Dilma veta 9 pontos do novo Código Florestal

Com a justificativa de impedir anistias a desmatadores, a presidente Dilma Rousseff decidiu barrar benefícios que grandes proprietários de terra teriam na recomposição de matas nas beiras de rio. Após dias de discussões, a presidente decidiu, no limite do prazo previsto em lei, vetar nove pontos aprovados em setembro pelo Congresso nas regras do novo Código Florestal. A decisão da presidente contraria posições da bancada ruralista.

Os pontos derrubados pela presidente serão detalhados na edição de amanhã (19) do “Diário Oficial da União”. Entre eles está o veto à redução de margens de rios a serem reflorestadas em grandes e médias propriedades, e a retomada da proposta original do governo. Esse era um dos principais pontos de conflito entre o Palácio do Planalto e a bancada ruralista, que conseguiu alterar o texto defendido pelo governo, aliviando o impacto para médios e grandes proprietários. (Da Folha de S. Paulo)

As lições de mestre Gentil

Por Gerson Nogueira

Fazia tempo que a Seleção Brasileira não se impunha a um adversário com tamanha autoridade quanto no amistoso contra o Japão, ontem. Claro que há sempre o fator histórico a determinar alguns reparos a essa exibição. O time japonês, apesar de ser o 23º no ranking da Fifa, jamais foi olhado com respeito pelo primeiro mundo da bola, mas evoluiu muito e vinha de vitória inquestionável sobre a França em Paris.

Depois de tantas críticas, motivadas principalmente pelo nível raso de adversários como China e Iraque, a goleada sobre o Japão permitiu a Mano Menezes os primeiros elogios quanto à arrumação tática da Seleção. E a chave para entender o progresso do time está na formação e nas formulações do meio-de-campo.

Mano, sabiamente, lançou mão de um quadrado com jogadores leves, que aliam técnica (Kaká e Oscar), velocidade (Ramires) e combatividade (Paulinho). Todos sabem sair para o ataque, deslocam-se com rapidez e sabem se livrar da marcação, principalmente Kaká e Oscar.

A entrada em cena de Kaká, com a rodagem de três Copas e ampla experiência internacional, empresta respeito ao setor. Qualquer adversário, Japão ou Espanha, sempre vai reverenciar mais um jogador consagrado que um iniciante qualquer.

O futebol é, acima de tudo, tentativa de dominar os espaços. Ao contrário de outros esportes, como beisebol e futebol americano, espaço aqui significa áreas livres a serem ocupadas e não terreno físico a ser conquistado. Quando Gentil Cardoso cunhou a célebre máxima do “quem se desloca, recebe; quem pede, tem preferência” estava definindo um mandamento sagrado.

Tudo fica mais fácil sempre que um time consegue botar em prática, com perícia e eficiência, esses fundamentos. Diante da marcação japonesa, Kaká comandou a distribuição de jogadas e lançamentos com seus parceiros de meio, ora optando pelos corredores laterais, ora esticando bolas para Neymar.

Em pouquíssimo tempo, ficou evidente que a superioridade brasileira se transformaria em gols. O primeiro veio de maneira a coroar o trabalho de armação. Rápida troca de passes na intermediária e bola se apresentando para o mais improvável chutador: o volante Paulinho. A surpresa ficou por conta do finalizador escolhido, pois normalmente a defesa se prepara para neutralizar disparos dos atacantes ou meias.

A grande fase do volante corintiano é, aliás, um dos pontos a serem destacados na atual seleção. Caso se mantenha nesse ritmo, Paulinho é candidatíssimo a parceiro de Ramires na dupla função à frente da zaga.

O gol de encerramento da goleada, após arrancada de Kaká, carimba o outro caminho a ser seguido pelos homens de meia-cancha: infiltração e arremate, aproveitando as brechas na defesa inimiga. Com atacantes participativos, como Neymar, esse cenário certamente irá se repetir muitas vezes.

Apesar de todos os aspectos positivos, a Seleção Brasileira ainda está em busca de afirmação e confiabilidade. O lado bom do amistoso de ontem é que essas virtudes tão necessárias começam a se consolidar com boas vitórias. Mano precisará, porém, definir seu goleiro titular (Jefferson é o mais seguro), confiar mais nos laterais e, acima de tudo, arranjar com urgência um segundo atacante.

Hulk pode ser guerreiro, mas é apenas um bom reserva. Falta um homem de área para que Neymar possa funcionar como o atacante sem posição fixa que realmente é. Fred, apesar dos percalços físicos, parece hoje o cara ideal para esse papel.

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Exorcismo necessário

O torcedor gosta de tabus, alimenta superstições e acredita em bruxas. Por isso, nas internas, o Paissandu tem que deixar de lado definitivamente as histórias recentes contra Salgueiro e Icasa. Exorcizar esses fantasmas – como defende o amigo Fernando Torres – é o melhor remédio.

Valorizar excessivamente as derrotas para esses times não faz bem ao presente do Paissandu. É preciso entender que os jogadores são diferentes, a competição tem novas características e o espírito é outro. Simples.

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Duelos desenhados

No Paissandu, um novo velho nome agitou os bastidores da sucessão presidencial. Ambire Gluck Paul, apoiado por amplos setores do clube, surge como candidato fortíssimo. Deve bater chapa com Vandick, que representa a oposição. Para o bem de todos, seria aconselhável uma conciliação, mas nada indica que isso possa prevalecer. Ambire carrega o trunfo de dispor de tempo, ânimo e disposição para tocar a engrenagem. Não é pouca coisa.

Já no Remo, às voltas com a eterna indecisão quanto a eleições diretas, surge um candidato associado à juventude: Marcelo Carneiro, empresário e dirigente com bons serviços prestados, está prestes a confirmar chapa. Irá se defrontar com um símbolo da velha guarda, o grande benemérito Roberto Macedo, até então o único candidato oficialmente lançado.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 17)