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1) Vexame remista pegando de 4 a 2 para o Vilhena, um time semi-amador e catado às pressas, na abertura da Série D.

2) King Kong do ano para a CBF, pelo retardamento de mais de um mês na realização da Série C. Em situações normais, era caso para indenização dos clubes prejudicados.

3) Gafe dos jornais argentinos confundindo o corintiano Romarinho com o filho do craque Romário, também chamado Romarinho.  

Futebol de altos e baixos

Por Gerson Nogueira

Sempre que pode, o futebol dá um jeitinho de confirmar suas tradições mais caras. Qualquer moleque sabe, desde sempre, que a Itália é a mais copeira de todas as seleções. Não por acaso, ganhou duas Copas com times inferiores aos de seus adversários diretos. Foi assim em 1982,
quando bateu o empolgante Brasil de Telê Santana, e em 2006, quando impediu que Zinedine Zidane fechasse em grande estilo a carreira gloriosa.
Ontem, contra a favoritíssima Alemanha, a Azzurra deu nova prova de seu fôlego de sete gatos. Com um único meia talentoso, Pirlo, envolveu os germânicos com forte e adiantada marcação no meio-de-campo e contragolpes letais. Mais ou menos como fez contra espanhóis, croatas e britânicos. Só não executou essa estratégia contra a Irlanda, justamente o adversário mais fraco.
O mais admirável no jogo dos italianos nesta Euro é o destemor diante dos times cotados para o título. Encarou a Espanha – a quem desafiará na final de domingo – com a audácia dos grandes times. É claro que essa atitude tem mais a ver com o passado vitorioso do que com presente de poucos triunfos e quase nenhum craque.
Balottelli, o polêmico atacante que surpreendeu a muralha defensiva alemã, é o jogador mais interessante da atual seleção, o que não é propriamente um elogio. Sofre, porém, dos mesmos apagões que os demais avantes italianos da atualidade. É capaz de jornadas épicas como a de
ontem e de atuações terríveis, como no confronto com a Espanha, quando perdeu pelo menos duas chances excepcionais para marcar. Ao lado de Cassano, outro jogador metido em confusões ao longo da carreira, Balottelli saiu como melhor jogador do duelo com a Alemanha,
mas não será surpresa se voltar a exibir instabilidade na partida decisiva. Não é exclusividade sua, é praticamente um aleijão do futebol moderno.
Tome-se como exemplo a até então valorizada Alemanha, aqui mesmo já louvada pela excelente caminhada na Euro e a maturidade de seus jovens atletas. Diante da segurança tática demonstrada pelos italianos, a equipe de Joachim Löw tremeu na base.
Errou como nunca, vacilou na marcação e parecia um timeco qualquer quando tinha a bola sob seu poder, tamanho era o nervosismo dos jogadores. Özil, seu armador mais criativo, não sabia o que fazer e os centroavantes (primeiro Gomez, depois Klose) sofreram com o isolamento entre os beques de azul. No finalzinho, quando a barca já afundava, veio um pênalti meio mandrake, insuficiente para mudar os rumos da partida.
De qualquer maneira, a Itália vai para a terceira final no torneio europeu de seleções. Foi campeã em 1968 e encara a Fúria com a altivez que já fez várias vítimas ao longo da competição. Como estamos em tempos de altos e baixos, é prudente nem arriscar palpite. Mesmo que não conquiste o título, a Itália assegurou presença na Copa das Confederações em gramados brasileiros, em 2013, já que a Espanha tem lugar cativo por ser a atual campeã do mundo.

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Depois do treino de ontem, Roberval Davino praticamente escalou o time do Paissandu para a estréia na Série C, segunda-feira, contra o Luverdense: Paulo Rafael; Marcus Vinícius, Fábio Sanches e Tiago Costa; Pikachu, Ricardo Capanema, Fabinho, Leandrinho e Régis; Tiago Potiguar e Kiros. A ausência de Alex William tira habilidade do meio-campo, mas a presença de Leandrinho reforça a capacidade de marcação. De todo modo, para um jogo em casa, esperava uma formação mais agressiva, com Rafael Oliveira e Potiguar juntos.

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O botafoguense Raimundo Dorivaldo Albuquerque Ferreira, com a verve habitual, contesta as críticas ao defensivismo do técnico Tite e à postura sempre cautelosa do Corinthians. “Esquecem rapidamente que o Santos de Neymar & Ganso foi jogar de igual com o Barça e levou de 4. Esquecem também que o próprio Barça perdeu o título da Europa para um time ‘retranqueiro’. Razão disso tudo: o futebol é centenário com os seus times de onze jogadores e gramado intocáveis nas suas quantidades e dimensões. Não pode diminuir o plantel nem aumentar o campo mas os atletas do início do futebol, que eram trabalhadores de outras profissões que jogavam bola, hoje são profissionais produzidos em laboratório de biofisiculturismo”.
Acrescenta que o espaço do jogo ficou pequeno, “super povoado por atletas que são acompanhados desde pequenos para exercer a profissão com eficácia, então aquele futebol arte, das décadas de 50 a 70 ficou como exemplo de pureza. Beleza, mas de poucos e bons resultados
positivos (seleções hungara e holandesa são exemplo disso). O empreendimento que gera fortuna precisa ter resultados cartesianos positivos onde o planejamento tem que dar lucro e ainda manter o interesse do cliente, que é o torcedor, por sua equipe e assim ser sustentado por todas as possibilidades que o marketing possa vender em função do desempenho dos times e seus craques”.
Arremata com um recado sem falsas ilusões: “Aos saudosos do espetáculo dos verdadeiros artistas da bola, isso agora é um quadro na parede da memória porque um jogador tem que ser roboticamente produzido para, em conjunto, garantir um ou três pontos e com isso levarem suas equipes aos títulos. Como disse aquele técnico famoso: ‘Quer ver espetáculo, vai pro show da Ivete Sangalo!’. É a perfeita dimensão do futebol de hoje”.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 29)