Pedacinho do céu… na terra

Sol da manhã iluminando a praça central de Baião, com a fachada da igreja matriz pontificando e o tradicional arraial junino montado por ocasião da festa de Santo Antonio, padroeiro do município. Na foto inferior, os amigos Dinho Menezes e Carlos Gaia, da equipe esportiva da Rádio Clube, no trapiche da cidade tendo o belíssimo rio Tocantins como cenário de fundo. Ambos foram cobrir a apresentação do time sub-20 do Paissandu contra o selecionado baionense, na última terça-feira, 12. Como todo visitante, voltaram de Baião impressionados com a beleza do lugar. Não é à toa que minha terra tem a fama de cidade mais hospitaleira do Baixo Tocantins. Dinho, na mensagem que acompanhou as fotos enviadas a este escriba, abriu o coração: “Fotos de nossa visita a Baião, um pedacinho do céu… na terra”.

A frase do dia

“É no mínimo estranho que uma ótima equipe como esta do Corinthians, campeã brasileira, na semifinal da Libertadores, não ter nenhum jogador convocado para a Seleção Brasileira nesses últimos amistosos. Esse episódio torna-se ainda mais estranho ao lembrar que a Seleção conta com um diretor assumidamente corintiano, o Andrés Sanches (Diretor de Seleções), e um treinador também corintiano, que tem uma história pelo clube, o Mano Menezes”.
 
De Luís Álvaro Ribeiro, presidente do Santos, arranjando desculpa para a derrota na semifinal da Libertadores.
 

A derrota dos medíocres… e a vitória também

Por Daniel Malcher (malcher78@yahoo.com.br)

Há mais de vinte dias o Brasil inteiro esperava com ansiedade pelo confronto entre os dois melhores times do país pela Copa Libertadores, afinal, Santos e Corinthians são os atuais campeões sulamericano e brasileiro, respectivamente. O confronto colocaria frente a frente o talento de Neymar, Paulo Hnrique Ganso e companhia contra o jogo coletivo de Emerson, Alex e Paulinho. Na mesma noite, mas pela Copa do Brasil, o Grêmio, do ainda badalado Luxemburgo e do “Gladiador” Kléber enfrentaria o Palmeiras do treinador do penta Felipão, numa reedição em clima revival dos grandes confrontos entre as duas equipes e seus treinadores em meados dos anos 90.
Encerradas as partidas, resultados normais, com as vitórias de mosqueteiros e alvi-verdes. Tratava-se de clássicos.
Mas, e o bom futebol? Apareceu? Esse passou longe da Vila Belmiro em Santos e do Olímpico em Porto Alegre. Assim como se constatou a normalidade dos resultados mediante o caráter das contendas (clássicos nacionais), constatou-se após o apito final que também se trataram de autênticas peladas, no pior sentido do termo.
O Santos, devido alguns lampejos, cantado em verso e prosa como legítimo representante do futebol genuínamente brasileiro – por ora perdido em algum lugar na segunda metade dos anos 2000 –, e por isso considerado o melhor time do país, desafinou. Neymar, a cada grande confronto em que atua, passa a impressão de ser fenomenal apenas contra o Botafogo de Ribeirão Preto, o XV de Piracicaba ou o Paraguaçuense. Aceita marcações que o “encaixam” facilmente, se irrita e se joga fazendo caras e bocas crente no trilar dos apitos a cada mergulho. Paulo Henrique Ganso, a descontar a recente contusão e a cirurgia em um dos joelhos, há tempos é dispersivo, lento… e começou a se acomodar com improdutivos toques para o lado. Elano dispensa maiores comentários. Involuiu quando saiu da Inglaterra, foi para a Turquia e desembarcou por aqui. Não lembra nem de longe o jogador que saiu incólume da fraca campanha brasileira no Mundial de 2010. E time que se pretende os melhor do país jamais deve ter um perna-de-pau como Alan Kardec no comando de ataque.
E o campeão brasileiro, o Corinthians, cujo melhor jogador (Paulinho), pra variar é um volante que para os nossos padrões é excelente, mas que para o “estrangeiro” é só mais um? Já tem quem compare os alvi-negros de São Paulo aos ingleses do Chelsea no ofício da retranca. Mas há quem vê nisso uma ofensa – inclusive seu treinador, Tite –, pois o time de Parque São Jorge, segundo os críticos e torcedores apaixonados, diferentemente dos londrinos “ataca os adversários”, “ministra aulas” de jogo coletivo, portanto não pratica, como os azuis do bairro londrino de Chelsea, o “anti-futebol”. Não é bem por aí, e soa até como acinte e demérito ao time inglês. O Corinthians não tem um centroavante de respeito (Drogba), um meio-campo de bons jogadores (Ramires, Lampard e Mata) e nem um goleiro acima da média (Petr Chec). Ademais, os londrinos jogavam defensivamente por reconhecimento à sua inferioridade para com adversáros mais gabaritados. Quando precisou jogar mais à frente e golear, jogou e goleou (como na vitória sobre o Nápoli pela Liga dos Campeões). Os paulistas, por sua vez, jogam atrás por convicção, é a essência do time. Foram campeões brasileiros jogando assim, contra times fortes ou timecos. Ganhou ontem jogando atrás e pode conquistar sua primeira Copa Libertadores mais atrás do que nunca.
Quanto a Grêmio x Palmeiras, nada muito a acrescentar. Dos 45 minutos do jogo que pude visualizar, só vi chutões, correria desordenada, chuveirinhos e muito suor. Muito pouco ou quase nada para equipes que têm em seu comando técnico os caríssimos Luxembrugo e Felipão. Tricolores e côxa-brancas repetirão o receituário do futebol brasileiro atual na noite de hoje? É razoável não duvidar.
Enfim, como conclusão dessas mal traçadas linhas, não lembro – mas não lembro mesmo! –, de ter visto o futebol brasileiro tão mal jogado. E ontem à noite, a derrota não foi exclusividade dos medíocres, pois a vitória também os contemplou. Resta-nos, em tempos de Eurocopa, limpar um pouco a vista com as boas exibições dos selecionados do hemisfério norte, sobretudo da Espanha, da Alemanha e até mesmo da cambaleante Holanda que, ferida de morte ou não, respeita suas tradições de ofensividade e refinamento.

Uma Laranja em maus lençóis

Na cidade ucraniana de Carcóvia (Kharkiv para os íntimos) o repeteco da final da Copa do Mundo de 1974 terminou com o mesmo vencedor e pelo mesmo placar: Alemanha 2, Holanda 1. A Holanda, uma das favoritas da Euro-2012, teve uma chance logo que o jogo começou com Van Persie e não a aproveitou. A Alemanha respondeu com um chute de primeira de Ozil de fora da área na trave holandesa.

E matou a pau com dois gols de Mario Gomez, um de virada, outro numa bomba em chute cruzado pela direita, que nocautearam os holandeses ainda no primeiro tempo, ambos com duas enfiadas maravilhosas de Schweinsteiger, aos 23 e 38 minutos.

Restou à Holanda ir para o tudo ou nada no segundo tempo. E tudo foi o gol de Van Persie, aos 28. Que valeu quase nada. E a nova queda de um dos favoritos da Euro-2012. Um dia a Holanda ganha. A seleção laranja ainda pode se classificar, mas tem de vencer Portugal, torcer pela Alemanha já praticamente classificada contra a Dinamarca, e conseguir a vaga na saldo de gols. (Do Blog do Juca)

Robinho volta a treinar na Curuzu

Depois de longa inatividade, motivada por contusão, o meia Robinho tem sido a novidade da semana nos treinos do Paissandu. Voltou a campo, participando dos exercícios do elenco, na Curuzu. A diferença de estatura entre ele e o centroavante Kiros chamou atenção nos treinos desta quarta-feira. Para conquistar um lugar no time titular, Robinho terá que disputar posição com Alex William e Tiago Potiguar, que tiveram bom rendimento no Re-Pa. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

Uma nuvem passageira

Por Gerson Nogueira

É cada vez mais estreito o caminho para jovens atletas nos grandes clubes da capital. O semestre, que começou encorajador com o aproveitamento como titulares de até dez recém-saídos das divisões de base, termina de maneira frustrante para a jovem guarda do nosso futebol. E o desapontamento começa a atingir todos os envolvidos, direta e indiretamente. 
Para a torcida, que sempre teve um pé atrás quanto à prata-da-casa, o aparecimento de talentos como Pikachu, Jhonnatan, Tiago Costa, Neto, Betinho Tiago Cametá, Jaime, Paulo Rafael e Reis quebrou preconceitos e chegou a sinalizar dias melhores tanto para o Remo quanto para o Paissandu.
Aos dirigentes, obrigados a lançar mão da garotada por falta de recursos financeiros para sair contratando a rodo, a força jovem passou a representar a possibilidade de tirar o pé da lama. Investimento na base, como se sabe, significa dinheiro certo para quem tem paciência e planejamento.
Mesmo patinando na parte organizacional, Remo e Paissandu (ainda) dispõem de visibilidade para expor seus jovens valores ao mercado boleiro nacional. Os jogos da Copa do Brasil e nas Séries C e D seriam a plataforma ideal para exibir ao país esse produto genuinamente paraense.
Algo, porém, saiu dos trilhos entre o Campeonato Estadual e as competições nacionais. O estrago mais visível ocorre no Remo, que perdeu o meia Betinho e passou a priorizar veteranos em detrimento dos garotos. Seu melhor jogador, o volante Jhonnatan, entrou em rota de colisão com o técnico Flávio Lopes e dificilmente manterá a condição de titular na Série D. Outros jogadores que apareceram bem no returno do Parazão também perderam espaço e importância. Reis pode ser o próximo a sair.
No Paissandu, a mudança é mais discreta, mas irreversível. Somente Pikachu, titular absoluto da lateral-direita, parece blindado. Os demais garotos, incluindo o goleiro Paulo Rafael e o zagueiro Tiago Costa, não têm lugar garantido entre os titulares.
Pior para os clubes, que dependem de receita para continuar investindo e sobrevivendo. O recente Re-Pa evidenciou o equívoco de continuar apostando tudo nas bilheterias para sanear aperreios financeiros. A saída está nas entranhas dos próprios clubes, mas, para que os resultados apareçam, é preciso que uma política clara de aproveitamento dos talentos de casa seja colocada em execução.  
 
 
Enquanto os meninos perdem espaço dos dois lados da Almirante Barroso, o Remo permanece refém de atos de indisciplina por parte de veteranos. Magnum, que já havia se apresentado com atraso, viajou novamente sem dar satisfação a ninguém. Como mau exemplo é que nem coceira, o meia Ratinho também pegou o beco e ninguém sabe dizer por onde anda. O problema é que, de repente, Flávio Lopes ficou sem os armadores do elenco. Até quando?
 
 
Advogados do Paissandu não conseguiram reunir ontem com os representantes do ex-jogador Arinélson para tentar um último acordo quanto ao pagamento dos R$ 4,2 milhões devidos pelo clube. Para não perder patrimônio (no caso, a sede social da avenida Nazaré), busca-se conseguir um prazo para vender o bem, evitando o leilão. A ironia é que, nos bastidores, comenta-se que a dívida teria sido “comprada” a Arinélson por empresários ligados ao próprio Paissandu, daí as dificuldades para qualquer entendimento a essa altura.
 
 
O festival de gols “feitos” que Cristiano Ronaldo desperdiçou contra a Dinamarca, ontem, na Euro, ensejaram gracejos de toda ordem no Twitter. Houve até quem comparasse o ídolo dos portugueses – e um dos mais marrentos boleiros de todos os tempos – ao Zé da Fiel, em tom desfavorável ao astro do Real Madri. Segundo torcedores do Paissandu, apesar de toda fama e fortuna, falta ao europeu a lendária raça de Zé Augusto.
Brincadeiras à parte, o avante luso corre o risco de confirmar a sina de passar em branco em competições importantes. Até hoje não brilhou em nenhuma edição da Euro e fracassou em duas Copas (2006 e 2010). No atual torneio, tem sido discretíssimo e anda perdendo gols com a frequência de um atacante de várzea.
Seu baixo rendimento na estréia diante da Alemanha gerou até um começo de crise na seleção portuguesa. Cobrado pela imprensa e pelos torcedores, mostrou-se mais empenhado contra os dinamarqueses, mas a inspiração passou longe. Sorte que seu time conseguiu o gol da vitória a 3 minutos do fim. Terá contra a Holanda nova chance de se redimir.
Como a compensar o baixo astral, Cristiano vive um grande momento no futebol espanhol. Acabou de receber o prêmio de craque da temporada, em eleição do diário Marca.
 
 
Quem diria, o desacreditado Palmeiras surpreende o poderoso Grêmio de Luxemburgo dentro de Porto Alegre. E o favorito Santos foi destronado, na própria Vila, pelo apenas esforçado Corinthians – que até um diretor considera medíocre. O futebol é tanto melhor quanto mais imprevisível.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 14)