Vai pra Europa, Neymar!

Por Roberto Vieira

Se conselho fosse bom não se dava… Pois é. Mas todo adágio popular também carrega exceção. Pois então! Muita gente meteu o pau em Mano Meneses. Mano que desejava Neymar na Europa. Longe do Santos. ‘Herege!’. ‘Judas iscariotes do futebol pentacampeão!’. ‘Vendido!’.

Mas o tempo estabelece as verdades da vida e do futebol. Neymar estagnou. Com todo seu talento já aprendeu o que tinha de aprender por aqui. O futebol brasileiro jogado no Brasil. Virou escola primária. Não serve pra mais nada.

Quem deseja evoluir tem de sair do lactário. Abandonar a barra da saia da mãe. Ingressar na universidade do mundo. Longe se vão os tempos gloriosos de Pelé e Garrincha. Pelé olhava de lado e tinha o catedrático Coutinho.

Garrincha formulava teses com o PhD Nilton Santos. O Brasil era o MIT da bola no pé. Hoje? Quadro de giz e chuteira. Cartilha e mata borrão. Enquanto o mundo do futebol vai de androids e lap tops.

Mano Meneses estava certo. Neymar por aqui vai se tornar desses meninos sabidos. Espertos. Desses que os turistas conhecem em Olinda. Capazes de decorar toda a história das capitanias hereditárias. Incapazes de escrever uma carta na Central do Brasil…

Ideia simples, triunfo justo

Por Gerson Nogueira

Era a definição da semifinal, mas os festejos corintianos fizeram parecer que era quase a decisão do título. De qualquer forma, os ecos do empate que classificou a equipe à final da Taça Libertadores valorizam o duríssimo embate entre alvinegros brasileiros, seguramente os dois principais clubes nacionais da atualidade. A comemoração ressalta, acima de tudo, o esquema operário, quase à européia, do Corinthians de Tite, cuja origem está na campanha do título brasileiro do ano passado.
Na ocasião, a conquista foi vista com ressalvas pelos fãs do futebol ofensivo. Não era para menos. O Corinthians cultivou um impressionante esmero defensivo e, como se sabe, quem muito zela pela defesa quase sempre deixa o ataque em segundo plano.
As vitórias por escores magros tornaram-se uma espécie de característica corintiana desde então. Tite, corajosamente, não renegou essa estratégia. Muito pelo contrário. Diante dos resultados positivos ganhos a partir de uma sólida linha de zagueiros e volantes, passou a louvar esse estilo simples, guerreiro e eficiente. 
Diante do Pacaembu cheio de corintianos, o time jogou dentro de seu padrão habitual, desfilando o receituário que assegurou a caminhada ao longo da Libertadores. Marcação forte e pouquíssimo espaço para brincadeiras – suas e do adversário – na grande área.
O Santos, de estilo mais leve e ofensivo, parecia assumir o domínio das ações, ocupando o campo de defesa inimigo com passes rápidos e constante inversão de posicionamento. O gol saiu, mas o time desceu para os vestiários acreditando que estava com o jogo sob controle. Ledo engano.
A estratégia corintiana para empatar o jogo (e desempatar a disputa) foi centrada no próprio histórico do time. Bolas roubadas no meio-de-campo, contragolpes velozes puxados por Alex e Jorge Henrique e cruzamentos sobre a área. Logo de cara, esse expediente deu certo e o empate veio praticamente de mão beijada, com falha dos zagueiros do Santos e finalização precisa de Danilo.
Quem acompanha esse Corinthians forjado nas divididas e na batalha pela retomada da bola sabia que o Santos teria que mover mundos e fundos para reaver a vantagem. Missão prejudicada pelo rendimento discreto de Paulo Henrique Ganso e o visível esgotamento de Neymar, que chegou a voltar para buscar jogo quase na linha do meio-campo.
O tempo ia passando e deixando claro que a sorte pendia para o time que se baseia na fibra e na transpiração. Tite não gosta da comparação, mas nada lembra mais o jeito bate-estaca do Chelsea que essa esquadra corintiana. Com dois volantes à moda antiga, Ralf e Paulinho, postados quase como zagueiros extras, o técnico fechou os caminhos e tornou praticamente impossível a missão santista.
Antes que saia a repudiar as referências inglesas, Tite devia saborear o triunfo de uma idéia tática tão simples quanto precisa, responsável por colocar conduzir o time à grande decisão sul-americana. Isso é o que, de fato, importa.
 
 
Vale considerar que, do lado santista, a frustração pelo fim do sonho do bicampeonato continental vem junto com nova atuação irregular do maior craque do time. Neymar, apesar do gol e da movimentação nos primeiros 45 minutos, foi totalmente anulado na etapa final e sem ele toda a força do Santos cai por terra.
Muricy Ramalho, que nunca foi conhecido pela ousadia, parecia um peixe fora d’água ao lado do campo tentando fazer seu time ir à frente. Duro era observar que um time montado a partir de raros talentos não achava jeito de impor seu jogo.
Nos 15 minutos finais, tomado pelo desespero, o Santos passou a cruzar todas as bolas possíveis para o centro da área. Qualquer timeco de várzea age exatamente assim quando se esgotam os recursos técnicos. O Peixe precisa aproveitar essa lição para reencontrar seus próprios caminhos. Assusta também a constatação de que, nesses momentos, por força das circunstâncias ou por limitação individual, Neymar também fica nivelado a um jogador comum – o que não é.
 
 
A confirmação de que a bola vai finalmente rolar na Série D é um alento para os torcedores do Remo. Depois de 28 dias de indefinição, a CBF conseguiu finalmente desatar os nós jurídicos que inviabilizavam a competição. Não sem traumas. Com a quase confirmada inclusão do amotinado Treze (PB) na Quarta Divisão fica escancarada a porteira para a repetição do mesmíssimo imbróglio que atrapalhou a edição deste ano.
Foi assim que Ricardo Teixeira agiu quando o Rio Branco ameaçou parar a Série C 2011. Deu no que deu. Marin, cópia envelhecida do antigo chefão, trilha as mesmas ondas perigosas.
Enquanto o rival já entra em ação no próximo domingo, o Paissandu deve estrear a 1º de julho, caso o arranjo com o Treze realmente se confirme. No fundo, atletas, técnicos e torcedores já não agüentavam a situação. Que os times tratem de compensar em campo essa longa espera.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 21)