Equilíbrio marca clássico na Euro

Com gols de Lescott, aos 30, e Nasri, aos 39, Inglaterra e França empataram o clássico desta segunda-feira na Eurocopa. O gol de abertura deu a impressão de que os ingleses quebrariam o tabu de não vencer ao estrear no torneio. No entanto, o empate francês logo em seguida devolveu ao jogo o equilíbrio, que acabaria prevalecendo até o final. Pelo lado azul, os destaques foram Nasri, Benzema e Ribery. Pelos ingleses, prevaleceu a experiência de jogadores como Terry, Gerrard e Cole. Um bom duelo, mas ficou a impressão de que as duas seleções terão que melhorar muito para chegar às finais. (Fotos: Diário Marca)

S. Paulo cria sistema de punição a indisciplinados

O São Paulo talvez seja o único grande clube brasileiro que adota um sistema que pune e coíbe a indisciplina de seus atletas. Desde que assumiu a direção de futebol do clube (há 13 meses), Adalberto Baptista já aplicou 12 ou 13 sanções disciplinares. A maioria delas não chegou ao conhecimento do público. A média é de atleta punido por mês com multa ou advertência. O cartola não detalhou os casos. Apesar de não falar se Luís Fabiano foi castigado por ter recebido três cartões amarelos em três jogos do clube pelo Brasileiro, o dirigente disse que o atacante não faz parte da dúzia de jogadores punidos anteriormente.

Um teste e muitas lições

Por Gerson Nogueira

No terceiro Re-Pa do ano, o Remo repetiu a lerdeza do primeiro, quando foi derrotado por 2 a 0 e escapou de coisa pior. Naquela ocasião, no turno do Campeonato Paraense, Nad dirigia o Paissandu e venceu explorando a velocidade da garotada. Ontem, a apatia dos remistas foi confrontada com outro tipo de postura dos bicolores.
Ainda sem o necessário entrosamento, o Paissandu concentrou suas jogadas em Alex William, desde já candidato a maestro do time de Roberval Davino. Por ele, passavam todas as bolas. Quando alguma coisa não funcionava bem, bola para o armador e ele resolvia.
Do lado azulino, não havia essa tal figura, fundamental em situações normais de jogo e mais úteis ainda quando a equipe carece de conjunto. A desarrumação do Remo soou mais surpreendente porque Flávio Lopes mexeu menos na estrutura do que seu oponente Davino.
O Paissandu começou com seis novidades, uma a mais que o Remo. Em campo, porém, na distribuição das tarefas, os bicolores pareciam mais próximos e ágeis. Os azulinos davam a impressão de que tinham acabado de se conhecer nos vestiários.
Jhonnatan foi escolhido para culpado inicial pela fraca atuação coletiva, sendo sacado por volta dos 30 minutos. Lopes repetia atitude adotada com Tiago Cametá nas finais do Parazão. A torcida não aprovou a medida, até porque Jhonnatan não era o pior em campo. O rendimento do Remo não se alterou grande coisa com a entrada do novato Marcos Pingüim.
No segundo tempo, porém, a combinação de desentrosamento e cansaço foi decisiva para o resultado final. Se nos 45 minutos iniciais, o Paissandu havia perdido um punhado de oportunidades com Kiros e Pikachu, na etapa final Davino veio com Héliton para explorar a velocidade em cima da envelhecida zaga remista. Deu certo.
O jogo ainda era mais ou menos equilibrado quando a arbitragem assinalou pênalti em Pikachu, cobrado com cavadinha estilosa pelo novato Alex William. Lopes substituiu Fábio Oliveira por Joãozinho e Ratinho por Magnum, mas nada mudou no Remo.
A partir dos 20 minutos, a superioridade bicolor se transformou em bombardeio contra a meta de Adriano, que era o melhor do Remo até àquela altura. E continuou a ser mesmo quando sofreu o golaço de Héliton, jogada mais bonita da tarde, por cobertura, aos 25.
Nem houve tempo para reagir. Dois minutos depois, Potiguar cruzou para Leandrinho fazer o terceiro. O Paissandu esteve perto do quarto gol e o Remo não teve forças para sair do zero.
O balanço de chutes a gol é revelador: foram 13 tentativas do Paissandu contra 4 do Remo. Clássicos costumam ser surpreendentes, mesmo quando o calor da torcida não se manifesta, mas o placar não pode ser visto como tragédia pelos remistas, nem como glória suprema pelos bicolores. O teste precisa ser avaliado com atenção e serenidade.
Sobre o Paissandu, ficou a quase certeza de que o elenco precisa de pequenos ajustes para começar bem a Série C. No Remo, que desmontou o time do returno do Parazão, falta muito para arrumar a casa, até mesmo quanto ao condicionamento físico. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

 
Alex William, dos estreantes, foi disparadamente o melhor. Kiros não decepcionou. Os demais foram razoáveis. Na má atuação do Remo, ninguém se sobressaiu. Todos ficaram devendo. 
 
 
O impulso pela comparação é uma característica dos tempos modernos. Somos tentados a comparar todo tipo de coisa. Cantores, atores, atletas. Mas, convenhamos, é inadequado e precipitado comparar Neymar a Messi. O erro está na pressa em fazer de Neymar o supercraque que ainda não é e, ao mesmo tempo, rebaixar as qualidades óbvias que Messi possui.
Por ora, o melhor a fazer é usufruir, aproveitar cada momento que ambos proporcionam em nome da beleza do jogo. No futebol, como na vida, o tempo passa rápido, envelhece quando menos esperamos.
Garotos hoje, homens amanhã, senhores depois de amanhã. Messi, até ontem apenas um menino arredio, já é craque maduro. Neymar, moleque ainda, caminha para a maturidade de seu talento. Estou certo de que Messi ainda vai ser melhor do que é hoje, pois parece se importar exclusivamente com a bola. Será um fora-de-série, como Maradona no auge no Mundial de 2006 no México, quase como Pelé foi aos 28 anos na primeira Copa mexicana. Neymar será bem mais do que já mostrou e terá muita estrada a percorrer.
Bem afortunados são os argentinos, por terem um Messi para festejar. Bem aventurados somos nós. Depois da excepcional geração de Romários e Ronaldos, temos a bendita sorte de arranjar logo alguém para aplaudir – e esperar. Basta ter paciência.
Os 4 a 3 de sábado, em Nova Jérsei, foi acima de tudo um estupendo espetáculo de futebol de duas escolas muito parecidas em técnica e tradição. Foi também a demonstração de que Mano Menezes finalmente tem um time para chamar de seu. Perdeu, é verdade, mas quem não perderia para um craque endiabrado que vale por meio time?

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 11)

Técnico do Remo reafirma que não queria o jogo

Depois da partida, o técnico Flávio Lopes, do Remo, não escondeu sua insatisfação com o resultado e com a própria realização do clássico. “Eu já sabia que isso (a derrota para o Paissandu) poderia acontecer. Meus jogadores não estão bem fisicamente. Eu sinceramente nunca vi nenhum clube grande jogar clássico em época de preparação”, desabafou. A superioridade do adversário foi admitida pelo treinador azulino. “O Paissandu está muito melhor que a gente em todos os aspectos. Não estou elogiando o meu rival, mas isso é real”, avaliou, sem entrar em detalhes. Aproveitou para sair em defesa de seus jogadores e disse ser contrário à realização de outro Re-Pa – o que havia sido acordado entre as diretorias dos clubes – caso o Brasileiro da Série D não comece. “Vocês já viram Vasco e Flamengo fazerem amistoso em época de preparação?”, indagou, ironizando. Evitou comentar a rápida discussão com o volante Jhonnatan, que reclamou ao ser substituído logo no primeiro tempo do Re-Pa. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)