DIÁRIO lança mais um campeão de audiência

O DIÁRIO lança, neste domingo, seu mais novo suplemento: a revista D Semanal. Editada pela jornalista Esperança Bessa, a D Semanal se baseia nas grandes revistas de comportamento e tendências d imprensa mundial. Na estreia, uma reportagem de capa com a top internacional Caroline Ribeiro. Dê uma conferida.

Uma jogada de alto risco

Por Gerson Nogueira

O que não serve para o Paissandu pode ser bom para o Remo, ou vice-versa? Bem, essa regra nem sempre funcionou. Bira, que foi ídolo remista nos anos 70/80, teve passagem apagada pelo Paissandu. Fábio Oliveira, artilheiro com a camisa azulina, foi um tremendo fiasco ao vestir a alviceleste. Zé Carlos, goleador na Curuzu, passou em brancas nuvens pelo Baenão. A rigor, Rubilota e Dadinho são os raros exemplos de jogadores que vingaram dos dois lados da avenida Almirante Barroso.
A nova travessia envolveria Adriano Magrão, que marcou apenas dois gols pelo Paissandu em mais de três meses no clube e agora pode se transferir de armas e bagagens para o maior rival, sob aplausos do técnico Flávio Lopes. Almoço em fino restaurante da cidade selou negócio, cujo principal interessado (o jogador) foi o último a ser avisado.  
Ao espectador distraído pode parecer que negócio dessa natureza é normal e corriqueiro entre os dois clubes. Não é bem assim. O que há, segundo fontes de ambos os lados, é o vivo interesse do Paissandu em se livrar de um pesado fardo financeiro.
O jogador seria liberado para o Remo, que assume os seis meses restantes de contrato. Isso, em tese, deixaria todos felizes, inclusive o próprio Magrão, considerado fora dos planos de Roberval Davino. É claro que, numa transação tripartite, há sempre a chance de alguém sair perdendo. Neste caso específico, os remistas podem herdar o King Kong do ano.
Magrão, bom profissional e com passagem respeitável por outros clubes (Fluminense e Sport), não mostrou na Curuzu as qualidades próprias de um goleador. Só conseguiu balançar as redes contra o Sport pela Copa do Brasil, dois meses depois de estrear. O segundo gol viria contra o Nacional (AM), em amistoso caça-níquel realizado em Paragominas.
Como ganha algo em torno de R$ 25 mil mensais no Paissandu, pode-se, num cálculo simples, avaliar que cada um de seus gols saiu por mais de R$ 37 mil. A média, das mais caras do país, explica a pressa dos dirigentes em se safar do incômodo “reforço”.  
Inusitada é a extrema boa vontade demonstrada pelo Remo. O técnico Flávio Lopes endossou a parada, encantado com a possibilidade de contar com o único centroavante que não conseguiu fazer gols no Parazão.
A repentina camaradagem entre os clubes se completaria com a liberação do jovem zagueiro Igor João ao Papão, hipótese especulada na sexta-feira. Se o acordo se confirmar, repetirá a célebre cessão a custo zero do atacante Héliton, obra da gestão Amaro Klautau.
Impressiona nesse rolo a ausência de preocupação das duas diretorias com os prováveis prejuízos decorrentes da operação, inclusive no aspecto jurídico. Como contratos são firmados sem maior preocupação com as normas legais, ninguém deve se surpreender se o jogador, mais à frente, decidir acionar judicialmente os dois titãs.
 
 
Re-Pa confirmado para o dia 10. Não há um apelo, mas as motivações são claras: arrecadar dinheiro para compensar o prejuízo desse atraso nas Séries C e D. Tecnicamente, servirá para movimentação dos novos times e apresentação dos recém-contratados.
É o que dirigentes e técnicos irão dizer para badalar o clássico. Mas, se os treinadores pudessem falar o que realmente pensam, diriam que o embate pode safar um mês de salários, mas traz o risco de contusões às vésperas das competições nacionais.
 
 
Brasil e México é aquele típico jogo sem graça e que reúne forças desiguais no cenário do futebol. Vale exclusivamente pelo cachê milionário para os cofres da CBF. Não é, jamais foi ou será, um clássico. Mas teve força suficiente para suspender a rodada da Série A, atravancando ainda mais o calendário dos clubes.
Como teste para Mano Menezes pode ter valor prático se a seleção de Pancho Villa repetir as últimas apresentações contra nós, quando criou dificuldades. No escrete olímpico, nova chance para observar Oscar, Marcelo, Neymar, Hulk e Damião. E para esculachar, de novo, a misteriosa opção pelo bate-estaca Sandro no lugar do bom Ramires.
 
 
Aos leitores que cobraram notícias, aí vai uma parcial da enquete do portal UOL sobre a maior torcida da internet, até o começo da madrugada de sábado: Remo em 1º lugar, com 82.542 (17%); Paissandu em 2º, com 70.235 (14%); Corinthians em 3º, com 38.017 (8%); Palmeiras em 4º, com 35.075 (7%) e São Paulo em 5º, com 26.922 (6%).

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 03)

Clubes decidem ir à Justiça cobrar prejuízos

Custou a cair a ficha, mas os clubes que disputam a Série C começam a se movimentar para cobrar na Justiça os prejuízos causados com o atraso da competição. O alvo, naturalmente, são os clubes que recorreram à Justiça Comum em busca de vagas no campeonato. É o caso de Treze, Brasil de Pelotas e Araguaína. Dirigentes de Campinense, Fortaleza e Santa Cruz se mobilizam para exigir ressarcimento pelas perdas financeiras. O Paissandu, que já está propondo a criação de outra competição, deveria fazer o mesmo a fim de resguardar seus direitos. E, por tabela, já que a Série D também foi afetada, o Remo deveria seguir o exemplo dos demais.

Magrão ainda não se desligou do Paissandu

Para se desligar do Paissandu, o atacante Adriano Magrão estaria impondo algumas condições, inclusive de ordem financeira. Os detalhes dessa cobrança não foram revelados pelos dirigentes, mas seria a razão de não ter sido ainda oficializada a transferência para o Remo, conforme acordo firmado entre as duas diretorias. Magrão teria dinheiro a receber do Paissandu e, por isso, não concordou de imediato com a mudança. Ao mesmo tempo em que ficou satisfeito com a aprovação do técnico remista Flávio Lopes, o centroavante mostrou-se chateado por ser descartado pelo Paissandu e não ter sido avisado a respeito. Apesar desses detalhes, o acerto entre Magrão e o Remo deve ocorrer até terça-feira e é provável que ele defenda o novo clube já no Re-Pa do dia 10. (Foto: MÁRIO QUADROS/Arquivo Bola)

Série C de circo

Por Roberto Vieira

Quem lê as manchetes fica radiante. Eufórico. A seleção destroça vikings e ianques.

Sorteio da Copa das Confederações une Valcke e troianos.

Hulk vale 47 milhões de euros.

Ronaldinho, 40 milhões de reais.

As séries A e B do Brasileirão vão de vento em popa.

Parece até que o picadeiro do futebol brasileiro tomou jeito. Parece.

Mas o futebol brasileiro é muito maior do que nossa vã imaginação.

Duvida? Pois lá está a Série C. De Circo. Como numa corrente da incompetência – a Inglaterra tem duzentas divisões e nada acontece de errado.

O Brasil de pelotas entrou na Justiça Comum. O Treze de Campina Grande entrou na Justiça Comum. O Rio Branco do Acre entrou na Justiça Comum. O Luverdense do Mato Grosso? Também pensa em entrar na Justiça Comum.

A CBF? Olha com ares de equilibrista o carnaval de ações. A Série C segue suspensa desde o dia 20 de maio. A Série D emperrou. Depende da C.

Os clubes que já vivem penalizados pela jaula de leões. Jaula das desigualdades de cotas do futebol nacional. Caminham a passos firmes e fortes para a mendicância desportiva.

E o palhaço quem é?