

Em sua “Carta Aberta ao Brasil”, que leu, bastante  emocionado, na reunião da direção nacional do PT nesta quarta-feira, Genoino denunciou o que está em jogo neste momento:

“Esse julgamento ocorre em meio a uma diuturna e sistemática campanha de ódio contra o meu partido e contra um projeto político exitoso, que incomoda setores reacionários incrustrados em parcelas dos meios de comunicação, do sistema de justiça e das forças políticas que nunca aceitaram a nossa vitória.

Nessas condições, como ter um julgamento justo e isento? Como esperar um julgamento sereno, no momento em que juízes são pautados por comentaristas políticos? Além de fazer coincidir o julgamento com as eleições.

Mas não se enganem. Na realidade, a minha condenação é a tentativa de condenar todo um partido, todo um projeto político que vem mudando, para melhor, o Brasil. Sobretudo para os que mais precisam.”

Depois de ler a carta de Genoíno, me lembrei do dia em que, ao voltarmos de uma viagem, na primeira campanha presidencial de Lula, em 1989, descobri que estava sem a chave de casa, e não tinha ninguém lá.

Na época, não existia celular. Fui para  a casa dele, a mesma onde vive até hoje, modesto sobrado no Butantã, bairro onde eu também morava. Ficamos um tempão conversando sobre a campanha que então começava e só levaria Lula à Presidência da República em 2002, uma longa jornada. Tínhamos muitos sonhos e ideais, uma palavra hoje fora de moda. Vencemos três vezes, mas agora os derrotados estão indo à forra.

Força, Genoino.

Mestre Kotscho disse tudo. É uma questão de forra, disfarçada de julgamento isento.

Escolinha para torcedores

Por Gerson Nogueira

Já fiz referência à ideia do curso especial para dirigentes, defendida nos idos de 70 por Edyr Proença e cuja necessidade é mais do que premente nos dias de hoje. Diante das reiteradas ocorrências nos estádios paraenses, ganha corpo também a urgência de uma escola para torcedores. É inadmissível que adultos aparentemente normais insistam em descumprir as normas de boa conduta nos estádios.

Que o torcedor é, por essência, animal dominado pela mais incontida emoção todo mundo sabe. Surpreende que os clubes de massa não se preocupem em orientar seus adeptos, através de campanhas educativas direcionadas e que ultrapassem o limite das mensagens lidas pelos locutores nos estádios.

O processo de convencimento das massas torcedoras exige firmeza, clareza e método. Cabe, pela extensão dos danos provocados, um investimento em campanhas através da imprensa, com faixas nos estádios e prêmios por bom comportamento.

A finalidade é incutir na cabeça dos bárbaros que atirar sandálias, rádios ou garrafas jamais irá mudar o resultado do jogo. Sim, eu sei, a dica é óbvia. Mas, diante das infantilidades praticadas, temos que considerar o nível de compreensão dessas pessoas.

A adoção dessas medidas se faz necessária diante dos inúmeros prejuízos sofridos por Paissandu e Remo nos últimos anos. Cada mando de campo perdido representa perdas financeiras e técnicas, principalmente nas fases decisivas dos campeonatos.

É justamente o que acontece agora com o Paissandu, sob risco permanente de perder até quatro mandos em consequência do mau comportamento de seus torcedores em jogos da Série C.

Por sorte e competência do advogado, o clube terminou beneficiado (duas vezes) por efeitos suspensivos e poderá fazer seu último jogo na atual fase, contra o Salgueiro, no estádio Edgar Proença. Adversários diretos do Papão, como o Icasa, não tiveram a mesma sorte e estão cumprindo pena pelos mesmos motivos.

Mas, caso avance no torneio, terá que cumprir várias partidas longe de casa. Até lá, o tribunal já terá julgado o mérito dos processos e é quase certo que o resultado seja desfavorável.

O Remo vive situação ainda mais surreal. Eliminado da Série D, desmontou elenco e está sem divisão, mas já garantiu quatro jogos fora de Belém e está ameaçadíssimo de ser penalizado em mais algumas partidas, depois de nova denúncia apresentada ao STJD. O incrível é que o caso envolve uma goleada (4 a 0) sobre o Náutico no estádio Evandro Almeida.

Em meio a esse desassossego, os responsáveis pelo problema continuam impunes e a salvo de qualquer desconforto. Terão, por exemplo, acesso garantido aos próximos jogos, livres para voltar a cometer as mesmas insanidades. Já é tempo de dar um freio nesse despautério.

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Há quem cobre atitudes mais enérgicas da Polícia Militar nas arquibancadas. Pode ser, mas não muda o eixo central da discussão. O problema está na falta de educação das pessoas, e isso não é responsabilidade policial.

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Digna de registro a atitude firme do técnico Lecheva rechaçando pressões para escalar jogadores recomendados no Paissandu. Técnicos regionais costumam fraquejar diante do cerco de dirigentes e empresários. Sabe-se de histórias cabeludas nessa área, sempre com graves consequências para os clubes. Tomara que a coragem de Lecheva seja respaldada, e não punida.

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Com a série de reportagens Dossiê Curió, do repórter Ismael Machado, o DIÁRIO conquistou ontem a Menção Honrosa do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos na categoria Jornalismo Impresso. A premiação é uma das mais importantes do jornalismo no continente, criada há 34 anos pelo Instituto Vladimir Herzog.

A distinção é um reconhecimento ao esforço do DIÁRIO e ao trabalho do camarada Ismael, um vascaíno/bicolor apaixonado pelo ofício e que se dedica como poucos à grande reportagem, um ramo jornalístico quase em extinção. Dentre os grandes jornais brasileiros, o DIÁRIO é dos mais valoriza a reportagem e a investigação. Felizmente, tanta dedicação à causa começa a frutificar.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 11)