Tribuna do torcedor

Por Rildo Pereira de Medeiros (rildoagro13@hotmail.com)

Caro Gerson, desculpe mas não queria mais dar palpite, mas não posso deixar de registrar a minha indignação sobre essa estréia do Remo, que após estar vencendo deixa que aconteça a virada. A sensação que a gente tem é que o Remo precisa de gás pra enfrentar as pressões desses timinhos, principalmente fora de casa, essa postura não é de hoje, em jogos fora de casa. Não dá para confiar em atletas como Juan Sosa, Ávalos, Fábio Oliveira e o próprio Adriano. Outros veteranos, como o Ratinho, também tem que deixar o Remo. O Flávio Lopes está apostando em sucata de veteranos. Acho que não dará certo, já começou mal. Depois querem que o fenômeno azul acredite.

Uma estreia desastrosa

Por Gerson Nogueira

Depois de tão aguardada, a estréia remista no Brasileiro da Série D revelou-se um fiasco em grande escala. Perder fora de casa é parte da rotina do futebol, mas sofrer uma goleada para equipe sabidamente inferior é desastroso. Até porque o adversário enfrentava sérias turbulências internas, não treinava há mais de duas semanas e teve que usar jogadores das divisões de base para suprir as carências do elenco. 
O primeiro tempo, mesmo sem movimentação do placar, já deu uma idéia da condição técnica do Remo no jogo. Sem jogadas criativas no meio-de-campo e nenhuma força ofensiva, o sistema 3-5-2 mostrou-se problemático desde os primeiros minutos.
A maioria dos jogadores parecia estranhar a nova configuração tática, com especial dificuldade no trabalho dos alas. Como é rotineiro no Brasil, o 3-5-2 quase sempre é um disfarce para fortes retrancas. O problema é que nem retrancado o Remo conseguiu ser. 
Para o segundo tempo, quando se esperava que finalmente a equipe mais cascuda levasse a melhor sobre o mal-ajambrado Vilhena, aconteceu justamente o inverso. Surpreendido pelo gol de Marcelo Maciel logo a um minuto, mas o time da casa reagiu de forma fulminante. Empatou em cima do lance e virou quatro minutos depois, atestando toda a vulnerabilidade do sistema defensivo paraense.
A partir daí, atordoado pelo inesperado vigor do Vilhena, o Remo revelou a incapacidade de equilibrar a partida. Perdeu-se em tentativas de cruzamentos e, quando ensaiava a busca pelo empate, sofreu o terceiro gol, aos 25 minutos. Intranqüilo e sem alternativas para reverter a situação, só descontou aos 40 minutos, mas logo a seguir abriu espaços e cedeu o quarto gol.    
Na verdade, os problemas remistas – já expostos no Re-Pa – vão muito além da zaga. Incluem uma crônica falta de criatividade no meio-de-campo, agravada pelo desentrosamento de Ratinho com os demais companheiros e a distância em relação aos homens de ataque.
A inexplicável desarrumação imposta pelo técnico Flávio Lopes ao time vice-campeão estadual cobra um preço alto demais neste começo de Série D. O precário conjunto adquirido no returno do Parazão, com a utilização de um meio-campo marcador e técnico (André, Jhonnatan, Reis e Magnum), foi abandonado por uma nova formação, que prioriza jogadores mais rodados e indicados pelo treinador.
Como observei aqui, na semana passada, a opção por um time sub-40 poderia ter conseqüências danosas. É sabido que competições de baixo nível técnico como a Quarta Divisão exigem, acima de tudo, velocidade e preparo físico. O Remo, contrariando todas as recomendações, preferiu apostar em lentidão e experiência, daí a preferência por uma linha de zagueiros com idade acima dos 30 anos.
O Vilhena nem precisou ser brilhante para superar o caótico grupo remista. Foi, pelo relato do companheiro Geo Araújo (da Rádio Clube), apenas um time esforçado, que percebeu logo de cara que o visitante não estava com essa bola toda. Apostou, então, na correria e no contra-ataque. Deu certo.
Para o próximo compromisso, domingo, em Belém, com ou sem Flávio Lopes, o Remo precisará de mudanças radicais. De conceito, inclusive: o futebol é, cada vez mais, um esporte para jovens. Sem qualquer sentido discriminatório, jogadores com mais de 30 anos precisam ter talento acima da média e excepcional forma física para encarar o duelo com a garotada. Nesse aspecto, jogadores como Tiago Cametá, Igor João, Reis e Jaime fazem muita falta. Não são craques, mas jogam (e correm) mais do que os forasteiros que o técnico elegeu como titulares.  
 
 
Os números não mentem. Sete gols em dois jogos. O saldo negativo da defesa remista, que foi responsável direta pela perda do título estadual mais fácil dos últimos anos, evidencia a fragilidade desse setor remista. Ontem, o Remo reproduziu em versão ampliada as falhas primárias demonstradas no clássico contra o Paissandu, há duas semanas.
O técnico, que havia reclamado de falta de tempo para preparar o time para o Re-Pa, não foi capaz de observar que a defesa é lenta e sem reação. E isso se agrava quando, ao invés de usar dois zagueiros fracos, o time joga com três. Lopes, que antecipou a derrota para o Paissandu, não foi capaz de prever o desastre em Vilhena. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola) 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 25)

Vilhena tinha atletas sub-17 no banco

O Vilhena festejou muito a goleada aplicada no vice-campeão paraense, na abertura da Série D, neste domingo. O time foi formado às pressas, o técnico chamado em cima da hora e o elenco conta com apenas 16 atletas, sendo que três são da categoria sub-17. Na raça e jogando em velocidade, o representante rondoniense conseguiu levar a melhor sobre o Remo, aproveitando a desorganização do time de Flávio Lopes. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)