Papão joga melhor e vence Re-Pa por 3 a 0

Remo e Paissandu se enfrentaram na tarde deste domingo, no Mangueirão, em jogo amistoso, e o Papão levou a melhor. Com as equipes ainda desentrosadas e em formação, os bicolores foram superiores e marcaram 3 a 0 sobre os rivais. No primeiro tempo, a equipe de Roberval Davino mostrou mais presença ofensiva e perdeu boas chances de gol, com Kiros e Pikachu. Adriano foi o melhor em campo nos primeiros 45 minutos. Irritado com o rendimento de seu time, o técnico Flávio Lopes substituiu o volante Jhonnatan pelo estreante Marcos Pingüim por volta dos 30 minutos.

Na segunda etapa, com várias alterações de ambos os lados, o Paissandu continuou mais presente no ataque, em função da boa produção de Alex William, um dos melhores do clássico. Davino substituiu Kiros, cansado, por Héliton. O time ganhou mais velocidade e, aos 25 minutos, chegou ao primeiro gol após jogada confusa na área remista. Pikachu e Paulinho dividiram jogada e o árbitro assinalou pênalti. Alex William, de cavadinha, abriu o placar.

No Remo, Flávio Lopes trocou Fábio Oliveira por Joãozinho e Ratinho por Magnum. A equipe melhorou a troca de passes, mas o Paissandu continuou mais agressivo. Aos 25 minutos, em grande arrancada, Héliton driblou um marcador e encobriu o goleiro Adriano, ampliando a contagem. Um golaço. Dois minutos depois, Tiago Potiguar cruzou recuado para a finalização certeira de Leandrinho. Paissandu 3 a 0. A renda foi de R$ 107.565, com público pagante de 12.171. Com 4.000 credenciados e não pagantes, total presente ao Mangueirão foi de 16.171. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

Messi x Neymar

Por Gerson Nogueira

Trazemos no sangue o impulso pela comparação, mas é precipitado comparar Neymar a Messi. Não que isso sirva de atenuante para o jovem brasileiro, que é bom e vai evoluir muito ainda. O erro está na pressa em fazer de Neymar o supercraque que ele ainda não é e, para isso, rebaixar as qualidades óbvias que Messi possui. O melhor a fazer é usufruir, aproveitar o que ambos têm a oferecer para a beleza do jogo. No futebol, como na vida, o tempo passa rápido. Garotos hoje, homens amanhã, senhores depois de amanhã. Messi já é craque maduro, Neymar ainda caminha para isso. Messi ainda vai ser melhor do que é hoje, como Pelé foi aos 28 anos. Neymar será bem mais do que já mostrou e terá muita estrada a percorrer. Bem afortunados são os argentinos, por terem Messi para festejar. Bem aventurados somos nós, pois depois da excepcional geração de Romários e Ronaldos conseguimos arranjar logo alguém para aplaudir – e esperar.

O adeus a Ivan Lessa

O jornalista, cronista e escritor Ivan Lessa, 77, não queria ser enterrado. Respeitando o cuidado com a privacidade, o corpo dele será cremado em uma cerimônia privada em Londres. A data ainda não foi marcada. Lessa morreu na tarde de sexta-feira (8) em Londres, onde morava com a mulher e a filha desde 1978. Até as 14h30, o corpo ainda passava por autópsia e a causa da morte não havia sido divulgada. O escritor sofria de enfisema pulmonar e estava com problemas cardíacos. Sua mulher, Elizabeth, 73, afirmou à Folha de S. Paulo que Lessa estava se tratando há um ano e que já não saia mais de casa. Uma estrutura foi montada na residência para que ele não fosse hospitalizado. Mesmo muito debilitado, Lessa fazia questão de continuar escrevendo para a BBC Brasil.

Dono de uma rara e requintada ironia, Lessa costumava zombar de si mesmo, fazendo, inclusive, referência a sua doença. “Um amigo erudito, que ocasionalmente vem visitar meu enfisema” foi o início de sua crônica para a BBC de 21 de maio, chamada “Palavras, palavras, palavras”. No último texto, escrito por ele na sexta, pouco antes de morrer, cita Millôr Fernandes – a quem chama de mestre. Millôr, que morreu em 27 de março aos 88 anos, era amigo de Lessa e participou com ele da fundação do jornal “O Pasquim”.

Junto de Paulo Francis, Sérgio Cabral e Tarso de Castro, foi um dos principais colaboradores do jornal durante a resistência à ditadura militar brasileira. Criou, junto com o cartunista e amigo Jaguar, o ratinho Sig – inspirado no psicanalista Sigmund Freud -, baseada na anedota “Deus criou o Sexo, Freud criou a sacanagem”. O ratinho se tornou símbolo de “O Pasquim”. No “Pasquim”, ele escreveu, entre outras, as colunas “Gip! Gip! Nheco! Nheco!”, “Fotonovelas” e os “Diários de Londres”. Ivan Pinheiro Themudo Lessa era filho do também escritor Orígenes Lessa. Tinha três livros publicados: “Garotos da Fuzarca” (1986), “Ivan Vê o Mundo – Crônicas de Londres” (1999) e “O Luar e a Rainha” (2005).

Ele também trabalhou na TV Globo e foi colaborador de diversas publicações brasileiras, entre elas as revistas “Senhor”, “Veja” e “Playboy”, e os jornais “Folha de S.Paulo”, “O Estado de S.Paulo” e o “Jornal do Brasil”. Lessa era colaborador da BBC Brasil desde janeiro de 1978, quando deixou o Brasil, com a mulher e a filha, para morar na capital britânica. Quando Millôr morreu, Lessa escreveu : “E agora, por ser fim de semana, descansemos todos e deixemos, principalmente, os mortos, em paz”.

Valeu, meninada brazuca!

Por Juca Kfouri

Os meninos de Mano Menezes não mereciam ir para o intervalo perdendo de 2 a  1 para  os  maduros argentinos no ótimo primeiro tempo  disputado em Nova Jersey. Sem Thiago Silva, time mais jovem não era possível. Não mereciam pelo que jogaram, pelas oportunidades que criaram e pela injustiça cometida pela arbitragem que deixou de marcar dois pênaltis sobre Neymar. Dois lances polêmicos, é verdade, mas que se fossem fora da área provavelmente seriam marcados.

E, mesmo assim, a derrota parcial tinha uma explicação simples: em dois vacilos no meio de campo significaram dois lançamentos para Lionel Messi virar o jogo que era brasileiro com gol de Rômulo se aproveitando de falta cobrada por Neymar. Foi  ”só” e foi  tudo que o gênio argentino fez nos 45 minutos iniciais. E precisava mais?

No time brasileiro apenas Leandro Damião  não jogava o que dele se esperava. Independentemente do que acontecesse no segundo tempo, parece claro que o Brasil terá um belo time na Olimpíada, lembrando que os bicampeões olímpicos argentinos lá não estarão.

E no segundo tempo, em busca do empate, que pintava, a meninada dava espaço e os argentinos não paravam de ameaçar. Mas, aos 10, linda combinação colorada e Damião, de pivô, deu para Oscar empatar. Nada mais justo!

Aos 13, machucado, Oscar cedeu lugar a Giuliano. Uma pena. Lionel Messi seguia discreto. O que preocupava, pois não. E Damião, aos 19, desperdiçou enorme chance, o que bastou para Mano botar Alexandre Pato em campo. Aos 26, no entanto, Hulk não falhou. Em complemento a mais um bom escanteio batido por Neymar: 3 a 2! Rômulo saiu e Casemiro entrou.

A virada brasileira durou pouco, porque, aos 30, em cobrança de escanteio por Aguero, que acabara de entrar, Fernandez subiu no terceiro andar e marcou o terceiro gol. Que jogaço! Além do mais, leal, como tem que ser um clássico do futebol mundial, sete títulos mundiais em campo. Rafael Souza saiu e entro Danilo.

Aos 35, Fernandez salvou o quarto gol, que seria de Neymar. No minuto seguinte, ele acordou! Messi fez fila na defesa brasileira e foi derrubado por Danilo antes de entrar na área, na meia lua. Lucas entrou no lugar de Hulk. Messi bateu e quase virou de novo.

O menino Rafael fez bela defesa. Mas, aos 39, Messi arrancou de novo, agora pela direita e na altura da meia lua, marcou simplesmente um golaço, quer dizer, um gol com a marca registrada de Lionel Messi, o melhor do mundo.

Sem comparações, só para registrar, Pelé também marcou três gols na Argentina, em 1963, numa vitória por 4 a 1, pela Copa Roca, no Maracanã. E foi contra o time principal…


O gênio pegou mais uma bola para levar para casa, como sempre faz quando marca três vezes. E os meninos do Brasil voltaram para casa de cabeça erguida, porque jogaram uma partida exemplar. A se lamentar, apenas, a confusão final entre Marcelo e Lavezzi, ambos expulsos. O resultado também ficaria melhor com o empate.

Mas valeu!

Musa russa conquista Roland Garros

O tênis recuperou sua majestade. A musa russa Maria Sharapova conquistou pela primeira vez o torneio de Roland Garros, neste sábado, passando na final pela italiana Sara Errani com parciais de 6/3 e 6/2 em 1h29 de jogo. Agora, a atual número 1 do mundo conseguiu o último Grand Slam que lhe faltava: já foi campeã em Wimbledom (2004), no Aberto dos EUA (2006) e no Aberto da Austrália (2008). Nas fotos, Sharapova aparece com o troféu tendo a Torre Eiffel ao fundo e durante o jogo na quadra de Roland Garros. (Fotos: France Presse)

Sob ameaça de extinção

Por Gerson Nogueira

Poucas vezes o país do futebol foi palco de lambança tão grandiosa. E olha que vivemos na pátria-mãe das mais inimagináveis maracutaias. Mas, mesmo para os padrões nacionais, a balbúrdia criada por uma trinca de clubes emergentes é um marco desmoralizante na história da CBF, obrigada a atrasar o início de duas competições oficiais.
A situação lembra o imbróglio jurídico que resultou na Copa João Havelange, em 2000, saída malandra da entidade para acomodar interesses financeiros de grande monta e prestigiar o Clube dos 13, depois que uma batalha judicial impediu que a própria CBF organizasse a competição. 
Depois de décadas de absoluto controle sobre os clubes filiados, implacável com aqueles que ousavam se rebelar, a CBF corre o risco de um vexame público caso Treze (PB), Araguaína e Brasil de Pelotas triunfem nos tribunais. O desgaste só não é maior porque as séries A e B estão em andamento, ajudando a abafar os efeitos da crise nas demais divisões.
Ao mesmo tempo, o imobilismo da CBF trai uma evidente má vontade com os dois torneios, deficitários desde a origem e sempre ameaçados de extinção. Desta vez, há uma forte razão a sustentar a hipótese: a ampliação da lucrativa Copa do Brasil, que a partir do próximo ano terá mais datas, clubes participantes e premiações.
Por enquanto, contrariando a lógica natural, as três agremiações têm vencido a queda-de-braço, valendo-se de recursos à Justiça Comum e ignorando julgamentos do STJD. Desde que Ricardo Teixeira deixou o poder, a CBF jamais tinha sido tão desafiada.
Sua primeira reação resultou em fracasso em acordo mal costurado com a Justiça gaúcha. Foi, aliás, um arranjo engendrado pela entidade na Série C 2011 que deu origem a todos os problemas que estouraram nesta temporada. Depois de ter seu estádio (Arena da Floresta) interditado pelo Ministério Público, o Rio Branco acionou a Justiça Comum.
Em conseqüência, foi excluído da competição. Por baixo dos panos, políticos e dirigentes acreanos firmaram acordo com a CBF, garantindo o retorno do Rio Branco em 2012. Tudo o que veio depois disso tem origem na jogada de bastidores avalizada pela entidade.
Sem muita convicção, a CBF anuncia que a Conmebol estuda punir Brasil e Treze com base no Estatuto da Fifa, que proíbe clubes filiados de recorrerem à Justiça Comum. Curiosamente, a medida até hoje não foi aplicada.
Pelo andar da carruagem, diante dos prejuízos que se avolumam com o atraso dos campeonatos, o mais provável é que os três amotinados acabem incluídos na Série C. A medida, mal menor nas circunstâncias, pode ser o embrião de sérios problemas mais adiante. Afinal, a partir daí, ficará evidente que a velha serpente não amedronta ninguém. Pena que os clubes, de maneira geral, ainda ignorem suas próprias forças. Era o momento perfeito para ensaiar a libertação, via 
 
 
Depois que Adriano Magrão refugou, Kiros se transformou na atração solitária deste clássico sem eira, nem beira. Grandalhão como Alcino, artilheiro que marcou época e cravou o nome no coração dos remistas, o pernambucano chega de um jeito muito parecido.
Quase desconhecido, ainda sem títulos ou lauréis, deixou boa impressão em jogos treinos e pela semelhança com o Negão Motora no posicionamento dentro da área, embora sem a mesma força física. Será interessante observar como se sai no teste de verdade diante da torcida.
As demais estréias, pouco badaladas, se concentram na defesa e no meio-de-campo – Marcus Vinícius, Fábio Sanches, Alex William e Fabinho. Desse quarteto passa a depender todo o equilíbrio tático do time.
No Remo, a principal atração está na defesa. O veterano Ávalos tenta agarrar o papel de xerife, há muito tempo vago no clube. Quando passou pelo Santos na melhor fase da carreira, não deixou saudades. Os dirigentes remistas e o técnico Flávio Lopes acham que vale a pena arriscar.
Para o setor ofensivo, os reforços não chegam a representar novidade. São, no máximo, relançamentos. Ratinho volta ao clube pela terceira vez e Marcelo Maciel também já esteve no Remo em 2008. De novo apenas o fato de que ambos ajudaram o Cametá a tomar o título estadual deste ano, que já era festejado pela massa azulina no Mangueirão.
    
 
Uma curiosidade ronda o clássico. O Remo ainda não conseguiu vencer clássicos na temporada. Perdeu para o Paissandu no primeiro turno do Parazão por 2 a 0 e empatou (0 a 0) no returno. Contra a Tuna, situação parecida: perdeu por 2 a 1 e empatou em 2 a 2. Se não vencer hoje, pode não ter outra chance em 2012.
 
 
Bola na Torre (RBATV), hoje, às 23h45, com Giuseppe Tommaso, Valmir Rodrigues, o ex-jogador Pedrinho e este escriba baionense.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 10)