O passado é uma parada…

Nascido a 8 de outubro de 1928, o inesquecível Didi estaria fazendo aniversário se vivo fosse. Trata-se de um dos mais completos meias da história do futebol e um dos maiores ídolos da história do Botafogo. Inventor da pedalada e da imortal folha-seca, Didi foi decisivo na conquista dos títulos mundiais de 1958 e 1962. Na foto acima, ao lado simplesmente de Nilton Santos e Mané Garrincha, em dia de clássico no antigo Maracanã.

Te contar…

O vencedor foi Lula

Por Paulo Moreira Leite (Revista Época)

Eu pergunto quando tempo nossos analistas de plantão vão levar para reconhecer o grande vitorioso do primeiro turno da eleição municipal. Não, não foi Eduardo Campos, embora o PSB tenha obtido vitorias importantes no Recife e em Belo Horizonte. Também não foi o PDT, ainda que a vitória de José Fortunatti em Porto Alegre tenha sido consagradora. Terá sido o PSOL? Os “novos partidos”?

O grande vitorioso de domingo foi Luiz Inácio Lula da Silva e é por isso que os coveiros de sua força política passaram o dia de ontem trocando sorrisos amarelos. Nem sempre é fácil reconhecer o óbvio ululante. É mais fácil lembrar a derrota do PT no Piauí, ou em São Luís.

Vamos combinar: a  principal aposta de Lula em 2012 foi Fernando Haddad que, superando as profecias do início da campanha, não só passou para o segundo turno mas entra nessa fase da disputa em posição bastante favorável. Em São Paulo se travou a mãe de todas as batalhas.

Imagino as frases prontas e as previsões sombrias sobre o futuro de Lula e do PT se Haddad tivesse ficado de fora… A disputa no segundo turno está apenas no início e é cedo para qualquer previsão. Mas é bom notar que as  pesquisas indicam que Haddad é a segunda opção da maioria dos eleitores de Celso Russomano. Uma pesquisa disse até que Haddad poderia chegar em segundo no primeiro turno, mas tinha boas chances de vencer Serra, no segundo. Qual o valor disso agora? Não sei. Mas é bom raciocinar com todas as informações.

Quem assistiu a pelo menos 30 minutos dos debates presidenciais sabe que Gabriel Chalita já tem lado definido desde o início – como adversário de José Serra. O que vai acontecer? Ninguém sabe. O próprio Serra tem uma imensa taxa de rejeição, que limita, por si só, seu potencial de crescimento.

O apoio de  Russomano tem um peso relativo. Se ele não conseguia controlar aliados quando era favorito e podia dar emprego para todo mundo, inclusive para uma peladona de biquíni cor de rosa descrita como assessora, imagine agora como terá dificuldades para manter a, digamos, fidelidade partidária… O mais provável é que seu eleitorado se divida em partes mais ou menos iguais. Não vejo hipótese da Igreja Universal ficar ao lado de José Serra. Nem Silas Malafaia com Haddad.

A votação de Haddad confirma a liderança de Lula e a disposição dos eleitores em defender o que ele representa. Mostra que o ambiente político de 2010, que levou a eleição de Dilma Rousseff, não foi revertido. Isso não definiu o resultado em cada cidade mas ajudou a compor a situação no país inteiro. Os 40% de votos que Patrus Ananias obteve em Belo Horizonte mostram um desempenho bem razoável, considerando que o tamanho do  condomínio adversário.

Quem define a boa vitória de Lacerda como uma vitória de Aécio sobre Dilma incide no pecado da ejaculação precoce. O grande derrotado do primeiro turno, que mede a força original de cada partido, não aquilo que se pode conquistar com alianças da segunda fase, foi o PSDB.

O desempenho tucano sequer qualifica o partido como oponente nacional do PT. Perdeu eleição em Curitiba, onde seu concorrente tinha apoio do governador de Estado, desapareceu em Porto Alegre e no Rio de Janeiro, terra do vice de José Serra em 2010 – que não é tucano, por sinal. Se a principal vitória do PSDB foi com um candidato do PSB é porque alguma coisa está errada, concorda?

Respeitado por ter chegado em primeiro lugar em São Paulo, Serra já teve desempenhos melhores. As cenas finais da campanha foram os votos do julgamento do mensalão, transmitidos em horário nobre durante um mês inteiro. Tinham muito mais audiência do que os programas do horário político.

Menino pobre e preto, Joaquim Barbosa já vai sendo apresentado como um contraponto a Lula… Antes que analistas preconceituosos voltem a dizer que a população de renda mais baixa tem uma postura menos apegada a princípios éticos – suposição que jamais foi confirmada por pesquisadores sérios  — talvez seja prudente recordar que o eleitor é muito mais astuto do que muitos gostariam. Sabe separar as coisas.

Aprendeu a decodificar o discurso moralista,  severo com uns, benigno com outros, como a turma do mensalão do PSDB-MG, os empresários que jamais foram denunciados na hora devida… Anunciava-se, até agora, que a eleição seria  nacionalizada e levaria a  um julgamento de Lula. Não foi. O pleito mostra que o eleitor não mudou de opinião.

O eleitor mostrou, mais uma vez, que adora rir por último.

A vitória dos atacantes

Por Gerson Nogueira

Foi um sábado inesquecível para o Paissandu na Série C 2012. O time superou o Treze da Paraíba (e seu técnico falastrão), deixando para trás a descrença dos próprios torcedores e até um mal-estar de última hora provocado por comida estragada.

A goleada de 5 a 1 fez justiça ao flagrante domínio durante os 90 minutos e o resultado recoloca o clube na briga pela classificação, ocupando agora a terceira colocação. Mais que isso: os cinco gols foram todos marcados por atacantes, situação que ainda não havia ocorrido no campeonato.

O jogo foi inteiramente favorável ao Paissandu desde os primeiros movimentos. O segredo estava basicamente na boa dinâmica do meio-de-campo, principalmente pelo trabalho de Alex Gaibú e a habilidade de Tiago Potiguar, que voltava para ajudar na criação.

Em vantagem no confronto direto com a marcação exercida pelo Treze, o Paissandu desfrutou de boas chances logo de saída, embora permitindo alguns contra-ataques perigosos. Acontece que, ao tomar a iniciativa do jogo, o time de Lecheva intimidava os visitantes, pressionando-o a ficar muito atrás.

Quando Kiros fez o primeiro gol, aos 15 minutos, o Paissandu já era muito superior. Tiago Potiguar era o principal destaque pela velocidade que dava ao jogo e pelos espaços que abria na defesa paraibana. Depois de fazer 1 a 0, o time deu uma aliviada perigosa e chegou a ser pressionado pelo Treze, sofrendo ataques seguidos e até um gol, de Ney Mineiro, que estava impedido.

Mas, aos 43, após bela manobra de Potiguar, surgiu o segundo gol de Kiros, que devolveu a normalidade ao jogo. A convincente apresentação mereceu aplausos da torcida na descida do time aos vestiários, coisa que não acontecia há muito tempo.

Um susto marcou o reinício da partida. Aos 3 minutos, o Treze descontou e fez com que o torcedor alviceleste relembrasse de outros tropeços ocorridos ali mesmo no Mangueirão. Antes dos dez minutos, novas oportunidades desperdiçadas pelos paraibanos fizeram com que Lecheva partisse para mudanças. Leandrinho entrou no lugar de Harison, que teve atuação discretíssima, e logo em seguida Moisés substituiu Potiguar, que reclamava de cansaço – e, de fato, correu muito.

O jogo estava mais ou menos equilibrado quando Rafael Oliveira (que substituiu Kiros) reencontrou o caminho das redes, aos 25 minutos. Com a vantagem de 3 a 1, o Paissandu voltou a se impor em campo. O Treze rondava a área e, aos 30 minutos, assustou com um tiro na trave disparado por Ney Mineiro.

A partir dos 35 minutos, o Paissandu voltou a atacar com quantidade e qualidade, puxado por Rafael e Moisés. Enquanto isso, o Treze parecia desistir de tentar uma reação e se limitava a defender. Aos 43 minutos, porém, Moisés aproveitou cruzamento e mandou sem defesa para o goleiro; Foi seu primeiro gol nesse retorno ao Paissandu.

E o gol que selou o triunfo estava reservado para Rafael Oliveira, aos 47 minutos, fechando a goleada e fazendo a torcida voltar a acreditar no acesso à Série B. Muito criticado pelos próprios torcedores, o atacante comemorou muito (e com raiva) seu segundo gol na partida. Que essa vibração se torne marca do ataque bicolor no restante da competição.

Lecheva, que participou do Bola na Torre de ontem, vive uma situação no mínimo curiosa no Paissandu. Continua funcionário do clube na área gerencial (é uma espécie de supervisor), mas é o técnico-tampão, pronto a assumir missões sempre que alguém é dispensado. E, justiça se faça, tem sido extremamente feliz nessas substituições.

Sob seu comando, o Paissandu havia vencido pela última vez, 2 a 1 sobre o Cuiabá, há dois meses, quebrando o galho após a saída de Roberval Davino. Logo em seguida, Givanildo Oliveira assumiu o barco e passou seis jogos sem vencer. Quis o destino que a nova vitória do Paissandu na competição acontecesse com Lecheva novamente no comando.

Talvez não seja uma simples coincidência. Mais que Davino e Givanildo, Lecheva conhece bem o elenco do Paissandu. A chave de seu trabalho está justamente aí. Adiciona a esse fator um jeito diferente de lidar com os jogadores. Ex-boleiro, é adepto do diálogo e inspira confiança. Com ele, por exemplo, Rafael Oliveira tende a render mais. Por tudo isso, pode-se dizer que Lecheva é o melhor técnico que o Paissandu poderia ter no momento. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

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O Águia saiu na frente, com um gol de pênalti marcado por Flamel, mas acabou cedendo o empate ao Salgueiro.Erros gritantes da arbitragem em dois lances capitais, como o gol de empate do Salgueiro, acabaram impedindo o triunfo marabaense.

O resultado, mesmo fazendo a equipe despencar para o sétimo lugar no grupo, não foi desastroso. A diferença em relação ao Santa Cruz, último do G4, é de apenas um ponto. Na verdade, o Águia briga com Icasa, Salgueiro e Santa pela quarta e última vaga. Está, obviamente, no páreo.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 08)