O passado é uma parada…

Idos de 1960, no estádio Leônidas Castro, dirigentes e beneméritos do Paissandu em momento de confraternização. A foto está no livro “Papão, 90 Anos de Paixão e Glórias”, do jornalista e pesquisador Ferreira da Costa. Da esquerda para a direita, aparecem Tufi Mubarack, Carlos dos Santos, o grande Nabor Silva, Domingos de Paiva Pinto, Fausto Soares Filho, o apaixonado Abílio Couceiro, Jorge Faciola de Souza e Eulógio Blanco Carril. Nabor, por sinal, está a merecer um livro contando sua história de dedicação incondicional ao clube de Suíço. Era um tempo de dirigentes realmente a serviço do clube – e não das vaidades pessoais. Abaixo, um dos timaços do Papão na época, com Castilho, Quarenta, Ércio, Paulo Tavares e Rubilota.

A frase do dia

“A Inglaterra tem um grande goleiro que é Joe Hart. Ele tem potencial para em cinco anos, quando eu e Iker Casillas estivermos velhos, para ser o melhor do mundo.”

De Gianluigi Buffon, goleiro da seleção italiana, apontando um sucessor.

Golpe no Paraguai é confirmado

Por Altamiro Borges

O Senado do Paraguai, controlado por forças de direita, acaba de aprovar o impeachment do presidente Fernando Lugo. O golpe de Estado, mascarado de “saída institucional”, teve o voto favorável de 39 senadores – quatro votaram contra a destituição e dois se abstiveram. O vice-presidente Federico Franco, que há muito investia na desestabilização do governo, deverá assumir o cargo.

O julgamento sumário do presidente democraticamente eleito teve início às 13h30 (pelo horário de Brasília) e durou apenas cinco horas. Os advogados de Fernando Lugo tiveram menos de duas horas para apresentar a defesa. Na verdade, a decisão golpista já havia sido tomada bem antes – com o apoio das reacionárias elites urbanas e rurais e da mídia empresarial do Paraguai.
Condenação sumária
Lugo foi acusado por “mau desempenho” de suas funções e pelo recente conflito agrário no país, em Curuguaty, que resultou na morte de 11 camponeses e seis policiais. Lugo chegou a apresentar uma ação de inconstitucionalidade à Suprema Corte de Justiça para suspender o julgamento político. Conforme denunciou o advogado do presidente, Emílio Camacho, “o que está acontecendo aqui não é um julgamento, é uma condenação. É a execução de uma sentença”.
Em entrevista à Rádio 10, da Argentina, Lugo criticou a decisão e disse que estimulará a resistência, “a partir de outras instâncias organizacionais… Certamente decidiremos impor uma resistência para que o âmbito democrático e participativo do Paraguai vá se consolidando”, afirmou. Para ele, o que ocorreu hoje no Senado “não é mais um golpe de Estado contra o presidente, é um golpe parlamentar disfarçado de julgamento legal, que serve de instrumento para um impeachment sem razões válidas que o justifiquem”.
 
Reação da Unasul
Em frente ao Congresso Nacional, em Assunção, milhares de pessoas se concentraram para condenar o golpe. Houve protestos também em frente à residência do golpista Federico Franco. Organizações populares prometem intensificar as manifestações nos próximos dias, exigindo o retorno da democracia. 
Pouco antes da condenação sumária, a União das Nações Latino-americanas (Unasul) divulgou nota oficial afirmando que a destituição de Fernando Lugo constitui “uma ameaça à ordem democrática” e anunciou que os países membros poderão romper as relações de cooperação com o Paraguai. A estatal petrolífera venezuelana, PDVSA, antecipou que poderá cancelar os repasses de combustível feitos à Petropar.

Vote no mico da semana

Escolha seu mico preferido:

1) As trapalhadas da CBF para tentar liberar o começo das séries C e D. Entre tentativas de acordos e agrados, só conseguiu autorizar a abertura da D e continua nas mãos do Treze-PB para resolver a bronca da Terceira Divisão.

2) A pancadaria provocada pelos jogadores do Grêmio no final da partida contra o Palmeiras pela semifinal da Copa do Brasil. Uma explosão de violência que não combina com a imagem de um clube vencedor.

3) Showzinho particular do bandeirinha no jogo entre Corinthians e Santos, pela Libertadores. A ridícula corridinha com o spray marcando o gramado coroou sua péssima atuação no segundo tempo do confronto.

Tribuna do torcedor

Por João Lopes Jr. (englopesjr@gmail.com)

Sim, é verdade, em tempos de crise é legal ver que o trabalho em equipe e o esforço individual são valorizados e que nem tudo é a admiração ao fora-de-série. Vale lembrar que o futebol ainda é coletivo e que qualquer um dos 11, quando é expulso, faz uma falta danada pra qualquer time. Raramente nasce um Pelé, um Garrincha, um Nilton Santos… e mais raramente ainda, todos na mesma época e atuando no mesmo time! O certeiro comentário quanto ao desentrosamento da dupla de zaga da seleção brasileira no último jogo contra a Argentina não desmerecem as jogadas de Messi, pois se ele não houvesse feito os gols que fez, seria criticado, mas dificilmente deixaria de ser um fora-de-série. Neymar deveria ir para a Europa, talvez, mas isso é somente porque os brasileiros ainda não perceberam que os foras-de-série individuais reunidos em times fora-de-série é algo cada vez mais improvável. Mesmo porque, foras-de-série são logo captados por espertos e ricos empresários e clubes multimilionários. Já deveríamos ter aprendido a lição, time bom é time que é time, e fora-de-série, no Brasil, é o time que é um time. O Neymar pode jogar em qualquer time, se ele entender que para ser um fora-de-série, deve permanecer de pé e atuando, se desmarcando e atacando, enfim, fazendo a diferença, além da graça e da beleza de jogar bonito. Falta ao Neymar um time, ou ao time, um Neymar, e o Santos não é mais aquele, nem PH Ganso, mas isso é questão de tempo e ritmo de jogo. Não deu para ontem, não vai dá para hoje, é necessário fazer mudanças. Não vejo tantas perdas estéticas no estilo de jogo corintiano, também é legal o jogo coletivo, e se o Santos aprendeu com o Barcelona ano passado, a lição corintiana foi: vale investir na equipe. Vejo prejuízo a longo prazo se continuarmos a incentivar foras-de-série que não se esmeram para melhorar nos fundamentos, como o posicionamento, porque isso não é individual, é coletivo… Melhorar nesses aspectos fundamentais é um tipo de profissionalismo e de compromisso com o esporte que tem uma proposta básica: trabalhar em equipe. Já criticamos jogadores que não estão nem aí para o clube ou elenco e nem sempre a falta profissional é uma balada ou uma cervejinha, mas desistir do coletivo é grave… Apesar de elogiar o espírito de equipe corintiano, é preocupante a curiosa falta de eficiência do ataque,
também faz falta um fora-de-série. Pensei numa provável final interclubes entre Chelsea e Corinthians e a primeira pergunta que veio a minha cabeça foi: quem vai atacar? Foras-de-série fazem falta! Mas mais falta faz um time.