Série C: Classificação atualizada

PG  J V E D GP GC SD
1  Fortaleza 35 16 10 5 1 26 10 16 72.9
2  Luverdense-MT 34 16 10 4 2 31 22 9 70.8
3  Icasa-CE 21 16 6 3 7 17 18 -1 43.8
4  Paysandu 21 16 4 9 3 22 18 4 43.8
5  Santa Cruz 19 16 4 7 5 24 20 4 39.6
6  Salgueiro 19 16 4 7 5 23 23 0 39.6
7  Águia 19 16 4 7 5 21 28 -7 39.6
8  Treze-PB 16 15 5 1 9 18 31 -13 35.6
9  Cuiabá 16 16 3 7 6 16 18 -2 33.3
10  Guarany-CE 10 15 2 4 9 17 27 -10 22.2

Papão evita derrota com gol nos minutos finais

Apesar de precisar da vitória para aumentar suas chances de classificação, o Paissandu teve atuação apenas regular em Cuiabá e acabou conquistando o empate em lance de oportunismo de Rafael Oliveira nos minutos finais. Muito cauteloso no primeiro tempo, a equipe paraense errava muito na ligação entre meio-campo e ataque, cedendo espaços para o Cuiabá. Logo aos 24 minutos, após rebote da defesa, o atacante Fernando acertou um tiro forte da entrada da área e abriu o placar para os donos da casa. O gol despertou o Paissandu, que, aos 30 minutos, quase empatou em chute de Tiago Potiguar que resvalou na trave. Logo em seguida, César cobrou falta para o Cuiabá e também mandou a bola na trave.

Depois do intervalo, o Paissandu se apresentou melhor, organizando mais a saída de bola e pressionando o Cuiabá. A partida teve momentos de equilíbrio, com boas chances de parte a parte. Quando parecia que tudo estava decidido, uma confusão na área do Cuiabá foi bem aproveitada por Rafael Oliveira, que igualou o marcador aos 41 minutos.

O próximo compromisso do Papão será domingo em casa (Mangueirão, 17h) contra o Salgueiro, que também briga pela classificação. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

A mesada e o mensalão

Por Janio de Freitas

Passados sete anos, ainda não se sabe quanto houve de mentira na denúncia inicial de Roberto Jefferson. A mentira foi a geradora de todas as verdades, meias verdades, indícios desprezados e indícios manipulados que deram a dimensão do escândalo e o espírito do julgamento do “mensalão”. Por ora, o paradoxo irônico está soterrado no clima odiento que, das manifestações antidemocráticas de jornalistas e leitores às agressões verbais no Supremo, restringe a busca de elucidação de todo o episódio. Pode ser que mais tarde contribua para compreenderem o nosso tempo de brasileiros.

Estava lá, na primeira página de celebração das condenações de José Dirceu e José Genoino, a reprodução da primeira página da Folha em 6 de junho de 2005. Primeiro passo para a recente manchete editorializada – CULPADOS -, a estonteante denúncia colhida pela jornalista Renata Lo Prete: “PT dava mesada de R$ 30 mil a parlamentares, diz Jefferson”. O leitor não tinha ideia de que Jefferson era esse.

Era mentira a mesada de R$ 30 mil. Nem indício apareceu desse pagamento de montante regular e mensal, apesar da minúcia com que as investigações o procuraram. Passados sete anos, ainda não se sabe quanto houve de mentira, além da mensalidade, na denúncia inicial de Roberto Jefferson. A tão citada conversa com Lula a respeito de mesada é um exemplo da ficção continuada.

A mentira central deu origem ao nome -mensalão- que não se adapta à trama hoje conhecida. Torna-se, por isso, ele também uma mentira. E, como apropriado, o deputado Miro Teixeira diz ser mentira a sua autoria do batismo, cujo jeito lembra mesmo o do próprio Jefferson.

Nada leva, porém, à velha ideia de alguém que atirou no que viu e acertou no que não viu. A mentira da denúncia de Roberto Jefferson era de quem sabia haver dinheiro, mas dinheiro grosso: ele o recebera. E não há sinal de que o tenha repassado ao PTB, em nome do qual colheu mais de R$ 4 milhões e, admitiria mais tarde, esperava ainda R$ 15 milhões. A mentira de modestos R$ 30 mil era prudente e útil.

Prudente por acobertar, eventualmente até para companheiros petebistas, a correnteza dos milhões que também o inundava. E útil por bastar para a vingança ou chantagem pela falta dos R$ 15 milhões, paralela à demissão de gente sua por corrupção no Correio. Como diria mais tarde, Jefferson supôs que o flagrante de corrupção, exibido nas TVs, fosse coisa de José Dirceu para atingi-lo. O que soa como outra mentira, porque presidia o PTB e o governo não hostilizaria um partido necessário à sua base na Câmara.

Da mentira vieram as verdades, as meias verdades e nem isso. Mas a condenação de Roberto Jefferson, por corrupção passiva, ainda não é a verdade que aparenta. Nem é provável que venha a sê-lo.

MAIS DEDUÇÃO

Em sua mais recente dedução para voto condenatório, o presidente do Supremo, Ayres Britto, deu como certo que as ações em julgamento visaram a “continuísmo governamental. Golpe, portanto, nesse conteúdo da democracia que é o republicanismo, que postula renovação dos quadros de dirigentes”.

Desde sua criação e no mundo todo, alcançar o poder, e, se alcançado, nele permanecer o máximo possível, é a razão de ser dos partidos políticos. Os que não se organizem por tal razão, são contrafações, fraudes admitidas, não são partidos políticos.

Sergio Motta, que esteve politicamente para Fernando Henrique como José Dirceu para Lula, informou ao país que o projeto do PSDB era continuar no poder por 20 anos. Não há por que supor que, nesse caso, o ministro Ayres Britto tenha deduzido haver golpe ou plano golpista. Nem mesmo depois que o projeto se iniciou com a compra de deputados para aprovar a reeleição.

A encruzilhada da Seleção

Por Gerson Nogueira

A dois anos da Copa do Mundo, persiste um clima de profunda desconfiança em relação às chances do Brasil. Muito desse sentimento tem a ver com o desempenho sofrível da Seleção sob o comando de Mano Menezes. Levou bomba nas duas competições oficiais disputadas, Copa América e Jogos Olímpicos.

Por outro lado, descer a lenha no trabalho de Mano, a partir dos maçantes amistosos contra adversários inexpressivos, é redundância. A questão que se impõe é quanto ao que deve ser feito para que o escrete entre nos eixos.

Um aspecto fundamental diz respeito às características do próprio técnico. Com acentuada inclinação pela mesmice tática, já rascunhada quando dirigiu Grêmio e Corinthians, Mano definitivamente não é o melhor comandante que a Seleção podia ter.

À pergunta óbvia sobre o técnico ideal para o selecionado, caso a CBF demitisse Mano, as melhores fichas deveriam ser apostadas em Vanderlei Luxemburgo, ainda o técnico nacional que melhor combina futebol-espetáculo com competitividade. Se o leque se estender a estrangeiros – tabu quase intransponível na Seleção –, Pep Guardiola e Marcelo Bielsa seriam alternativas interessantes.

Cada vez mais previsível e sem brechas para inovações, o futebol vive fase de total submissão às vontades do treinador, o que é péssimo quando o técnico tem poucas ideias a propor. Mano se insere nesse exemplo. Na Seleção, parece hesitar entre formações radicalmente ofensivas – como se viu nos amistosos contra China e Iraque – e desenhos mais conservadores, como no desafio caça-níqueis com a Argentina.

Imagino o pesadelo que será, para o torcedor, acompanhar a disputa da Copa do Mundo. Como não existem craques em profusão, a Seleção será mais operária que exuberante; mais cautelosa que abusada. Se não há dúvida quanto ao astro companhia, Neymar, permanecem óbvias incertezas quanto aos homens de criação, sem os quais o jovem santista pouco poderá fazer lá na frente.

Todas as seleções campeãs começam por um meio-de-campo de alto nível. Até aquele Brasil de 1994 tinha armadores em grande forma (Mazinho, Zinho). Para o setor, as esperanças de Mano concentram-se hoje em novatos ainda pouco testados, como Paulinho (Corinthians) e Oscar (Chelsea), e veteranos, como Kaká. Única certeza: uma das camisas já é de Ramires, volante ofensivo e dinâmico.

Não se pode esquecer que, em 2010, na África do Sul, Kaká escondeu lesão (e dores) para exercer o papel de maestro da malfadada seleção de Dunga. Em 2014, será um meia-armador tarimbado, mas em estado físico menos confiável. Mesmo que esteja bem, Kaká não é (nunca foi) um organizador. Sua função está mais para ponta-de-lança, como foi Rivaldo em 2002.

O ataque tem Neymar e uma vaga de co-piloto em aberto. Hulk, o mais testado até agora, só enche os olhos de Mano. Na Olimpíada, ficou clara a pobreza de recursos e o baixo poder de definição do entroncado avante. Apesar das lesões, Alexandre Pato é nome a ser considerado, embora Fred seja o melhor da posição no momento.

João Saldanha dizia que seleção deve ser a fotografia do momento. Então, com base nisso, o time para a Copa seria: Jefferson; Daniel Alves, Tiago Silva, Dedé e Marcelo; Ramires, Paulinho, Oscar e Kaká; Neymar e Fred. Convenhamos, não é um dream-team, mas pode dar liga. Dúvida transcendental: Mano é capaz de fazer esse time jogar? Não creio.

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Tabu x calor

Todas as previsões indicam que será um jogo duríssimo, em Cuiabá. Não apenas pelo adversário, em franco desespero na luta para escapar ao rebaixamento. Além das dificuldades, há também o fator climático. Por iniciativa do mandante, a pugna será às 16h, com sensação térmica de 15h. Sob forte calor, o prejuízo óbvio é do time mais envelhecido.

Com a trinca Vânderson, Gaibu e Harisson, todos ali na faixa de 35 anos, o Paissandu terá que se acautelar contra a correria mato-grossense. Sem contar com seu melhor jogador no campeonato, o lateral Pikachu. Perda mais sentida ainda porque as chances do Papão no jogo dependem da eficiência e velocidade de seu contra-ataque.

O Paissandu joga ainda contra a tradição do tabu do Círio. Nunca venceu atuando na véspera ou no dia da procissão de Nossa Senhora de Nazaré. Que hoje seja a primeira vez.

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Contra o líder

Em Marabá, lutando para voltar ao G4, o Águia tem o desafio e o estímulo de receber o melhor time do grupo A. Classificado por antecipação, o Luverdense só administra a campanha. O time marabaense luta contra suas próprias limitações defensivas, mas entra em campo animado com a ressurreição do ataque, depois que Branco reencontrou o caminho das redes. Apesar do cartel do oponente, o Águia tem boas chances de vencer.

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Bola na Torre deste domingo tem Pikachu como convidado. Apresentação de Guilherme Guerreiro. Começa logo depois do Pânico na Band, por volta de 23h40.