Remo complica classificação

Por Gerson Nogueira

Houve quem levantasse logo a hipótese de boicote ao treinador, sempre uma possibilidade em se tratando de Edson Gaúcho, cuja principal característica é a de disciplinador. De minha parte, não creio em insurreição no elenco. Mais provável é ter acontecido uma rebelião da bola por excesso de maus tratos por parte dos jogadores do Remo.

Mal das pernas desde o começo da partida, o Remo conseguiu sair na frente, com o gol de Ratinho, mas apenas três minutos depois cedeu o empate. Quase tomou o segundo ainda no primeiro tempo, tendo o goleiro Gustavo como destaque nos minutos finais.

Nem bem a bola rolou no segundo tempo e Fininho – dispensado do Remo por deficiência técnica no ano passado – assinalou o gol da virada do time amazonense. Aliás, vantagem mais do que justificada pelo caminhão de chances criadas nos primeiros 45 minutos.

Quando o Remo mais precisava de pujança ofensiva e organização no meio-de-campo, eis que Edson Gaúcho sacrificou o setor de criação e botou mais zagueiro (Igor João) e atacantes (Marcelo Maciel e Mendes). Não podia dar certo.

O Remo passou a jogar à base de ligação direta, permitindo ao Penarol multiplicar seu poderio ofensivo. Chegou facilmente aos 4 a 1 e podia até ter feito mais. No cômputo geral, atuação abaixo da crítica de todo o time, com a defesa novamente se destacando negativamente.

Marcelão, o substituto de Ávalos, mostrou-se à altura do ex-titular, errando quase todas as jogadas e contribuindo para tornar a zaga ainda mais instável. O fato é que há muitos anos que o Remo não tinha uma linha defensiva tão vacilante. Com a dupla de ontem ou com Ávalos de volta a previsão é de um jogo tenebroso para o torcedor, no próximo domingo, contra o Vilhena no Mangueirão.

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Aderbal Lana, o velho Jim das Selvas, deve estar agradecendo ao Gaúcho até agora, afinal o Remo facilitou amplamente seu trabalho. Na hora de reagir na partida, o time paraense abriu mão de homens de armação para reforçar defesa e ataque. Óbvio está que, sem criação, a bola sempre é rifada na base dos chutões e da famigerada ligação direta.

Melhor para o time que está em vantagem no placar, que só precisa de paciência para recuperar a posse de bola e partir para o sufoco. Essa lei, tão antiga quanto a fome, foi solenemente ignorada pelo técnico azulino em Itacoatiara, para alegria do Penarol.

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Com 13 pontos, o Remo receberá no próximo domingo o Vilhena, segundo colocado no grupo e concorrente direto pela classificação à próxima etapa. Aos paraenses não será permitido nem empatar, pois haveria o risco de um jogo amigo entre Vilhena e Atlético-AC, que ainda tem dois jogos atrasados a cumprir (sem que o Remo ou a FPF tenham se movimentado para impedir o privilégio).

Mais do que nunca, a torcida pode ser o fator determinante para o êxito do time. Se lotar o Mangueirão, pode empurrar o Remo para uma vitória e assegurar a passagem ao mata-mata contra Sampaio Corrêa ou Mixto.

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Apesar da pressão exercida pelo Salgueiro na metade final do segundo tempo, pode se considerar que o empate em 1 a 1 foi um excelente negócio para o Paissandu. Além de voltar ao G4 do grupo A1, evitou a derrota para um adversário que também briga pela classificação.

Givanildo Oliveira, sob esse ponto de vista, estreou com sucesso, pois o jogo era de altíssimo risco para os paraenses. O Salgueiro é um oponente temível em seus domínios e não dá muito espaço para visitantes.

O Paissandu, que começou bem a partida, saiu na frente, através de Vânderson, e podia ter tido até melhor sorte. Ocorre que a zaga titubeou e o veterano Júnior Ferrim apareceu para empatar. Depois, quem teve que se virar foi o goleiro Dalton, responsável por pelo menos cinco grandes defesas. A impressão deixada é de que, para o Papão, a Série C será um interminável carrossel de emoções.

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Times encardidos agem assim. Depois de levar de 5 a 1 na rodada anterior, o Águia se encheu de brios e sapecou o mesmo placar sobre o Treze-PB, sábado à tarde, em Marabá. Com isso, recuperou o entusiasmo e se reaproximou da zona de classificação. A goleada deve tranquilizar o ambiente no clube e dar à campanha um tom mais estável a partir de agora.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 20)

Águia devolve goleada e já é terceiro na Série C

Com uma partida ofensivamente quase perfeita, o Águia de Marabá goleou o Treze-PB na tarde deste sábado e foi à forra da goleada sofrida na rodada passada frente ao Luverdense-MT. Ganhou também por 5 a 1 e encheu de entusiasmo o torcedor marabaense. Com o resultado, o Águia saltou para o terceiro lugar na classificação da Série C, antes dos jogos deste domingo.
O Águia começou pressionando muito e abriu o placar através de Flamel em cobrança de pênalti. Mas, logo na saída de bola, a defesa vacilou e o Treze empatou com o atacante Manu. Aos 43 minutos, porém, veio o desempate. Branco recuperou bola na entrada da área e disparou um belo chute. O goleiro Danilo deu rebote e Wando, oportunista, mandou para as redes.
O segundo tempo foi todo do Águia. Branco fez o terceiro e o quarto gols aos 12 e 14 minutos, respectivamente, sufocando qualquer possibilidade de reação do visitante. O técnico João Galvão reforçou ainda mais o ataque, colocando Peri em campo. O quinto gol veio aos 47 minutos, através do meia-atacante Juliano.
Com 12 pontos ganhos, o Águia se recuperou na competição e volta a ficar no G4. Vai torcer para que Salgueiro-PE, Paysandu, Icasa-CE e Santa Cruz-PE tropecem neste domingo para manter sua posição.
Apenas 615 pagantes prestigiaram o Águia no estádio Zinho Oliveira, proporcionando renda de R$ 8.987,00. O próximo compromisso do Águia será sábado (25), às 16h, contra o Santa Cruz, no estádio do Arruda, em Recife (PE).

Neymar e os fominhas

Por Juca Kfouri

O primeiro fominha é o próprio Neymar. Sem pai nem mãe nem patrão nem chefe que imponha limites. E aí ele comete o despautério de jogar numa noite na Suécia e na noite seguinte no Brasil. Jogar mesmo, jogar bem, com afinco, fazendo golaço, dando passe para gol. Jogar como não jogou na Olimpíada porque seu caso com o Santos ainda não se reproduz na seleção, coisa que o tempo deverá fazer.

Mas será preciso que ele tenha este tempo, que sua carreira não seja abreviada por vontades mal administradas – por mais que cercadas da estupenda mordomia de um jatinho repleto de conforto. Mais cedo ou mais tarde, o corpo cobra mesmo de quem é tão jovem e parece de borracha e, portanto, inquebrável como Neymar.

Em Florianópolis, no primeiro tempo, ele perdeu um gol que poderia ser atribuído à síndrome física de Estocolmo, não à psicológica, manifestada claramente no segundo tempo, quando barbarizou como se para mostrar-se apaixonado pela aventura que vivia do mesmo modo que o sequestrado se vincula ao sequestrador.

Tudo isso num gramado encharcado, incomparavelmente pior que os pisados na Grã-Bretanha recentemente e contra adversário mais qualificado do que os da Olimpíada, exceção feita ao México. Então, com o bom humor que o caracteriza, Muricy Ramalho, que vive, com razão, pedindo um calendário racional e descanso para os atletas poderem render, justifica, como Zagallo em 1998 em relação a Ronaldo, que não poderia frustrar a vontade de seu craque. Pois poderia e deveria até para prosseguir em suas críticas. Ou não foi no Santos que se disse que a CBF entregou Neymar esfalfado depois da excursão passada da seleção?

Nem o intervalo de 48 horas foi respeitado, num jogo que não tinha importância que justificasse exceções ou sacrifícios dessa ordem. Certamente se o episódio fosse com um cavalo que tivesse disputado o GP Suécia numa noite e viesse disputar o GP Brasil noutra, a Sociedade Protetora dos Animais protestaria.

Claro que sempre aparecerão os peladeiros para dizer que não há problema algum porque eles jogam diariamente e não se cansam, e os defensores da classe trabalhadora para dizer que absurdo é ganhar salário mínimo e trabalhar de sol a sol, além do quão mal ganham os professores etc e tal. Como se a comparação fosse possível e não estivéssemos tratando de alguém cujo trabalho é visto por bilhões de pessoas e que, além de profissão, é arte.

Arte que pode ser truncada prematuramente pela ganância, seja por resultados, para tirar o time de má situação, seja a da exposição, do rendimento financeiro, como um dia foi feito com Mané Garrincha e seus joelhos infiltrados, sob a cumplicidade também de médicos e massagistas. Só não tinha jatinhos.

O passado é uma parada…

Vista da antiga estação da Estrada de Ferro Belém-Bragança, em São Brás, no final dos anos 50. Um carro de boi passa em frente à estação, diante de vários automóveis estacionados. (Acervo da revista Life)