Séries C e D devem começar no fim de semana

Com a retirada das ações de Rio Branco, Brasil/RS e Araguaína, a CBF deve confirmar o começo da Série D neste final de semana, mas a Série C terá abertura parcial, sendo que o grupo do Norte-Nordeste teria que ser adiado, em função da insistência do Treze em exigir vaga na competição. Depois da reunião desta segunda-feira, a Procuradoria do STJD deve denunciar o Treze e o Brasil de Pelotas, e as federações paraibana e gaúcha, pelas liminares na Justiça Comum. Os clubes serão multados em R$ 100 mil e devem ser suspensos por 2 anos. Segundo o procurador do STJD, Paulo Smith, com essas decisões a Série D já pode começar no próximo final de semana, dependendo apenas da confirmação da CBF. Smith também aconselhou os clubes prejudicados pelo adiamento das competições a entrarem na Justiça pedindo ressarcimento.

Caso sejam mantidas as tabelas oficiais, o Remo estréia contra o Vilhena, fora de casa, e o Paissandu recebe o Luverdense, na Curuzu. Os bicolores treinaram no sábado pela manhã, na Curuzu, preparando-se para a competição nacional – Pikachu na foto acima. O Águia, que estreia fora de casa contra o Fortaleza, também mantém sua programação de treinos. E os remistas também se movimentam à espera da confirmação da estreia na Quarta Divisão. Na foto abaixo, Jhonnatan e Ratinho. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

Craque ou produto de marketing?

Por Gerson Nogueira

Quase todos os grandes jogadores sofreram, em algum momento da carreira, questionamentos sobre suas qualidades. Nem o Rei escapou dos maledicentes. Quando garoto, cansei de ouvir gente mais velha e que manjava de futebol afirmar que Mané Garrincha era o maior de todos, contestando a fama conquistada por Pelé.
Com o passar do tempo, aprendi que todos os astros – em qualquer tipo de atividade – estão sujeitos a ataques, alguns claramente rancorosos, outros por pura desinformação. Foi assim com Puskas, Di Stéfano e Danilo, que deram ainda o brutal azar de não ter vencido uma Copa do Mundo.
Nem mesmo o próprio Garrincha, que conduziu o Brasil ao bicampeonato mundial em 1962, foi poupado. Diego Maradona, que carregou a Argentina nas costas em 1986, é frequentemente criticado em seu próprio país. Romário, herói nacional de 1994, é outro que já foi alvo de todo tipo de ataque.  
Por tudo isso, a polêmica que ronda a carreira de Cristiano Ronaldo pode ser considerada dentro dos níveis normais. Sem ser genial como Mané, fora-de-série como Maradona e nem decisivo como Romário, alterna boas e más apresentações, semeando mais dúvidas do que certezas sobre sua competência em campo.
Não me incluo entre os detratores radicais, daqueles que tacham o atacante luso de enganador, mas estou longe de ser um fã incondicional. Acompanhei ontem a vitória portuguesa sobre a Holanda – irreconhecível em relação àquele time que afundou a seleção de Dunga há dois anos. Sem dúvida, foi uma exibição de gala de Cristiano Ronaldo. Talvez tenha sido sua melhor atuação pelo escrete de seu país.
Participou ativamente das ações de seu time, armou jogadas, lançou companheiros e foi sempre um atacante presente na área. Como recompensa, marcou os dois gols da vitória e criou inúmeras outras situações perigosas para a defesa holandesa. Jogou muito, de fato, apesar da surpreendente vulnerabilidade do adversário.
Ainda assim, não me senti plenamente convencido quanto às chances de Cristiano em relação ao prêmio de melhor do mundo da Fifa, há dois anos nas mãos do argentino Lionel Messi, merecidamente. Desta vez, o atacante do Real Madri tem a grande oportunidade de superar Messi, caso seja protagonista de um título da Euro.
Bem, da mesma forma que duvido da potencialidade de Portugal no torneio, continuo cético quanto a uma consagração absoluta de Cristiano. No fundo, sem demérito, vejo o astro português como uma versão melhorada do nosso Alexandre Pato, só que com muito mais exposição na mídia e certamente com um empresário mais esperto.
 
 
O sensacional mergulho de Ibson nos instantes finais do jogo entre Flamengo e Santos (com o time reserva), ontem, foi interpretado como pênalti pelo árbitro e ajudou a salvar o final de semana rubro-negro. É verdade que num embate ruim tecnicamente, as melhores chances pertenceram ao Fla, mas o que deve estar enchendo de esperanças a maior torcida do Brasil é a velha tradição de arbitragens amigas.
A massa sabe que esse fenômeno sempre sinaliza para grandes campanhas, algumas resultando até em título nacional. Pela forma como venceu o Peixe, que ninguém duvide: o Flamengo está mais forte do que nunca.
 
 
Depois de enrolar por quase um mês, a CBF vai bater o martelo hoje quanto aos campeonatos das séries C e D. José Maria Marin parece ter cansado de buscar uma solução amigável e deve partir para retaliações, principalmente em relação ao Treze-PB.
Informações oriundas da entidade dão a entender que, caso a situação não se resolva, os dois torneios podem ser cancelados. Seria a solução final para um imbróglio que já se prolongou em demasia.
 
 
Time de futsal sub-17 do Remo fez campanha espetacular na Taça Brasil, realizada em Roraima. Na final, ontem, goleou Açailândia por 5 a 1. Destaque para o atacante Igor, autor de 20 gols na competição. O lado menos romântico da história é que, na falta de patrocínio, as despesas foram bancadas pelos pais dos atletas.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 18)