Tribuna do torcedor

Por Diogo Carlos Luz da Silva (diogotorcedor@gmail.com) 
Alguns cronistas esportivos teimam em dizer que jogar na Curuzu ou Baenão é pensar pequeno. Não concordo. Pensar pequeno e achar que um elenco meia boca, como o que temos aqui, vá se sobrepor ao adversário do mesmo nível jogando em um campo neutro. Pensar grande é encarar a realidade que nos temos hoje e lutar com todas as armas possíveis para derrotar o oponente. Sermos consciente de nossos pontos francos e fortes já é meio caminho andado para atingirmos nossos objetivos. Então, vamos lá: qual nosso ponto fraco? Primeiro que não somos mais competentes nem talentosos que nossos adversários. Todos estão no mesmo nível. Segundo que estamos nas Séries C e D, ou seja, no momento estamos pequenos, comemos jabá e temos que arrotar jabá e não caviar ou bacalhau. Entendeu? Agora vamos aos pontos fortes: temos um time que pode se tornar aguerrido, ainda mais com a torcida bem perto e incentivando os jogadores à vitória. Neste sentido, Curuzu e Baenão são os campos ideais. Penso que jogar nesses estádios é dificultar ainda mais a vida de nossos adversários. Fica explícito o alívio de nossos oponentes quando sabem que enfrentarão Paysandu ou Remo no Mangueirão, onde a torcida fica bem distante do cangotes deles. Se podemos complicar a vida deles, por que facilitar? Esqueça essa história de conforto de torcida e de imprensa, gramado qualificado e outros que tais. Queremos subir, não é? Então vamos usar todas as armas que temos a nosso favor para abater o adversário.  

Estaleiro bicolor está cada vez mais movimentado

A bruxa anda solta na Curuzu. Quatro cirurgias programadas para jogadores do Paissandu nos próximos dias: goleiros Paulo Wanzeller e Paulo Rafael, volante Billy e lateral-esquerdo Jairinho.

No reino do faz-de-conta

Por Gerson Nogueira

Há muito tempo que os boleiros do Brasil desenvolveram uma habilidade especial para ludibriar árbitros incautos ou, dependendo do clube envolvido, com excesso de boa vontade. O que os demais países sul-americanos conseguiram avançar quanto à catimba, os brasileiros se esmeraram no dom de iludir através de tombos programados e encenações dignas de premiação no Oscar.

Curiosamente, esses truques foram aperfeiçoados e tornaram-se mais caprichados na era da superexposição midiática, com transmissões de jogos que envolvem até 30 câmeras, filmando de todos os ângulos possíveis e imagináveis. Alguns jogadores demonstram um domínio das técnicas do ilusionismo que só pode resultar de muito treino para isso.

Circula na internet um vídeo sobre um inusitado exercício no Barcelona, datado de 2011, no qual os então comandados de Pep Guardiola aprendiam até a rolar pelo gramado, caindo às vezes espalhafatosamente, com o intuito óbvio de passar a lábia nos árbitros. A prática é repetida exaustivamente até que os jogadores aprendam a cair de forma convincente.

O tema tem sido alvo de críticas ferozes no atual Campeonato Brasileiro e a cobrança sobre a arbitragem tem aumentado em função da expressiva quantidade de jogos decididos por pênaltis mandrakes. Um dos mais recentes foi marcado em favor do Flamengo durante confronto com o Bahia.

No lance, o meia rubro-negro Ibson se projeta no espaço ao pressentir a aproximação de um zagueiro baiano. Incontinenti, o árbitro, posicionado a poucos metros, apontou a marca fatal, para vibração incontida da “vítima” da falta inexistente. A dupla cena, do penal fantasioso e da comemoração do jogador, tornou-se exemplo de malandragem a ser coibida pelos árbitros brasileiros.

Por influência desse jeito macunaímico de levar vantagem em campo, Neymar, nosso principal jogador, anda exagerando também nas simulações. É verdade que leva muita pancada dos marcadores, mas desenvolveu também um jeito esperto de enganar os juízes. No Brasil, o truque costuma dar certo, mas lá fora a vigilância é mais rigorosa.

Em consequência das faltas que cavou no amistoso contra a seleção olímpica inglesa, sexta-feira passada, Neymar passou a sofrer impiedosa marcação da imprensa londrina. Até o sisudo The Guardian baixou o sarrafo no astro santista, com ilustrações que criticam o estilo cai-cai. Uma das charges coloca Neymar como especialista em saltos ornamentais, outra como músico de rock, e assim por diante.

Prova mais do que evidente de que a Europa continua intransigente quanto ao anti-jogo e às trapaças. Pior para o Brasil, que sonha com o ouro no futebol e tem em Neymar seu principal trunfo para a conquista. Ruim também para o próprio jogador, que tem planos de jogar no futebol europeu e já será recebido por lá com desconfianças quanto às quedas, problema que atrapalhou bastante a carreira de outros brasileiros igualmente habilidosos, como Sávio, Robinho e Diego.

—————————————————————

Derrotas dramáticas para times sem pedigree fazem parte da história recente de Remo e Paissandu. Os remistas têm na memória nomes como Palmas, Holanda e Vila Aurora. O Atlético Acreano, novo emergente do futebol nortista, surge como o adversário a ser batido no grupo A da Série D. Com duas vitórias sobre Náutico e Penarol, o time assumiu a liderança, desbancando o próprio Remo por ter melhor saldo de gols.

Depois de 15 dias de folga na tabela, com dois amistosos no meio, o time de Edson Gaúcho reencontra a torcida no Baenão e tem obrigação de vencer. A competição tem baixo nível técnico e, mesmo com alguns problemas no meio-de-campo, o Remo pode ser considerado favorito. O que não exclui a necessidade imperiosa de evitar descuidos.

A comissão técnica trabalha com a ideia de que os três jogos que fará em casa – contra Atlético, Vilhena e Náutico – são suficientes para que o Remo garanta classificação em primeiro no grupo. A execução desse planejamento começa hoje.

—————————————————————

Depois de alguns meses sem notícias, eis que ressurge Josiel, o atacante que chamou as garotas de Belém de “paquitas queimadas”. Depois de defender o Paissandu em 11 jogos da Série C 2011 e marcar somente três gols, o jogador cobra na Justiça do Trabalho o pagamento de R$ 115 mil em salários e prêmios. O clube soube ontem também que seu ex-lateral Cláudio Allax também deu entrada de reclamação trabalhista.

Josiel e Allax juntam-se a outros reclamantes conhecidos, como Alexandre Fávaro e Sandro. Todas essas pendências ainda podem ser resolvidas por acordo. Dureza mesmo é a situação com Arinelson e Jobson, aos quais o Paissandu foi condenado a pagar mais de R$ 5 milhões. Sem direito a apelação.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 25)

A frase do dia

“Não precisa nem estar escrito. Tudo tem sua hora. Haveria um dia de folga para isso [se encontrar com o namorado]. A filha e o marido da [armadora] Adrianinha vieram à concentração durante a folga. O filho da [ala] Silvia também. Todo mundo sabe o que pode e não pode. É regra do atleta, de convivência em equipe, não tem muito segredo”.

De Hortência, diretora da seleção brasileira de basquete feminino, sobre a dispensa da jogadora Iziane.

Jornal inglês sacaneia astro brasileiro

O atacante Neymar foi alvo do jornal inglês “The Guardian”, uma das principais publicações locais, nesta terça-feira. A versão on-line do periódico publicou uma galeria de montagens que satiriza o jogador do Santos e da seleção olímpica do Brasil. Neymar aparece como integrante da banda de rock The Smiths, que se separou em 1987. A legenda é: “Eu ouvi que os Smiths finalmente entraram em acordo e vão voltar. Mas nem todo mundo estará lá, embora eles tenham o nae Marr”. A piada é por conta da semelhança sonora entre o nome de Neymar e do guitarrista Johnny Marr. Em outra, Neymar aparece gordo, careca e barbudo. A legenda diz que é a imagem que o atacante terá em 2020, seguindo “tradição” de Ronaldo e Ronaldinho, que em 2010 foram flagrados fora de forma. Entre outras sátiras, Neymar virou um atleta de saltos ornamentais – por conta das acusações da imprensa e da torcida inglesa, que dizem que o brasileiro simula faltas. Virou também uma zebra (chamada Zeybrar) por causa da falta de títulos com a seleção principal e por, na opinão dos ingleses, ainda não ter sido protagonista da Seleção.

Josiel das Paquitas aciona Papão na Justiça

Aumenta a fila de credores do Paissandu na Justiça do Trabalho. Mais dois ex-jogadores do clube cobram dívidas atrasadas: o lateral-direito Claudio Allax e o atacante Josiel. O valor cobrado por Allax não foi divulgado, mas é provável que tenha uma boa soma a receber, pois foi revelado nas divisões de base do clube e defendeu o time profissional por três temporadas. A audiência do jogador está marcada para 3 agosto. Quanto a Josiel, trazido para ser o comandante do ataque na Série C do ano passado, a pedida é de R$ 115 mil (salários não pagos) e a audiência será a 8 de agosto. Com a camisa do Paissandu, Josiel marcou apenas três gols em 11 jogos. Deixou Belém depois de ter criticado, via internet, as garotas da cidade, apelidadas por ele de “paquitas queimadas” devido ao cabelo pintado de louro.

Além de Allax e Josiel, o Paissandu enfrenta diversos litígios trabalhistas. Jóbson e Arinelson são os mais complicados, pois o clube já foi sentenciado a pagar altas somas (cerca de R$ 5,5 milhões) e não cabe mais recurso. O goleiro Alexandre Fávaro (abaixo) e o volante Sandro Goiano também cobram indenizações trabalhistas, mas os dois casos ainda estão em fase de instrução. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Arquivo Bola) 

A blogofobia de José Serra

Por Leandro Fortes

A blogosfera e as redes sociais são o calcanhar de Aquiles de José Serra, e não é de agora. Na campanha eleitoral de 2010, o tucano experimentou, pela primeira vez, o gosto amargo da quebra da hegemonia da mídia que o apóia – toda a velha mídia, incluindo os jornalões, as Organizações Globo e afins. O marco zero desse processo foi a desconstrução imediata, online, da farsa da bolinha de papel na careca do tucano, naquele mesmo ano, talvez a ação mais vexatória da relação imprensa/política desde a edição do debate Collor x Lula, em 1989, pela TV Globo. Aliás, não houvesse a internet, o que restaria do episódio do “atentado” ao candidato tucano seria a versão risível e jornalisticamente degradante do ataque do rolo de fita crepe montado às pressas pelo Jornal Nacional, à custa da inesquecível performance do perito Ricardo Molina.

A repercussão desse desmonte midiático na rede mundial de computadores acendeu o sinal amarelo nas campanhas de marketing do PSDB, mas não o suficiente para se bolar uma solução competente nas hostes tucanas. Desmascarado em 2010, Serra reagiu mal, chamou os blogueiros que lhe faziam oposição de “sujos”, o que, como tudo o mais na internet, virou motivo de piada e gerou um efeito reverso. Ser “sujo” passou a ser um mérito na blogosfera em contraposição aos blogueiros “limpinhos” instalados nos conglomerados de mídia, a replicar como papagaios o discurso e as diatribes dos patrões, todos, aliás, alinhados à campanha de Serra.

Ainda em 2010, Serra tentou montar uma tropa de trolls na internet comandada pelo tucano Eduardo Graeff, ex-secretário-geral do governo Fernando Henrique Cardoso. Este exército de brucutus, organizado de forma primária na rede, foi facilmente desarticulado, primeiro, por uma reportagem de CartaCapital, depois, por uma investigação do Tijolaço.com, blog noticioso, atualmente desativado, do ministro Brizola Neto, do Trabalho.

Desde então, a única estratégia possível para José Serra foi a de desqualificar a atuação da blogosfera a partir da acusação, iniciada por alguns acólitos ainda mantidos por ele nas redações, de que os blogueiros “sujos” são financiados pelo governo do PT para injuriá-lo. Tenta, assim, generalizar para todo o movimento de blogs uma realidade de poucos, pouquíssimos blogueiros que conseguiram montar um esquema comercial minimamente viável e, é preciso que se diga, absolutamente legítimo.

Nos encontros nacionais e regionais de blogueiros dos quais participo, há pelo menos três anos, costumo dar boas risadas com a rapaziada da blogosfera que enfrenta sozinha coronéis da política e o Poder Judiciário sobre essa acusação de financiamento estatal. Como 99% dos chamados blogueiros progressistas (de esquerda, os “sujos”) se bancam pelo próprio bolso, e com muita dificuldade, essa discussão soa não somente surreal, mas intelectualmente desonesta. Isso porque nada é mais financiado por propaganda governamental e estatal do que a velha mídia nacional, esta mesma que perfila incondicionalmente com Serra e para ele produz, não raramente, óbvias reportagens manipuladas. Sem a propaganda oficial do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e da Petrobras, todos esses gigantes que se unem para defender a liberdade de imprensa e expressão nos convescotes do Instituto Millenium estariam mendigando patrocínio de açougues e padarias de bairro para sobreviver.

Como nunca conseguiu quebrar a espinha dorsal da blogosfera e é um fiasco quando atua nas redes sociais, a turma de Serra tenta emplacar, agora, a pecha de “nazista” naqueles que antes chamou de “sujo”. É uma estratégia tão primária que às vezes duvido que tenha sido bolada por adultos. Um candidato de direita, apoiado pelos setores mais reacionários, homofóbicos, racistas e conservadores da sociedade brasileira a chamar seus opositores de nazistas. Antes fosse só uma piada de mau gosto.

Pantico chega e começa a treinar

Anunciado na segunda-feira como novo reforço do Paissandu para a disputa da Série C, o atacante Pantico, de 31 anos, foi apresentado na manhã desta terça-feira na Curuzu e já iniciou treinamentos. Assim como o meia Washington, vindo da Catanduvense, Pantico será submetido a exames antes de assinar contrato com o clube. Piauiense de Oeiras, Pantico já rodou por vários clubes brasileiros.

A lista é extensa: 2003 – São Caetano (SP), Oeiras (PI) e Caxiense (MA); 2005 – Quixadá (CE) e River (PI); 2006 – Parnahyba (PI) e Vitória (BA); 2007 – Barras (PI), Bahia (BA), Vitória da Conquista (BA) e Bragantino (SP); 2008 – Flamengo (PI) e CRAC (GO); 2009 – Icasa (CE) e Brusque (SC); 2010 – Joinville (SC) e Brusque (SC); e 2011 – Caxias (RS) e Metropolitano (SC). Além da parte física, Pantico se movimentou com bola no coletivo realizado na Curuzu. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola) 

Tribuna do torcedor

Por João Roberto Moscoso (joaomoscoso@yahoo.com.br)

Foi ridícula a declaração do jogador Robinho que atua hoje no maior rival hoje ao setorista Dinho Menezes que faz a cobertura daquele clube, o jogador disse que o jogo entre PSC e Águia, hoje é um clássico maior que o RE x PA no futebol da região. O que posso dizer, NUNCA. Um clube que não tem nenhum título representativo ao futebol paraense nunca poderá ser comparado com a grandeza do Clube do Remo e a declaração deste jogador representa sua infelicidade. A ignorância da pessoa mostra onde ela pode chegar. Procure ser feliz, infeliz.