Papão com escalação definida para estreia

O Paissandu está com o time definido para a estreia na Série C, que deve ficar para o dia 1º de julho, contra o Luverdense, na Curuzu. A esclaração mais provável é esta: Paulo Rafael; Marcus Vinícius, Fábio Sanches e Tiago Costa; Pikachu, Fabinho (Vânderson), Ricardo Capanema, Leandrinho, Tiago Potiguar (Héliton) e Régis; Kiros. O meia Alex William (acima) continua entregue ao departamento médico, recuperando-se de contusão. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

CBF confirma início da Série D; Remo estreia fora

O Campeonato Brasileiro da Série D finalmente vai começar neste fim de semana. A primeira partida (seguindo a tabela original) será realizada no sábado, 23, entre Mixto-MT e Sampaio Corrêa. O Remo estreia domingo contra o Vilhena, na cidade do mesmo nome, em Rondônia. O impasse provocado pelas liminares na Justiça Comum começa a ser resolvido. Na tarde desta quarta-feira (20), o presidente do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), Rubens Approbato, deferiu, parcialmente, o pedido do Santo André, que pediu a retirada das ações em que pedia a paralisação das duas últimas divisões do Brasileirão.

A Série C, porém, continua paralisada, já que o Treze-PB ainda tem uma liminar obrigando a CBF a colocá-lo na competição. “A Procuradoria estará adotando as medidas cabíveis com vista à responsabilização dos clubes que mantiverem ações judiciais em flagrante violação dos regulamentos dos eventos nacionais e estatutos da Fifa”, diz o parecer do procurador-geral do STJD, Paulo Schmitt. O diretor de competições da CBF, Virgílio Elísio afirmou também que não existe mais qualquer impedimento técnico para o começo imediato do Campeonato Brasileiro da Série D. “De nossa parte temos a real possibilidade de começarmos a competição já no próximo domingo (24)”, afirmou. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

Luiza Erundina: tudo por uma foto

Por Luis Nassif

Tenho um carinho histórico por Luiza Erundina.

Quando foi alvo de uma tentativa de golpe por parte do Tribunal de Contas do Município (TCM) devo ter sido o único jornalista a sair em sua defesa. Tinha o programa Dinheiro Vivo, na TV Gazeta, de público majoritariamente empresarial. Externei minha indignação que teve ter tido algum peso na decisão do presidente da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) Mário Amato, de visitá-la com uma comitiva de empresários, hipotecando-lhe solidariedade. Defendia-a também quando operadores do PT criaram o caso Lubeca. E, recentemente, o Blog conduziu uma campanha de arrecadação de fundos, para ajudar Erundina a pagar uma condenação injusta dos tempos em que foi prefeita. Sempre admirei sua luta pelos movimentos sociais, das quais sou periodicamente informado por irmãs lutadoras.

Por tudo isso, digo sem pestanejar: ao pedir demissão da candidatura de vice-prefeita de Fernando Haddad, Erundina errou, pensou só em si, não nas suas bandeiras políticas nem nos seus movimentos sociais. Foi terrivelmente individualista. À luz das entrevistas que concedeu ontem, constata-se que os motivos foram fúteis. Estava informada da aliança do PT com Paulo Maluf; chocou-se com a foto  de Lula e Haddad com ele. Foi a foto, não a aliança, que a chocou.

A foto tem uma simbologia negativa, de fato. Aqui mesmo critiquei o lance. Mas apenas simbologia. Não se tenha dúvida de que, eleito Haddad, Erundina seria a vice-prefeita plena para a periferia, seria os movimentos sociais assumindo uma função relevante na administração municipal. No entanto, Erundina abdicou dessa missão, abriu mão de suas responsabilidades em relação aos movimentos sociais, devido ao simbolismo de uma foto. Ela sabia que, eleito Haddad, seria mínima a participação do malufismo na gestão da prefeitura; seria máxima a intervenção de Erundina nas políticas sociais.

Poderia ter dado uma entrevista distinguindo essas posições, externando sua repulsa do malufismo, mas ressaltando a diferença de poder entre ambos. Mas Erundina se sentiu preterida, não por Haddad, mas por Lula, que deixou-se fotografar com Maluf e não com Erundina. Seu gesto foi para punir Lula, pouco importando o quanto prejudicaria seus próprios seguidores, os movimentos sociais. Ela abriu mão de um cargo que não era seu, mas de seus representados, para punir Lula.

E quem ela procura para a retaliação? Justamente os órgãos de imprensa que mais criminalizam os movimentos sociais, que tratam questão social como caso de polícia. Coloca a bala no revólver e o entrega à revista Veja. A quem ela fortaleceu? Ao herdeiro direto do malufismo na repulsa aos movimentos sociais: Serra. Saiu bem na foto da mídia, melhor do que Lula com Maluf, mas a um preço muito superior. E quem vai pagar a conta são os movimentos sociais, pelo fato de sua líder ter abdicado de um cargo que a eles pertencia.

Categoria sub-40 em alta

Por Gerson Nogueira

Em plena era do marketing e do futebol como negócio, a mania de contratar por impulso se consolida como prática dos grandes clubes paraenses. Previsíveis em tudo e sempre na contramão dos bons exemplos, Remo e Paissandu vivem repetindo vícios do passado.
Depois de trazer em 2011 um veterano centroavante (Finazzi), com fissuras na costela, decidiu neste ano acertar com um meia-armador (Edu Chiquita) baseando-se unicamente na boa apresentação do mesmo em confronto com o rival, há três anos. Nos dois casos, uma coincidência: ambos jogaram menos de 90 minutos com a camisa do clube. 
Não satisfeito, o Remo resolveu radicalizar. Depois de insistir e esperar dias por Adriano Magrão, artilheiro que se notabilizou por não fazer um golzinho sequer nas zagas molambentas do nosso Parazão, a diretoria estaria em vias de contratar outro ex-bicolor para completar o projeto de formar um fortíssimo sub-40 para o Brasileiro da Série D.
Adrianinho, meia que defendeu o Paissandu há alguns anos sem maior brilho, é a bola da vez. Antes e depois de passar pelo Papão, rodou por vários outros clubes, sendo que sua participação mais marcante foi no Brasiliense. Conta com fortíssimo lobby junto à crônica esportiva paraense, talvez pelo fato de ter raízes familiares aqui no Estado.
O problema é que, a essa altura, o Remo precisa menos de gente simpática e mais de bons jogadores, que possam resolver o crônico problema de criação no meio-de-campo. Caso seja confirmada sua contratação, Adrianinho, 33 anos, irá se juntar a um elenco cuja principal marca é alta média de idade.
Só no time titular, mais da metade dos jogadores já ultrapassou a faixa dos 30 anos (Adriano, Ávalos, Edinho, Dida, Fábio Oliveira, Ratinho e Cassiano). No banco de reservas, mais trintões: Juan Sosa, Diego Barros, Santiago, Aldivan.
Para um time que experimentou seus (poucos) melhores momentos no campeonato quando havia juventude em posições estratégicas – Tiago Cametá na lateral-direita, Jhonnatan como volante, Betinho e Reis como meias –, a mudança de perfil etário pode significar um problema.
Ninguém deve menosprezar a experiência desses atletas, muito menos advogar a opção radical pela garotada, mas é fato comprovado que uma boa equipe se caracteriza pela mescla de atletas maduros e jovens.
O Remo, que também estaria interessado no centroavante Bruno Rangel (ex-Paissandu), corre o risco de disputar a Série D com um time excessivamente envelhecido para encarar as dificuldades naturais da competição.
 
 
A primeira fase da Euro acabou ontem com vitória da Suécia sobre a França, resultado justíssimo, e da Inglaterra contra a Ucrânia, pura maldade dos deuses da bola. Só pela comovente disposição do velho Schevchenko e a bola que o árbitro não viu entrar, os ucranianos mereciam sorte melhor.
A partir de amanhã, a Euro ingressa na fase de mata-mata, a chamada briga de cachorro grande e a mais empolgante para todo mundo, até para quem nada tem a ver com as seleções disputantes. Alemanha e Espanha são as favoritas, mas italianos e portugueses podem surpreender.
 
 
Quando deixou o campo depois da derrota de quarta-feira, Neymar lamentou que o jogo tivesse sido de um time só, querendo dizer que o Santos teve amplo domínio. Apesar de maior volume de jogo, o Peixe pecou demais nas finalizações e o próprio craque parecia abaixo de seus reais possibilidades.
Houve quem alegasse que estava cansado e o presidente santista reclamou dos amistosos da Seleção Brasileira, mas pareceu mera desculpa.
Na verdade, a prova dos nove será hoje na esperada decisão. Precisando reverter a desvantagem, Neymar tem a chance (e o grande desafio) de confirmar a condição de principal protagonista do futebol brazuca na atualidade.   
 
 
Por ora, a coisa está no terreno especulativo, mas a dupla Loco Abreu/Herrera pode estar vivendo seus últimos momentos no Botafogo. Não são craques, longe disso. Mas, inegavelmente, são jogadores de grande fibra e notória entrega pela Estrela Solitária.
Há muito tempo não via o manto alvinegro ser tão honrado em campo. Loco, pela personalidade carismática, encantou a torcida e tornou-se ídolo, o primeiro depois da era Túlio. Não é pouca coisa para uma torcida tão apaixonada e exigente.
Ainda acho que os dirigentes cometerão um terrível equívoco se preferirem descartar Loco para manter o técnico Oswaldo Oliveira. Ídolos não surgem todo dia, por isso são inegociáveis.  

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 20)